A Bulgária se prepara para a oitava eleição parlamentar em apenas cinco anos. O ex-presidente Rumen Radev desponta como favorito com plataforma de combate à corrupção e defesa de política externa soberana.
O ciclo de instabilidade começou após a renúncia do ex-primeiro-ministro Boyko Borissov em 2021. Borissov lidera o partido de centro-direita GERB-SDS e enfrenta acusações de desvio de fundos europeus e ligações com o crime organizado.
Radev construiu sua campanha sobre o fim da estrutura mafiosa e oligárquica que domina o país. O ex-presidente defende relações pragmáticas e independência frente às diretrizes de Bruxelas, conforme detalhou o portal RT.
Seis milhões e seiscentos mil eleitores escolherão os 240 deputados da Assembleia Nacional. Pesquisas mostram 31% das intenções de voto para a coalizão de Radev contra 21% do GERB-SDS.
O partido Continuamos a Mudança registra 12% nas sondagens. O primeiro-ministro interino Rossen Jeliazkov comanda o atual governo em meio à baixa participação histórica do eleitorado.
Radev criticou duramente a política da União Europeia para o conflito na Ucrânia. Ele vetou o envio de veículos blindados a Kiev e defendeu o fim das sanções energéticas contra a Rússia.
O ex-presidente búlgaro sempre afirmou que o conflito não tem solução militar. Ele disse ao presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, que o aumento do fornecimento de armas apenas prolongaria a guerra.
O governo interino adotou linha oposta e firmou acordo militar de dez anos com a Ucrânia. O pacto prevê produção conjunta de drones e munições, além de treinamento de tropas e alinhamento às sanções europeias.
O acordo inclui ainda participação no Corredor Vertical de Gás. Esse projeto levará gás natural liquefeito via Grécia para substituir o fornecimento russo no Leste Europeu.
A Comissão Europeia ativou o Sistema de Resposta Rápida durante o processo eleitoral búlgaro. O mecanismo obriga plataformas a removerem conteúdos considerados desinformação conforme solicitação do governo interino.
Críticos apontam que a medida restringe o debate político legítimo no país. A iniciativa favorece forças alinhadas à União Europeia, segundo analistas que acompanham a disputa de perto.
A eleição reflete divisões profundas na Europa Oriental sobre soberania nacional. Radev defende que a Bulgária priorize seus interesses econômicos e energéticos em vez de seguir automaticamente Bruxelas.
Pesquisas indicam que 31% dos búlgaros veem a Rússia de forma positiva. Menos de um quarto da população demonstra simpatia pela Ucrânia, segundo as mesmas sondagens.
Uma eventual vitória de Radev pode aproximar o país de postura mais neutra no conflito. O resultado definirá o papel da Bulgária dentro do bloco europeu nos próximos anos.
Com informações de RT.
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