Trump ameaça manter bloqueio a portos iranianos e põe trégua em risco

Ilustração editorial sobre Trump ameaça manter bloqueio a portos iranianos e põe trégua em risco. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o bloqueio imposto aos portos do Irã continuará caso não seja alcançado um acordo com Teerã. A afirmação ocorreu durante conversa com jornalistas a bordo do Air Force One, enquanto vigora uma trégua temporária após sete semanas de combates no Oriente Médio.

Trump indicou ainda que o cessar-fogo atual pode não ser estendido após seu prazo final. Ele acrescentou que o urânio enriquecido pelo Irã seria transferido para os Estados Unidos — proposta que Teerã rejeitou de imediato, garantindo que não transferirá material nuclear para fora de seu território.

Conforme reportou o portal da RFI, a República Islâmica ameaçou fechar novamente o estreito de Ormuz caso o bloqueio marítimo seja mantido por Washington. Essa via estratégica responde por cerca de um quinto do petróleo que circula no mundo.

A advertência veio pouco depois de o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, anunciar a reabertura completa do estreito para navios comerciais. A medida provocou queda imediata nos preços internacionais do barril de petróleo.

A reabertura gerou alívio inicial entre potências europeias que buscam estabilizar o suprimento energético global. A França e o Reino Unido lançaram em Paris uma iniciativa destinada a criar uma missão internacional de segurança no Golfo para proteger embarcações civis.

O plano prevê ainda a realização de operações de desminagem, caso se faça necessário. O ex-oficial francês Guillaume Ancel afirmou à RFI que provavelmente nunca existiram minas no estreito de Ormuz.

O cessar-fogo foi anunciado por Trump após combates intensos que envolveram o exército israelense, o Hezbollah e forças iranianas em confronto direto com os Estados Unidos. Apesar do acordo, o exército libanês denunciou que Israel seguiu bombardeando vilarejos no sul do Líbano em clara violação da trégua.

A República Islâmica resistiu à ofensiva militar conjunta de Washington e Tel Aviv sem sofrer colapso institucional. O país enfrenta, contudo, graves dificuldades econômicas provocadas pelas sanções e pelo bloqueio, que prejudicam sua população e suas exportações de energia.

Para as monarquias árabes do Golfo, o conflito revelou os limites da aliança com os Estados Unidos. Essas nações se viram expostas a ataques de mísseis e drones iranianos enquanto Trump priorizava a coordenação com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

Essa dinâmica gerou desconforto entre os aliados tradicionais de Washington na região, que agora exploram opções diplomáticas mais independentes. Em Israel, o governo Netanyahu vê o conflito como oportunidade para alterar o equilíbrio de forças no Oriente Médio pela via militar.

Na Europa cresce a pressão por uma solução negociada que evite o colapso dos mercados energéticos e um confronto mais amplo. A França e seus parceiros buscam consolidar um plano de estabilização para o estreito de Ormuz, considerado essencial ao comércio internacional.


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