Ato em São Paulo denuncia uso de escola pública em filme que ataca Paulo Freire

Ilustração editorial sobre Ato em São Paulo denuncia uso de escola pública em filme que ataca Paulo Freire. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

Professores, pais de alunos, sindicatos e parlamentares se reuniram na Praça Roosevelt, em São Paulo, para protestar contra o uso da Escola Municipal de Educação Infantil Patrícia Galvão como locação para o filme Pedagogia do Abandono, produzido pela Brasil Paralelo.

A obra é acusada de difamar a educação pública e o legado do educador Paulo Freire, patrono da Educação Brasileira. Conforme reportagem do portal Carta Capital, a diretora da Emei Patrícia Galvão, Sandra Regina Bouças, expressou surpresa com a revelação.

Bouças divulgou carta nas redes sociais relatando ter descoberto a identidade da produtora pouco antes das filmagens. A educadora questionou a autorização concedida pela prefeitura de São Paulo para as gravações nas dependências da escola.

A professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, Denise Carreira, criticou o filme por buscar enfraquecer políticas públicas sociais, raciais e de gênero. Carreira argumentou que o ataque ao pensamento freireano ameaça a escola democrática e transformadora.

Eduarda Lins, mãe de uma aluna da instituição, elogiou os profissionais da escola durante o protesto. Ela classificou como desrespeito à comunidade a permissão para um filme de caráter ideológico em espaço público.

A Brasil Paralelo é conhecida por produções alinhadas à extrema-direita e já teve colaboradores processados por desinformação. Dois deles viraram réus no Ceará após denúncia do Ministério Público por ataques à ativista Maria da Penha em outro documentário.

Em nota, a Spcine informou que o pedido foi analisado e aprovado pela SP Film Commission conforme os procedimentos habituais. A empresa ressaltou que a checagem de questões legais — como uso de imagem e participação de menores — é de responsabilidade dos produtores.

O episódio reacende discussões sobre o uso de instituições públicas por empresas com agendas ideológicas específicas. Educadores defendem maior transparência e neutralidade na cessão de espaços escolares para produções audiovisuais.


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