Professores, pais de alunos, sindicatos e parlamentares se reuniram na Praça Roosevelt, em São Paulo, para protestar contra o uso da Escola Municipal de Educação Infantil Patrícia Galvão como locação para o filme Pedagogia do Abandono, produzido pela Brasil Paralelo.
A obra é acusada de difamar a educação pública e o legado do educador Paulo Freire, patrono da Educação Brasileira. Conforme reportagem do portal Carta Capital, a diretora da Emei Patrícia Galvão, Sandra Regina Bouças, expressou surpresa com a revelação.
Bouças divulgou carta nas redes sociais relatando ter descoberto a identidade da produtora pouco antes das filmagens. A educadora questionou a autorização concedida pela prefeitura de São Paulo para as gravações nas dependências da escola.
A professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, Denise Carreira, criticou o filme por buscar enfraquecer políticas públicas sociais, raciais e de gênero. Carreira argumentou que o ataque ao pensamento freireano ameaça a escola democrática e transformadora.
Eduarda Lins, mãe de uma aluna da instituição, elogiou os profissionais da escola durante o protesto. Ela classificou como desrespeito à comunidade a permissão para um filme de caráter ideológico em espaço público.
A Brasil Paralelo é conhecida por produções alinhadas à extrema-direita e já teve colaboradores processados por desinformação. Dois deles viraram réus no Ceará após denúncia do Ministério Público por ataques à ativista Maria da Penha em outro documentário.
Em nota, a Spcine informou que o pedido foi analisado e aprovado pela SP Film Commission conforme os procedimentos habituais. A empresa ressaltou que a checagem de questões legais — como uso de imagem e participação de menores — é de responsabilidade dos produtores.
O episódio reacende discussões sobre o uso de instituições públicas por empresas com agendas ideológicas específicas. Educadores defendem maior transparência e neutralidade na cessão de espaços escolares para produções audiovisuais.
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Luciana Santos
01/05/2026
Enquanto esse povo briga por causa de filme e ideologia, a escola pública continua caindo aos pedaços e o ensino não prepara ninguém pra nada. É muita conversa bonita em praça, mas na vida real o que falta é gestão séria que não seja palanque pra político de um lado ou de outro. No fim das contas, quem sai perdendo é o filho do trabalhador que continua sem aprender o básico.
Samara Oliveira
01/05/2026
É triste ver que tratam o solo sagrado da educação como se fosse apenas mercadoria ou peça de produtividade. Usar uma escola pública para atacar a memória de Paulo Freire é uma injustiça que fere a dignidade do povo pobre que clama por libertação. A nossa fé nos ensina que o conhecimento deve servir para quebrar correntes, não para alimentar o projeto de quem só olha para o próprio umbigo.
Vanessa Silva
01/05/2026
É um erro crasso de gestão transformar um equipamento público em palco para disputas que não trazem retorno prático para o desenvolvimento da cidade. O planejamento inteligente exige que as escolas sejam tratadas como ativos de formação e integração urbana, e não como cenários para alimentar narrativas que só travam o avanço institucional. Precisamos focar no que realmente melhora a infraestrutura educacional e o funcionamento dos bairros.
Lucas Moreira
01/05/2026
Enquanto o pessoal gasta sola de sapato com protesto ideológico, o gráfico de produtividade do Brasil continua no chão por falta de formação técnica básica. Escola pública é um ativo do pagador de impostos que deveria focar em eficiência e capital humano, não em servir de santuário para narrativas que o mercado já descartou. Precisamos de menos interferência sindical e mais gestão voltada para resultados reais.
Maria Aparecida
01/05/2026
É de doer o coração ver gente tratando o ensino como se fosse fábrica, ignorando que a educação deve libertar o oprimido, como diz a Palavra. Paulo Freire defendeu a dignidade do povo e usar uma escola pública para atacar sua memória é uma injustiça que clama aos céus. Precisamos de escolas que formem cidadãos conscientes e não apenas servos para o mercado de trabalho dos poderosos.
Carlos Meirelles
01/05/2026
Impressionante como gastam tempo com protesto ideológico enquanto o ensino básico não prepara ninguém para o mercado de trabalho. O contribuinte quer ver eficiência e resultados reais, não essa gritaria sindical por causa de um filme ou de um prédio. Menos foco em narrativas e mais gestão técnica é o que realmente tiraria a educação brasileira do atraso.
João Silva
01/05/2026
Carlos, essa ideia de que a escola serve apenas para preparar para o mercado é a face mais crua da razão instrumental, transformando o ensino em mero adestramento de mão de obra barata. Defender uma gestão puramente técnica é ignorar a desigualdade estrutural e a necessidade de formar consciência de classe em vez de apenas apertadores de parafusos do sistema. A pedagogia de Paulo Freire incomoda justamente por denunciar essa visão utilitarista que quer o povo dócil e sem senso crítico.
Major Ricardo Silva
01/05/2026
Essa gritaria de sindicato só prova que o filme tocou na ferida de quem aparelhou o ensino por décadas. O povo cansou de financiar doutrinação e quer ver ordem, disciplina e resultados reais nas salas de aula, longe dessa influência do PCdoB. Já passou da hora de desmascarar esse método que só serviu para formar militante e afundar o Brasil nos rankings de educação.
Carlos Henrique Silva
01/05/2026
Major, sua leitura ignora a complexidade do que Gramsci chamava de hegemonia cultural. O senhor fala em aparelhamento, mas o que assistimos aqui é justamente o uso do Estado – neste caso, a estrutura física de uma escola pública – para a propagação de uma pedagogia do conformismo, sob o verniz de entretenimento. É curioso como o discurso da neutralidade e da ordem sempre surge para silenciar o pensamento crítico que Paulo Freire tão bem fundamentou. O que vocês chamam de doutrinação é, na verdade, a tentativa de Freire de romper com a educação bancária, aquela que apenas deposita informações para criar sujeitos passivos e funcionais ao mercado. Ao transformar a escola em cenário para um panfleto ideológico disfarçado de cinema, quem aparelha o espaço público são as forças que temem a emancipação das classes subalternas.
Sobre os rankings e a tal disciplina que o senhor defende, é preciso honestidade intelectual para admitir que o sucateamento da educação brasileira não decorre de um excesso de Freire, mas da sua absoluta ausência nas políticas públicas reais. O Brasil nunca aplicou a pedagogia da autonomia em escala sistêmica; o que temos é um modelo gerencialista, focado em métricas produtivistas que ignoram a realidade material do aluno. O pânico moral em torno de um suposto comunismo escolar é uma cortina de fumaça para esconder a precarização do trabalho docente e a privatização branca do ensino. A ordem que o senhor busca é a ordem do silêncio, a disciplina do corpo dócil que Althusser descreveria como o perfeito funcionamento do aparelho ideológico de Estado a serviço da manutenção da desigualdade.
Atacar Freire em um prédio público é um ato simbólico de ocupação. O senhor menciona resultados, mas ignora que o conhecimento libertador não se mede apenas em testes padronizados de múltipla escolha, desenhados para estratificar quem deve comandar e quem deve obedecer. A gritaria dos movimentos sociais e sindicais é a última linha de defesa contra a transformação da escola em uma fábrica de mão de obra despolitizada. Se o filme precisa de um espaço público para atacar um dos maiores pensadores da história brasileira, é porque ele não se sustenta no debate acadêmico sério e precisa do suporte da infraestrutura estatal para validar sua revisão histórica falaciosa.
Maria Clara Lopes
01/05/2026
É desanimador ver a educação básica transformada em um eterno campo de batalha entre o pânico moral e o academicismo militante. Enquanto gastam energia com essa guerra de narrativas e ocupação de espaços públicos para fins ideológicos, o foco na qualidade do ensino e na infraestrutura real acaba ficando em segundo plano. Precisamos de menos debate apaixonado sobre símbolos e mais pragmatismo para resolver os problemas práticos das nossas escolas.
Carmem Souza
01/05/2026
Meus irmãos, sinto que falta um pouco de equilíbrio e mansidão quando tratamos desses assuntos, pois a escola deveria ser sempre um lugar de paz e aprendizado. Tratar quem pensa diferente como um inimigo da fé só gera mais divisão e nos afasta do verdadeiro diálogo cristão. Que a gente saiba buscar a verdade com amor, sem cair em extremismos que não edificam a nossa sociedade.
Clotilde Pátria
01/05/2026
Meu Deus, o comunismo vai ser implantado amanhã se a gente não acordar agora, esse tal de Paulo Freire é a porta de entrada para o inferno na educação! Estão querendo entregar nossos netos para a doutrinação vermelha e esses rapazes nos comentários estão com a alma vendida para o sistema. Intervenção divina urgente no Brasil antes que confisquem até as nossas casas, socorro Jesus!
Lucas Andrade
01/05/2026
Clotilde, esse seu pânico é o triunfo da indústria cultural que Adorno denunciou, transformando o medo em mercadoria para que o verdadeiro dispositivo de poder ocupe a escola e silencie a alteridade. O que você chama de doutrinação é apenas o pânico moral operando para manter os corpos dóceis e vigiados em um panóptico de ignorância programada. O verdadeiro confisco não é da sua propriedade, mas da sua capacidade de desconstruir a opressão que te faz ver demônios onde existe apenas o desejo de liberdade.
João Batista
01/05/2026
Ô Lurdinha, minha irmã, o medo não vem de Deus e Paulo Freire foi justamente um cristão que colocou o Evangelho em prática na libertação dos oprimidos. Usar a escola do povo para atacar quem ensinou o humilhado a ler a própria história é puro farisaísmo dessa elite que não suporta ver o pobre de pé. Como diz a Escritura, a verdade liberta, e o que eles querem é manter o povo na cegueira para continuar mandando e desmandando.
João Pereira
01/05/2026
O uso de prédios públicos para fins partidários é um erro, mas o protesto focado apenas no simbolismo ignora que a escola real está abandonada em termos de resultados. Enquanto se discute filme e ideologia, o ensino básico brasileiro segue incapaz de garantir o mínimo de aprendizado aos alunos. Essa polarização em torno de Paulo Freire serve apenas para alimentar bolhas, sem apresentar uma única solução prática para o desastre educacional atual.
Lurdinha Deus Acima de Todos
01/05/2026
Cuidado povo de Deus esse Paulo Frete é perigoso e se deixar eles vão fechar todas as igrejas pra ensinar ideologia de gesso nas escola!!!! Orem pelo Brasil!!!! 🇧🇷🙏🇺🇸
Tiago Mendes
01/05/2026
Dona Lurdinha, a paz do Senhor, mas o medo não pode ser o guia de quem segue a Cristo. Paulo Freire foi um homem de fé que dedicou a vida para que o povo oprimido tivesse dignidade, e lutar por uma educação que liberta é, na verdade, cumprir a vontade de Deus aqui na terra.
Carlos Mendes
01/05/2026
Enquanto sindicatos e ideólogos brigam por prédios públicos, o Brasil amarga o fundo do poço no ranking do PISA e despeja bilhões em um sistema que mal ensina o básico. O Estado é uma máquina de moer impostos para sustentar essa guerra cultural inútil de ambos os lados, ignorando que a nossa produtividade nacional está estagnada. No fim, o pagador de impostos financia o teatro da militância enquanto as escolas seguem entregando resultados pífios para a economia.
Cláudio Ribeiro
01/05/2026
Caro Carlos, sua análise reduz o fenômeno educativo à gélida métrica da produtividade, operando sob o que Foucault designaria como uma racionalidade neoliberal que despoja a escola de sua função de subjetivação crítica. Ao deplorar essa disputa, você ignora que a pretensa neutralidade técnica é a face mais insidiosa da hegemonia burguesa descrita por Gramsci, que visa converter o estudante em mero capital humano dócil para a engrenagem do capital.
José dos Santos
01/05/2026
Enquanto esse povo briga por causa de filme e ideologia em escola, eu sigo aqui na luta pra pagar o litro da gasolina que só faz subir. O passageiro quer escola decente pro filho e eu só queria estabilidade pra trabalhar em paz, mas o foco de quem manda é sempre essa confusão toda que não bota comida na mesa de ninguém.
Lucas Pinto
01/05/2026
É de um cinismo atroz, embora previsível, que a estrutura de uma escola pública — e logo uma batizada em homenagem a Patrícia Galvão, a Pagu, ícone da luta comunista e feminista — seja sequestrada para servir de cenário a uma peça de propaganda que visa desmantelar o legado de Paulo Freire. O que assistimos aqui não é um mero “uso de locação”, mas uma operação de hegemonia cultural em seu estado mais bruto. Como Gramsci bem apontou, a classe dominante não governa apenas pela força, mas pela construção de um consenso que passa, obrigatoriamente, pelos aparelhos ideológicos de Estado. Ao transformar a escola no laboratório de uma narrativa reacionária, o capital e seus representantes políticos tentam converter o espaço do logos e da emancipação em um simulacro de doutrinação invertida.
Diferente do que alguns sugerem sob um verniz de neutralidade liberal, como se houvesse um “pacto de confiança” rompido de forma equânime, precisamos entender que o espaço público nunca é neutro sob a égide do capitalismo. A tentativa de deslegitimar Freire é, na verdade, uma tentativa de deslegitimar a própria capacidade das classes subalternas de “lerem o mundo” para além da exploração. Quando o Estado cede esse espaço para um filme que ataca a pedagogia da autonomia, ele está exercendo o que Foucault descreveria como uma microfísica do poder: uma vigilância e uma punição simbólica contra qualquer método de ensino que não se reduza à produção de mão de obra dócil e acrítica. É a institucionalização da ignorância servil.
Quanto aos lamentos sobre a perda de um “sagrado” ou de uma “moralidade cristã”, como se o problema da educação brasileira fosse a ausência de dogmas teológicos, trata-se de um completo desvio de foco da luta de classes. A “tradição” invocada por esses discursos nada mais é do que o reforço das estruturas de opressão que mantêm a escola pública precária, enquanto o privado se encastela. O pânico moral em torno de Freire é uma cortina de fumaça: enquanto discutem se o educador é “vermelho” demais, o projeto neoliberal avança sobre a gestão escolar, precarizando o trabalho docente e transformando o saber em mercadoria. O ato na Praça Roosevelt é um sopro de resistência necessária contra esse avanço da barbárie que tenta apagar a história com as mesmas tintas do autoritarismo.
Marcos Conservador
01/05/2026
Esses sindicatos comunistas querem esconder a verdade sobre esse tal de Freire, que só serviu para destruir a família e a moral cristã no Brasil. A escola pública virou um antro de doutrinação igualzinho aos ônibus e trens que essa gente usa para espalhar propaganda vermelha disfarçada de direito. Que Deus tenha piedade desse país, porque se deixarmos, esses infiltrados transformam até o pátio do colégio em uma assembleia soviética!
Cíntia Alves
01/05/2026
É o retrato fiel do Brasil atual: transformamos prédios públicos em trincheiras enquanto o básico fica para trás. Será que o uso da escola para fins partidários, de qualquer lado, não é apenas um sintoma de que perdemos o foco no que realmente importa para o aluno? No fim das contas, essa polarização ruidosa serve a quem, se a sala de aula continua sendo tratada como um mero cenário de disputa política?
Ahmed El-Sayed
01/05/2026
Esse conflito é o resultado inevitável de um Estado que baniu o sagrado do ensino e tentou preencher o vazio com ideologias humanas falhas. Enquanto discutem métodos seculares, a juventude perde a conexão com a tradição e com a verdadeira moralidade que sustenta uma civilização sólida. Sem um fundamento religioso firme, a escola pública será sempre esse palco de discórdia onde a identidade e a alma do povo são sacrificadas por interesses políticos passageiros.
Nadia Petrova
01/05/2026
Engraçado como o Estado adora terceirizar a guerra cultural usando prédios públicos, algo que conheço bem de outras paragens. Enquanto discutem se Freire é santo ou vilão, a escola vira cenário de propaganda paga com imposto, bem ao estilo do que vemos em regimes que sequestram a educação para reescrever o passado. No fim, o indivíduo e a liberdade de cátedra são os que menos importam nessa briga de foice ideológica.
John Marshall
01/05/2026
A redução do espaço público a mero instrumento de guerrilha ideológica, como vemos nesse episódio, reflete a desintegração do pacto de confiança que Locke considerava essencial para a legitimidade das instituições. Quando a escola deixa de ser o local do logos para se tornar cenário de revisionismo rasteiro, o Estado abdica de sua função civilizatória em favor do espetáculo político. É preciso compreender que a educação exige a preservação do pensamento crítico contra as incursões da propaganda estéril, algo que transcende a simples métrica de eficiência técnica ou de mercado.
Maria Antonia
01/05/2026
O Pedro Silva foi no ponto: enquanto esses grupos se matam por ideologia e defendem um método que nunca trouxe resultado, o ensino básico continua um desastre. Escola pública deveria focar em formar cidadãos produtivos para o mercado e não servir de cenário para guerrilha política de sindicato. O pagador de impostos está exausto de financiar essa ineficiência estatal.
João Augusto
01/05/2026
Cara Maria Antonia, seu raciocínio reproduz o que Gramsci identificaria como a hegemonia da classe dominante, que busca reduzir a educação a um mero adestramento técnico para a subalternidade produtiva sob o manto da neutralidade. O que você denomina eficiência é, na verdade, a tentativa de converter o espaço público em uma extensão do mercado, apagando a dimensão emancipadora do saber em favor de um utilitarismo que Benjamin denunciaria como a barbárie do progresso. A exaustão do contribuinte que você evoca nada mais é do que o sintoma de uma subjetividade capturada pela lógica do capital, que prefere financiar a alienação a tolerar a pedagogia da liberdade.
Karina Libertária
01/05/2026
Engraçado ver esse bando de loosers defendendo o método que destruiu o Brasil enquanto eu assisto tudo aqui de Miami. Em vez de chorar por Paulo Freire e esperar o próximo bolsa família, deviam criar um mindset e fazer um investiment de verdade lá fora. Quem tem sucess não fica em praça fazendo bagunça por causa de escola pública lixo.
Pedro Silva
01/05/2026
A gente liga a TV e é sempre essa mesma ladainha de briga política em escola, enquanto o ensino mesmo tá cada dia pior. Pelo que eu vi aqui nos comentários, o pessoal gosta de falar difícil, mas a realidade é que o serviço público continua uma bagunça e ninguém resolve nada. No fim das contas, quem tá no batente só vê o imposto subindo e esses políticos perdendo tempo com ideologia de um lado e de outro.
Lucas Gomes
01/05/2026
É estarrecedor, mas tragicamente previsível, observar como o aparato estatal e as instâncias de gestão pública se tornam linha de frente para a desidratação simbólica da educação libertadora. A cessão da EMEI Patrícia Galvão para a produção de uma peça de necropropaganda revisionista não é um mero erro administrativo, como sugerem os defensores de uma suposta neutralidade técnica, mas sim um ato deliberado de profanação do solo onde se deveria semear a consciência crítica. Estão tentando, através da lente distorcida do revisionismo histórico, silenciar a pedagogia que ensinou o oprimido a ler não apenas as letras, mas o mundo e as engrenagens de espoliação que o cercam.
Quando escutamos vozes clamando por uma gestão puramente técnica e despojada de ideologia, o que se está defendendo na verdade é a manutenção do status quo colonial que enxerga o aluno como insumo para o mercado e a escola como um depósito de mão de obra dócil. Paulo Freire é atacado com tamanha virulência justamente porque sua práxis é o antídoto contra a cegueira imposta pelo capitalismo tardio, que exige o apagamento da história para que a exploração predatória da terra, das águas e dos corpos siga seu curso sem resistência organizada. A educação, para nós que lutamos pela justiça social e ambiental, é indissociável da emancipação dos territórios; não existe defesa da ecologia ou dos direitos indígenas sem uma formação que questione a lógica da mercadoria acima da vida.
Essa tentativa de vilipendiar o legado freiriano dentro do espaço público é o reflexo de um projeto sistêmico de cercamento dos comuns. Assim como avançam sobre as matas e sobre os territórios ancestrais com motosserras e canetadas, as elites do atraso avançam sobre o imaginário popular com desinformação institucionalizada e pânicos morais fabricados. O que está em jogo nessa ocupação simbólica da escola não é apenas a biografia de um pensador, mas a proteção de uma trincheira contra o obscurantismo que pavimenta o caminho para a destruição de nossas bases democráticas e da nossa sociobiodiversidade. A escola pública deve ser o quilombo da inteligência e da resistência, e nunca o cenário para quem lucra com a ignorância e com o desmatamento da alma humana.
Marta
01/05/2026
Meus caros, como professora que dedicou mais de trinta anos à sala de aula aqui nas alterosas, meu coração se aperta ao ver uma escola pública, solo sagrado do conhecimento, ser cedida para produções que distorcem o legado de Paulo Freire. É de uma tristeza profunda perceber que esses meninos mal-educados, que nunca pisaram num chão de giz para alfabetizar um trabalhador, tentam agora usar o patrimônio do povo para espalhar mentiras e ódio. Paulo Freire não é uma ideologia para ser combatida, ele é o reconhecimento da dignidade humana através da palavra. Quem ataca o Patrono da Educação Brasileira geralmente é quem tem medo de ver o povo pensando por conta própria e exigindo seus direitos.
É preciso dar uma pequena aula de história para o Padre Antônio e para esse tal Paulo Gestor, que parecem um pouco perdidos nos fatos e na civilidade. Em 1963, lá em Angicos, no Rio Grande do Norte, Freire provou que era possível alfabetizar trezentos trabalhadores rurais em apenas quarenta horas. Ele não ensinava apenas a juntar letras, mas a ler o mundo, a entender que o suor do lavrador vale tanto quanto a caneta do doutor. Chamar isso de decadência moral, como fez o senhor padre, é desconhecer o próprio Evangelho que prega a libertação dos oprimidos. A educação libertadora é, acima de tudo, um ato de amor, e é exatamente por esse amor que o nosso presidente Lula tanto luta, investindo no povo e na inteligência brasileira para que ninguém mais seja humilhado pela falta de instrução.
Esse discurso de gestão puramente técnica, citado pelo Paulo, é outra armadilha desses meninos mal-educados que querem transformar a escola em uma linha de montagem fria e sem alma. A educação não é um produto de prateleira, e o aluno não é um cliente. Quando se retira o pensamento crítico da escola para colocar no lugar um revisionismo histórico barato e financiado por grupos que odeiam a soberania nacional, o que se está fazendo é um crime contra o futuro do país. Usar uma unidade de ensino para gravar um filme que ataca justamente quem defendeu a escola pública é um escárnio que não podemos aceitar. É uma tentativa de ocupar o espaço físico para tentar apagar o espaço simbólico que Freire conquistou no mundo inteiro.
Fico pensando se esses rapazes que tanto reclamam da tal ideologia já pararam para ler uma única página original de Pedagogia do Oprimido. Provavelmente não, pois preferem se alimentar de mentiras prontas que circulam na internet. Mas a verdade é teimosa, meus caros. A verdade sobre o Brasil é que estamos voltando a valorizar o professor e a ciência, graças a um governo que entende que o livro é muito mais poderoso que a arma. O amor que a gente sente pelo povo brasileiro é o que nos move a ocupar a Praça Roosevelt e todos os espaços necessários para dizer que a nossa história não será reescrita pelo preconceito. Tenham um pouco mais de modos e estudem mais; a ignorância é uma escolha muito feia para quem tem acesso à informação.
Paulo Gestor RJ
01/05/2026
A Mariana tem razão ao apontar o cansaço com essa disputa ideológica constante. Como administrador, acredito que o foco deveria ser exclusivamente na gestão técnica e no resultado para o aluno, deixando de lado essas brigas que só drenam recursos e tempo que deveriam estar voltados para a infraestrutura e para a eficiência do ensino.
Cecília Torres
01/05/2026
A cessão de espaços públicos para a produção de narrativas revisionistas demonstra como a desinformação tem se institucionalizado com facilidade. É sintomático que o debate se perca em pânicos morais ou defesas retóricas enquanto o rigor documental é solenemente ignorado por quem produz esse tipo de conteúdo. Antes de qualquer paixão ideológica, deveríamos exigir transparência sobre os critérios técnicos que autorizam o uso do patrimônio de todos para fins de propaganda.
Padre Antônio Rocha
01/05/2026
É lamentável ver tanta gente defendendo esse método que só trouxe a decadência moral e intelectual para o nosso país. O que chamam de luta e hegemonia nada mais é do que a tentativa de manter nossas escolas reféns de ideologias mundanas que destroem a infância. Precisamos resgatar urgentemente os valores da família e a verdadeira educação, longe desses falsos profetas do secularismo.
Julia Andrade
01/05/2026
Padre Antônio, sua leitura sobre uma suposta decadência moral e intelectual revela menos sobre a eficácia do método freiriano e muito mais sobre o pânico moral que surge quando a educação deixa de ser uma ferramenta de domesticação para se tornar, como diria bell hooks, uma prática de liberdade. É sintomático que o senhor utilize o termo mundano para desqualificar a disputa por hegemonia, ignorando que o ambiente escolar não é um vácuo metafísico, mas um território de profundas tensões políticas, raciais e sociais. Ao evocar os valores da família como um antídoto universal, o senhor omite que essa estrutura familiar idealizada, muitas vezes, serviu de lastro para a manutenção de hierarquias patriarcais e coloniais que Freire justamente buscou desconstruir através da conscientização. A verdadeira destruição da infância não reside na pedagogia da pergunta, mas no silenciamento crítico que o senhor propõe em nome de um dogmatismo que se recusa a enxergar a pluralidade e as subjetividades das identidades brasileiras.
Ocupar o espaço da EMEI Patrícia Galvão para produzir um conteúdo que distorce o legado do patrono da educação brasileira é uma violência simbólica que transborda a mera divergência teórica; trata-se de um projeto de apagamento epistemológico. Quando o senhor rotula os defensores da escola pública como falsos profetas do secularismo, ignora que a laicidade é a única salvaguarda democrática para que o ensino não seja sequestrado por um proselitismo que exclui o divergente, o corpo negro e a diversidade de gênero. A decadência intelectual que o senhor aponta é, na realidade, a ruína de um projeto de país que se sustentava no analfabetismo político das massas. Defender a autonomia freiriana na Praça Roosevelt hoje é garantir que a educação pública permaneça sendo o lugar onde se aprende a ler o mundo, e não apenas o alfabeto, para que ninguém precise se curvar a uma moralidade excludente que não dialoga com a nossa realidade material de classe.
Pedro Almeida
01/05/2026
A tentativa de transformar o espaço da paideia democrática em palco para o revisionismo histórico é uma afronta direta à nossa tradição humanista. Como bem pontuou o Dr. Thiago, não há rigor técnico nessa ofensiva, apenas a instrumentalização do ódio contra quem ousou teorizar a autonomia do oprimido. Precisamos proteger o legado de Freire e Pagu contra o avanço desse obscurantismo que tenta colonizar a consciência pública.
Mariana Costa
01/05/2026
É exaustivo ver a educação brasileira presa nessa eterna guerra cultural, onde o espaço público vira cenário para disputas ideológicas de ambos os lados. Enquanto se discute o uso de escolas para filmes ou defesas apaixonadas de métodos, os problemas estruturais do ensino básico continuam sem solução. Precisamos de menos polarização e mais foco em políticas públicas que tragam resultados reais para os alunos, independentemente de quem está no poder.
Dr. Thiago Menezes
01/05/2026
É curioso ver gente repetindo jargões sobre analfabetismo funcional sem apresentar um dado estatístico sequer que correlacione o fenômeno ao método freiriano. No ambiente científico, trabalhamos com evidências, e o que vemos aqui é a instrumentalização de um espaço público para validar narrativas ideológicas sem qualquer rigor pedagógico. Transformar uma EMEI em cenário para ataques políticos é um desvio de finalidade que fere frontalmente a ética administrativa.
Paulo Ribeiro
01/05/2026
A mobilização ocorrida na Praça Roosevelt é um sintoma vital de que a trincheira da disputa por hegemonia, conforme nos ensinou Antonio Gramsci, permanece ativa no coração de São Paulo. A utilização da EMEI Patrícia Galvão — nome que, por si só, já carrega o peso simbólico de uma mulher revolucionária e visceral — como cenário para uma produção que visa detratar o legado de Paulo Freire é uma manobra de violência simbólica inaceitável. Não se trata apenas de uma questão locativa ou administrativa, mas de uma tentativa de instrumentalizar o Aparelho Ideológico de Estado, na acepção de Louis Althusser, para sedimentar uma narrativa que nega à educação o seu caráter emancipador e político.
Ao observar o comentário do Eduardo acima, percebo como a retórica do senso comum é operada para esvaziar o conteúdo crítico da pedagogia freireana. A pecha de patrono do analfabetismo funcional é uma falácia que ignora deliberadamente os resultados concretos de Angicos e a profundidade epistemológica de uma obra que é estudada nas principais universidades do mundo. O que incomoda as elites, e parece ecoar na fala de quem defende tal filme, é justamente o que José Carlos Mariátegui apontava em seus ensaios: a educação não pode ser desvinculada da realidade social e econômica. Freire incomoda porque propõe que o oprimido deixe de ser hospedeiro da consciência do opressor e passe a ler o mundo para transformá-lo.
O ato denunciado pela matéria é, portanto, um exercício de pedagogia da indignação. Quando Jeferson menciona a precarização do trabalho no ABC e o empreendedorismo de aplicativo, ele toca no cerne da questão: o projeto neoliberal exige uma escola despolitizada, que forme apenas operadores de sistemas e não cidadãos críticos. Permitir que uma escola pública sirva de palanque para o revisionismo histórico que ataca o maior educador do país é anuir com o desmonte da nossa soberania intelectual. A escola pública deve ser o locus da construção da cidadania e da justiça social, e não um estúdio para a propaganda daqueles que temem um povo consciente de sua própria força.
Jeferson da Silva
01/05/2026
Esse Eduardo fala de ordem, mas aposto que nunca sujou a mão de graxa no ABC pra ver o que é luta de verdade. Querem destruir o legado de quem ensinou o povo a pensar pra enfiar goela abaixo esse papo de patrão e esse tal de empreendedorismo de aplicativo que só traz precarização. Escola pública é conquista da nossa classe e não puxadinho pra esse pessoal que adora lamber bota de quem explora o trabalhador.
Ronaldo Silva
01/05/2026
Rapaz, é muita briga por nada enquanto o povo se lasca todo dia. O imposto só aumenta, a gasolina não para de subir e a gente vê o dinheiro sumindo na mão de político, igualzinho na época do mensalão. Em vez de ficarem discutindo filme em escola, deviam era baixar os preços pra quem trabalha de verdade conseguir botar comida na mesa.
Eduardo Nogueira
01/05/2026
O choro dessa canhotada intelectualoide é música pros meus ouvidos. Paulo Freire é o patrono do analfabetismo funcional e quem defende esse barbudo ou é militante ou não sabe o que é um livro de verdade. Finalmente usaram o espaço da escola pra algo útil que não seja fabricar militante de cabelo azul.
Carlos Oliveira
01/05/2026
Eduardo, é triste ver esse desdém por um educador que alfabetizou trabalhadores rurais em 40 horas, devolvendo a eles a cidadania que as elites sempre tentaram negar. O que realmente incomoda nesse legado é o fato de ele ensinar o povo a ler a própria realidade, deixando de ser apenas mão de obra barata para o agronegócio e para os donos do poder.
João Santos
01/05/2026
Ih, lá vem a canhotada com esse papo difícil pra defender quem estraga a cabeça da garotada. Escola é lugar de ordem e estudo, não de politicagem com dinheiro de quem trabalha. O Brasil só anda com polícia na rua, bandido preso e Deus no comando de tudo.
Mariana Ambiental
01/05/2026
Engraçado falar em ordem enquanto defendem o uso de verba pública para difamar o mestre da educação, João. Essa sua visão de disciplina é a mesma que fecha os olhos para o veneno no prato e a destruição da floresta, preferindo um povo obediente a um povo que pensa e planta o próprio futuro.
Gabriel Teen
01/05/2026
Mucho texto pra brigar por causa de escola lixo e político morto, vão tocar grama que o Bostil é intankável.
Mariana Santos
01/05/2026
O uso do espaço público para orquestrar ataques ao patrono da nossa educação é um reflexo nítido da ofensiva ideológica que tenta desarticular a consciência de classe no Brasil. É impossível dissociar esse revisionismo histórico do projeto neoliberal que visa transformar o ensino em mercadoria e o estudante em peça passiva da engrenagem. Freire vive em cada trincheira de resistência que se levanta contra essa tentativa torpe de institucionalizar a mentira no chão da escola.
Silvia Ramos
01/05/2026
Até quando vão perseguir quem tenta mostrar a realidade sobre o que fazem com nossas crianças nas escolas? Paulo Freire deixou um legado de doutrinação que só afasta nossos jovens do caminho do Senhor e da verdadeira educação. Que a luz da verdade brilhe e liberte nossas famílias dessas ideologias mundanas que destroem o lar.
Caio Vieira
01/05/2026
Prezada Silvia, sua leitura padece de uma miopia hermenêutica ao confundir a práxis libertadora de Freire com uma pretensa hegemonia doutrinária, ignorando que o mestre buscava justamente potencializar as lutas empreendedoras do povo contra a alienação do status quo. É preciso discernir entre a ideologia que oprime e o instrumental pedagógico que permite ao homo faber conquistar sua soberania, pois, conforme o adágio latino, ignorantia non est argumentum perante a necessidade de emancipação das massas.
Mariana Alves
01/05/2026
É curioso observar como o discurso da senhora Silvia Ramos, embora revestido de uma retórica pretensamente salvacionista e moralizante, opera exatamente dentro da lógica de manutenção das estruturas de poder que Paulo Freire tão lucidamente denunciou. Ao evocar o caminho do Senhor e a proteção da família contra o que chama de ideologias mundanas, a senhora nada mais faz do que reproduzir o que Althusser classificaria como o funcionamento dos aparelhos ideológicos de Estado. A escola, nesse contexto, deixa de ser o locus da emancipação e do pensamento crítico para ser reivindicada como um espaço de reprodução de dogmas que, historicamente, serviram para domesticar a classe trabalhadora e manter o status quo das elites. O que se chama pejorativamente de doutrinação freireana é, em verdade, o processo de conscientização que permite ao sujeito oprimido ler o mundo antes de ler a palavra, desvelando as engrenagens de exploração do capital que se escondem sob o véu da neutralidade religiosa ou pedagógica.
A utilização de uma instituição pública de ensino para a veiculação de um filme que ataca o legado de Freire não é um exercício de liberdade de expressão, mas sim uma ofensiva coordenada do projeto neoliberal e neoconservador. Esse projeto busca desmantelar a educação pública enquanto direito universal para transformá-la em um balcão de negócios e em um centro de formação de mão de obra acrítica e submissa. Quando a senhora fala em libertar as famílias, parece ignorar que a verdadeira escravidão contemporânea reside no fetichismo da mercadoria e na precarização da vida, processos que são legitimados por essa mesma visão de mundo que demoniza a pedagogia da autonomia. A educação libertadora incomoda justamente porque ela retira o verniz de naturalidade das desigualdades sociais, revelando que a miséria e a exclusão não são desígnios divinos, mas construções históricas e materiais do capitalismo.
Portanto, Silvia, é imperativo questionar a quem serve esse pânico moral que a senhora manifesta. A demonização de Paulo Freire é a ponta de lança de um movimento que pretende esvaziar a escola de sua função social transformadora. Enquanto nos perdemos em disputas metafísicas sobre o que seria uma verdadeira educação sob a ótica da fé, o capital avança sobre os currículos, sobre a autonomia docente e sobre o financiamento público. Defender Freire nas escolas públicas hoje é, acima de tudo, defender a possibilidade de que os filhos da classe trabalhadora tenham acesso a uma ferramenta intelectual capaz de romper com a alienação e com a barbárie produzida pelo neoliberalismo, que, este sim, destrói lares ao impor a fome, o desemprego e a ausência de futuro para a juventude periférica.