Um novo estudo conduzido pela professora de comunicação Sai Wang, da Universidade Batista de Hong Kong, revela que a disseminação da inteligência artificial amplia a desigualdade digital nos Estados Unidos. A pesquisa, publicada na revista Information Communication and Technology e destacada pelo portal Phys.org, analisou dados de mais de 10 mil adultos norte-americanos.
Wang aponta que a diferença não se limita ao acesso físico à tecnologia. Ela envolve principalmente a consciência sobre a presença da IA no cotidiano.
Indivíduos com maior nível educacional reconhecem o uso de IA em diversos contextos. Já grupos de menor renda interagem com algoritmos sem perceber sua atuação.
O levantamento utilizou dados do American Trends Panel do Pew Research Center para avaliar o status socioeconômico dos entrevistados, com base em renda familiar e grau de instrução. Os resultados mostram que a escolaridade exerce influência ainda maior que a renda sobre o uso consciente da IA.
Pessoas mais instruídas demonstraram maior confiança e familiaridade com os recursos tecnológicos disponíveis. Um achado central indica que a familiaridade percebida com a IA representa um indicador mais forte de consciência do que a própria utilização prática de ferramentas automatizadas.
Compreender o conceito de IA ajuda mais a identificar sua presença no dia a dia do que simplesmente usar aplicativos baseados nessa tecnologia. Muitos usuários de plataformas como Netflix e Spotify não percebem que os sistemas de recomendação são movidos por algoritmos de aprendizado de máquina.
Essa invisibilidade da IA nas aplicações cotidianas cria uma nova camada de desigualdade digital, de acordo com Wang. A nova brecha está na consciência sobre o papel da IA nas decisões automatizadas — ao contrário das divisões anteriores, focadas no acesso à internet ou em habilidades operacionais básicas.
A equipe de pesquisa recomenda políticas de alfabetização digital voltadas especificamente à IA para enfrentar esse desafio. Wang sugere campanhas comunitárias e oficinas com linguagem acessível, que aproximem pessoas de baixa renda dos conceitos básicos da tecnologia.
A proposta inclui ainda a integração de noções de IA nos currículos escolares para preparar as novas gerações. O objetivo é construir um futuro digital mais inclusivo, no qual a tecnologia sirva como instrumento de empoderamento em vez de exclusão.
Os pesquisadores destacam que o estudo se concentrou nos Estados Unidos e que a generalização dos resultados para outros países exige cautela. Pesquisas anteriores indicam que nações como Coreia do Sul, China e Finlândia apresentam níveis de consciência sobre IA mais elevados, enquanto os Países Baixos registram os índices mais baixos.
O artigo completo, intitulado Socioeconomic Disparities in AI Awareness: Examining the Mediating Roles of AI Use and Familiarity, foi publicado pela editora Taylor and Francis. A pesquisa reforça o alerta de que a revolução tecnológica em curso não é neutra e pode aprofundar disparidades sociais se não for acompanhada de políticas públicas voltadas à equidade digital.
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