A Polícia Metropolitana do Reino Unido abriu investigação sobre eventuais conexões entre uma série de ataques incendiários a locais judaicos em Londres e grupos potencialmente ligados à República Islâmica do Irã.
O ataque mais recente ocorreu na Kenton United Synagogue, no noroeste da capital, e provocou apenas danos materiais de pequena monta, segundo as autoridades. O comando de contraterrorismo da instituição assumiu a condução das apurações após sucessivos incêndios em sinagogas e outras instituições judaicas no norte da cidade.
Nenhum dos incidentes resultou em vítimas, mas o padrão repetitivo gerou temores de uma campanha organizada contra a comunidade. Conforme detalhado pelo Al Jazeera, a vice-comissária assistente da Polícia Metropolitana Vicki Evans informou que a maior parte dos ataques foi reivindicada por um grupo autodenominado Harakat Ashab al-Yamin al-Islamia, mais conhecido como Ashab al-Yamin.
A oficial acrescentou que a entidade também assumiu a autoria de ações contra locais de culto, empresas e instituições financeiras em diversos países europeus. Evans mencionou relatos que indicam possíveis relações do Ashab al-Yamin com o Irã, e que os investigadores analisam se o conceito de violência como serviço estaria sendo reproduzido em solo britânico.
O Ashab al-Yamin surgiu no ambiente digital em março e já reivindicou múltiplos ataques direcionados a alvos judaicos em várias partes da Europa. Dentre as ações assumidas pela organização consta um incidente contra a emissora Iran International, canal em língua persa sediado em Londres.
Outros casos recentes envolvem o lançamento de um coquetel incendiário na Finchley Reform Synagogue, o incêndio criminoso de ambulâncias da Hatzola em Golders Green e uma tentativa de detonação na antiga sede da Jewish Futures em Hendon. Todos os eventos se concentraram em regiões de grande concentração da comunidade judaica na capital britânica.
O rabino-chefe do Reino Unido, Ephraim Mirvis, classificou o incêndio na Kenton United Synagogue como o terceiro ataque contra instalações judaicas em menos de uma semana. O líder comunitário alertou para o risco de uma campanha contínua de violência e intimidação e solicitou intervenção rápida das forças de segurança.
O primeiro-ministro Keir Starmer afirmou estar horrorizado com os ataques e prometeu que os culpados serão levados à justiça. Starmer enfatizou que agressões à comunidade judaica equivalem a ataques contra toda a Grã-Bretanha.
As investigações seguem em curso com prioridade para a identificação dos responsáveis e o esclarecimento de quaisquer ligações internacionais. O episódio evidencia os desafios de proteção à comunidade judaica em Londres em meio a tensões geopolíticas mais amplas.
Com informações de Al Jazeera.
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