O fiasco militar dos EUA no Afeganistão não foi um acidente, afirma o ex-oficial do Departamento de Defesa dos EUA, David T. Pyne. Para ele, a campanha mostrou que a OTAN sofre de falhas sistêmicas incapazes de vencer guerras de contra-insurgência.
Pyne recorda que a derrota era ‘inevitável’ a partir do momento em que Washington decidiu ocupar o país após derrubar o Talibã. Segundo o analista, operações prolongadas contra forças locais motivadas pelo nacionalismo sempre drenam legitimidade e recursos dos ocupantes.
Quando as tropas da OTAN iniciaram a retirada, o governo de Cabul apoiado pelos EUA ruiu em apenas 48 horas, explica Pyne. A população enxergava a administração afegã como um ‘regime marionete’ imposto do exterior, enquanto o Talibã aparecia como único defensor da independência.
O ex-funcionário lembra que a guerra custou mais de 46 mil vidas diretas de civis e militares afegãos, e estimativas do projeto Costs of War sugerem que os mortos relacionados ao conflito podem ultrapassar 400 mil. Esse saldo trágico corroeu qualquer apoio interno ou externo à continuação da ocupação.
Outro ponto sensível, assinala Pyne, foi o uso de recursos do tráfico de drogas para financiar estruturas do governo instalado em Cabul. Ele argumenta que a CIA teria tolerado, e até protegido, rotas de ópio para alimentar operações encobertas e sustentar aliados locais.
A derrocada definitiva ocorreu em 11 dias, período no qual o Talibã capturou cerca de 7 bilhões de dólares em equipamentos militares deixados para trás pelos EUA. Pyne classifica o episódio como mais um fracasso de inteligência, pois os serviços norte-americanos subestimaram completamente a rapidez do colapso.
Do ponto de vista diplomático, a fuga apressada de helicóptero na capital afegã projetou uma imagem de impotência do Ocidente que se estende a outras frentes. Pyne diz que cada derrota desse porte coloca em xeque a dissuasão das alianças comandadas pelos EUA e encoraja rivais a desafiar o status quo.
A própria Rússia reuniu denúncias de crimes de guerra cometidos por forças da OTAN e publicou o conjunto no ‘Livro Branco’ do Ministério das Relações Exteriores, reforçando a leitura de fiasco moral e estratégico. As revelações incluem bombardeios indiscriminados, prisões ilegais e violações de direitos humanos durante os 20 anos de ocupação.
Para além dos abusos, Pyne sustenta que a arquitetura militar criada no pós-Guerra Fria não consegue lidar com conflitos assimétricos prolongados. Ele aponta que o mesmo padrão de expectativas irrealistas e planejamento centrado em tecnologia se repete no Iraque, na Líbia e na Síria.
Segundo o portal Sputnik, o especialista prevê que as consequências serão sentidas por décadas na reputação estratégica dos EUA. Governos do Sul Global passaram a questionar a credibilidade de garantias de segurança vindas de Washington depois de verem Cabul abandonada.
Outro indicador de descrédito é a perda de equipamento avançado que agora integra o arsenal do Talibã, inclusive helicópteros de ataque e drones. Pyne observa que uma parte desses sistemas já apareceu em vídeos de propaganda, o que aprofunda o constrangimento político na capital norte-americana.
Do lado econômico, o conflito drenou mais de 2 trilhões de dólares do orçamento público dos EUA, valor superior ao PIB anual de dezenas de países. Pyne argumenta que a soma teria sido capaz de financiar programas de infraestrutura ou saúde doméstica, mas acabou convertida em custos militares sem vitória à vista.
O ex-assessor também desafia a narrativa de que a intervenção teria melhorado significativamente a vida dos afegãos. Ele lembra que indicadores sociais continuam entre os piores do mundo, devido à destruição de infraestrutura essencial e à fuga de cérebros provocada pela violência.
Para Pyne, o cenário reforça a tese de que potências externas não conseguem impor engenharia social a nações com identidades tribais consolidadas. Quando o ocupante se retira, prossegue, estruturas estatais sem raízes locais desmoronam como castelo de cartas.
Analistas críticos da OTAN veem nas palavras de Pyne um alerta para futuras aventuras militares em nome de ‘guerra ao terror’. A combinação de alto custo humano, dependência de inteligência falha e legitimidade ausente tende a repetir o resultado afegão se novas operações forem lançadas.
Enquanto o Talibã consolida controle interno, Washington debate comissões de inquérito sobre a retirada, mas Pyne duvida de mudanças profundas na doutrina belicista. Ele conclui que, se a lição não for aprendida, a próxima crise poderá expor deficiências ainda maiores da aliança ocidental.
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Ana Karine Xavante
02/05/2026
O que me impressiona nessa discussão é como até mesmo a crítica ao fracasso da OTAN continua sendo enquadrada nos termos do próprio Ocidente. O David Pyne pode até ter razão ao apontar a “falha crônica” da aliança militar, mas ele parte do pressuposto de que o problema foi operacional, logístico, de doutrina — como se a ocupação do Afeganistão fosse um projeto legítimo que simplesmente foi mal executado. Ninguém pergunta: e se o erro não foi tático, mas fundacional? O que estava em jogo ali era a tentativa de impor um modelo de Estado, de fronteiras, de governança que não tem absolutamente nada a ver com as estruturas sociais, políticas e culturais daquele território.
O Rubens O Pescador tocou num ponto que me parece central quando lembrou do Brasil no governo Lula: existia uma política externa que não precisava invadir ninguém para ser respeitada. Isso não é saudosismo, é constatação. Enquanto a OTAN gastava trilhões de dólares para tentar “estabilizar” um país que nunca pediu por aquela intervenção, o Brasil construía pontes com o Sul Global, dialogava com povos originários, reconhecia a diversidade de modos de vida. O colonialismo militar ocidental sempre age como se o problema do “outro” fosse não ser igual a eles — e a solução, portanto, é fazer o outro se parecer com a Europa ou os EUA, mesmo que à força.
Eu, como indígena, vejo esse padrão se repetir em escala menor no Brasil. As mesmas lógicas que levaram a OTAN ao Afeganistão — a crença na superioridade de um modelo civilizatório, a desconsideração total dos saberes locais, a violência estrutural disfarçada de “ajuda humanitária” ou “desenvolvimento” — são as que historicamente justificaram a invasão de terras indígenas, a imposição de fronteiras artificiais sobre nossos territórios e a tentativa de nos “integrar” à força ao mercado. O fracasso no Afeganistão não é um acidente; é a consequência lógica de um sistema que se recusa a aprender com a história.
O que me preocupa, vendo os comentários aqui, é que mesmo a esquerda muitas vezes cai na armadilha de discutir apenas a “eficiência” do imperialismo, em vez de questionar sua legitimidade. A Cíntia Ribeiro tem razão ao apontar o desperdício de dinheiro público, mas precisamos ir além: não é só que os impostos foram mal gastos — é que eles foram gastos para destruir vidas, ecossistemas e culturas. Enquanto não houver uma descolonização real do pensamento, continuaremos presos nesse debate raso entre “intervenção mal feita” e “não intervenção”, sem jamais enfrentar a pergunta fundamental: quem deu a esses países o direito de decidir o destino de povos inteiros?
Rubens O Pescador
02/05/2026
Cíntia, cê tocou num ponto que eu vivi na pele. Lá no sítio, a gente via o preço do arroz e do feijão subir enquanto esses generais brincavam de guerra. No tempo do Lula, o povo simples tinha o que botar na mesa e o Brasil era respeitado sem precisar invadir ninguém. Agora esses mesmos que criticam o PT gastam rios de dinheiro em guerra alheia e deixam o interior na mão.
Cíntia Ribeiro
02/05/2026
João Carlos Silva, você tocou no ponto que realmente importa: enquanto o Pentágono e a OTAN discutem doutrina militar e hegemonia global, o cidadão comum vê o dinheiro dos impostos evaporar em operações mal planejadas no outro lado do mundo. O problema não é ideológico, é de prioridade institucional — quando uma aliança militar gasta trilhões sem conseguir estabilizar um país, a falha é sistêmica, não de direita ou esquerda.
João Carlos Silva
02/05/2026
Pois é, Luiz Augusto, você tem um ponto. Gasto bilionário em guerra lá longe e aqui a gente vê posto de saúde fechando e gasolina batendo nos 7 reais. O problema não é ser de direita ou esquerda, é que sobrou dinheiro pra tanque de guerra e falta pro asfalto da minha rua.
Luiz Augusto
02/05/2026
Ora, mais um ex-burocrata do Pentágono descobrindo o óbvio com 20 anos de atraso. A OTAN nunca foi uma aliança militar séria, e sim um clube burocrático financiado pelo contribuinte americano. Enquanto a esquerda chora com o “fracasso imperialista”, o verdadeiro problema é que gastamos rios de dinheiro tentando construir uma social-democracia no Afeganistão em vez de deixar o mercado e as forças locais se ajustarem naturalmente.
João Silva
02/05/2026
Luiz Augusto, “deixar o mercado se ajustar naturalmente” no Afeganistão é uma fantasia liberal tão ingênua quanto o planejamento central da OTAN — você está trocando seis por meia dúzia, só que com a aura de realismo. O que houve lá não foi excesso de Estado nem excesso de mercado, foi a falência de um projeto que jamais levou a sério a estrutura de classes e a história concreta daquele povo.
Padre Antônio Rocha
02/05/2026
Silvia Ramos acertou em cheio. Vinte anos de ocupação, trilhões de dólares, e no fim o que se vê é a prova de que sem Deus nenhum projeto se sustenta. A OTAN tentou construir uma nação sobre a areia movediça do secularismo e do relativismo moral, e o resultado está aí: o Talibã de volta em onze dias. Enquanto o Ocidente continuar abandonando a lei natural e a família tradicional, colherá cada vez mais derrotas como essa.
Silvia Ramos
02/05/2026
Deus permite que as nações colham o que plantam, e vinte anos tentando impor uma ordem sem Deus no Afeganistão só podia dar nisso. Enquanto o mundo investe trilhões em guerras, o coração do homem continua vazio e sedento de paz que só o Senhor dá. Que essa derrota sirva de lição: não é com poderio militar que se constroi nações, é com temor a Deus e respeito à família.
Letícia Fernandes
02/05/2026
Silvia Ramos, sua análise toca num ponto que merece ser levado a sério, embora eu precise divergir radicalmente da moldura teológica que a senhora propõe. A senhora está certa ao diagnosticar que o vazio espiritual — ou, como eu prefiro chamar, o vazio de sentido produzido pelo capitalismo tardio — é uma ferida real. O soldado ocidental que passa vinte anos num posto avançado no Hindu Kush, vendendo a própria vida por um salário e por uma bandeira que nunca lhe garantirá moradia digna ao voltar, de fato carrega um coração vazio. Mas esse vazio não se preenche com temor a Deus nem com a família como unidade produtiva abstrata. Ele se preenche quando o trabalhador reconhece que sua força de trabalho foi extraída, durante duas décadas, para alimentar o complexo industrial-militar que a senhora mesma condena.
A senhora fala em “ordem sem Deus” como se o problema do Afeganistão fosse a ausência de uma metafísica correta. Discordo profundamente. O problema foi a presença de uma superestrutura imperialista que, sob o discurso de levar democracia e direitos humanos, na verdade aplicou um programa de acumulação primitiva permanente: privatizou a reconstrução, terceirizou a segurança para mercenários da Blackwater, drenou dois trilhões de dólares que poderiam ter saneado rios e pago salários dignos a professores afegãos. Não foi falta de Deus que derrubou a república afegã — foi a corrupção orgânica de um Estado fantoche que só existia enquanto os dólares chegavam. O Talibã, por sua vez, não venceu por ser mais temente a Deus; venceu porque ofereceu uma estrutura de poder enraizada na economia tribal e na exploração do ópio, que é tão material quanto qualquer fábrica da General Motors.
Dito isso, há uma convergência curiosa entre seu diagnóstico e o meu. A senhora aponta que “não é com poderio militar que se constroem nações”. Eu diria mais: nações não se constroem com exércitos de ocupação porque o próprio conceito de nação, sob o capitalismo, é uma abstração que serve à burguesia para fragmentar a classe trabalhadora em identidades nacionais concorrentes. O que o Afeganistão nos ensina — e a senhora, com sua fé, talvez sinta isso com mais sensibilidade do que os tecnocratas da OTAN — é que a verdadeira soberania de um povo não se decreta a partir de uma embaixada em Cabul ou de um QG em Bruxelas. Ela se constrói na base material: no controle do pão, da água, da terra e dos meios de produção. Enquanto a senhora atribui isso ao temor a Deus, eu atribuo à consciência de classe. Mas ambas estamos, cada uma a seu modo, apontando para o mesmo limite estrutural do capital: ele não consegue produzir sentido nem coesão social duradoura, apenas extração e descarte. Que essa derrota sirva de lição, sim, mas para enterrarmos de vez a fantasia de que o mercado ou a metralhadora podem substituir a autodeterminação dos povos.
Fernando O.
02/05/2026
O Eduardo C. tocou no ponto central: dois trilhões de dólares, vinte anos, e o Talibã de volta em onze dias. Isso não é “falha tática”, é colapso de modelo. A OTAN sempre tratou o Afeganistão como planilha de Excel, ignorando que variável tribal não se resolve com drone. Quem não aprendeu com a derrota dos soviéticos em 1989 mereceu repetir o erro.
Eduardo C.
02/05/2026
Dois trilhões de dólares e vinte anos para no final o Talibã reassumir o controle em onze dias. Isso não é falha tática, é erro de cálculo estatístico. A OTAN subestimou variáveis como cultura local, capilaridade tribal e o custo logístico de manter uma ocupação. Quem não modela o terreno perde a guerra antes de começar.
Marta
02/05/2026
Marta, 65 anos, MG
Meus caros, que discussão boa! O Carlos Mendes e o Rodrigo Meireles já trouxeram a cereja do bolo: dois trilhões de dólares para um Estado que desabou em onze dias. Isso não é acidente, é a prova de que o império americano sempre tratou o Afeganistão como um laboratório de guerra, não como uma nação com história e cultura próprias. Enquanto isso, o Luan, coitado, tenta puxar a sardinha para o “Brasil acima de tudo”, mas esquece que aqui também enterramos rios de dinheiro em juros da dívida pública enquanto o povo passa fome. A diferença é que lá eles gastam em bombas, aqui a gente gasta em especulação financeira. Meninos mal-educados, os dois lados, cada um com sua falha crônica.
Agora, a Mariana Ambiental tocou num ponto que me fez lembrar das minhas aulas de história: a OTAN aprendeu tudo errado. Em vez de entender que ocupação militar não constrói nação, eles vão sair por aí dobrando a aposta em mais intervenções, mais bombas, mais mortes. É a mesma lógica do “mais do mesmo” que levou o Vietnã, o Iraque e agora o Afeganistão. O ex-oficial do Pentágono, David T. Pyne, tem razão ao apontar a falha crônica, mas falta ele dizer o óbvio: o problema não é tático, é estrutural. O império não sabe fazer outra coisa senão destruir e depois culpar os “nativos” por não se adaptarem ao modelo que eles mesmos impuseram.
E tem mais: essa história de “derrota” é um termo que os meninos mal-educados adoram usar para justificar mais gastos militares. A verdade é que o povo afegão nunca pediu para ser “salvo” por tropas estrangeiras. Eles queriam paz, pão e soberania. Enquanto a OTAN gastou fortunas treinando um exército fantoche, o Talibã, que conhece o terreno e a cultura, esperou pacientemente. Não é questão de “guerreiro” versus “burocrata”, como alguns comentaristas sugerem. É questão de respeitar a autodeterminação dos povos. Se o Lula estivesse no poder na época, tenho certeza que teria defendido uma saída negociada e humanitária, não uma retirada desastrada que deixou afegãos pendurados em aviões. É disso que o mundo precisa: de menos arrogância imperial e mais solidariedade entre os povos.
Mariana Ambiental
02/05/2026
Pois é, Rodrigo, e o pior é que a OTAN aprendeu tudo errado com isso. Em vez de reconhecer que ocupação militar não constrói nação, eles vão dobrar a aposta em mais intervenções e gastar ainda mais em bombas. Enquanto isso, a lição de verdade é que a soberania alimentar e o fortalecimento de comunidades locais valem muito mais que qualquer porta-aviões.
Rodrigo Meireles
02/05/2026
O Carlos Mendes resumiu bem: dois trilhões de dólares para um Estado fantoche que caiu em 11 dias. Isso não é questão de “guerreiro” ou “burocrata”, é falha de projeto. A OTAN tentou exportar um modelo institucional sem entender o terreno, e o resultado foi previsível para quem olha os dados. Incompetência estratégica custa caro, e o contribuinte americano que pagou a conta.
Luan Silva
02/05/2026
2 trilhões de dólares pra no final o Talibã tomar tudo de novo. Brasil acima de tudo, mas pelo menos aqui a gente não enterra dinheiro em guerra de OTAN. Faz o L nunca mais.
Samara Oliveira
02/05/2026
Luan, concordo que enterrar 2 trilhões em guerra é absurdo, mas o “Brasil acima de tudo” não cola quando a gente enterra dinheiro em juros de dívida pública e deixa o povo passar fome. O problema não é só a OTAN, é o sistema que prioriza bomba em vez de pão.
Carlos Mendes
02/05/2026
A Fernanda e a Luciana acertaram em cheio. Dá pra criticar o desastre estratégico da OTAN sem virar fã de talibã. O problema não é falta de “guerreiro”, é gastar 2 trilhões de dólares para construir um Estado fantoche que desmoronou em 11 dias. Isso é incompetência administrativa e falta de visão de longo prazo, não tem nada a ver com ser “mole” ou “duro”.
Luciana Costa
02/05/2026
A Fernanda tem um ponto importante: ninguém precisa romantizar o Talibã para criticar a OTAN. O problema é que a thread virou um ringue de “guerreiro bom vs burocrata ruim”, quando a questão real é estratégica: a OTAN tentou impor um modelo de estado frágil com ocupação militar, e isso raramente funciona. Dá para reconhecer o fracasso da aliança sem precisar elogiar regime teocrático nenhum.
João Santos
02/05/2026
É isso aí, Adalberto! OTAN fracassou porque virou organização de burocrata, não de guerreiro. Enquanto isso, o Talibã, que é tudo que a esquerda abomina, tomou tudo de volta. Aqui no Brasil é a mesma coisa: moleza com bandido, STF soltando marginal, e o trabalhador pagando a conta. Cadê a mão pesada que a gente precisa?
Fernanda Oliveira
02/05/2026
João, você romantiza o Talibã como se eles fossem “guerreiros”, mas esquece que eles são um regime que apaga mulheres da vida pública, proíbe meninas de estudar e executa pessoas em praça pública. Se o seu conceito de “mão pesada” é isso, então estamos discutindo coisas bem diferentes aqui.
Lurdinha Deus Acima de Todos
02/05/2026
Ah, e a culpa é do Biden, né? O povo americano já está pagando caro por esse governo comunista, e agora a OTAN também tá se lascando. Deus abençoe a América e o Brasil! 🇧🇷🙏
Zé Trovãozinho
02/05/2026
O Adalberto aí já foi direto no ponto, sem essa de ficar com meias palavras. Enquanto a turma do politicamente correto chora, o Talibã tá rindo à toa com os equipamentos que a gente mesmo deixou pra trás. OTAN é uma fábrica de perdedor, igualzinho ao STF aqui no Brasil.
Adalberto Livre
02/05/2026
CELIO FAZENDEIRO, TU É BURRO OU SE FAZ? FALHA CRÔNICA DA OTAN É NÃO TER BOMBARDEADO SUA CASA DE IDIOTA. ESSA TURMA ACHA QUE GUERRA SE GANHA NA BASE DO “POLITICAMENTE CORRETO” E DEPOIS CHORA QUANDO O TALIBÃ TOMA TUDO DE VOLTA. COMUNISTAS E ESQUERDISTAS IGUAL A CECÍLIA E JEFERSON SÓ SABEM CRITICAR, MAS PROPONHAM SOLUÇÃO? NÃO, SÓ FALAR BOBAGEM. ACORDA, BRASIL!
Jeferson da Silva
02/05/2026
Celio Fazendeiro, você fala como se guerra fosse jogo de videogame. Falhou porque 2 trilhões de dólares foram parar no bolso de empreiteira e general, enquanto o soldado raso voltou pra casa sem emprego e com trauma. Aqui no Brasil a história se repete: terceirizam tudo, precarizam o trabalho e ainda querem chamar de modernização. OTAN e patrão são farinha do mesmo saco.
Celio Fazendeiro
02/05/2026
Ah, mais um perdedor americano chorando as pitangas. OTAN falhou? Claro que falhou, porque guerra não se ganha com frescura de direitos humanos e politicamente correto. Era pra ter varrido o Afeganistão com bombardeio pesado desde o primeiro dia, sem essa de “conquistar corações e mentes”. Agora o Talibã tá rindo à toa enquanto esses idiotas gastaram 2 trilhões de dólares à toa. Brasil que se cuide pra não cair na mesma besteira de importar esses ideais fracos.
Major Ricardo Silva
02/05/2026
Cecília, você tocou num ponto que pouca gente tem coragem de admitir: intervenção estrangeira não adianta quando o país não tem valores sólidos e liderança comprometida com a ordem. Enquanto isso, a esquerda brasileira quer importar essa mesma receita fracassada de relativismo moral e “paz mundial” que só enfraquece as nações. O Talibã voltou porque o Ocidente perdeu o foco no que realmente importa: segurança e tradição.
Cecília Ramos
02/05/2026
Major, seu discurso de “valores sólidos” e “tradição” é o mesmo que justificou a aliança dos EUA com ditaduras no Oriente Médio por décadas. O Talibã voltou porque a guerra nunca foi sobre levar liberdade ou ordem — foi sobre petróleo, geopilha e um complexo militar-industrial que lucra com sangue. Enquanto a esquerda que você critica defende investir em educação e saúde, a “segurança” que você prega só serviu pra enterrar 2 trilhões de dólares e deixar um rastro de viúvas e órfãos.
Cecília Alves
02/05/2026
2 trilhões de dólares e 20 anos de ocupação para no fim o Talibã retomar o poder. Isso não é falha crônica da OTAN, é a prova de que intervenção militar estrangeira não substitui responsabilidade local. Enquanto isso, o contribuinte americano pagou a conta e o brasileiro continua sendo sangrado por impostos para bancar um Estado que não entrega segurança nem aqui nem lá.
Maria Antonia
02/05/2026
Ronaldo, você tocou num ponto que me irrita profundamente: a hipocrisia de ver bilhões sendo queimados em guerra enquanto o cidadão comum é sufocado de imposto. Mas discordo de você quando generaliza “o sistema todo é uma piada”. O problema não é o sistema, é o estado inchado e incompetente, seja em Washington ou Brasília. OTAN e Receita Federal são duas faces da mesma moeda: burocracia que não entrega resultado. Menos estado, mais responsabilidade individual.
Ronaldo Silva
02/05/2026
Pois é, Beto, você falou tudo. 2 trilhões de dólares que poderiam ter sido usados pra melhorar a vida do povo americano, mas preferiram bancar guerra dos outros. E aqui no Brasil a gente paga imposto até pra respirar e não vê retorno nenhum. O sistema todo é uma piada, seja OTAN ou governo brasileiro, no fim quem paga a conta é sempre o trabalhador.
Beto Engenheiro
02/05/2026
2 trilhões de dólares e 20 anos de guerra pra no fim o Talibã tomar tudo de novo. Isso não é falha crônica da OTAN, é obra mal planejada desde o início. Se fosse uma obra de engenharia, o projeto já teria sido cancelado na primeira revisão de custos.
Eduardo Teixeira
02/05/2026
Tadeu, você foi direto ao ponto: 2 trilhões de dólares e no fim o Talibã tomou conta. Agora pergunta pra qualquer empresário aqui em MG quanto sobra de imposto pra investir no próprio negócio. Enquanto a OTAN queima dinheiro em guerra interminável, o governo brasileiro aperta o cerco no empreendedor que só quer trabalhar.
Clarice Historiadora
02/05/2026
Eduardo, essa comparação entre gasto militar da OTAN e carga tributária no Brasil é falsa simetria. Enquanto os EUA torraram 2 trilhões de dólares num conflito que o Pentágono sabia que era inviável desde 2009 — como documentou o “Afghanistan Papers” do Washington Post —, aqui no Brasil a carga tributária alta financia, entre outras coisas, a previdência de quem nunca viu um centavo de lucro de empresário. Seu problema não é com a OTAN, é com a Constituição de 1988.
Tadeu
02/05/2026
Parece que o pessoal aqui já foi longe demais na análise geopolítica. Pra mim, o negócio é mais simples: os EUA gastaram uns 2 trilhões de dólares lá pra, no fim, o Talibã tomar tudo de novo. Isso é incompetência ou corrupção pura. Enquanto isso, minha carteira de ações sente o baque de qualquer crise internacional.
Zé do Povo
02/05/2026
ISSO QUE DÁ FICAR DE MÃOZINHA COM ESQUERDA! 😡 OTAN FRACA PORQUE TEM PAÍS TROUXA QUE SÓ SABE FAZER GUERRA POLITICAMENTE CORRETA! CADA UM CUIDA DO SEU QUINTAL E ACABA COM ESSA INVASÃO DE SOBERANIA! 🇺🇸💪
Ana Souza
02/05/2026
João Augusto e o Marcos Andrade trouxeram pontos interessantes, mas acho que o Pyne não está errado ao apontar a falha estrutural da OTAN. O problema é que esse discurso de “complexo industrial-militar” vira muleta pra tudo. A retirada desastrada de Cabul foi um erro de execução que qualquer analista militar sério poderia ter previsto — não precisa de teoria crítica pra enxergar que abandonar equipamento bilionário pro Talibã foi incompetência pura.
João Carvalho
02/05/2026
O João Augusto tocou num ponto crucial. A derrota no Afeganistão não foi um acidente de percurso, mas sim a lógica do complexo industrial-militar operando em sua plenitude: guerras intermináveis que geram lucro para poucos enquanto a população paga a conta. Enquanto não encararmos que a OTAN é o braço armado de um projeto neoliberal que desmonta direitos aqui e bombardeia lá, vamos continuar vendo esses diagnósticos técnicos que evitam a verdadeira discussão de classe.
Marcos Andrade Niterói
02/05/2026
Acho que o João Augusto foi cirúrgico. O Pyne até tenta dar um verniz técnico, mas a real é que a OTAN sempre foi um braço armado do imperialismo, e o Afeganistão foi a pá de cal. Enquanto isso, aqui no Brasil a gente vê o governo federal largando Niterói de mão, enquanto o Rodrigo Neves toca obras que mudam a vida do povo, como o túnel Charitas-Cafubá. O descaso é o mesmo, só muda o endereço.
João Augusto
02/05/2026
O diagnóstico do Pyne é preciso, mas insuficiente. A falha não é apenas tática ou estrutural da OTAN; é a expressão concreta do que Walter Benjamin chamou de “estado de exceção” tornado regra — uma máquina de guerra que, para se reproduzir, precisa fabricar derrotas que justifiquem novos orçamentos. O Talibã não venceu; o complexo industrial-militar é que perdeu o interesse em continuar pagando a conta.
Luizinho 16
02/05/2026
2 trilhões de dólares, 20 anos de guerra e no fim o Talibã toma conta em 72h. OTAN é piada pronta, falha crônica é eufemismo.
Luiz Carlos
02/05/2026
Pois é, 2 trilhões de dólares e 20 anos pra no fim entregar o país de volta pro Talibã. E ainda querem dar lição de moral no Brasil sobre segurança pública. O problema não é só a OTAN, é essa mania de querer bancar o xerife do mundo sem plano de saída. Imposto do brasileiro que paga essa conta, hein?
Ronaldo Pereira
02/05/2026
Exato, Luiz Carlos. Enquanto o trabalhador brasileiro rala pra pagar imposto, a grana vai pra financiar guerra dos outros e encher o bolso da indústria bélica. OTAN e patrões são a mesma cara: sempre jogam o custo nas costas de quem produz.
Cecília Torres
02/05/2026
A Julia tem razão: o Pyne não está apontando um deslize tático, mas uma contradição estrutural da OTAN. Vinte anos de ocupação, doutrina de contrainsurgência copiada e colada, e o resultado foi o Talibã de volta ao poder em 72 horas. Chamar isso de falha crônica é generoso — na verdade, é a prova de que a lógica militar não resolve problemas políticos.
Célia Carmo
02/05/2026
2 trilhões de dólares pra entregar o país pro Talibã de bandeja e ainda tem gente chamando OTAN de “aliança defensiva” kkkkkkkkk #ForaImperialismo #FalhaCrônicaSim
Julia Andrade
02/05/2026
Capitão Tavares, a sua leitura do fiasco afegão como um mero erro de “nation building” revela um apego curioso à narrativa da OTAN como entidade defensiva. O que o ex-oficial David Pyne aponta — e você parece ignorar — é que a falha é crônica, estrutural, não conjuntural. Não se trata de um plano mal executado, mas de um modelo de guerra que sempre tratou populações civis como dano colateral aceitável. A OTAN nunca foi um clube de defesa, como você insiste; desde a Guerra do Golfo, passando pela Iugoslávia, Líbia e agora Afeganistão, o que vemos é uma aliança que projeta poder para garantir acesso a rotas de recursos e manter hegemonias regionais. O Talibã não venceu no campo de batalha tático — ele esperou, pacientemente, enquanto a máquina de guerra americana se desgastava tentando “construir nações” que nunca pediram para ser construídas.
O que me impressiona, Cecília, é como você conectou isso à realidade das favelas brasileiras com uma precisão que falta aos analistas de think tank. A lógica é a mesma: o Estado (ou a aliança militar) chega com discurso de ordem e progresso, aplica violência seletiva, extrai o que interessa e abandona o território quando o custo de ocupação supera o benefício. A diferença é que aqui a “retirada estratégica” nunca acontece — o Estado permanece como força de contenção, não de desenvolvimento. A derrota no Afeganistão expõe algo que os teóricos pós-coloniais chamam de “soberania performática”: a encenação de controle que desaba quando a população alvo deixa de cooperar com o roteiro.
Gabriel, você tocou num ponto que parece ingênuo mas é profundo. Sim, o Brasil está “quebrado”, mas não por acidente — quebrado por escolhas que replicam, em escala menor, o mesmo modelo extrativista que a OTAN pratica no Oriente Médio. Enquanto gastamos bilhões no orçamento militar e em subsídios a setores que não geram emprego decente, a infraestrutura social desaba. A diferença é que aqui a “derrota” não é televisionada com imagens de helicópteros saindo de embaixadas; é silenciosa, medida em filas de hospitais, evasão escolar e balas perdidas. A falha crônica não é da OTAN — é do projeto civilizatório que trata guerra como política e política como guerra por outros meios.
Gabriel Teen
02/05/2026
OTAN falhou? Ué, mas eu achava que era só o Brasil que tava quebrado, agora descobri que até os gringos tão no chinelo, que país lindo.
Cecília Silva
02/05/2026
Capitão Tavares, o senhor realmente acha que 20 anos de guerra, 200 mil mortos e um país destruído é motivo de comemoração? A OTAN não é clube de defesa, é máquina de lucro pra indústria bélica. Enquanto isso, aqui na favela a gente sabe bem o que é ser tratado como laboratório de políticas que nunca chegam pra mudar a vida de quem precisa.
Augusto Silva
02/05/2026
Capitão Tavares, com todo respeito, mas chamar de “aliança defensiva” quem gastou US$ 2,3 trilhões no Afeganistão para no final entregar o país de bandeja pro Talibã é um exercício de ginástica retórica digno de medalha olímpica. Enquanto isso, o Brasil investe em ciência, educação e infraestrutura — coisas que geram desenvolvimento de verdade, não bunkers e drones. Fica a dica: talvez seja hora de trocar os manuais da Guerra Fria por um relatório do IPEA.
Capitão Tavares 🇧🇷
02/05/2026
Mais um show de horrores da esquerda comemorando derrota alheia. A OTAN é uma aliança defensiva, o problema foi a estratégia idiota de querer fazer “nation building” no Oriente Médio. Enquanto isso, o Brasil está sendo destruído por essa corja vermelha e as Forças Armadas assistem caladas. Precisamos de uma intervenção militar já, antes que viremos uma nova Venezuela.
Lucas Gomes
02/05/2026
A derrota no Afeganistão não é apenas uma “falha crônica da OTAN”, como coloca o ex-oficial David Pyne, mas a consequência lógica de um sistema que transforma nações inteiras em laboratórios de guerra e extração de recursos. Enquanto os generais debatem estratégias militares, o que realmente fica exposto é a incapacidade estrutural do capitalismo imperialista de construir qualquer coisa que não seja ruína e dependência. Vinte anos de ocupação, trilhões de dólares gastos, e o resultado é o retorno do Talibã — não por acaso, mas porque a lógica da OTAN nunca foi “libertar” povos, e sim garantir corredores de exploração e bases militares para controlar rotas energéticas na Ásia Central. O que o Pentágono chama de “erro tático” é, na verdade, a face mais crua do colonialismo do século XXI.
A Sílvia D. tenta defender a OTAN como “proteção entre democracias”, mas precisamos lembrar que democracia não se exporta na ponta de um fuzil. O Afeganistão nunca foi uma democracia de fato — era um regime fantoche sustentado por contratos bilionários com empreiteiras ocidentais, enquanto a população civil via suas terras serem contaminadas por metais pesados das bombas e sua água roubada para mineração. O próprio governo afegão que os EUA deixaram para trás era um antro de corrupção, onde os mesmos senhores da guerra que lutavam contra os talibãs negociavam com eles nos bastidores. Isso não é “proteção”, é um teatro macabro onde os povos originários e camponeses são sempre os perdedores.
O Paulo Ribeiro tem razão ao pedir radicalização da crítica, mas acho que precisamos ir além do diagnóstico do imperialismo. O que o fiasco afegão revela é a falência do modelo civilizatório ocidental baseado em crescimento infinito e consumo de recursos. Enquanto a OTAN queimava combustível fóssil para manter seus helicópteros no ar, as comunidades rurais afegãs viam suas florestas serem desmatadas para carvão e seus rios secarem por causa das barragens construídas para abastecer as bases militares. A crise no Afeganistão é também uma crise ecológica — e isso os relatórios do Pentágono jamais mencionam, porque isso exigiria questionar o próprio sistema que financia essas guerras.
Por fim, acho que o Lucas Alves tocou num ponto crucial: a OTAN não é um “clube do livro”, mas uma máquina de destruição em massa disfarçada de aliança defensiva. O que me assusta é ver como a esquerda brasileira às vezes fica presa nesse debate eurocêntrico, como se a solução fosse apenas “tirar os EUA de lá” e deixar o Talibã governar. Não, a questão é muito mais profunda: precisamos de um mundo onde nenhuma potência estrangeira possa invadir um país para roubar seus recursos, onde os direitos dos povos indígenas e camponeses sejam respeitados, e onde a soberania alimentar e energética substitua a lógica de mercado que transforma vidas em números de baixas. Enquanto não enfrentarmos a raiz do problema — o capitalismo predatório que alimenta essas guerras —, estaremos apenas trocando um imperialismo por outro, seja ele dos EUA, da China ou de qualquer outra potência.
Lucas Alves
02/05/2026
Engraçado como todo mundo aqui adora tratar a OTAN como se fosse um clube do livro ou uma entidade divina. Vinte anos de ocupação, trilhões de dólares queimados, milhares de mortos, e no fim o Talibã volta ao poder como se nada tivesse acontecido. Se isso é “proteção entre democracias”, como disse a Sílvia, então a definição de democracia precisa de uma atualização urgente. O erro crônico não é da OTAN, é de achar que dá pra exportar “liberdade” na base do bombardeio.
Miriam
02/05/2026
Sílvia D., essa sua defesa automática da OTAN como “proteção entre democracias” é um tanto ingênua. O Afeganistão mostrou que a aliança gastou 20 anos e bilhões de dólares para entregar o país de volta aos talibãs. Se isso é proteger democracias, estamos mal de conceito mesmo.
Silvia D.
02/05/2026
O que me impressiona nessa discussão toda é como a esquerda brasileira adora comemorar o fracasso alheio como se fosse vitória própria. A OTAN tem seus defeitos, claro, mas a derrota no Afeganistão não invalida décadas de proteção mútua entre democracias. Enquanto isso, o SUS aqui sangra por falta de investimento e ninguém faz mea-culpa.
Paulo Ribeiro
02/05/2026
Caro Carlos Henrique Silva, sua intervenção é precisa ao localizar o debate no terreno do imperialismo, mas acredito que precisamos radicalizar ainda mais a crítica. O diagnóstico do ex-oficial David Pyne, embora venha de dentro do aparelho de Estado estadunidense, revela algo que teóricos como Giovanni Arrighi já antecipavam: a hegemonia dos EUA não se sustenta mais pela via militar clássica, e a OTAN, como braço armado do capitalismo transnacional, expõe suas contradições internas. Não se trata de uma “falha crônica” meramente tática ou burocrática, como Pyne sugere, mas de uma crise orgânica do próprio modelo de dominação imperialista. O Afeganistão foi o laboratório onde se provou que a força bruta, desacompanhada de hegemonia cultural e política – algo que Gramsci chamaria de “consenso” –, é incapaz de estabilizar qualquer território.
O comentário do Pedro Silva toca num ponto sensível ao mencionar o dinheiro desperdiçado, mas precisamos ir além da indignação moral. Não se trata apenas de “gastar rios de dinheiro em guerra dos outros”. Trata-se de entender que esse dinheiro é extraído da mais-valia dos trabalhadores do mundo inteiro, incluindo os brasileiros que pagam impostos e veem seus salários corroídos. Enquanto o Pentágono queimou 2 trilhões de dólares no Afeganistão – verba que poderia ter financiado educação, saúde e infraestrutura em países periféricos –, a burguesia internacional consolidou seus lucros com a indústria bélica. A derrota no Afeganistão não é um acidente, é a lógica do capital em seu estágio de decadência, como Althusser analisaria: o aparelho repressivo do Estado imperialista falha porque a base material que o sustenta já não oferece retornos políticos sustentáveis.
João Martins, você tem razão ao apontar os dois extremos do debate, mas acho que falta um terceiro termo: a perspectiva dos povos oprimidos. O que a retirada caótica de Cabul mostrou ao mundo, e que os analistas militares ocidentais se recusam a admitir, é que a resistência afegã – com todas as suas contradições internas, incluindo o Talibã como expressão de um fundamentalismo reacionário – foi capaz de derrotar a maior máquina de guerra da história. Isso não é motivo de celebração acrítica, mas de reflexão sobre os limites do poderio militar quando confrontado com a luta de classes em escala global. Mariátegui diria que o mito da invencibilidade imperialista ruiu junto com as bombas que nunca conseguiram comprar lealdades duradouras.
Por fim, discordo respeitosamente do Sargento Bruno quando ele reduz a questão a uma suposta “falta de disciplina” da OTAN. Esse tipo de análise, típica do pensamento militarista, ignora que a disciplina sem hegemonia é apenas violência nua e crua. O que a OTAN demonstrou no Afeganistão foi a incapacidade de construir qualquer projeto civilizatório que não fosse a pilhagem e a destruição. A “falha crônica” não é técnica, é política e ética: o imperialismo não pode reformar sua própria natureza predatória. Enquanto a esquerda brasileira, como bem lembrou o Carlos Oliveira, luta por transporte público digno e salário justo, a OTAN nos mostra que o verdadeiro caminho não é consertar a aliança militar, mas desmantelar as estruturas que a tornam possível. O Afeganistão é apenas o prenúncio do que aguarda o império em suas próximas aventuras.
Carlos Oliveira
02/05/2026
Pedro Silva, é bem por aí. Enquanto os caras gastam bilhões em guerra pra no final dar nisso, a gente aqui na luta por um salário digno e transporte público que não pareça uma carroça. OTAN, EUA, é tudo a mesma máquina de moer gente pobre.
Pedro Silva
02/05/2026
Pois é, mais um gastando rios de dinheiro em guerra dos outros pra no final dar tudo errado. E o povo aqui achando que solução é briga de esquerda e direita, enquanto a bagunça é geral mesmo. OTAN, Brasil, tudo no mesmo barco furado.
João Martins
02/05/2026
É curioso ver como esse debate sobre a OTAN sempre termina em dois extremos: ou a aliança é vendida como um escudo infalível da democracia, ou como um tigre de papel que só serve para justificar intervenções. O ex-oficial David Pyne, ao apontar a “falha crônica” da OTAN no Afeganistão, toca num ponto que os dados já mostravam há anos. Se a gente for atrás dos números do Costs of War Project da Brown University, o que se vê é um gasto de mais de 2 trilhões de dólares no Afeganistão, com um resultado estratégico pífio: o Talibã retomou o controle do país em menos de um mês após a retirada. Isso não é acaso, é a consequência lógica de uma estratégia que sempre priorizou a ocupação militar sobre o entendimento real da dinâmica tribal e política local.
O Sargento Bruno tem um ponto quando critica a burocracia da aliança, mas acho que ele simplifica demais ao chamar a OTAN de “tigre de papel”. O problema não é falta de poder de fogo, é que poder de fogo não resolve conflitos assimétricos. Estudos do RAND Corporation já mostravam que, desde a Segunda Guerra, campanhas de contra-insurgência lideradas por potências ocidentais têm uma taxa de sucesso inferior a 30%. O Afeganistão não foi exceção, foi a regra. O que a derrota expõe não é fraqueza militar, mas a incapacidade de traduzir superioridade tecnológica em estabilidade política. E isso vale para qualquer potência, seja EUA, Rússia ou China.
Já o Carlos Henrique Silva tenta puxar a discussão para o terreno do imperialismo, o que é um viés compreensível, mas acho que ele projeta demais uma leitura ideológica sobre um fenômeno que é, antes de tudo, um problema de planejamento e execução. Não precisa de teoria marxista para enxergar que uma aliança de 30 países, com doutrinas militares diferentes, cadeias de comando sobrepostas e objetivos políticos conflitantes, ia ter dificuldade em coordenar uma retirada minimamente organizada. O caos no aeroporto de Cabul em 2021 não foi um acidente geopolítico, foi o resultado previsível de anos de relatórios ignorados. O próprio SIGAR (Inspetor Geral Especial para a Reconstrução do Afeganistão) documentou, em dezenas de relatórios, que o treinamento das forças afegãs era superficial e insustentável.
No fim, o que fica é que a narrativa de “derrota humilhante” serve mais para alimentar manchetes do que para explicar o que realmente aconteceu. A OTAN não perdeu porque foi fraca ou porque o Talibã é forte. Perdeu porque o projeto de nation-building no Afeganistão sempre foi inviável dentro do prazo e dos recursos que os contribuintes estavam dispostos a tolerar. Qualquer análise fria das curvas de gasto versus indicadores de segurança local já mostrava que a equação não fechava. O Pyne está certo em apontar a falha crônica, mas ela não é da OTAN como conceito militar, e sim da crença ocidental de que se pode exportar democracia com bombas e contratos de terceirização.
Sargento Bruno
02/05/2026
Tonho Patriota, você está certo na indignação, mas erra o alvo. A OTAN sempre foi um tigre de papel sem a liderança firme dos EUA, e o Afeganistão só comprovou que aliança burocrática e sem disciplina não segura terreno nenhum. Enquanto isso, aqui no Brasil, a esquerda quer desarmar o cidadão de bem e entregar o país para o crime organizado. O problema não é só lá fora, é aqui dentro também.
Carlos Henrique Silva
02/05/2026
Sargento Bruno, sua análise merece uma discussão mais verticalizada. Você acerta ao diagnosticar a fragilidade da OTAN como uma aliança burocrática, mas aí comete um desvio típico do pensamento militarista: confundir a crítica ao imperialismo com suposta fraqueza. O problema não é que a OTAN seja “tigre de papel” por falta de disciplina ou liderança firme. O problema é que ela é a expressão armada de um sistema capitalista em crise crônica, que precisa inventar inimigos para justificar um complexo industrial-militar que drena recursos públicos enquanto a desigualdade explode. O Afeganistão não caiu por falta de garra dos soldados; caiu porque a ocupação era estruturalmente inviável — um projeto neocolonial que ignorava a história, a cultura e as contradições de classe do país. Como diria Gramsci, a hegemonia não se sustenta só na força, precisa de consentimento. Quando você tenta impor uma ordem pela baioneta sem construir nenhuma base social, o resultado é o que vimos: vinte anos de gastos astronômicos para no final o Talibã retomar o poder em semanas.
Agora, quando você puxa o debate para o Brasil e coloca a culpa na esquerda pelo desarmamento e pela violência, você está fazendo o mesmo movimento ideológico que a direita faz nos EUA: desviar o foco das causas estruturais para um bode expiatório conveniente. O crime organizado no Brasil não cresceu porque o cidadão de bem está desarmado; cresceu porque o Estado brasileiro, em aliança com o capital financeiro e o agronegócio, sempre tratou a periferia como território de exceção. Enquanto isso, o orçamento público sangra com juros da dívida e subsídios para grandes corporações, enquanto a segurança pública é terceirizada para milícias e facções. O debate sobre armas é uma cortina de fumaça: o problema real é a ausência de um projeto de desenvolvimento que integre as massas ao mercado de trabalho formal, à educação e à saúde. A esquerda que você critica, apesar de todos os seus limites, ao menos tenta colocar na mesa a discussão sobre distribuição de renda e soberania nacional. O que a direita oferece? Mais armas, mais prisões, mais Estado penal — exatamente o modelo que fracassou nos EUA e que agora querem importar para cá.
No fundo, a derrota no Afeganistão e a crise de segurança no Brasil são duas faces da mesma moeda: a incapacidade do capitalismo tardio de oferecer respostas que não sejam a violência institucional e a exploração. Enquanto a direita insiste em tratar sintomas com soluções autoritárias, a esquerda precisa fazer a autocrítica de não ter conseguido construir um projeto hegemônico alternativo. Mas jogar a culpa no Lula ou no desarmamento é, no mínimo, uma análise rasa que ignora que o Brasil virou um dos países mais violentos do mundo exatamente nos governos que mais armaram a população. A história não mente: quem confia em cavalos e carruagens, como disse o João Batista citando a Bíblia, acaba caindo. E quem confia em mais armas e mais OTAN para resolver problemas sociais está cavando a própria derrota.
Tonho Patriota
02/05/2026
OTAN FRACA! EU AVISEI! Gastaram rios de dinheiro no Afeganistão enquanto o Brasil vira VENEZUELA com esse Lula, faz o L, perdeu!
Maria Aparecida
02/05/2026
Tonho, sua indignação com os gastos da OTAN eu até entendo, mas misturar com ataques ao Lula e chamar o Brasil de Venezuela é só repetir discurso pronto sem olhar pra realidade. O problema não é o Lula, é o sistema que joga dinheiro em guerra enquanto o povo passa fome — isso sim é falha crônica, e a Bíblia já denunciava quem confia em cavalos e carruagens.
Mariana Alves
02/05/2026
A leitura da declaração do ex-oficial David Pyne é um daqueles momentos em que a ficha cai para quem ainda insiste em tratar a OTAN como uma aliança puramente defensiva e racional. O que ele chama de “falha crônica” não é um deslize tático ou uma questão de subfinanciamento; é a expressão lógica de um projeto imperial que se recusa a aprender com a história. O Afeganistão não foi uma exceção, foi a regra: a tentativa de impor um Estado neocolonial pela via militar, sem compreender as contradições internas daquela sociedade, estava fadada ao fracasso desde o primeiro bombardeio. A OTAN não falhou por falta de vontade de “bater mais forte”, como alguns aqui sugeriram, mas por uma incapacidade estrutural de enxergar que a soberania alheia não se compra com contratos de reconstrução nem se mantém com drones.
Roberto, você mencionou que a OTAN “segura o mundo livre contra o avanço comunista”, e isso me fez refletir sobre como esse discurso ainda ecoa como uma relíquia da Guerra Fria, descolado da realidade concreta. O “mundo livre” que a OTAN defende é o mesmo que sustenta regimes autoritários no Oriente Médio, que extrai recursos da África e que fecha as portas para refugiados afegãos enquanto chora lágrimas de crocodilo pela “missão de paz”. A falha crônica não é militar, é moral e política. O Pentágono sabe que tanques não constroem hegemonia duradoura, mas o complexo industrial-militar precisa de guerras para girar sua engrenagem. Por isso, o diagnóstico de Pyne, vindo de dentro do sistema, é tão revelador: até os operadores do império começam a admitir que a máquina emperrou.
Carmem e João, achei interessante como vocês trouxeram a dimensão ética e espiritual para a discussão. De fato, há uma lição profunda aí sobre a hybris do poder. Quando o Estado mais armado da história gasta dois trilhões de dólares para, no fim, devolver o país aos talibãs, fica claro que o problema não é de logística, mas de uma visão de mundo que reduz tudo a relações de força. A Bíblia, como você lembrou, já advertia sobre a confiança em carruagens e cavalos. O que falta à OTAN não é um novo manual de contra-insurgência, mas a humildade de reconhecer que nenhuma aliança militar será capaz de resolver contradições engendradas pelo próprio capitalismo global. Enquanto a esquerda e a direita continuarem debatendo se o erro foi “falta de força” ou “excesso de intervencionismo”, o império seguirá tropeçando nas mesmas pedras.
João Batista
02/05/2026
Carmem Souza, você tocou no ponto certo. A Bíblia já diz que os que confiam em cavalos e carruagens cairão, mas nós nos levantaremos em nome do Senhor. Os EUA e a OTAN gastaram trilhões no Afeganistão enquanto o povo passava fome — isso não é estratégia militar falha, é pecado estrutural. O império sempre cai pela própria arrogância, e quem vive pela espada, morre pela espada.
Carmem Souza
02/05/2026
Pois é, Mariana, você tocou num ponto que me fez pensar como cristã: será que a gente não repete esse erro na vida pessoal? Achar que resolver tudo na base da força ou do controle é o caminho, quando na verdade o que falta mesmo é humildade pra ouvir e entender o outro. Acho que a lição do Afeganistão serve pra todo mundo, não só pra OTAN.
Roberto Lima
02/05/2026
O Sgt Bruno tem razão em parte: os EUA perderam porque ficaram com essa mania de querer fazer engenharia social em vez de resolver o problema com força. Mas o Mateus Silva viaja na maionese com esse papo de imperialismo. OTAN é o que segura o mundo livre contra o avanço comunista, e o fracasso no Afeganistão foi por falta de pulso firme e estratégia clara, não por causa de “lógica do capitalismo”. Aqui no Brasil a gente vê o mesmo: estado grande e ideologia fraca só geram derrota.
Mariana Oliveira
02/05/2026
Roberto, você levanta um ponto que merece ser aprofundado, mas acho que sua análise tropeça justamente no que a Nadia identificou: a ideia de que “falta de pulso firme” explica o fracasso. Não se trata de uma questão de força insuficiente, mas de uma compreensão equivocada sobre o que significa construir estabilidade. A OTAN e os EUA aplicaram força bruta de forma massiva — drones, bombardeios, operações especiais — e o resultado foi o colapso. O problema não foi falta de força, foi a crença de que força resolve problemas que são, na raiz, políticos, econômicos e sociais. Engenharia social não é um desvio da estratégia militar, Roberto; é o nome que se dá quando se tenta usar tanques para ditar como um povo deve se organizar. E isso falhou no Vietnã, falhou no Iraque e falhou no Afeganistão.
Você diz que o Mateus “viaja na maionese” com o papo de imperialismo, mas acho que você está confundindo o diagnóstico com a ideologia. Kimberlé Crenshaw, ao formular a interseccionalidade, nos ensina que sistemas de poder não operam isoladamente — racismo, patriarcado e capitalismo se entrelaçam. Quando a OTAN invade um país como o Afeganistão, não está apenas “segurando o avanço comunista”, como você coloca; está reafirmando uma lógica de dominação que atravessa séculos de colonialismo. bell hooks, em “Ensinando a Transgredir”, argumenta que a verdadeira libertação não vem de cima para baixo, imposta por quem tem mais armas, mas de processos de empoderamento local e escuta das vozes marginalizadas. O que a OTAN fez foi o oposto: ignorou as estruturas tribais, o papel das mulheres, as dinâmicas de poder locais — tudo em nome de uma “estratégia clara” que nunca existiu porque nunca se deu ao trabalho de entender o terreno humano.
E aqui eu preciso discordar frontalmente da sua leitura sobre o Brasil. Você diz que “estado grande e ideologia fraca geram derrota”, mas isso é uma simplificação que ignora como o Estado brasileiro, em seus momentos mais progressistas, conseguiu reduzir desigualdades históricas. O problema não é o tamanho do Estado, mas a quem ele serve. Um Estado que investe em saúde, educação e redistribuição de renda — como vimos em governos com políticas afirmativas e de combate à fome — não é “ideologia fraca”, é a materialização de uma escolha política por justiça social. A derrota no Afeganistão não foi do “estado grande”, foi do projeto imperial que acreditou que poderia moldar uma nação à força, sem respeitar sua soberania e suas complexidades. Se a OTAN representa o “mundo livre”, como você diz, que liberdade é essa que precisa de bombas para ser instalada? Talvez a lição mais dura seja que o “pulso firme” que você defende é, na prática, a receita para repetir os mesmos erros — só que com nomes diferentes e mais corpos pelo caminho.
Nadia Petrova
02/05/2026
O Sgt Bruno e o Mateus Silva estão discutindo em níveis diferentes — um quer mais porrada, o outro vê lógica sistêmica. Mas ambos perdem o ponto central: o Afeganistão foi uma lição clássica de que soft power não se constrói com tanques, e que a OTAN continua sendo um clube de países que não aprendeu a diferenciar segurança nacional de projeto imperial. Pyne está certo, mas é o diagnóstico errado — não é falha crônica da aliança, é a natureza dela.
Francisco de Assis
02/05/2026
Pois é, Maria Silva, a senhora tem toda razão. Enquanto os EUA e a OTAN gastam rios de dinheiro em guerra fracassada, o Brasil do presidente Lula mostra pro mundo que soberania se constrói com diálogo e desenvolvimento, não com bomba. Esses gringos tão pagando o pato por décadas de arrogância imperialista.
Maria Silva
02/05/2026
É triste ver tanto dinheiro e vidas perdidas em 20 anos de guerra para terminar desse jeito. Não consigo entender como os governantes não aprenderam com o Vietnã que impor democracia na base da bomba não funciona. O povo afegão que sofreu nessa história toda.
Mateus Silva
02/05/2026
O Sgt Bruno tem um ponto que merece ser levado a sério: a OTAN nunca foi uma aliança para construir Estados, mas sim para administrar crises do capitalismo central. O Afeganistão não foi um erro tático, foi a lógica do imperialismo levada às últimas consequências — gastar rios de dinheiro público para sustentar uma elite corrupta local enquanto a população civil vira estatística de baixa. O problema não é a OTAN ser fraca, é ela ser exatamente o que sempre foi: o braço armado de uma ordem mundial que produz desigualdade onde quer que toque.
Sgt Bruno 🇧🇷
02/05/2026
Selva! Os EUA perderam no Afeganistão porque ficaram 20 anos brincando de fazer nação em vez de dar porrada de verdade. OTAN é isso aí, uma babaquice. Enquanto isso, aqui no Brasil o Exército fica fazendo papel de palhaço com essas operações de garantia da lei e da ordem. Cadê a selva de verdade?
Beatriz Lima
02/05/2026
Ah, o Renato Professor tentou dar uma aula de geopolítica e o Pedro Neto respondeu com a profundidade de um comentário do Instagram. O equilíbrio cósmico da internet está preservado.
Dito isso, acho curioso como todo mundo está debatendo a OTAN como se fosse 2003 ainda. O Pyne, ex-oficial do Pentágono, aponta uma “falha crônica” da aliança, mas convenhamos: falha crônica é um eufemismo bonito para “a gente construiu um castelo de areia na maré alta e achou que daria certo”. A OTAN não falhou no Afeganistão porque os talibãs são estrategistas geniais – eles são, na verdade, taticamente competentes e politicamente resilientes, o que é diferente. A OTAN falhou porque tentou aplicar um molde institucional ocidental num país que funciona na base de lealdades tribais, suborno generalizado e uma relação com a religião que nenhum manual de West Point ensina.
O Ricardo Almeida tocou num ponto que merece mais atenção: a crença de que democracia se exporta com bombardeio. Mas eu iria além. O problema não foi só a arrogância de achar que 20 anos de ocupação criariam um “Afeganistão moderno”. O problema foi que, desde o início, os EUA e a OTAN sabiam que estavam alimentando um sistema de corrupção endêmica com aliados locais que desviavam recursos, vendiam equipamentos e negociavam com o Talibã pelas costas. Não foi um erro de cálculo – foi um conluio conveniente enquanto os cheques chegavam. A retirada caótica de 2021 não foi o fracasso; foi apenas a fatura chegando com juros.
O Carlos Meirelles fez a ponte com o Brasil de forma um tanto forçada, mas não sem razão. A lógica é a mesma: quando o Estado tenta ser o grande arquiteto da sociedade sem entender a base real de poder local, o resultado é ineficiência e desperdício. A diferença é que aqui a conta não vem em forma de talibãs tomando Cabul, vem em forma de serviços públicos capengas e uma dívida que alguém vai ter que pagar. No fim das contas, tanto a OTAN quanto o Estado brasileiro sofrem do mesmo mal: achar que dinheiro e estrutura institucional substituem conhecimento da realidade local. E não substituem.
Pedro Neto
02/05/2026
Faz o L, OTAN de araque, 20 anos pra levar chá de bunda dos talibã kkkkk
Renato Professor
02/05/2026
Pedro Neto, sua chacota revela um profundo desconhecimento de como opera a geopolítica real: enquanto você reduz tudo a um meme, a OTAN gastou dois trilhões de dólares para descobrir que não se constrói Estado-nação com bombas inteligentes e corrupção generalizada. O problema não é o L, é a total falta de letramento sobre relações internacionais que transforma tragédia em piada de WhatsApp.
Carlos Meirelles
02/05/2026
Caio, bonita a referência a Políbio, mas a falha não é da OTAN como entidade abstrata — é do contribuinte americano que bancou 20 anos de construção nacional num país que nunca foi nação. Enquanto isso, aqui no Brasil o Estado incha, os impostos sobem e o serviço público entrega o mesmo caos. Talvez a lição seja que gastar dinheiro público em missão impossível é esporte internacional, não monopólio de esquerda.
Ricardo Almeida
02/05/2026
Carlos, você tem razão em apontar o contribuinte como financiador, mas reduzir a falha a gasto público é perder de vista o elefante na sala: o problema não foi o dinheiro, foi a crença de que se pode exportar democracia via bombardeio. Comparar com o Estado brasileiro é um falso paralelo — aqui o caos é por omissão, lá foi por intervenção ativa e mal planejada.
Caio Vieira
02/05/2026
Prezados comentaristas, permitam-me adentrar este debate com a devida vênia acadêmica. A análise do ex-oficial David T. Pyne, longe de ser uma mera opinião técnica, constitui um verdadeiro mea culpa institucional que ecoa as reflexões de um Políbio contemporâneo sobre a decadência dos impérios. O que testemunhamos no Afeganistão não foi um acidente de percurso, mas a explicitação de uma crise de hegemonia que, como bem apontou o caro Pedro Almeida ao evocar Arendt, revela a autocorrosão do discurso político-militar ocidental. A OTAN, enquanto braço armado de uma determinada ordem mundial, viu-se incapaz de traduzir sua superioridade técnica em legitimidade social junto ao povo afegão, um fenômeno que Gramsci descreveria como falência do consenso e recurso à força bruta, que nunca é suficiente para sustentar um projeto duradouro.
A sra. Karina Libertária, com a devida licença para divergir, sua leitura reducionista que opõe um suposto “mundo produtivo” a um “Brasil assistencialista” ignora a totalidade concreta do processo histórico. A derrota no Afeganistão não é um evento isolado; ela é a consequência lógica de décadas de intervencionismo imperialista que, sob a retórica da “exportação da democracia”, sempre buscou assegurar corredores geopolíticos e o controle de recursos estratégicos. Enquanto isso, o povo brasileiro, com todas as suas contradições, luta por soberania alimentar e por uma educação que o liberte das amarras do subdesenvolvimento, algo que nenhum dólar especulativo pode comprar.
A contribuição da sra. Renata Oliveira, ao trazer a perspectiva cristã do diálogo, é louvável e se alinha com uma epistemologia da resistência. Contudo, é preciso ir além e questionar a própria ideologia que sustenta essas intervenções. O problema não é apenas a imposição de valores, mas a estrutura de poder que transforma nações inteiras em laboratórios de experimentos neoliberais. A reconstrução do Afeganistão foi sabotada pela corrupção endêmica de empreiteiras ocidentais e pela mercantilização da guerra, um tema que o sociólogo mineiro José de Souza Martins trataria como a “fábrica de miséria” do capitalismo periférico.
Por fim, ressalto a arguta observação do sr. João Carlos da Silva sobre os interesses econômicos subjacentes. A falha crônica da OTAN expõe a fragilidade de um bloco histórico que já não consegue mais articular seus interesses particulares com os interesses universais da humanidade. A solidariedade que devemos ao povo afegão, que sofre as consequências dessa hegemonia em colapso, não pode ser confundida com a defesa de um “mal menor” imperial. A verdadeira lição do Afeganistão é que a autodeterminação dos povos é inegociável e que qualquer projeto de “paz” que venha de cima para baixo, com tanques e drones, está fadado ao fracasso retumbante que testemunhamos.
Pedro Almeida
02/05/2026
A retirada do Afeganistão não foi um acidente tático, foi a conclusão lógica de uma política externa que, desde a Guerra do Vietnã, insiste em repetir os mesmos erros. Como lembrava Hannah Arendt, a mentira sistemática na política não engana apenas o inimigo, mas corrói a própria capacidade de julgar a realidade. A OTAN, enquanto braço armado do consenso neoliberal do pós-Guerra Fria, sempre careceu de uma reflexão ética sobre os limites da força.
Ana Costa
02/05/2026
Renata, você tocou num ponto crucial. A retirada caótica foi a cereja do bolo de 20 anos de uma estratégia que nunca soube diferenciar reconstrução de imposição de valores. Dito isso, acho que a crítica ao modelo de intervenção não invalida o fato de que a OTAN, como aliança, falhou em fazer o básico: planejar uma transição minimamente ordenada. O erro não foi só moral, foi operacional.
Renata Oliveira
02/05/2026
João Carlos, sua análise foi cirúrgica. O problema não é só da OTAN, mas de um modelo que acha que pode resolver tudo na base da força, ignorando a cultura e a história local. Como cristã, acredito que paz duradoura vem do diálogo e do respeito ao próximo, não de intervenções que só geram mais sofrimento.
Karina Libertária
02/05/2026
Claro, OTAN falhando, Biden dormindo, e o mundo rindo. Enquanto isso, o Brasil gasta bilhão com auxílio pra vagabundo que nunca trabalhou. Quem tem dollar e investe lá fora só ri desses perdedores.
João Carlos da Silva
02/05/2026
Karina, sua análise reduz a complexidade geopolítica a uma disputa de “nós contra eles” que ignora o fato de que o colapso da OTAN no Afeganistão expõe justamente a fragilidade de um modelo de intervenção militar que sempre serviu a interesses econômicos, não à estabilidade. Quanto ao auxílio, sugiro uma leitura de Marx sobre a função do exército industrial de reserva — chamar de “vagabundo” quem é jogado à margem por um sistema que precariza o trabalho é, no mínimo, um desvio de análise que culpa a vítima pela engrenagem.
Clotilde Pátria
02/05/2026
Ah, mas é claro! A OTAN falhando e o mundo inteiro vendo. Enquanto isso, o Lula quer trazer o comunismo pro Brasil e ninguém faz nada. Virou bagunça geral, só Jesus na causa mesmo!
Luisa Teens
02/05/2026
Clotilde, pelo amor, tirar comunismo do bolso é o novo normal de quem acha que OTAN é torcida organizada #ForaBolsonaro