Lula mobiliza trabalhadores e pressiona Congresso para acabar com a escala 6×1

Bandeira do Brasil com a frase "Fim da 6x1 Já" estendida em manifestação. (Foto: diariodocentrodomundo.com.br)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou os atos do 1º de Maio para transformar o fim da escala 6×1 na principal bandeira trabalhista do governo.

Discursos em São Paulo e no Rio de Janeiro destacaram que, sem participação popular, o projeto corre o risco de ficar travado nas comissões. A mobilização é considerada essencial para manter força na sessão legislativa atual.

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou que o Palácio do Planalto já cumpriu sua parte ao protocolar o texto. A proposta limita a jornada a 40 horas semanais, assegura dois dias consecutivos de descanso e preserva a remuneração.

Para Marinho, a aprovação depende agora de mobilização popular. A correlação de forças no Congresso costuma favorecer grupos empresariais refratários a qualquer redução de jornada.

A Secretaria-Geral da Presidência projetou que este deve ser o último Dia do Trabalhador marcado pelo regime 6×1. O tema ficará incontornável se sindicatos e movimentos pressionarem diariamente os gabinetes.

O Planalto enxerga a matéria como oportunidade de reagrupar a base progressista após derrotas recentes, conforme apontou o Diário do Centro do Mundo. Essas derrotas incluem a rejeição de Jorge Messias ao STF e a derrubada do veto presidencial ao PL da Dosimetria.

O texto tramita em regime de urgência, dispositivo que possibilita trancar a pauta da Câmara se a deliberação não ocorrer no prazo regimental. O governo prefere evitar confronto frontal e aposta na negociação ancorada por opinião pública favorável.

A deputada federal Erika Hilton, do PSOL de São Paulo, lembrou que sua Proposta de Emenda à Constituição contra o 6×1 está pronta para ir ao plenário. A proposta pode ser apensada ao projeto do Executivo para acelerar a tramitação.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reforçou a estratégia e cobrou dos trabalhadores mobilização intensa. Sem pressão, o tema corre risco de ser empurrado para depois das eleições.

Os atos pró-redução de jornada se dispersaram por São Bernardo do Campo, praça Roosevelt e praia de Copacabana. No lado oposto, um protesto de direita na avenida Paulista teve baixa adesão e concentrou críticas contra processos judiciais do ex-presidente Jair Bolsonaro, sem tocar na pauta trabalhista.

Na avaliação de articuladores do governo, encerrar o 6×1 beneficiará setores onde folgas sequenciais são raras, como comércio e serviços. A medida atingirá milhões de empregados que trabalham seis dias para descansar apenas um.

Centrais sindicais calculam que a mudança pode reduzir acidentes laborais e melhorar indicadores de saúde mental. Os argumentos serão usados em audiências públicas previstas na Comissão de Trabalho.

Entidades patronais já articulam emendas que flexibilizam a regra para categorias específicas. A equipe do ministro Marinho afirma que não existe espaço para retrocessos e que a economia brasileira pode absorber a mudança sem perdas salariais nem demissões.

Estudos citados por assessores do Planalto apontam experiências bem-sucedidas de semanas encurtadas em países como Espanha e Reino Unido. Projetos-piloto indicaram ganho de eficiência superior a 10% após a adoção de dois dias seguidos de repouso.

Com as eleições se aproximando, Lula enxerga na pauta trabalhista uma oportunidade de recuperar o protagonismo no Congresso. A votação é projetada como símbolo de compromisso social da coalizão progressista.


Leia também: Governo envia ao Congresso projeto de lei que acaba com a escala 6×1 e diminui jornada para 40 horas sem redução de salário


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