Missão iraniana na ONU acusa EUA de hipocrisia e afirma não haver limites legais ao enriquecimento de urânio

Centrífugas para enriquecimento de urânio em uma instalação nuclear. (Foto: en.mehrnews.com)

A missão da República Islâmica do Irã junto às Nações Unidas afirmou que não existe qualquer restrição jurídica internacional que limite o nível de enriquecimento de urânio do país. A representação qualificou o histórico dos Estados Unidos em prol da não proliferação como «profundamente vergonhoso».

Em mensagem publicada na rede X, a representação iraniana destacou que Washington mantém milhares de ogivas nucleares em seu arsenal. Segundo a missão, os Estados Unidos descumprem há mais de meio século as obrigações previstas nos Artigos 1 e 6 do Tratado de Não Proliferação.

O texto sustenta que, mesmo ostentando o maior poderio atômico do planeta, os EUA seguem exigindo de outras nações limitações que jamais cumpriram. Os diplomatas iranianos descrevem essa postura como «hipócrita e injusta».

Conforme reportagem do portal Mehr News, a missão reforçou que todas as atividades nucleares iranianas permanecem sob monitoramento da Agência Internacional de Energia Atômica. As atividades se mantêm dentro do arcabouço normativo global.

Teerã recordou que, como signatário do Tratado de Não Proliferação, tem direito inalienável ao uso pacífico da tecnologia nuclear. Isso inclui o enriquecimento de urânio para fins civis, médicos e de pesquisa.

O comunicado observou que acordos políticos como o Plano de Ação Conjunto Global estabeleceram limites voluntários de pureza até 3,67% em troca da suspensão de sanções. Esses patamares não constituem obrigação legal permanente nem constam do Tratado de Não Proliferação.

Diplomatas iranianos salientaram que os Estados Unidos se retiraram unilateralmente do Plano de Ação Conjunto Global e restabeleceram sanções. Essa ruptura desestabilizou o equilíbrio negociado, enquanto o Irã manteve cooperação técnica com a Agência Internacional de Energia Atômica e relatórios periódicos sobre suas instalações.

O organismo de Viena continua a registrar inspeções regulares em usinas como Natanz e Fordow. Na visão de Teerã, esse fato comprova transparência e refuta narrativas sobre possíveis dimensões militares do programa.

Especialistas recordam que o Artigo 4 do Tratado de Não Proliferação garante a todas as partes a pesquisa, a produção e o uso da energia nuclear para fins pacíficos. Não há cifra de enriquecimento expressa no tratado, cabendo apenas à Agência Internacional de Energia Atômica verificar as salvaguardas.


Leia também: Irã denuncia operação dos EUA como tentativa de ataque a instalação nuclear em Isfahan


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