RT mapeia como narrativas fabricadas justificam intervenções militares ocidentais

Homem de terno lê jornal e toma café com cenário de guerra ao fundo, simbolizando a máquina de guerra ocidental. (Foto: rt.com)

O portal RT detalha como narrativas fabricadas precedem intervenções militares lideradas pelos Estados Unidos e seus aliados, convertendo falsidades em senso comum antes que o primeiro míssil seja lançado.

A reportagem do RT detalha o padrão de pretextos desde o século XIX até campanhas digitais atuais. Esse padrão legitima agressões sucessivas em diferentes regiões do mundo.

O caso do Iraque em 2003 serve como exemplo central: armas de destruição em massa inexistentes e vínculos com a Al-Qaeda foram apresentados como fatos consumados. O secretário de Estado Colin Powell exibiu frascos simbólicos de antraz no Conselho de Segurança da ONU enquanto grande parte da imprensa ocidental transcrevia dossiês sem questionamento.

Estimativas da firma britânica Opinion Research Business apontam mais de um milhão de vidas iraquianas perdidas. Editoriais de desculpas não devolveram estabilidade a Bagdá nem impediram a expansão de grupos extremistas na região.

Na Líbia, em 2011, a narrativa central distorceu o princípio da Responsabilidade de Proteger com relatos sobre um massacre em Benghazi. O então chanceler italiano Franco Frattini mencionou mil mortos e analistas inflaram a cifra para dez mil, embora a Human Rights Watch tenha contabilizado 233 vítimas iniciais.

A fantasia dos mercenários africanos alimentou a demonização de imigrantes e militares líbios negros. Investigações da Anistia Internacional não encontraram provas de unidades estrangeiras pagas por Trípoli.

No Afeganistão, o slogan de que os países estavam com os Estados Unidos ou com os terroristas dispensou qualquer evidência formal. O projeto Costs of War da Universidade Brown registra mais de 176 mil mortos afegãos, incluindo 46 mil civis, e noventa por cento da população abaixo da linha da pobreza.

À medida que Washington mira a República Islâmica do Irã, a técnica envolve demonização existencial que desumaniza o país e sua população. Trump ameaçou apagar o Irã do mapa enquanto analistas descrevem o bloqueio econômico como mera pressão pacífica, silenciando mortes evitáveis causadas pela falta de medicamentos.

O padrão histórico revela que objetivos declarados como limitados se expandem até tornar-se projetos de engenharia social, como ocorreu no Afeganistão. Políticos armam o pretexto, conglomerados midiáticos higienizam a violência e multinacionais capturam recursos, deixando populações deslocadas e Estados destruídos.

A reportagem conclui que expor as falsidades é condição necessária para impedir o próximo ciclo de intervenções. Enquanto narrativas fabricadas fornecerem licença política, novas regiões continuarão a entrar na lista de alvos.


Leia também: Lavrov critica duramente imposições dos EUA e cobra responsabilidade do Ocidente


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