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Economista de Tsinghua rebate paralelo com Japão e prevê China encurtando defasagem tecnológica com os EUA

5 Comentários🗣️🔥 Ilustração editorial sobre Economista de Tsinghua rebate paralelo com Japão e prevê China encurtando defasagem tecnológica com os EUA. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro) A narrativa de que a economia chinesa vive hoje o mesmo risco de estagnação que atingiu o Japão nos anos 1990 não convence o professor Bai Chongen, um dos […]

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Ilustração editorial sobre Economista de Tsinghua rebate paralelo com Japão e prevê China encurtando defasagem tecnológica com os EUA. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

A narrativa de que a economia chinesa vive hoje o mesmo risco de estagnação que atingiu o Japão nos anos 1990 não convence o professor Bai Chongen, um dos mais influentes conselheiros de Pequim.

O decano da Escola de Economia e Gestão da Universidade Tsinghua e vice-chairman da Federação de Indústria e Comércio da China defende que o país ainda é de renda média e, por isso, dispõe de espaço vasto para crescer. Em entrevista publicada pelo South China Morning Post, Bai afirmou que comparar os dois casos ignora a distância de estágio entre economias em fases completamente distintas.

O acadêmico lembra que a população chinesa supera a japonesa em mais de dez vezes, criando um mercado interno sem paralelo. Esse mercado recompensa inovação com ganhos de escala incomparáveis a qualquer outro contexto histórico.

Segundo ele, a verdadeira força do modelo chinês está na habilidade de transformar pesquisa em produtos comercialmente viáveis. Essa capacidade de levar rapidamente novas tecnologias a preços competitivos explica o avanço veloz da indústria de veículos elétricos, da energia solar e das telecomunicações 5G.

O professor contesta ainda o uso do termo ‘excesso de capacidade’ para descrever setores chineses como o siderúrgico ou o de painéis fotovoltaicos, considerando a definição vaga e descolada da dinâmica de mercados globais em rápida transformação energética. Para ele, quando um país antecipa tendências e amplia oferta antes da demanda mundial explodir, não se trata de desequilíbrio, mas de vantagem competitiva que reduz custos para todos.

Nesse contexto, Bai sustenta que Pequim delineia um novo paradigma de crescimento baseado em alta produtividade, digitalização e transição verde. A estratégia dialoga diretamente com o objetivo de reduzir a distância tecnológica que ainda separa a China dos Estados Unidos em setores críticos como semicondutores, inteligência artificial e robótica avançada.

Ele destaca que o Estado incentiva empresas privadas a investir mais em pesquisa e desenvolvimento, enquanto universidades e institutos públicos aceleram a formação de talentos para suprir gargalos de mão de obra especializada. Bai reconhece que restrições de exportação impostas por Washington complicam o acesso a equipamentos de ponta, mas vê nessas barreiras um estímulo adicional para a autossuficiência tecnológica do país.

O economista ressalta que existe espaço para cooperação sino-americana, desde que baseada em respeito mútuo e no reconhecimento de que a globalização já não pode ser comandada por um único polo de poder. Ele avalia que o fortalecimento de cadeias de suprimentos regionais na Ásia e o protagonismo crescente do BRICS indicam uma ordem econômica mais descentralizada, na qual inovação se dissocia do domínio exclusivo de qualquer potência.

Ao refutar leituras apressadas sobre bolha ou estagnação, Bai conclui que a próxima década será decisiva para mostrar se a combinação chinesa de escala, investimento pesado em ciência e pragmatismo industrial conseguirá encurtar a última fronteira rumo ao status de país plenamente desenvolvido. Para o professor de Tsinghua, o veredicto sobre o modelo chinês ainda está sendo escrito — e os dados de produtividade e inovação apontam para um desfecho bem diferente do colapso que tantos analistas ocidentais insistem em antecipar.


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Rick Ancap

03/05/2026

China só encurta defasagem porque rouba propriedade intelectual, se fosse livre mercado já tinha ultrapassado os EUA há décadas.

    Augusto Silva

    03/05/2026

    Rick, se “livre mercado” fosse garantia de liderança tecnológica, o Brasil estaria exportando chips de 3nm em vez de soja. A China registrou mais patentes do que os EUA em 2023 e gasta 2,4% do PIB em P&D — números que não se roubam, se constroem com planejamento estatal e décadas de investimento pesado.

    Caio Vieira

    03/05/2026

    Prezado Rick, sua leitura incorre numa espécie de fetichismo de mercado que ignora a dialética histórica do desenvolvimento tecnológico. A apropriação de conhecimento sempre foi um vetor de catching-up, como demonstram os EUA quando industrializaram-se às custas da Inglaterra no século XIX, conforme nos ensina Friedrich List. O que a China realiza é uma engenharia social e estatal de fomento à inovação, algo que seu liberalismo vulgar jamais compreenderá como expressão da hegemonia popular em construção.

    Cecília Ramos

    03/05/2026

    Rick, discordo profundamente. O “livre mercado” que você defende é o mesmo que concentra riqueza e deixa milhões sem acesso a direitos básicos. A China investe pesado em educação pública e pesquisa porque entende que tecnologia não se constrói só com competição, mas com planejamento e justiça social — valores que a minha fé me ensina a defender.

    Paulo Ribeiro

    03/05/2026

    Rick, seu comentário reproduz um dos mitos mais caros ao senso comum liberal: a ideia de que o desenvolvimento tecnológico ocorre numa espécie de vácuo ético, onde a inovação brota espontaneamente do livre mercado como flores numa campina desimpedida. A história concreta do capitalismo, no entanto, mostra exatamente o oposto. Os Estados Unidos não se industrializaram respeitando patentes britânicas no século XIX; ao contrário, o primeiro secretário do Tesouro americano, Alexander Hamilton, defendeu abertamente a cópia de tecnologias inglesas como política industrial deliberada. O próprio Abraham Lincoln, que era o único presidente americano a ter uma patente registrada, sancionou leis que violavam descaradamente a propriedade intelectual estrangeira para permitir que a nascente indústria ianque pudesse competir com a Inglaterra. O que você chama de roubo é, na verdade, o movimento histórico normal das nações que buscam superar o subdesenvolvimento. A diferença é que a China faz isso hoje com planejamento estatal, algo que os EUA também fizeram no passado, mas que a ideologia neoliberal prefere apagar da memória.

    O problema central do seu argumento é que ele ignora a dimensão estrutural do que o economista coreano Ha-Joon Chang chama de chutar a escada: os países desenvolvidos, uma vez que chegam ao topo, viram as costas e negam aos retardatários os mesmos instrumentos que eles próprios usaram para chegar lá. O regime de propriedade intelectual imposto pelo Acordo TRIPS, da OMC, é uma camisa de força que beneficia justamente quem já detém o monopólio do conhecimento. A China, ao desafiar esse regime, não está roubando; está exercendo o direito legítimo de uma nação soberana de buscar seu desenvolvimento, exatamente como fizeram Alemanha, Japão, Coreia do Sul e os próprios EUA. Se o livre mercado fosse realmente o motor da inovação, como explicar que a Coreia do Sul tenha se desenvolvido sob uma ditadura militar com forte intervenção estatal nos anos 1970 e 1980? Ou que o Vale do Silício tenha nascido de investimentos massivos do Pentágono e da NASA? A história desmente o dogma.

    Além disso, você reduz a complexidade do catching-up chinês a uma única variável moralista, ignorando os dados concretos que o Augusto já mencionou. A China não só registra mais patentes que os EUA, como também forma mais engenheiros e cientistas por ano do que qualquer outro país. O investimento em P&D chinês já supera o da União Europeia e se aproxima do americano em termos de paridade de poder de compra. Isso não se faz com roubo; faz-se com um sistema educacional público robusto, com universidades de ponta financiadas pelo Estado e com uma política industrial que coordena investimentos em semicondutores, inteligência artificial e energia renovável. O que o economista de Tsinghua está apontando, e que você parece não querer ver, é que a China está encurtando a defasagem tecnológica justamente porque abandonou a cartilha neoliberal que o Brasil, infelizmente, abraçou nos anos 1990 e que nos condenou ao papel de exportadores de commodities. O planejamento estatal chinês, com todos os seus defeitos e contradições, tem mostrado resultados concretos que o livre mercado jamais entregaria num país periférico. A pergunta que fica é: por que tanta gente insiste em chamar de roubo aquilo que, no fundo, é a mais pura expressão da lógica do desenvolvimento capitalista tardio?


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