Governo Lula lança crédito emergencial e programa de genética para fortalecer produção de leite familiar

Produtor rural coleta leite em latões para transporte. (Foto: metropoles.com)

O governo federal colocou a cadeia leiteira no centro de sua estratégia de desenvolvimento rural ao confirmar um pacote de ações que combina financiamento barato e inovação genética para pequenos produtores. A iniciativa foi formalizada em cerimônia em Andradina, interior de São Paulo, com a participação do vice-presidente Geraldo Alckmin e da ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acompanhou o evento à distância, em recuperação médica. O pacote reúne dois eixos distintos: uma linha de crédito emergencial para cooperativas leiteiras em dificuldade e o programa Mais Leite, voltado à distribuição de material genético de alta qualidade para criadores familiares.

O programa Mais Leite prevê a distribuição de 300 mil embriões bovinos de alta qualidade ao longo de dois anos, democratizando a tecnologia de transferência embrionária entre produtores da agricultura familiar. A meta do Ministério do Desenvolvimento Agrário é elevar a produtividade por animal, reduzir o intervalo entre gerações e consolidar rebanhos mais resistentes ao clima e a doenças sem onerar o produtor.

A aposta em genética ocorre num momento em que o país ocupa posição de destaque no ranking global de produção de leite, mas convive com forte disparidade entre fazendas de grande escala e as propriedades familiares que sustentam o emprego no campo. Para reduzir essa diferença, o governo lançou também uma linha especial de crédito rural para cooperativas que processam ou coletam leite e atravessam dificuldades de caixa, medida aprovada pelo Conselho Monetário Nacional dias antes da cerimônia.

O novo financiamento está inserido na modalidade agroindústria do Pronaf e autoriza cada cooperativa a captar até 40 milhões de reais. O limite individual para cooperados chega a 90 mil reais — valores projetados para manter a compra diária de leite cru, pagar fornecedores e honrar a folha de pagamento.

Com juros de 8% ao ano, prazo total de seis anos e carência inicial de doze meses, a linha pretende aliviar o impacto da alta nos custos de ração, energia e transporte que pressionou as margens do setor. O Ministério do Desenvolvimento Agrário informou que o objetivo imediato é impedir rupturas na coleta de leite cru, preservar empregos e sustentar a oferta de derivados como queijo, iogurte e manteiga, itens básicos da cesta alimentar nacional.

As cooperativas interessadas deverão comprovar dificuldades financeiras em 2026 e estar inseridas nos programas Mais Gestão e Coopera Mais Brasil, que oferecem suporte administrativo e comercial a associações da agricultura familiar. Conforme detalhou o portal Metrópoles, as exigências visam garantir que o crédito chegue a quem realmente enfrenta gargalos operacionais, e não apenas a entidades com acesso privilegiado ao sistema financeiro.

O pacote combina alívio financeiro de curto prazo com um salto na base genética dos rebanhos. O vice-presidente Alckmin descreveu a iniciativa como resposta estrutural à instabilidade de preços que afeta o setor.

A equipe econômica projeta que cada ponto percentual de aumento na produtividade animal se traduza em redução direta de custo para o consumidor final. Isso alinha o programa à política de controle da inflação de alimentos.

Além dos anúncios para o leite, o evento em Andradina incluiu avanços do Programa Terra da Gente, focado na reforma agrária e na consolidação de assentamentos sustentáveis que podem integrar o novo circuito leiteiro. O cooperativismo é apontado por especialistas em segurança alimentar como ferramenta essencial para superar gargalos de escala, barganha comercial e acesso a tecnologia — justamente os três pontos que o pacote pretende atacar de forma simultânea.

Com o crédito assegurado e a genética aprimorada, o governo projeta que a produção do segmento familiar avance nos próximos ciclos produtivos. A expectativa é reduzir importações pontuais de lácteos e ampliar a capacidade de abastecimento interno a partir de propriedades de pequeno porte espalhadas pelo país.


Leia também: Governo Lula investe R$ 89 bilhões na agricultura familiar


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