O embaixador da República Islâmica do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani, enviou carta urgente ao Conselho de Segurança denunciando a captura dos navios M/T Majestic e M/T Tifani por forças norte-americanas.
Na avaliação do diplomata, a operação que confiscou 3,8 milhões de barris de petróleo iraniano configura, nas suas próprias palavras, ‘pirataria de Estado’ e viola o artigo 2(4) da Carta das Nações Unidas, que proíbe o uso da força contra a soberania de outro país.
Iravani argumentou ainda que a ação norte-americana contraria a Resolução 3314 da Assembleia-Geral, aprovada em 1974, que classifica interceptações forçadas em alto-mar como ato de agressão. O embaixador destacou que um procurador dos Estados Unidos divulgou nota pública exaltando a operação, o que, segundo ele, constitui prova de conduta ilícita deliberada por parte de Washington.
Na carta, Iravani afirmou que a dependência dos EUA à ilegalidade mina os princípios elementares do direito internacional e estimula a proliferação de práticas de pirataria disfarçadas de procedimentos judiciais domésticos. Teerã sustenta que as apreensões integram o que o governo iraniano chama de ‘bloqueio ilegal’ imposto pelos Estados Unidos contra o país.
Conforme relatou a agência Mehr News, o embaixador solicitou formalmente que o Conselho de Segurança condene a captura dos petroleiros e exija a devolução imediata da carga. A carta também adverte que a continuidade das apreensões tensiona toda a região do Golfo e pode colocar em risco rotas energéticas que abastecem grande parte do planeta.
Especialistas consultados por veículos regionais lembram que o estreito de Ormuz responde por cerca de um quinto do comércio global de petróleo. Qualquer escalada naquela rota representa uma ameaça direta à estabilidade dos mercados energéticos internacionais.
O episódio ocorre em meio a negociações nucleares entre Irã e Estados Unidos em andamento, o que torna a carta ao Conselho de Segurança um sinal de pressão paralela, não necessariamente uma ruptura definitiva do diálogo. Analistas diplomáticos apontam que Teerã busca, ao mesmo tempo, manter abertos os canais de negociação e elevar o custo político das ações unilaterais de Washington no plano multilateral.
Com a carta já protocolada, a expectativa em Nova York é de pressão crescente sobre Washington por parte de Rússia, China e outras potências para que os EUA justifiquem juridicamente as apreensões. O impasse expõe uma tensão estrutural: o Conselho de Segurança, onde os Estados Unidos detêm poder de veto, dificilmente emitirá uma condenação formal, mas o debate público em torno da legalidade das operações já representa, por si só, um desgaste diplomático para Washington.
O governo iraniano reforçou patrulhas navais no Golfo Pérsico e reiterou que não busca conflito, mas que não admitirá novas apropriações de seus navios. A posição oficial de Teerã é de que qualquer escalada será de inteira responsabilidade dos Estados Unidos.
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