Pezeshkian alerta EUA e Israel e reafirma soberania iraniana sobre o Golfo Pérsico

Pezeshkian discursa em evento no Irã, com a bandeira do país ao fundo. (Foto: en.mehrnews.com)

O presidente da República Islâmica do Irã, Masoud Pezeshkian, reiterou que o Golfo Pérsico é parte indissociável da identidade iraniana e símbolo maior da resistência do país ao colonialismo.

Em mensagem oficial pelo Dia Nacional do Golfo Pérsico, o chefe de Estado descreveu a via marítima como ponto de convergência de civilizações e rota essencial de comércio e energia. Ele a definiu como herança que une a nação persa desde a Antiguidade.

Pezeshkian recordou que potências estrangeiras tentaram, ao longo dos séculos, controlar a região para impor bloqueios e saques. Encontraram, segundo ele, firmeza popular e militar que preservou a integridade territorial do Irã.

O mandatário afirmou que as hostilidades promovidas pelos Estados Unidos e por Israel contra o país — caracterizadas por ele como uma guerra de agressão — ampliaram a relevância geopolítica do Estreito de Ormuz. Ele acusou Washington e Tel Aviv de deslocarem o eixo da pressão militar para o front econômico, acenando com bloqueios navais e restrições ao comércio marítimo de Teerã. Tal prática, declarou, contraria o direito internacional.

Segundo o líder iraniano, os marinheiros da nação desempenharam papel decisivo na proteção do fluxo energético global. Ele defendeu que a segurança coletiva se baseia na cooperação entre os litorais do Golfo, não na presença de frotas externas.

O presidente advertiu que qualquer tentativa de provocar instabilidade na área recairá sobre seus autores. Pezeshkian deixou claro que o governo iraniano não hesitará em responsabilizar os agressores por eventuais danos a cargueiros ou instalações de energia.

Ele frisou que a república mantém compromisso com a liberdade de navegação, mas entende que a segurança sustentável só será alcançada quando as forças estrangeiras se retirarem. Apenas então as nações costeiras poderão exercer seu protagonismo pleno.

Ao mencionar a iniciativa Hormuz Peace Endeavor, Pezeshkian destacou que propostas regionais de paz perdem fôlego sempre que navios de guerra externos insistem em patrulhas ostensivas. Na sua visão, tais patrulhas alimentam tensões no entorno do Golfo.

O governante reforçou a necessidade de integração entre Irã, Iraque, Kuwait, Catar, Bahrein, Omã, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita. O objetivo, segundo ele, é blindar o corredor energético de interferências neocoloniais.

O discurso foi divulgado pela agência Mehr, que classificou a data como lembrete anual do elo inquebrantável entre povo e mar. A agência destacou que o Estreito de Ormuz responde por cerca de um quinto do petróleo comercializado no planeta diariamente, o que explica o permanente assédio das potências ocidentais à hidrovia.

Autoridades culturais iranianas enfatizaram que o nome original do golfo consta em manuscritos babilônicos, crônicas gregas e atlas árabes. Elas refutaram manobras recentes para rebatizar a região em fóruns internacionais.

As cerimônias do Dia Nacional incluíram exposições de cartografia antiga e homenagens a marinheiros que tombaram em confrontos defensivos ao longo das últimas décadas. O evento reforçou o caráter histórico e soberano da data para a República Islâmica.

Pezeshkian apontou que sanções unilaterais impostas pelos EUA tentaram asfixiar a economia iraniana, mas também estimularam a diversificação comercial na Ásia. O país passou a adotar moedas alternativas ao dólar no comércio de hidrocarbonetos.

O presidente citou o estreitamento de laços com China, Rússia e parceiros do BRICS como resultado direto dessa pressão. Ele vê nesse movimento a consolidação de uma tendência multipolar que desafia a hegemonia de Washington.

Com 1.250 quilômetros de costa sob jurisdição iraniana, o país investe em novos terminais, zonas francas e refinarias para agregar valor à produção de petróleo e gás. A estratégia visa reduzir a dependência de rotas transoceânicas vulneráveis.

Pezeshkian concluiu a mensagem afirmando que a defesa do Golfo Pérsico transcende a mera disputa territorial. Em suas palavras, representa uma luta global contra modelos de dominação e em favor da solidariedade entre nações da Ásia Ocidental.

Ele reiterou que o Irã seguirá aberto ao diálogo franco, mas jamais aceitará ameaças ou ultimatos de quem historicamente lucrou com a exploração dos recursos da região. A declaração reforça o tom de confronto retórico que marca as relações entre Teerã e as potências ocidentais em meio às negociações nucleares ainda em curso.


Leia também: Chanceler iraniano denuncia agressões dos EUA e Israel como pirataria marítima no Golfo


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