Pesquisa da Concordia University revela que o sucesso das vielas verdes em áreas urbanas depende diretamente do desenho adotado e da participação comunitária. A análise comparou iniciativas em Montreal e Trois-Rivières, demonstrando como abordagens distintas geram impactos ambientais e sociais diferenciados.
A pesquisa, publicada na revista Ecosystems and People, foi liderada pela doutoranda Isabella Richmond e supervisionada pela professora Carly Ziter. O estudo contou com colaboração da Université de Montréal e foi detalhado pelo portal Phys.org.
As vielas verdes são corredores urbanos redesenhados para ampliar áreas verdes, promover convivência e estimular biodiversidade em bairros densos. Em Montreal, o modelo varia desde áreas infantis e murais artísticos até a remoção total de concreto para plantio de árvores. Já em Trois-Rivières, a prefeitura padroniza intervenções focadas em manejo de águas pluviais e acesso veicular, resultando em vegetação uniforme e gramados extensos.
O modelo padronizado de Trois-Rivières garante resultados climáticos previsíveis, como temperaturas noturnas mais baixas. No entanto, nem sempre atende à demanda dos moradores por mais árvores e sombra. Em Montreal, onde a participação comunitária é maior, as vielas apresentam maior variação: algumas alcançam alta biodiversidade, enquanto outras se assemelham a vielas convencionais de concreto.
Os pesquisadores avaliaram 53 vielas verdes, 23 vielas cinzas tradicionais e 76 trechos de ruas nas duas cidades. Monitoramentos de pirilampos em Montreal indicaram que algumas vielas verdes, com menos sombra e cobertura arbórea, não diferem significativamente de ruas adjacentes. Sensores de temperatura registraram dados a cada 15 minutos, revelando que, embora algumas vielas verdes ofereçam alívio térmico, outras apresentam desempenho irregular.
Entrevistas com 30 moradores identificaram que sombra, plantas diversas, sensação de refúgio natural e uso comunitário são os elementos mais valorizados. A pesquisa destaca que a sustentabilidade das vielas depende de manutenção contínua e financiamento estável, algo frequentemente perdido com o tempo.
Cada modelo apresenta vantagens e limitações. Enquanto Trois-Rivières prioriza metas estruturais, Montreal oferece maior aderência às demandas sociais. A proposta de um modelo híbrido, combinando participação popular e suporte técnico, surge como caminho para cidades mais resilientes e inclusivas.
O estudo reforça que políticas públicas de verde urbano devem equilibrar diretrizes técnicas e participação cidadã para gerar impactos reais em biodiversidade, conforto térmico e qualidade de vida. Essa abordagem integrada é essencial para enfrentar desafios climáticos e fortalecer laços comunitários em escala local.
Leia mais sobre o assunto na phys.org.
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