Zema defende impeachment de ministros do STF e promete privatizar todas as estatais em 2026

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, discursa em evento. (Foto: diariodocentrodomundo.com.br)

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, escalou o confronto com o Supremo Tribunal Federal ao pregar o afastamento de magistrados da Corte e prometeu vender todas as empresas estatais da União caso conquiste a Presidência da República nas eleições de 2026.

As declarações foram dadas em entrevista divulgada neste domingo e repercutiram amplamente no debate político nacional. Segundo reportagem do Diário do Centro do Mundo, Zema afirmou que ‘o caminho mais natural’ para restaurar o prestígio do Supremo seria afastar alguns de seus membros.

Ele declarou haver ‘indignação’ com decisões recentes da Corte e cobrou do Senado a abertura de processos de responsabilização contra os ministros. Pela Constituição, somente o Senado pode admitir denúncias contra ministros do STF e conduzir o julgamento, exigindo maioria qualificada para a cassação.

Desde a redemocratização, dezenas de pedidos de impeachment foram apresentados, mas nenhum magistrado da Corte chegou a ser destituído. Constitucionalistas alertam que a pressão sistemática pelo impeachment de juízes pode comprometer a independência do Judiciário e tensionar o equilíbrio entre os poderes da República.

A proposta de Zema é vista por analistas como um instrumento de intimidação institucional, independentemente de sua viabilidade jurídica. Na seara econômica, o governador foi taxativo: prometeu ‘privatizar tudo’ caso assuma o Planalto.

Ele vincula a venda total do patrimônio estatal a uma rápida queda dos juros e à aprovação simultânea de reformas administrativa e previdenciária. Entre as empresas nas quais a União detém controle acionário estão Petrobras, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Correios, BNDES, Serpro, Dataprev, Casa da Moeda, Telebras e Embrapa.

Zema não especificou se haveria exceções nem apresentou qualquer estudo de impacto sobre setores estratégicos como energia, finanças públicas e pesquisa agropecuária. Economistas alertam que a liquidação dessas empresas ameaça a soberania tecnológica e energética do país.

A Petrobras é peça central da política de combustíveis e da arrecadação federal, instrumento de soberania nacional construído ao longo de décadas. A Embrapa, por sua vez, sustenta pesquisas que tornaram o país uma potência agrícola global — patrimônio público que não tem equivalente no setor privado.

Zema também defendeu mudanças duras na Previdência, sugerindo aumento do tempo de contribuição e veto a reajustes reais para aposentados. Na visão dele, conceder ganhos acima da inflação ‘o país não comporta’, argumento que contraria direitos sociais consolidados na Constituição de 1988.

O governador voltou a recorrer à narrativa de que começou a trabalhar ainda criança contando parafusos na firma da família, discurso que busca ressoar junto a eleitores de baixa renda. Críticos veem na história uma defesa velada do trabalho infantil, tema que reacende o debate sobre direitos sociais.

Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do país, o que confere a Zema peso real na disputa presidencial. O governador aposta no discurso de choque liberal para se diferenciar de concorrentes como Flávio Bolsonaro e consolidar espaço no campo da direita antes mesmo do início oficial da campanha.

As pesquisas ainda mostram cenário indefinido, com figuras da extrema direita disputando espaço contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aliados progressistas. A eleição de 2026 desenha-se, cada vez mais, como um embate direto entre projetos opostos de Estado: o modelo de soberania econômica e proteção social de um lado, e a agenda de desmonte institucional e privatização irrestrita do outro.


Leia também: Desconfiança recorde no STF impulsiona reforma do Judiciário como tema das eleições de 2026


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