O Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos (CENTCOM) informou que helicópteros navais afundaram seis lanchas iranianas após ataques a comboios mercantes escoltados na entrada do Golfo Pérsico. A República Islâmica rejeitou as alegações de perdas materiais e acusou Washington de intensificar um bloqueio marítimo que impede a atracação de navios estrangeiros em portos iranianos.
O Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos classificou os disparos de mísseis e drones contra a zona industrial de Fujairah como uma violação grave de sua soberania. A pasta anunciou que o país se reserva ao direito de responder de forma legítima a tais agressões.
Em comunicado nas redes sociais, as autoridades emiradenses orientaram a população a buscar abrigo ao primeiro sinal de alarme de foguetes. Este é o primeiro alerta do tipo desde a trégua declarada em março no conflito regional.
Antes disso, a agência estatal de Omã reportou que um projétil não identificado atingiu a região de Madha, um enclave omanita cercado por território dos Emirados. O incidente deixou trabalhadores estrangeiros feridos e danificou quatro veículos, sendo atribuído a drones hostis.
Essa área fica próxima ao estreito de Ormuz, rota crucial para o transporte de petróleo mundial. A localização estratégica torna qualquer incidente na região um risco imediato para o comércio global de energia.
De acordo com o portal Tagesschau, dois destróieres norte-americanos cruzaram o estreito horas após os ataques. Washington nomeou a manobra como ‘Projeto Liberdade’, com o objetivo declarado de garantir a passagem de navios civis.
A operação envolve mais de 100 aeronaves e 15 mil militares dos EUA. Analistas europeus destacam, porém, que o plano se limita a patrulhas de proximidade, sem escoltas diretas para cada cargueiro.
O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, convocou o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, para debater a escalada na região. Berlim confirmou o envio do navio-oficina Mosel e do caça-minas Fulda ao Mediterrâneo, como preparativo para uma possível missão no estreito de Ormuz.
A participação alemã depende de aprovação explícita do Bundestag. Além disso, exige um cessar-fogo duradouro, algo que parece distante no atual cenário de hostilidades.
No campo diplomático, o presidente da França, Emmanuel Macron, pediu coordenação entre Washington e Teerã para reabrir a hidrovia. Macron descartou, porém, a integração de forças francesas à flotilha norte-americana.
A chefe da política externa da União Europeia, Kaja Kallas, defendeu o fortalecimento urgente da capacidade militar do bloco. A medida responde ao anunciado recuo de tropas dos EUA estacionadas na Alemanha.
Em Beirute, o vice-secretário-geral do Hezbollah, Naim Kassim, declarou que não há trégua real no Líbano. Ele acusou Israel e os Estados Unidos de manterem agressões contínuas contra vilarejos no sul do país.
Tel Aviv admitiu realizar bombardeios pontuais contra posições da milícia, justificando-os como autodefesa. As autoridades israelenses afirmaram ter neutralizado dez combatentes do Hezbollah nos últimos dias.
A incerteza impacta diretamente o comércio marítimo na região do Golfo. A armadora alemã Hapag-Lloyd decidiu manter quatro porta-contêineres retidos e suspendeu trânsitos por Ormuz até nova avaliação de segurança.
Dados da autoridade britânica de segurança marítima revelam que dois navios-tanque foram atingidos por projéteis desconhecidos nas últimas 48 horas. Os incidentes ocorreram a 145 quilômetros da costa dos Emirados, sem registro de vazamentos de óleo ou vítimas.
Seul também investiga uma explosão a bordo de um cargueiro sob bandeira panamenha, operado pela HMM, na mesma zona de risco. O episódio reforça a percepção de que o conflito ultrapassou a disputa direta entre Washington e Teerã.
O governo iraniano, por meio do parlamentar Ebrahim Azizi, alertou que qualquer incursão dos EUA será vista como violação da trégua. Teerã considera tal ação uma afronta à sua jurisdição sobre o estreito de Ormuz.
No âmbito interno, a magistratura da República Islâmica confirmou a execução de três homens condenados pelo assassinato de membros das forças de segurança. O caso é instrumentalizado por potências ocidentais para pressionar o país em fóruns internacionais.
Do ponto de vista econômico, ministros das Finanças da zona do euro discutem em Bruxelas o impacto da volatilidade nos preços do petróleo. Eles avaliam medidas de alívio para famílias que enfrentam custos elevados desde o início das tensões.
A crise reacende o debate sobre a autonomia energética da Europa. Propostas para utilizar estoques estratégicos como proteção contra choques futuros ganham força entre os líderes do bloco.
Entre os países dos BRICS, Rússia e China ainda não se manifestaram oficialmente sobre a escalada. Diplomatas em Viena indicam articulações para levar o tema ao Conselho de Segurança da ONU caso o tráfego internacional seja novamente interrompido.
Observadores internacionais alertam que cada erro de cálculo, seja no mar ou no ar, pode envolver novas potências no conflito. Isso aumentaria o risco de uma paralisação prolongada no fluxo de 20% do petróleo global que passa pelo estreito.
Washington insiste que nenhum de seus navios sofreu danos. A declaração contradiz relatos da agência iraniana Fars, que mencionou acertos de mísseis em uma embarcação militar norte-americana.
As narrativas conflitantes alimentam um ambiente de desconfiança na região. A falta de canais de diálogo direto torna cada pronunciamento um indicador crítico dos próximos passos no conflito.
Leia também: Emirados Árabes Unidos deixam Opep e expõem racha com Arábia Saudita e vulnerabilidade em Ormuz
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