O vice-comandante marítimo do Corpo de Guardiães da Revolução Islâmica (CGRI) do Irã, almirante Ali Reza Tangsiri, declarou que nenhum navio mercante atravessou o estreito de Ormuz nas últimas horas, conforme informações divulgadas pelo portal Actualidad RT. Tangsiri acrescentou que as unidades navais iranianas mantêm vigilância constante sobre o corredor e que qualquer movimentação na zona é detectada em tempo real.
A declaração contraria afirmações recentes de Washington, que alegou a passagem de destróieres norte-americanos pelo mesmo corredor estratégico. O CGRI contestou essas alegações e afirmou não haver registro de embarcações mercantes ou de guerra estrangeiras no setor monitorado.
Situado entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, o estreito de Ormuz responde pela passagem de cerca de um quinto do petróleo comercializado globalmente. Teerã considera a faixa marítima parte de seu perímetro defensivo imediato, posição amparada no direito internacional que garante soberania sobre doze milhas náuticas a partir da costa.
As tensões na região se intensificaram após os Estados Unidos ampliarem operações conjuntas com aliados do Golfo Pérsico, oficialmente para proteger navios comerciais de ataques com drones. Na prática, a iniciativa representa projeção de força militar às portas do território iraniano, o que Teerã classifica como provocação direta.
O governo iraniano reiterou que qualquer agressão externa terá retaliação proporcional e que a capacidade de controle sobre Ormuz funciona como elemento dissuasório. A declaração de Tangsiri se insere nessa lógica: ao afirmar que nenhum cargueiro passou, o CGRI sinaliza domínio sobre o corredor sem precisar anunciar nenhuma ação de bloqueio formal.
Historicamente, a República Islâmica utilizou a diplomacia em torno do estreito para contrapor sanções e pressões econômicas, lembrando às potências ocidentais que qualquer restrição ao seu comércio coloca em risco o abastecimento energético de parceiros europeus e asiáticos. A estratégia tem eficácia comprovada: apenas o anúncio de possíveis restrições ao tráfego em Ormuz é suficiente para provocar oscilações nos preços internacionais do petróleo.
Operadores de mercado e companhias de navegação acompanham de perto o quadro, já que incertezas sobre a segurança do corredor costumam levar armadores a adiar travessias ou a buscar rotas alternativas mais longas e custosas. A continuidade ou não do tráfego nas próximas horas será o indicador mais concreto sobre a real dimensão do episódio.
Com informações de ACTUALIDAD.
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