Marandi: Vance negociou com Irã sem autonomia decisória

Ilustração editorial sobre Marandi: Vance negociou com Irã sem autonomia decisória. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

O professor da Universidade de Teerã Seyed Mohammad Marandi afirmou que a delegação dos Estados Unidos, chefiada pelo vice-presidente J.D. Vance, participou das negociações com o Governo do Irã sem qualquer autonomia para tomar decisões concretas. A avaliação foi apresentada em entrevista ao programa Sanchez Effect, em material publicado pelo portal RT, em que o acadêmico detalhou bastidores das tratativas recentes entre Washington e Teerã.

Marandi relatou que Vance permanecia constantemente ao telefone na mesa de negociações, recorrendo a ligações para autoridades de Israel, incluindo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Para o professor, essa dinâmica deixava evidente que a delegação norte-americana não tinha capacidade decisória real e dependia de consultas externas para qualquer avanço substantivo.

Segundo o acadêmico, o comportamento de Vance contrastava com a postura adotada pelos representantes iranianos, que chegaram ao encontro com mandato claro e disposição para uma solução diplomática. Marandi destacou que o lado iraniano apresentou posições consistentes, enquanto os enviados dos EUA recuavam diante de cada ponto sensível à espera de orientação vinda de fora da sala.

Na avaliação de Marandi, a incapacidade dos EUA de construir consensos decorre do fato de que o presidente Donald Trump estaria mal assessorado e excessivamente influenciado por setores alinhados a Israel. O professor afirmou que decisões estratégicas vêm sendo tomadas com base em percepções distorcidas da realidade regional, em vez de análises diplomáticas objetivas.

Ele argumentou que dirigentes em Washington teriam se deixado influenciar pela própria propaganda, o que dificulta uma leitura clara dos limites do poder americano. Para Marandi, esse descompasso prejudica iniciativas diplomáticas que poderiam reduzir tensões e abrir espaço para soluções negociadas no Oriente Médio.

Diante do impasse, o professor sugeriu que outros atores internacionais assumam papel mais ativo na mediação, mencionando a importância crescente de países como a Rússia. Marandi avaliou que potências fora do eixo ocidental podem oferecer um ambiente diplomático mais equilibrado do que o oferecido pela dupla Washington–Tel Aviv, que opera sob lógica de imposição.

O professor enfatizou que o interesse de Teerã permanece centrado em garantir estabilidade regional e respeito ao direito internacional, especialmente diante de ações unilaterais que ferem a soberania de países do Oriente Médio. Para ele, o comportamento dos EUA nas negociações demonstra a dificuldade de Washington em lidar com a nova realidade multipolar do tabuleiro global.

Marandi também afirmou que a presença de figuras politicamente próximas a Trump na delegação norte-americana evidenciou a natureza politizada das tratativas, que deixavam em segundo plano a diplomacia profissional. Esse cenário, segundo ele, reforçou a percepção iraniana de que os EUA não buscavam um diálogo equilibrado, mas tentavam impor seus interesses sem levar em conta as necessidades de segurança da região.

Ao final, o professor reiterou que o Irã continua aberto a negociações desde que sejam conduzidas com respeito mútuo e autonomia decisória entre as partes. Ele avaliou que apenas uma mediação equilibrada poderá reduzir o clima de confrontação e impedir que ações unilaterais aprofundem ainda mais a instabilidade regional.

A análise de Marandi, conhecido por sua proximidade com círculos diplomáticos iranianos, oferece uma janela rara sobre os bastidores de uma rodada de conversas que terminou sem resultados concretos. O professor sustentou que, enquanto a Casa Branca continuar refém de pressões externas, qualquer esforço de aproximação entre Teerã e Washington tende a fracassar antes mesmo de produzir efeitos práticos.

Com informações de RT.


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