O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, abriu um canal de conversas com auxiliares próximos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para rebater a leitura de que teria atuado contra a indicação de Jorge Messias à própria Corte.
A iniciativa surgiu na esteira da rejeição do nome de Messias pelo Senado, quando quarenta e dois senadores votaram contra e apenas trinta e quatro endossaram o então advogado-geral da União.
Conforme revelou a coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo, Moraes enviou mensagem direta ao próprio Messias lamentando o resultado da sabatina, que encerrou com um revés incomum para o Planalto. O magistrado não recebeu resposta e passou a intensificar contatos com ministros palacianos para reiterar que não moveu nenhuma peça nos bastidores contra o aliado político de Lula.
No Palácio do Planalto, há quem enxergue que Moraes ofereceu respaldo informal ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, cuja articulação foi central para virar votos e selar a derrota inesperada. Moraes é considerado próximo de Alcolumbre desde a tramitação de projetos de interesse do Judiciário, e por isso a suspeita de envolvimento pairou imediatamente sobre a Corte após o placar adverso.
Interlocutores do magistrado afirmam que sua influência sobre senadores é limitada, sustentando que o trabalho de convencimento esteve concentrado no gabinete de Alcolumbre, não na Praça dos Três Poderes. Esses mesmos aliados recordam que Moraes participou apenas de um encontro de cortesia na casa do ministro Cristiano Zanin, ocasião em que Alcolumbre já havia exposto resistência pública ao nome de Messias.
O presidente Lula mantém a leitura de que houve ao menos anuência tácita de Moraes, avaliação que se consolidou entre assessores políticos após o resultado reforçar o prestígio de Alcolumbre para as disputas internas do Senado nos próximos anos. O Planalto também observa que a derrota de Messias enfraquece a estratégia de recompor o Supremo com quadros de confiança do governo e abre novo terreno de disputa em torno da próxima vaga a ser aberta na Corte.
Além da mensagem pessoal, Moraes procurou ministros da área política para reiterar seu compromisso de não interferir no processo legislativo que sabatina magistrados ou procuradores indicados pelo Executivo. A seu favor, pesa o fato de não terem sido identificados pedidos diretos de voto a parlamentares, lacuna investigada por auxiliares de Lula nos registros de ligações e nos corredores do Senado.
No diálogo com o governo, o magistrado frisou que manterá relação institucional com Messias, seja qual for o próximo passo de carreira do advogado, pontuando que os atritos estão restritos à esfera política e não contaminam a convivência entre os Poderes. Conforme relato publicado pelo Diário do Centro do Mundo, ministros do STF também reforçaram junto ao Palácio que a Corte não pode ser vista como bloco monolítico e que divergências internas jamais se traduzem, automaticamente, em articulação externa contra o governo.
Ainda que os esclarecimentos não tenham revertido a impressão instalada, a expectativa de auxiliares presidenciais é que o episódio não gere crise institucional duradoura, mas sirva de alerta para a necessidade de mapear apoios com maior antecedência. Líderes do Senado reconhecem, em caráter reservado, que a votação expôs fissuras na base governista e fortaleceu a posição de Alcolumbre, cuja habilidade em costurar blocos suprapartidários se revelou decisiva.
Nos próximos meses, parlamentares esperam que o Planalto reavalie seus métodos de negociação, sobretudo porque outras indicações sensíveis — como embaixadas, agências reguladoras e tribunais superiores — chegarão à pauta do Congresso. Enquanto isso, Moraes trabalha para desassociar sua imagem da derrota de Messias e preservar a interlocução que consolidou com Lula durante os anos de enfrentamento institucional ao bolsonarismo.
Mesmo sem admitir publicamente qualquer atrito, o núcleo político da Presidência enxerga o episódio como sinal de que alianças pessoais dentro do Supremo podem gerar custos imprevisíveis quando se convertem em disputas de poder no Senado. A rejeição ao nome de Messias não altera a correlação de forças imediata no STF, mas retarda o preenchimento de uma cadeira e mantém elevado o interesse do meio jurídico pelos passos subsequentes de Lula na escolha de um novo indicado.
O desfecho da sabatina deixou ainda a certeza, no Senado e no Judiciário, de que a permeabilidade entre os Poderes faz parte inerente da política, cabendo ao Planalto refinar sua contagem de votos antes de submeter nomes a uma Casa cada vez mais fortalecida pela liderança de Alcolumbre. Para Moraes, o esforço de comunicar neutralidade visa não apenas preservar a relação com Lula, mas também sinalizar ao meio jurídico que a Corte permanece acima de disputas faccionais em um ciclo político que exige solidez institucional diante das ofensivas antidemocráticas recentes.
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