O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou a tensão com Cuba ao declarar que enviará o porta-aviões USS Abraham Lincoln para ficar a poucas centenas de metros do litoral cubano.
A medida, segundo ele, será tomada assim que a operação militar contra o Irã for concluída. Em entrevista ao apresentador Hugh Hewitt, da emissora Salem News, Trump evitou detalhes sobre seus planos para a ilha.
Ele garantiu, no entanto, que haverá ‘ação’ logo após o término da campanha no Oriente Médio. O presidente descreveu o USS Abraham Lincoln, navio de propulsão nuclear, como ‘o porta-aviões mais bonito’ que já viu.
Trump prometeu mantê-lo ancorado próximo a Cuba para ‘observar o que eles tentam fazer’, conforme suas próprias palavras. A ameaça surge em um contexto de bloqueio econômico e comercial imposto pelos EUA a Cuba há mais de seis décadas.
Sob a administração de Trump, medidas coercitivas unilaterais foram intensificadas, agravando a escassez de alimentos, medicamentos e combustíveis na ilha caribenha. O republicano tem repetido que poderia ‘tomar a ilha pela força’, justificando a escalada com críticas à gestão cubana.
Ele classificou o governo de Havana como ‘terrivelmente mal administrado’ e o sistema político como ‘terrível’ — declarações que Cuba considera uma agressão direta à sua soberania. A Casa Branca anunciou novas sanções contra Havana, baseadas na doutrina ‘América Primeiro’, acusando o governo cubano de se alinhar a ‘atores hostis’.
Essas medidas incluem restrições a remessas financeiras e vistos de viagem, impactando ainda mais a população local. O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, respondeu nas redes sociais, afirmando que as punições ‘reforçam o bloqueio genocida’.
Ele acusou Trump de demonstrar ‘pobreza moral’ e ‘desprezo’ tanto pelo povo norte-americano quanto pela comunidade internacional, que condena o embargo na Assembleia Geral da ONU ano após ano. Conforme noticiado pelo portal Actualidad RT, Trump assinou uma ordem executiva declarando ‘emergência nacional’.
A justificativa seria uma suposta ‘ameaça incomum e extraordinária’ representada por Cuba, incluindo alegações de que a ilha abriga grupos armados e permite a presença de capacidades russas e chinesas. Essa ordem também estabelece tarifas punitivas a países que forneçam petróleo a Havana e ameaça represálias contra empresas que descumpram as determinações.
Tais ações afetam diretamente a logística de importação de combustíveis pela estatal cubana Cupet, aprofundando a crise energética no país. A chancelaria cubana rejeitou as acusações, destacando que a ilha não mantém bases militares fora de seu território, diferentemente dos EUA.
Além disso, alertou que qualquer incursão naval violaria os princípios da Carta da ONU e poderia colocar o Caribe e a América Latina em risco de conflito. Organizações de solidariedade denunciam que o bloqueio já causou perdas superiores a 154 bilhões de dólares a preços correntes para Cuba.
Relatórios da ONU também apontam que o isolamento econômico impede investimentos em infraestruturas essenciais, afetando especialmente crianças, idosos e o sistema de saúde cubano. Analistas em Havana interpretam a retórica agressiva de Trump como uma manobra para desviar a atenção de pressões internas nos EUA.
Eles advertem que a presença de um porta-aviões tão próximo da costa cubana aumentaria o risco de incidentes, evocando tensões históricas como as da crise dos mísseis de 1962.
Leia também: Díaz-Canel agradece Petro por rejeitar ameaça de Trump de enviar porta-aviões a Cuba
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