O presidente cubano Miguel Díaz-Canel agradeceu publicamente ao presidente colombiano Gustavo Petro pelo respaldo diante das pressões e ameaças formuladas pelos Estados Unidos contra a ilha.
O gesto confirma a convergência entre Havana e Bogotá numa fase em que Washington volta a insinuar ações militares diretas no Caribe.
‘Gracias, presidente Gustavo Petro’, escreveu o líder cubano em suas redes sociais. Díaz-Canel reforçou que a América Latina tem o direito de permanecer como uma zona de paz livre de intervenções estrangeiras.
O presidente cubano sublinhou que qualquer agressão destinada a Cuba deve ser interpretada como agressão contra todo o continente. Parafraseou José Martí ao advertir sobre a necessidade de conter o expansionismo norte-americano nas Antilhas.
Petro reagiu depois de Trump ter sugerido ‘tomar Cuba’ e deslocar o porta-aviões Abraham Lincoln para as proximidades da ilha. A declaração reacendeu memórias da Crise dos Mísseis de 1962.
‘Não estou de acordo com uma agressão militar a Cuba, porque isso é uma agressão militar à América Latina’, publicou o presidente colombiano na rede X. A nota reafirmou o compromisso de Cartagena com a paz caribenha.
Conforme reportagem do portal RT, a resposta cubana resgatou a concepção martiana de soberania continental como barreira à expansão do poder militar dos EUA. A plataforma diplomática de zona de paz foi oficializada na II Cúpula da CELAC, em Havana, e desde então serve de referência política contra o intervencionismo externo na região.
Analistas em Bogotá recordam que a aproximação entre os dois países ganhou impulso após Petro devolver à diplomacia colombiana um perfil independente, rompendo com décadas de alinhamento automático à Casa Branca. A retirada da Colômbia do chamado Grupo de Lima e a reabertura de canais com Caracas ampliam o isolamento regional da estratégia de cerco adotada por Trump.
Desde 1960, Washington mantém um bloqueio econômico unilateral contra Cuba, endurecido por sucessivas administrações e agravado pelo enquadramento da ilha como suposto Estado patrocinador do terrorismo — rótulo rejeitado pela comunidade latino-americana. Nos círculos acadêmicos caribenhos, a nova sintonia entre Havana e Bogotá é vista como parte de uma reconfiguração geopolítica mais ampla.
Nessa reconfiguração, nações da região buscam coordenar defesas coletivas contra sanções, bloqueios e ameaças bélicas externas.
Parlamentares do Pacto Histórico colombiano destacam que a Doutrina Monroe, utilizada historicamente para legitimar intervenções dos EUA no continente, perdeu legitimidade diante dos novos equilíbrios propiciados pelo BRICS e pelo avanço da integração sul-americana. A reafirmação de Cuba como questão de segurança coletiva latino-americana também ecoa nos fóruns da ALBA e da UNASUL, entidades que tratam pressões extrarregionais como potenciais violações do direito internacional.
Ao evocar o legado de Martí, Díaz-Canel associou a herança anticolonial à defesa da soberania tecnológica, energética e sanitária — bandeiras igualmente promovidas pelo governo colombiano em espaços multilaterais. Petro busca ampliar pontes com Havana por meio de agendas concretas de saúde, intercâmbio cultural e cooperação climática, área em que as duas nações compartilham vulnerabilidades frente a furacões cada vez mais intensos.
O chanceler cubano Bruno Rodríguez já indicou que Havana intensificará articulações com parceiros regionais para denunciar em organismos como a ONU qualquer escalada de hostilidades. O objetivo é reforçar o princípio de não intervenção consagrado na Carta de 1948 da OEA.
Para especialistas da Universidade de La Habana, uma eventual agressão dos EUA mobilizaria de imediato os mecanismos de consulta da CELAC e poderia acelerar iniciativas de defesa coordenada. O tema ganha tração à medida que a OTAN projeta sua influência além da Europa.
Em Washington, o Departamento de Estado preferiu não comentar a nota de Petro, mas porta-vozes reiteraram que ‘todas as opções’ permanecem sobre a mesa. Para observadores latino-americanos, a frase apenas reforça o discurso de solidariedade defendido por Cuba e Colômbia.
A convergência dos dois países frente à retórica belicista de Trump sinaliza a crescente disposição regional de construir salvaguardas coletivas e elevar o custo político de qualquer iniciativa militar externa no Caribe.
Leia também: China condena bloqueio a Cuba e promete apoio irrestrito diante de novas sanções de Trump
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Cíntia Ribeiro
04/05/2026
O João Pereira tocou num ponto central: ameaça de porta-aviões não é ferramenta de diplomacia, é coerção. Cuba tem um regime autoritário e isso merece crítica, mas a reação de Petro me parece menos um “abraço a ditador” e mais a defesa do princípio de não-intervenção, que é cláusula pétrea da nossa própria Constituição. O problema é que a thread mistura o tempo todo condenação ao modelo cubano com defesa automática de sanções unilaterais, como se fossem a mesma coisa.
Adalberto Livre
04/05/2026
ESSA PATOTA COMUNISTA AGRADECENDO COMUNISTA É UMA VERGONHA! O BRASIL TEM QUE ROMPER COM CUBA JÁ!
Clotilde Pátria
04/05/2026
Gente, pelo amor de Deus, vocês estão vendo isso? O Trump ameaça mandar porta-aviões e o Lula não fala nada, enquanto o Petro abraça o ditador cubano. É o fim da picada, esse pessoal de esquerda quer mesmo transformar a América Latina numa nova Venezuela. Só Jesus na causa pra salvar o Brasil dessa turma.
João Pereira
04/05/2026
O Eduardo chama de ditadura, mas esquece que Cuba sobrevive há décadas sob um bloqueio que qualquer país normal consideraria ato de guerra. Não precisa concordar com o regime para enxergar que ameaça de porta-aviões é intimidação pura, não defesa da democracia.
Eduardo Nogueira
04/05/2026
Ditador agradecendo outro ditador, que novidade. Petro já mostrou que prefere ser capacho de regimes falidos do que defender o próprio povo. Enquanto isso, o Brasil paga a conta dessa farra ideológica.
Jeferson da Silva
04/05/2026
Eduardo, você chama de ‘ditador’ qualquer um que não se ajoelhe pra Washington, mas na fábrica onde eu trabalho o que a gente vê é patrão terceirizando tudo, cortando direito e chamando de ‘empreendedorismo’. Enquanto isso, seu Bolsonaro passou quatro anos fazendo puxadinho de regime militar e vendendo o Brasil por um prato de mingau com os EUA.
Ricardo Almeida
04/05/2026
Sandra, entendo o cansaço com a novela geopolítica, mas o ponto aqui não é só “desafiar os EUA”. A ameaça de enviar porta-aviões é uma escalada real de intimidação militar, e o apoio de Petro, por mais contraditório que o governo dele seja, ao menos reconhece o direito de Cuba à autodeterminação. O que me incomoda é ver a esquerda internacional tratando qualquer gesto de solidariedade como virtude, sem cobrar reformas internas que tirem o povo cubano do sufoco.
Sandra Martins
04/05/2026
Pessoal, essa novela geopolítica me cansa. Como cristã, acredito que diálogo e paz são caminho, mas fico desconfiada quando vejo líderes se abraçando só para desafiar os EUA. O povo cubano sofre com embargo e escassez, e agradecimento de ditador a outro presidente que também tem seus problemas internos me soa mais como teatro do que solução real.
Clarice Historiadora
04/05/2026
Carlos Mendes, seu argumento ignora que o bloqueio dos EUA foi justamente desenhado para estrangular a economia cubana e inviabilizar qualquer modelo de desenvolvimento — não é coincidência que as sanções se intensificaram justamente depois da Revolução. Enquanto isso, o Brasil de 2025 discute se deve ou não se curvar a ameaças de porta-aviões, como se soberania fosse artigo de luxo para país periférico.
Carlos Mendes
04/05/2026
Zé Trovãozinho, o salário médio em Cuba é baixo justamente porque o modelo estatizante deles afunda a produtividade, não por causa de bloqueio. Enquanto isso, o Brasil paga a conta de aventuras diplomáticas que só servem para inflar o ego de ditadores de quinta categoria.
Pedro Neto
04/05/2026
Faz o L e vai pra Cuba, Zé Trovãozinho!
Maria Aparecida
04/05/2026
Zé Trovãozinho, o salário médio em Cuba é baixo sim, e isso é fruto de um bloqueio criminoso que dura 60 anos e que o Trump agora quer endurecer com porta-aviões. Enquanto isso, o povo cubano tem acesso universal à saúde e educação, coisa que aqui no Brasil a gente vê sendo desmontada. Solidariedade entre povos latinos não é “teatro”, é mandamento bíblico de amar o próximo e resistir ao opressor.
Zé Trovãozinho
04/05/2026
Mais um blockbuster da esquerda festiva: Ditador agradece outro ditador. Enquanto isso, o povo cubano continua ganhando 30 dólares por mês e comendo pão com esperança. Mas o importante é lacrar contra o Trump, né?
Pedro Almeida
04/05/2026
Zé, sua ironia revela mais sobre o conforto do seu assento no terraço da história do que sobre a realidade cubana. Quando Hannah Arendt analisou a banalidade do mal, não imaginava que ela se manifestaria também na forma de um brasileiro rindo da resistência de um povo que há seis décadas enfrenta o maior bloqueio econômico já imposto a uma nação soberana. O salário de 30 dólares não é piada, é consequência direta de um cerco que seu “anti-ditadura” silencia.
João Carvalho
04/05/2026
A solidariedade entre países latino-americanos diante de ameaças imperialistas não é “teatro geopolítico”, Paulo, mas sim um princípio básico do direito internacional e da não-intervenção que deveria ser consenso entre nações soberanas. O bloqueio econômico a Cuba, que completa mais de seis décadas, é uma violência estrutural que o realismo periférico de alguns insiste em naturalizar como “incompetência administrativa”. Enquanto isso, a direita brasileira celebra ameaças de porta-aviões como se fosse futebol, esquecendo que amanhã o alvo pode ser a Amazônia ou o pré-sal.
Mariana Santos
04/05/2026
Paulo, você toca num ponto importante, mas acho que essa “teatralização” que você enxerga é justamente o que sustenta a soberania de países que ousam enfrentar o imperialismo. Enquanto a direita brasileira faz pirotecnia com “comunismo”, Cuba resiste a um bloqueio criminoso que dura mais de seis décadas. Se o Brasil tivesse um décimo da dignidade de Cuba e Colômbia, talvez a gente não estivesse vendo o Congresso aprovar o fim da demarcação de terras indígenas enquanto isso.
Paulo Gestor RJ
04/05/2026
Cecília, você levantou um ponto real sobre o bloqueio, mas acho que a discussão perde o foco quando a gente fica nesse jogo de “quem é mais capacho dos EUA”. O que me preocupa como carioca é ver o governo brasileiro gastando energia com esse teatro geopolítico enquanto a gente tem problema de saneamento, mobilidade e segurança pra resolver aqui em casa. Apoiar Cuba ou não é uma coisa, mas o custo dessa solidariedade tem que ser transparente pro contribuinte.
Cecília Silva
04/05/2026
Padre Antônio, com todo respeito, mas “ditadura” em Cuba não segura porta-aviões dos EUA, não. O bloqueio econômico é uma arma de guerra que mata por falta de remédio e comida, e qualquer país que se recuse a ser capacho do Tio Sam merece apoio. Enquanto isso, a direita brasileira babava ovo de Trump chamando isso de “liberdade”.
Carlos Meirelles
04/05/2026
Padre Antônio, o senhor foi cirúrgico. Dois governos quebrados, um abraçando o outro pra fingir que tem relevância. Enquanto isso, o povo cubano vive com salário de 30 dólares e a Colômbia financia essa festa com dinheiro de imposto do cidadão que não vê segurança nem saúde.
Lucas Pinto
04/05/2026
Carlos, você repete o mantra do senso comum liberal como se fosse um achado original: “governos quebrados”, “salário de 30 dólares”, “imposto do cidadão”. Mas vamos escavar o que está por trás desse discurso que naturaliza a pobreza como incompetência e apaga a história material. O salário cubano não existe num vácuo — ele é o resultado de 60 anos de bloqueio econômico dos EUA, um cerco que o direito internacional já condenou dezenas de vezes e que a OEA, sob pressão americana, mantém como instrumento de asfixia. Reduzir Cuba a “governo quebrado” é ignorar que o país teve que reinventar sua economia depois do colapso da URSS, e que, mesmo assim, tem indicadores de saúde e educação que a América Latina inteira inveja. O problema não é “quebrado” — é sancionado até o osso.
Quanto à Colômbia “financiar essa festa”, você reproduz a lógica rasteira de que solidariedade entre países do Sul Global é caridade irresponsável, enquanto os EUA podem enviar porta-aviões e ameaças sem que ninguém cobre o custo. Petro recusar a chantagem de Trump não é “abraço de ditadores” — é o mínimo de dignidade soberana num continente que já foi quintal de intervenções militares. O que você chama de “festa” é, na verdade, a tentativa de construir uma política externa que não se curve ao manual de Washington. Se o cidadão colombiano não vê segurança nem saúde, a culpa não está em Cuba, e sim em décadas de neoliberalismo que desmontaram o Estado e entregaram o país ao paramilitarismo e ao narcotráfico — fenômenos que a direita colombiana sempre tratou como “efeitos colaterais”.
Você e o padre Antônio operam com a mesma categoria vazia de “liberdade” abstrata, que serve para criticar Havana mas nunca para questionar o imperialismo que a sufoca. Gramsci já alertava: o senso comum é a filosofia das classes dominantes fragmentada em frases de efeito. O seu comentário é a prova viva disso — um amontoado de lugares-comuns que evitam o debate real sobre quem produz a miséria e quem lucra com ela. Enquanto vocês repetem “30 dólares” como um mantra, esquecem que o bloqueio custa a Cuba mais de 5 bilhões de dólares por ano. Isso não é acaso, é projeto de poder. E chamar isso de “festa” é, no mínimo, cumplicidade com a engrenagem.
Padre Antônio Rocha
04/05/2026
Dois regimes que sufocam seus próprios povos se abraçando para criticar os Estados Unidos. Enquanto isso, famílias cubanas passam fome e colombianos veem a segurança pública virar bagunça. Petro deveria se preocupar mais com as Farc do que com ditadores de Havana.
Marcos Andrade Niterói
04/05/2026
Padre Antônio, com todo respeito, comparar a situação cubana com a colombiana é raso: o bloqueio dos EUA é um crime econômico que sufoca Cuba há décadas, e a “bagunça” na Colômbia é herança de décadas de violência paramilitar que a direita sempre apoiou. Enquanto isso, aqui em Niterói a gente vê o que é gestão de verdade com o Rodrigo Neves fazendo túnel e defendendo o metrô para a Zona Sul, coisa que o governo estadual do Rio, que você deve aplaudir, nunca fez.
Mariana Costa
04/05/2026
O Gabriel Teen tem um ponto: enquanto os líderes trocam afagos diplomáticos, o povo cubano continua sem liberdades básicas e com dificuldades econômicas reais. Mas também acho simplista reduzir tudo a “teatro” — a recusa da Colômbia em aceitar ameaças militares é um gesto de soberania que deveria ser natural entre países, independente de quem está no poder. O problema é que tanto a truculência de Trump quanto o autoritarismo de Díaz-Canel só prejudicam quem está no meio.
Gabriel Teen
04/05/2026
Enquanto isso, o povo cubano continua sem internet e com fome, mas pelo menos o agradecimento foi bonito, né?
Alice T.
04/05/2026
Luiz Augusto, amigo, vc fala em “teatro” mas esquece que os EUA mantêm um bloqueio criminoso há 60 anos que já matou milhares de cubanos por falta de remédio e comida. Trump ameaçar mandar porta-aviões não é “truculência”, é terrorismo de estado puro e simples. Enquanto isso, cadê a “liberdade” que vc defende quando o Brasil vira quintal dos EUA?
Luiz Augusto
04/05/2026
O Márcio Torres tem razão: esse agradecimento é puro teatro. Enquanto a esquerda aplaude Petro por “resistir ao imperialismo”, o regime cubano continua afundando na miséria e na falta de liberdades. Trump pode ser truculento, mas ao menos não financia ditaduras com dinheiro do contribuinte americano.
Renato Professor
04/05/2026
Luiz Augusto, você confunde causalidade: o bloqueio econômico dos EUA é justamente a principal causa da escassez em Cuba, e não um regime que sobrevive apesar dele. Quanto a “não financiar ditaduras”, sugiro pesquisar o histórico de apoio americano a ditaduras latino-americanas que torturavam e matavam enquanto eram elogiadas por Washington.
Carlos Henrique Silva
04/05/2026
O teatro geopolítico montado por Washington contra Cuba é um clássico que já deveria cansar até o mais distraído dos analistas. Ver Díaz-Canel agradecendo a Petro pela recusa em aceitar a ameaça de um porta-aviões norte-americano não é apenas um gesto diplomático cordial; é um lembrete brutal de que a Doutrina Monroe segue viva e atuante, agora com roupagem trumpista. O que me espanta, lendo alguns comentários aqui, é como certa direita brasileira consegue naturalizar a presença de uma força naval dos EUA no Caribe como se fosse um direito divino de Washington. Não é. É violação explícita do direito internacional e da Carta da ONU, que proíbe ameaça ou uso da força contra a integridade territorial de qualquer Estado. O Márcio Torres tentou dar um verniz de realpolitik ao gesto, mas a verdade é que enviar um grupo de batalha não é “gesto”, é intimidação pura e simples. E Petro, ao se opor, fez o mínimo que se espera de um presidente que se diz progressista.
A ironia, claro, é que enquanto discutimos se um país soberano pode ou não agradecer a outro por rejeitar uma ameaça militar, a mídia hegemônica brasileira trata o tema como se fosse uma briguinha de vizinhos. Não é. Estamos falando de um bloqueio econômico que dura seis décadas, que já custou à economia cubana algo como 150 bilhões de dólares em danos diretos, segundo dados da própria ONU. E aí chega um cidadão, o João Santos, e solta a velha cantilena de que “o povo cubano foge de barquinho”. Claro que há problemas em Cuba, sérios, ninguém nega. Mas reduzir a questão a isso é ignorar que a fuga é alimentada exatamente pelo estrangulamento econômico imposto por Washington. Se o Brasil fosse submetido a um bloqueio semelhante, com sanções financeiras, proibição de comércio e ameaças militares constantes, será que o Rio de Janeiro estaria mais seguro? Acho que não. A falta de segurança no Rio tem causas estruturais internas, não é culpa de Havana.
Outro ponto que me incomoda profundamente é a seletividade moral de quem critica Cuba enquanto aplaude ou minimiza as agressões dos EUA. A Beatriz Lima tocou num aspecto central: o problema não é o agradecimento de Díaz-Canel, é o fato de que ainda estamos, em 2025, debatendo se é aceitável que uma superpotência envie porta-aviões para intimidar um país que não tem nem marinha de guerra. Isso é a essência do imperialismo, conceito que alguns aqui parecem ter esquecido. Gramsci já nos alertava sobre a hegemonia cultural: a capacidade de fazer com que o dominado aceite a dominação como natural. Pois é exatamente isso que vejo em comentários que tratam a presença militar dos EUA como algo banal. Não é banal. É a continuação da política de canhoneiras do século XIX, só que com tecnologia do século XXI.
Por fim, quero registrar que a atitude de Petro, embora correta, não pode ser vista como um ato isolado de heroísmo. Ela insere-se num contexto de reconfiguração geopolítica na América Latina, onde governos progressistas tentam, com todos os seus limites e contradições, construir uma margem de autonomia frente a Washington. O problema é que essa margem é cada vez mais estreita. Enquanto a esquerda latino-americana não articular um projeto econômico que rompa de fato com a dependência estrutural, gestos como o de Petro serão importantes, mas insuficientes. Cuba, com seu bloqueio e suas dificuldades, segue sendo um símbolo de resistência, mas também um alerta: sem soberania econômica, a soberania política é frágil. E enquanto a direita brasileira continuar vendo os EUA como “parceiro” e não como potência imperial, vamos seguir nesse eterno debate raso, enquanto o porta-aviões está sempre a postos.
Evelyn Olavo
04/05/2026
Mais um capítulo dessa novela geopolítica onde os “vilões” mudam de nome mas o roteiro é o mesmo: imperialismo travestido de democracia. Enquanto isso, o povo cubano segue na luta, e o Petro pelo menos mostrou ter coluna vertebral.
Márcio Torres
04/05/2026
O teatro geopolítico entre Washington, Havana e Bogotá tem um quê de farsa repetida. Díaz-Canel agradece a Petro por “rejeitar ameaças”, mas vamos aos fatos: um porta-aviões dos EUA não é enviado a esmo. A presença de um grupo de batalha naval no Caribe é um gesto de força bruta, sim, mas também um instrumento de dissuasão que raramente se materializa em ação direta contra um país sem capacidade de retaliação naval. Trump, como bom negociador imobiliário que se acha, adora brandir o porrete antes de sentar à mesa. O que Petro fez foi exatamente o que qualquer líder racional faria: condenou a ameaça em termos vagos e genéricos, suficiente para agradar sua base ideológica sem comprometer relações comerciais com os EUA. Aplausos para o gesto, mas zero impacto real na correlação de forças.
O curioso é ver a esquerda latino-americana celebrar essa “convergência” como se fosse um bloco anti-imperialista coeso. Na prática, Cuba vive uma crise humanitária profunda — com apagões, desabastecimento e uma economia que só não colapsou de vez porque o regime sabe extrair dólares do turismo e das remessas da diáspora. Já a Colômbia de Petro enfrenta inflação, violência nas fronteiras e uma popularidade em queda livre. Unir-se a Cuba em retórica anti-EUA é um jogo de baixo risco e alto retorno simbólico: não custa nada, não muda a realidade material de nenhum dos dois países, e ainda rende manchetes em veículos alinhados. A verdadeira pergunta que ninguém faz é: o que Bogotá ganha concretamente ao se alinhar a um regime que, segundo dados do Banco Mundial, tem um PIB per capita menor que o do Haiti? A resposta é simples — capital político interno, e olhe lá.
O mais preocupante é a normalização desse discurso de “ameaça imperialista” sem escrutínio dos dados. Desde 1959, os EUA impuseram um embargo que custou a Cuba estimados US$ 130 bilhões em perdas acumuladas, segundo cálculos do próprio governo cubano. Mas o embargo não explica sozinho o fracasso econômico — a ineficiência do planejamento centralizado, a ausência de investimento estrangeiro significativo (fora o chinês e o venezuelano) e a falta de liberdades civis básicas são fatores estruturais que persistem independentemente de quantos porta-aviões patrulhem o Caribe. Agradecer a Petro por “rejeitar” uma ameaça que nunca se concretizou é um truque de retórica: desvia o foco dos problemas reais de Cuba para um inimigo externo conveniente. É o mesmo manual de sempre, e funciona porque a imprensa progressista adora o enredo de Davi contra Golias, mesmo quando Davi está falido e Golias apenas agitou o estilingue.
No fim, o que temos é uma coreografia previsível: Trump ameaça, Petro discursa, Díaz-Canel agradece, e a população cubana continua sem pão, sem luz e sem liberdade de expressão. O porta-aviões não precisa atracar em Havana para causar estragos — a simples existência da ameaça já serve de álibi para o regime justificar sua própria incompetência. Enquanto a esquerda continental aplaudir esse tipo de solidariedade simbólica em vez de exigir reformas reais, Cuba continuará sendo o que é: um museu de boas intenções congelado no tempo, sustentado por discursos vazios e por uma economia que só não quebrou de vez porque o mundo ainda tem dó de ver o povo sofrer.
Beatriz Lima
04/05/2026
Sabe, o que mais me intriga nessa thread é como a discussão consegue ignorar o dado mais óbvio: um país soberano agradecer a outro por se opor a uma ameaça militar explícita deveria ser o menor dos problemas. O maior é que ainda estamos, em 2025, debatendo se é aceitável um presidente americano brandir porta-aviões como se fosse ameaça de vizinho de condomínio. O João Santos ali em cima acha que isso é “não fazer mimimi”, mas eu gostaria de ver qual seria a reação dele se a Rússia mandasse um navio de guerra para a costa do Rio sob o pretexto de “restaurar a ordem”. Hipocrisia tem nome e endereço.
A Mariana Lopes tocou num ponto sensível: ninguém aqui está fazendo apologia ao regime cubano, que tem um histórico péssimo em liberdades individuais e gestão econômica. Mas daí a achar que a solução é um porta-aviões americano ou que o embargo de 60 anos vai magicamente trazer democracia é um salto lógico digno de ginasta olímpico. O embargo é uma política fracassada por qualquer métrica objetiva — não derrubou o regime, não melhorou a vida do povo cubano, só serviu de combustível retórico para ambos os lados. Se a meta é realmente “liberdade para Cuba”, talvez fosse hora de testar algo que não tenha sido tentado até agora.
Sobre o gesto do Petro: é interessante ver a esquerda latino-americana se realinhando, mas convenhamos que o agradecimento do Díaz-Canel tem um quê de teatro político. Cuba precisa de aliados agora mais do que nunca, e a Colômbia de Petro, com seu discurso de integração regional, é um parceiro óbvio. Não vejo nada de errado nisso — é geopolítica básica. O que me cansa é o maniqueísmo: de um lado, gente que trata Cuba como se fosse uma extensão da Flórida; do outro, quem age como se o embargo fosse a única nuvem no céu cubano. A realidade, como sempre, é mais cinzenta.
No fim das contas, a ameaça do Trump é simbolicamente agressiva e desnecessária, mas o agradecimento do Díaz-Canel também é calculado. O que me preocupa de verdade é a normalização desse tipo de linguagem bélica na política externa americana. Primeiro foram as sanções econômicas como arma de destruição em massa, agora ameaças navais. Daqui a pouco vão pedir bloqueio naval e ninguém vai achar estranho. Mas, claro, sou só mais uma cética de BH que acha que dados deveriam substituir bandeiras ideológicas nessa conversa.
Marina Silva
04/05/2026
João Santos, você fala em segurança no Rio enquanto defende ameaça de porta-aviões dos EUA a Cuba? Surreal.
João Santos
04/05/2026
Ah, lá vem o pessoal da esquerda defender ditadura de novo. Enquanto isso o povo cubano foge de barquinho e aqui no Rio a gente sabe o que é falta de segurança. Trump pelo menos não fica de mimimi com esses regimes.
Mariana Lopes
04/05/2026
Acho curioso como a discussão rapidamente vira um cabo de guerra ideológico. O bloqueio americano é de fato uma política anacrônica e desumana, mas também não dá para fingir que o regime cubano é um exemplo de democracia e gestão econômica. Petro agiu certo ao defender a soberania colombiana contra ameaças militares explícitas, isso é o mínimo do direito internacional. O problema é que esse tipo de aliança entre governos de esquerda latino-americanos raramente se traduz em melhorias concretas para a população de qualquer um dos lados.
Cláudio Ribeiro
04/05/2026
A Karina de Miami reproduz o discurso da Dade County que ignora o dado elementar: o bloqueio é uma violação sistemática do direito internacional, e a ameaça de enviar um porta-aviões é a linguagem clássica do poder imperial que Foucault descreveu como biopolítica aplicada às relações entre Estados. Petro, ao recusar ser linha auxiliar da Doutrina Monroe, faz exatamente o que a Constituição colombiana e o princípio de autodeterminação exigem — o resto é ruído ideológico de quem confunde soberania com subserviência.
Carmem Souza
04/05/2026
Karina, querida, entendo sua indignação, mas acho que a gente precisa separar o joio do trigo. O bloqueio econômico a Cuba é uma medida desumana que afeta diretamente o povo, não o governo. E sobre a Colômbia, Petro foi eleito democraticamente e tem o direito de defender a soberania do seu país, assim como qualquer líder faria.
Karina Libertária
04/05/2026
Que lindo, dois ditadores se abraçando enquanto o povo de Cuba passa fome e a Colombia afunda na violencia. Petro deveria era se preocupar com os proprios problemas ao inves de fazer teatro politico pra agradar a esquerda internacional. Aqui em Miami a gente sabe bem o que é viver sem essa cortina de fumaça comunista.
Cecília Ramos
04/05/2026
Karina, de Miami você tem uma vista privilegiada do imperialismo que tenta sufocar Cuba há décadas, mas de perto a fome que você menciona é fruto direto desse bloqueio criminoso, não de suposta ditadura. Enquanto isso, Petro defender a soberania colombiana diante de ameaças militares não é teatro, é o mínimo que um presidente deveria fazer para não entregar o país a interesses estrangeiros.
Paulo Ribeiro
04/05/2026
O gesto de Díaz-Canel ao agradecer Petro não é mera cortesia diplomática; é a materialização do que Gramsci chamaria de “vontade coletiva” em face do imperialismo. Enquanto a direita brasileira e setores da mídia hegemônica tratam a soberania cubana como “teimosia comunista”, o que vemos é a tentativa de Washington reeditar a Doutrina Monroe com porta-aviões. Trump, ao ameaçar enviar poder naval contra a ilha, não age como um “líder forte” — age como o capataz de um sistema que não tolera experiências sociais que ousem desafiar a lógica do capital. Petro, ao recusar-se a ser correia de transmissão dessa agressão, cumpre o papel histórico que a Colômbia sempre evitou: alinhar-se aos povos e não aos impérios.
O comentário de João Carlos da Silva acertou em cheio ao evocar Freire e a autodeterminação, mas preciso ir além. Não se trata apenas de “diálogo horizontal entre nações”; trata-se de reconhecer que Cuba, sob bloqueio criminoso há seis décadas, sobreviveu e ainda oferece solidariedade internacional — como fez com a Colômbia no processo de paz de Havana. Enquanto isso, o “Zé do Povo” repete o bordão raso de que “comunista é tudo farra e miséria”, sem jamais explicar por que o país que mais aplica sanções unilaterais na história moderna — os EUA — tem a maior dívida pública do planeta e uma população que morre por falta de acesso a saúde. A miséria que ele vê em Cuba não é fruto do socialismo, mas do cerco orquestrado por aqueles que ele mesmo aplaude.
A crítica de Maria Silva, embora feita com tom mais ponderado, cai numa armadilha liberal clássica: ela isola a questão das “liberdades básicas” do contexto material. Althusser já nos alertava que o Estado burguês separa artificialmente o político do econômico para naturalizar a exploração. Cuba tem limitações políticas reais, sim, e é preciso discuti-las com honestidade — mas negar que o bloqueio inviabiliza qualquer desenvolvimento democrático pleno é ignorar que a liberdade de escolha, num país sitiado, começa pelo direito de não morrer de fome ou falta de remédios. A “liberdade” que o Ocidente prega para cubanos é a mesma que condena haitianos à morte na fronteira do Texas.
O que me parece mais grave, no entanto, é o silêncio cúmplice de setores da esquerda brasileira diante dessa movimentação de Trump. Se Lula estivesse na presidência, seria bombardeado por editorialistas exigindo “posição firme contra o autoritarismo cubano”. Agora que é Petro quem age, o mesmo pessoal que chora “democracia” na Venezuela fica mudo. A aliança Havana-Bogotá, ainda que tática, representa um fio de esperança num continente onde a direita golpista — do Equador ao Chile — volta a ensaiar o velho roteiro de 1964. Como diria Mariátegui, o problema do indo-americano não é metafísico, é econômico e político. E enquanto houver quem troque a dignidade dos povos por migalhas do FMI, a luta anti-imperialista seguirá sendo a única via possível.
João Carlos da Silva
04/05/2026
O gesto de Petro é relevante não por ser uma “união de comunistas”, como simplifica o Zé do Povo, mas por afirmar o princípio da autodeterminação dos povos, algo que a pedagogia crítica de Freire insiste como condição para qualquer diálogo horizontal entre nações. A ameaça militar de Trump, com seus porta-aviões, é a linguagem do colonialismo que Gramsci chamaria de “dominação sem hegemonia” — força bruta sem qualquer tentativa de convencimento. Enquanto isso, o debate aqui se perde em maniqueísmos que ignoram que, sem soberania, não há projeto educacional, econômico ou social que se sustente.
Zé do Povo
04/05/2026
DOIS COMUNISTAS SE ABRAÇANDO E O POVO PAGANDO A CONTA! 😡🇨🇺🇨🇴 VOLTA TRUMP E ACABA COM ESSA FARRA DE IMPOSTO E MISÉRIA!
Carlos Oliveira
04/05/2026
Zé do Povo, você pede o retorno de um presidente que ameaça invadir outro país com porta-aviões e chama isso de solução. Trump não vai acabar com imposto nem miséria aqui — ele vai é proteger os mesmos latifúndios e bancos que sugam o seu suor enquanto você aplaude.
Maria Silva
04/05/2026
Essa união Petro-Díaz-Canel me soa mais como dois governantes se abraçando para fortalecer a própria narrativa do que uma solução real para o povo cubano. O bloqueio americano é errado e desumano, concordo, mas um país que não respeita liberdades básicas também não inspira confiança. O ideal seria um meio-termo: pressão internacional pelo fim do bloqueio e, ao mesmo tempo, cobrança por abertura política em Cuba.
Lucas Moreira
04/05/2026
Maura, respeito sua indignação, mas a conta não fecha. O bloqueio americano existe desde 1962 e, nesse período, a economia cubana já era um desastre antes mesmo de existir Trump ou qualquer republicano moderno. O problema não é o bloqueio, é o modelo: não existe liberdade econômica, não existe propriedade privada, não existe incentivo. Você pode tirar todas as sanções do mundo que, enquanto o Estado for o único patrão, Cuba continuará quebrada. Essa aliança entre Petro e Díaz-Canel é só dois populistas trocando afagos enquanto o povo paga a conta.
Mariana Ambiental
04/05/2026
Lucas, o problema do seu argumento é que ele trata o bloqueio como se fosse um detalhe, e não o tsunami que ele é. Um país que sofre um cerco econômico por 60 anos não tem nem a chance de testar outro modelo, porque não tem acesso a mercados, crédito ou peças de reposição. Dizer que a culpa é da falta de propriedade privada é ignorar que a Coreia do Sul nos anos 60 era mais pobre que Cuba e só decolou quando os EUA decidiram que valia a pena financiar um posto avançado anticomunista — não por milagre do livre mercado.
Maura Santos
04/05/2026
Ana Paula, respira fundo e tenta ler um livro de história antes de comentar. Enquanto a direita chora com “ameaça comunista”, o bloqueio dos EUA já matou mais cubanos que qualquer ditadura inventada no achismo. E olha que eu sou de SP e sei bem o que é apagão causado por liberalismo maluco, viu?
João Batista
04/05/2026
Ana Paula, com todo respeito, mas seu comentário parece ignorar que o próprio Jesus andou com os marginalizados e denunciou os poderosos. O bloqueio a Cuba não é castigo divino, é política de império que sufoca um povo inteiro. Ver Petro e Díaz-Canel se unindo me lembra Gálatas 6:2 — “Levai as cargas uns dos outros”. Isso sim é testemunho cristão de verdade.
Ana Paula Conserva
04/05/2026
É triste ver líderes que deveriam cuidar de seus próprios países se unindo para desafiar os Estados Unidos. Cuba vive na miséria e na falta de liberdade, e ainda assim temos gente fazendo média com ditadura. Essa “solidariedade” entre Petro e Díaz-Canel é um desserviço aos valores cristãos e à democracia.
Fernanda Oliveira
04/05/2026
Ana Paula, falar em “valores cristãos” enquanto apoia um país que bombardeia civis e mantém um bloqueio criminoso contra Cuba há 60 anos é, no mínimo, uma contradição bem seletiva. A miséria em Cuba é fruto direto desse bloqueio, não de uma suposta “ditadura” — e solidariedade entre países oprimidos nunca será desserviço, é o mínimo da dignidade humana.
Lucas Andrade
04/05/2026
Bonito ver o Sul Global se articulando contra a coreografia militar do império. O porta-aviões é um falo de aço, e o agradecimento de Díaz-Canel a Petro desnuda a fragilidade dessa ameaça quando encontra resistência diplomática.
Marta
04/05/2026
Minha gente, vamos com calma que eu vou dar minha aula de história do dia. Essa notícia do Díaz-Canel agradecendo ao presidente Petro pela solidariedade contra a ameaça dos porta-aviões americanos é a prova de que a diplomacia sul-americana ainda tem dignidade. Enquanto os meninos mal-educados do liberalismo brasileiro ficam repetindo que “Cuba é uma ditadura” sem nunca terem pisado lá, os fatos mostram que a ilha resiste há mais de 60 anos ao bloqueio criminoso dos Estados Unidos. E não é qualquer país que enfrenta o Tio Sam de peito aberto: a Colômbia do Petro, um ex-guerrilheiro que virou presidente, está mostrando que a América Latina não é quintal de ninguém.
Eu, como professora aposentada, lembro bem das aulas sobre a Guerra Fria e a Revolução Cubana. O que o Trump fez, ameaçando enviar porta-aviões, é a mesma tática de sempre: mostrar os músculos para intimidar quem ousa desafiar o imperialismo. Mas o que esses meninos não entendem é que Cuba já sobreviveu a invasões, a atentados, a uma crise econômica feroz e continua de pé. O povo cubano tem um sistema de saúde que até hoje salva vidas no mundo inteiro, enquanto aqui no Brasil a gente vê fila do SUS e plano de saúde caríssimo. Então, antes de chamar Cuba de ditadura, deveriam agradecer pelos médicos que salvaram seus parentes no interior.
O gesto do presidente Petro é um sopro de esperança em meio a tanta mediocridade política. Enquanto o Bolsonaro e seus seguidores babavam ovo de Trump e dos EUA, a Colômbia mostra que é possível ter um governo que respeita a soberania alheia. O Lula, que eu tanto admiro, também sempre defendeu a autodeterminação dos povos. Essa união entre Havana e Bogotá é um tapa na cara da direita que acha que a América Latina tem que se curvar a Washington. E não é só discurso: é ação concreta, é dizer não ao porta-aviões, é não se curvar ao valentão.
Por fim, quero lembrar que essa história de “ameaça à segurança nacional” é sempre o mesmo papo furado. Os EUA têm bases militares em todo o mundo, invadem países, derrubam governos, e ainda querem dar lição de democracia? Os meninos mal-educados que espalham fake news sobre Cuba deveriam estudar um pouco mais. Enquanto isso, eu fico aqui, na minha cadeira de balanço, vendo a história se repetir e torcendo para que a solidariedade entre os povos latino-americanos continue crescendo. Viva Cuba, viva a Colômbia, e viva o Brasil que respeita seus vizinhos!
Ana Souza
04/05/2026
A Cíntia tem um ponto válido sobre o risco de esse tipo de movimentação virar cortina de fumaça, mas a Laura também acertou: o bloqueio a Cuba não é metáfora, é uma política real que sufoca a economia da ilha há décadas. A pergunta que fica é: o que o governo colombiano ganha com esse alinhamento público agora, e até onde isso vai além do gesto simbólico? Sempre bom desconfiar de ambos os lados e olhar os interesses concretos por trás do discurso.
Laura Silva
04/05/2026
Cíntia, lendo seu comentário, fico pensando como a noção de “teatro geopolítico” acaba sendo funcional ao próprio discurso que diz criticar. Reduzir a solidariedade entre Cuba e Colômbia a uma encenação é ignorar que o bloqueio econômico imposto pelos EUA a Havana não é um cenário, mas uma política concreta que já dura mais de seis décadas — e que, segundo estimativas da ONU, já custou à ilha algo em torno de 150 bilhões de dólares em perdas acumuladas. Quando Trump ameaça enviar um porta-aviões, não está fazendo média com a plateia: está reafirmando a Doutrina Monroe no século XXI, com todo o peso militar que isso implica.
O gesto de Gustavo Petro, por mais simbólico que pareça, precisa ser lido dentro de uma tradição de resistência latino-americana que tem nome e sobrenome: a luta contra o imperialismo. Desde a OEA nos anos 1960 até as tentativas de desestabilização da Venezuela e da Nicarágua, o que vemos é um padrão. A Colômbia, historicamente alinhada a Washington, dar um passo à frente e recusar-se a ser plataforma de agressão contra Cuba é um fato político relevante. Não é pouca coisa num continente onde a base de Palanquero já serviu a operações dos EUA.
João Silva tocou num ponto crucial: a assimetria de poder. Um país com 11 milhões de habitantes, bloqueado e sem acesso a financiamento internacional, enfrentar a maior potência militar da história não é “teatro”. É sobrevivência. E quando Díaz-Canel agradece a Petro, ele está fazendo o que qualquer líder racional faria: consolidar alianças regionais que possam, minimamente, equilibrar a balança. A Unasul e a Celac, por mais frágeis que tenham sido, nasceram exatamente dessa necessidade.
O que me preocupa, como socióloga, é o quanto esse cinismo “desencantado” — que trata toda solidariedade entre governos progressistas como farsa — acaba servindo ao discurso da direita. Dizer que “os problemas reais” estão aqui dentro e que a geopolítica é distração é um argumento que, no limite, desarma a crítica ao imperialismo. Os problemas reais, Cíntia, estão conectados: o preço do pão na mesa do brasileiro tem a ver com a hegemonia do dólar, com as sanções e com a guerra econômica que os EUA travam contra qualquer projeto nacional autônomo na região. Ignorar isso é fazer o jogo de quem quer nos ver fragmentados.
Lucas Alves
04/05/2026
Cíntia, acho que você tocou num ponto interessante, mas aí o João complementou bem. Dizer que é “teatro” subestima o fato de que um porta-aviões dos EUA na costa de Cuba não é exatamente um adereço de cenário. Agora, ver o Díaz-Canel agradecendo ao Petro me faz pensar: será que esse apoio colombiano vai além do discurso ou é só mais um abraço de afogados na mesma crise ideológica?
João Silva
04/05/2026
Cíntia, entendo seu ceticismo, mas essa leitura desconsidera a assimetria de poder real entre um país que sofre bloqueio há seis décadas e a maior potência militar do planeta. A solidariedade entre governos progressistas não é teatro, é a única defesa possível contra o imperialismo que Trump representa com seus porta-aviões. Paulo Freire já dizia que a solidariedade verdadeira se forja na luta concreta contra a opressão.
Paula Santos
04/05/2026
Cíntia, entendo sua desconfiança, mas acho que reduzir tudo a “teatro” ignora o peso real dessas alianças. Como cristã, acredito que devemos orar pela paz e pela sabedoria dos líderes, mas também reconhecer que um país pequeno como Cuba precisa de apoio diante de ameaças de uma superpotência. Que Deus ilumine a todos para que o diálogo prevaleça sobre a força.
Cíntia Alves
04/05/2026
Gente, será que alguém ainda acredita nesse teatro geopolítico todo? Trump ameaça com porta-aviões, Díaz-Canel agradece, Petro aparece de bom moço… parece mais um joguinho de cena pra distrair a gente dos problemas reais aqui dentro. Enquanto isso, o povo cubano continua sem internet direito e a gente aqui pagando o pato das crises.
Marina Costa
04/05/2026
Mais um capítulo dessa novela imoral da esquerda latino-americana se unindo contra os Estados Unidos. Enquanto isso, o Brasil sofre com a crise e a família tradicional é atacada todos os dias. Esses governantes socialistas deveriam se preocupar mais com o povo que passa fome do que com agradecimentos a ditadores.
Rubens O Pescador
04/05/2026
Marina, lá na roça a gente aprendeu que quem tem ameaça de porta-avião dos outros é porque tá defendendo o povo. Enquanto isso, na época do Lula e Dilma, o povo não passava fome e o Brasil era respeitado. Esse papo de família tradicional não enche barriga de ninguém, não.
Caio Vieira
04/05/2026
Prezada Marina, seu discurso opera por uma dicotomia rasteira entre “família tradicional” e “povo que passa fome” — como se a primeira fosse um ente abstrato descolado das condições materiais de existência. A solidariedade entre governos latino-americanos, longe de ser uma “novela imoral”, constitui um ato de resistência à hegemonia imperialista que historicamente nos submete a ciclos de crise e espoliação. O que o senhor Díaz-Canel faz, ao agradecer a Petro, é justamente defender a soberania popular contra a coerção militar estadunidense — algo que deveria ser celebrado, e não vilipendiado, por quem alega se importar com o povo.