A diplomacia chinesa intensificou o tom contra a política de sanções dos Estados Unidos e cobrou o fim imediato do bloqueio econômico que, há mais de sessenta anos, restringe o acesso de Cuba a comércio, financiamentos e tecnologia.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, declarou que nenhum pretexto inventado justifica manter medidas que ferem o direito da ilha ao desenvolvimento e violam princípios elementares do direito internacional. O funcionário salientou que a China continuará apoiando Cuba na defesa de sua soberania e de sua segurança nacional, independentemente do endurecimento de pressões externas.
Lin observou que a cooperação entre Pequim e Havana ocorre de maneira transparente e legítima, sublinhando que a tentativa de Washington de difamar projetos conjuntos não apaga o impacto destrutivo das sanções unilaterais. A chancelaria chinesa argumenta que tais sanções possuem caráter extraterritorial, pois penalizam também empresas e governos de terceiros países interessados em negociar com Havana.
A mais recente manifestação chinesa surge após o presidente dos EUA, Donald Trump, assinar uma ordem executiva que enquadra Cuba como ameaça incomum e extraordinária à segurança regional — narrativa que Pequim classifica como insustentável. O decreto reaqueceu o cerco econômico ao prever tarifas punitivas a países que abasteçam a ilha com petróleo e ameaçar represálias contra empresas associadas a esse comércio.
A escalada decretada por Trump foi recebida com indignação em Havana, cujo governo classificou as novas sanções como fascistas, criminosas e genocidas. O mandatário cubano prometeu defender a integridade territorial do país e denunciou o embargo como obstáculo central ao bem-estar da população.
Enquanto Washington amplia restrições, a China aprofunda parcerias estratégicas com a ilha em áreas como energia renovável, biotecnologia e infraestrutura digital. Pequim doou equipamentos para a construção de um parque fotovoltaico em Cienfuegos, ação celebrada pela vice-ministra de Comércio Exterior de Cuba, Déborah Rivas Saavedra, como parte do programa nacional de transição energética.
Rivas agradeceu a contribuição permanente chinesa à diversificação da matriz energética cubana e confirmou a instalação de novas usinas solares com sistemas de armazenamento, essenciais para reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados. O gesto reforça a convergência entre os dois países e evidencia o compromisso chinês em fomentar independência tecnológica em nações sob pressão de sanções unilaterais.
Segundo o portal Actualidad RT, Pequim avalia que a campanha de difamação orquestrada por autoridades norte-americanas pretende mascarar os danos reais provocados pelo bloqueio, responsável por perdas acumuladas que superam US$ 150 bilhões para a economia cubana.
A posição de Pequim ecoa as sucessivas resoluções aprovadas pela Assembleia Geral da ONU, que há décadas exige a revogação do embargo e contabiliza apoio quase unânime da comunidade internacional. Os EUA e Israel costumam ser as únicas nações a votar contra, e ainda assim o Congresso norte-americano mantém vigente a Lei Helms-Burton, que codificou o bloqueio em 1996 e ampliou a perseguição judicial a investidores estrangeiros na ilha.
Além do apoio chinês, Cuba tem recebido solidariedade de países como México, Venezuela, Rússia e da Comunidade do Caribe, todos defensores de soluções negociadas e de respeito à autodeterminação dos povos. Observadores destacam que o isolamento vivido pelos EUA em sucessivas votações na ONU fragiliza a legitimidade política do bloqueio perante a opinião pública internacional.
Pequim vê na cooperação energética e na transferência de tecnologia renovável uma via concreta para contrapor os efeitos do embargo e impulsionar o projeto cubano de redução de emissões de carbono. Fontes diplomáticas indicam que novos financiamentos poderão contemplar micro-redes de energia, modernização da rede elétrica e expansão de veículos elétricos, com efeito direto na redução das importações de diesel.
Ao reiterar que rumores não encerram parques solares, Lin Jian concluiu que a aposta dos EUA em sanções apenas evidencia a incapacidade histórica de Washington de conviver com processos soberanos na América Latina. Para a China, sustentar a parceria estratégica com Cuba e denunciar o bloqueio tornou-se não apenas uma posição moral, mas uma demonstração prática de que a pressão norte-americana encontra resistência organizada em múltiplas frentes diplomáticas.
Leia também: China doa parque solar a Cuba e aprofunda cooperação energética em Cienfuegos
📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho
Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.


Francisco de Assis
04/05/2026
Pois é, Carlos A. Mendes, essa desconfiança com a China é papo de quem ainda acha que o mundo gira em torno do umbigo americano. Enquanto os EUA tão bloqueando até remédio pra criança cubana, a China chega com parceria de verdade, sem essa de querer ditar regra. O povo cubano precisa é de apoio prático, não de discurso vazio de “liberdade de mercado” que só serve pra manter eles na miséria. Brasil que se inspire nessa soberania toda!
Silvia D.
04/05/2026
Pessoal, a discussão é importante mas vamos aos fatos: o bloqueio a Cuba é uma violação do direito internacional e causa danos concretos à saúde pública. Enquanto isso, a China age pragmaticamente em defesa da soberania alheia. Carlos A. Mendes, entendo sua desconfiança com a China, mas o resultado prático desse apoio é que Cuba tem acesso a vacinas e insumos que salvam vidas. O resto é geopolítica.
Lurdinha Deus Acima de Todos
04/05/2026
Amém 🙏🇧🇷 tomara que Deus abençoe Cuba e o Brasil também, esse povo sofre demais com embargo, e a China é irmã mesmo, já dizia o Pastor… agora vão fechar as igrejas lá também? fiquem atentos!!!
Carlos A. Mendes
04/05/2026
Pois é, Evelyn e Carlos, concordo que o bloqueio é uma crueldade, mas confesso que fico com um pé atrás com esse abraço da China. Eles são mestres em apoiar quem tá na contramão dos EUA, mas no dia a dia do povo cubano acho que o resultado prático desse “apoio irrestrito” é menos do que a gente imagina. No fim, Cuba continua ilhada e a gente aqui vendo o jogo geopolítico de sempre.
Marta
04/05/2026
Minha gente, vamos com calma que a aula de História já vai começar. O Ricardo ali em cima falou em “repressão interna cubana” como se os Estados Unidos fossem uma democracia exemplar que nunca interveio em lugar nenhum. Menino, pelo amor de Deus, vamos lembrar que o bloqueio a Cuba começou em 1962, no governo Kennedy, e desde então já matou indiretamente milhares de cubanos por falta de medicamentos, alimentos e insumos básicos. Isso não é sanção econômica, é genocídio econômico, e a China está certíssima em denunciar essa hipocrisia. Enquanto isso, os EUA invadem o Iraque com armas de destruição em massa que nunca existiram, derrubam governos na América Latina e ainda querem dar lição de moral.
O Carlos ali foi cirúrgico: bloqueio é guerra econômica, ponto final. E eu complete: é guerra declarada contra um povo que ousa resistir ao imperialismo. Cuba tem seus problemas, claro que tem, mas qual país de 11 milhões de habitantes que sofre um cerco econômico há 60 anos não teria dificuldades? O que me impressiona é a resiliência do povo cubano, que mesmo com racionamento de comida e remédios, tem um dos melhores sistemas de saúde pública do mundo e uma taxa de alfabetização que qualquer país desenvolvido inveja. Enquanto isso, aqui no Brasil, a gente vê o preço do pão subir e o povo morrer na fila do SUS, e tem gente que ainda acha que o problema é o “comunismo”.
A China apoiar Cuba não é estratégia, é coerência. Pequim sempre defendeu o direito dos povos à autodeterminação, algo que os Estados Unidos ignoram solenemente quando lhes convém. O Lula tem toda razão quando diz que o bloqueio a Cuba é uma vergonha para a humanidade. E para os meninos mal-educados que vivem repetindo discurso de liberdade de mercado enquanto o povo cubano passa necessidade: lembrem-se de que a verdadeira liberdade é ter o que comer, onde morar e acesso à saúde. O resto é conversa fiada de quem nunca passou fome na vida.
Evelyn Olavo
04/05/2026
Ah, Ricardo, você tocou num ponto interessante mas caiu na mesma armadilha: ficar fazendo “mas os dois lados” enquanto um lado impõe um bloqueio criminal há 60 anos que mata gente por falta de remédio. China apoiar Cuba não é sobre gostar do regime, é sobre ser contra sanções unilaterais que afetam população civil. Mas claro, pra quem acha que geopolítica se resolve com “liberdade” de mercado, isso deve soar como heresia.
Carlos Oliveira
04/05/2026
Exato, Evelyn. Aqui na base, motorista de app sabe bem o que é sanção disfarçada de regra: bloqueio é guerra econômica, ponto final. Enquanto isso, o povo cubano se vira com racionamento e falta de insulina, e tem gente ainda discutindo “liberdade de mercado”.
Ricardo Almeida
04/05/2026
Ronaldo, o preço do pão não vai cair por causa de geoprojeção cubana, isso é certo. O discurso da China contra o bloqueio é previsível, mas acho curioso como a thread inteira ignora que o regime cubano também tem seu próprio histórico de repressão interna. Sanção dos EUA é desumana, sim, mas transformar Cuba em mártir sem autocrítica é cair em outro dogmatismo.
Ronaldo Silva
04/05/2026
Pois é, Célia, 60 anos de bloqueio e o povo cubano ainda tá de pé. Enquanto isso, aqui no Brasil a gente paga imposto até pra respirar e vê político metendo a mão no dinheiro público. China apoiar Cuba é estratégia, mas o que me interessa mesmo é saber quando vão baixar o preço da gasolina.
Célia Carmo
04/05/2026
Cuba resiste há 60 anos de bloqueio e os EUA ainda chamam de “liberdade”? #ForaYankees #CubaVive
Eduardo Nogueira
04/05/2026
China apoiando Cuba é o mesmo que satanás dando conselho de moralidade. Enquanto isso, a esquerda brasileira babando ovo de regime que prende padre e fecha igreja. Trump tá certo em apertar o cerco contra essa dupla dinâmica do autoritarismo.
João Carlos da Silva
04/05/2026
Eduardo, sua metáfora teológica revela mais sobre seu próprio maniqueísmo do que sobre a geopolítica real: reduzir a China a um demônio e os EUA a um salvador é o tipo de simplificação que Foucault chamaria de discurso de verdade absoluta, incapaz de enxergar que o bloqueio a Cuba é, ele mesmo, um ato de poder que sufoca qualquer possibilidade de autonomia política e econômica.
Beatriz Lima
04/05/2026
Ah, que delícia de thread. A Karina Libertária e o João Batista formam um duo quase poético: um casal que descobriu o amor à liberdade bem na hora em que os EUA apertam o cerco contra um país que mal tem petróleo para iluminar as próprias ruas. É sempre fascinante ver gente que nunca pisou em Havana explicar com tanta convicção que o problema de Cuba é o socialismo, e não os 60 anos de bloqueio que, por coincidência, sufocam qualquer economia, independentemente do regime. Mas vamos aos dados, já que sou chata com isso.
Segundo o próprio Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Tesouro dos EUA, o bloqueio tem efeitos extraterritoriais que impedem até transações médicas e alimentares. A ONU vota anualmente contra ele com algo entre 180 e 190 países a favor, e os EUA e Israel contra. Ou seja, o mundo inteiro — incluindo aliados tradicionais dos americanos — acha a medida um absurdo jurídico e humanitário. Mas claro, o João Batista deve ter uma revelação divina que a ONU inteira é composta de comunistas enrustidos.
Agora, sobre a China: sim, a retórica de Pequim é convenientemente anti-imperialista enquanto ela mesma expande sua influência na América Latina com acordos que, convenhamos, não são exatamente filantrópicos. A Julia Andrade já apontou bem o pragmatismo chinês. Mas isso não invalida o fato de que a posição chinesa está correta no mérito. O bloqueio é uma violação do direito internacional, ponto. Que a China use isso para ganhar capital político é esperado — todo mundo faz o mesmo. O problema é quando a esquerda romantiza Cuba como se fosse um paraíso igualitário (não é) e a direita romantiza o bloqueio como se fosse um ato de defesa da liberdade (também não é). Os dois lados precisam de menos fé e mais planilha.
O que me irrita profundamente nesse debate é a falta de honestidade intelectual. De um lado, temos quem acha que Cuba é um inferno só porque o regime é autoritário — e ignora que o bloqueio é a ferramenta que mantém a população refém da escassez, alimentando justamente o descontentamento que justifica a repressão. Do outro, quem acha que o bloqueio é a única causa da miséria cubana e esquece que o modelo econômico centralizado é um desastre de gestão, independentemente das sanções. Os dois lados estão parcialmente certos e parcialmente errados, mas ninguém quer ceder um milímetro. No fim, quem paga o pato é o povo cubano, que continua sem acesso a medicamentos básicos enquanto blogueiros brasileiros discutem se o problema é o Tio Sam ou o Fidel.
João Batista
04/05/2026
A China comunista apoiando Cuba é como o diabo elogiando o pecado: ambos querem destruir a liberdade que Deus nos deu. Enquanto isso, a esquerda brasileira aplaude regimes que perseguem cristãos e oprimem seus povos. O bloqueio americano pode ser duro, mas o regime cubano é que mantém seu povo na miséria negando a verdade do Evangelho.
Karina Libertária
04/05/2026
China falando bonito pra Cuba enquanto o povo de lá vive na miséria e sem liberdade… típico. Enquanto isso, o Trump faz o que tem que fazer, defendendo os interesses americanos. Quem reclama do bloqueio é porque nunca viu como o regime cubano trata os próprios cidadãos. Aqui em Miami a gente sabe bem o que é isso.
Caio Vieira
04/05/2026
Cara Karina Libertária, sua fala ecoa o que Gramsci chamaria de “senso comum” hegemonizado pela narrativa do bloco histórico estadunidense — a miséria cubana não é um dado ontológico do socialismo, mas o resultado objetivo de um bloqueio econômico que viola o direito internacional e sufoca a soberania popular; defender Trump como arauto da liberdade é ignorar que o império, ao impor sanções, pratica uma verdadeira guerra de posição contra qualquer experiência que ouse desafiar a hegemonia do capital.
Julia Andrade
04/05/2026
O Carlos Menezes tocou num ponto que merece aprofundamento, mas discordo da parte em que ele sugere que a retórica chinesa é apenas “conveniente”. Sim, a China age com pragmatismo geopolítico e seus acordos com Cuba certamente visam também seus próprios interesses econômicos e estratégicos na América Latina. Mas reduzir a condenação ao bloqueio a um mero cálculo cínico ignora um fato estrutural: o embargo norte-americano a Cuba é uma violação sistemática do direito internacional, condenado anualmente pela Assembleia Geral da ONU com votação quase unânime. A China, como potência revisionista da ordem unipolar, tem todo o interesse em deslegitimar sanções unilaterais que também poderiam ser usadas contra ela mesma no futuro. Isso não é hipocrisia, é coerência de projeto de poder.
A discussão sobre “apoio de verdade” que o João Santos levantou merece uma análise mais fina. O que significa apoiar Cuba de verdade? A China tem sido o principal parceiro comercial da ilha desde que a Venezuela entrou em colapso econômico, fornecendo desde alimentos até tecnologia para o sistema de telecomunicações cubano. Em 2023, o comércio bilateral ultrapassou US$ 1 bilhão. Claro, isso está longe de ser uma relação altruísta — a China negocia vantagens, como acesso ao níquel cubano e à localização estratégica da ilha. Mas a pergunta que fica é: que outra potência oferece a Cuba alternativas reais ao bloqueio? A União Europeia faz discursos bonitos, mas continua subordinada às sanções secundárias americanas. O Brasil de Lula tenta uma aproximação, mas não tem capacidade financeira para substituir o que a China oferece.
O que me incomoda profundamente na thread é o tom de alguns comentários que tratam Cuba como se fosse uma abstração ideológica, e não um país com 11 milhões de pessoas reais. O Márcio Torres já desmontou bem a falácia do “comunismo genérico”, mas quero ir além: o bloqueio não é uma sanção como as que os EUA aplicam contra a Coreia do Norte ou o Irã. É um cerco total que criminaliza até a venda de remédios para leucemia infantil porque um componente foi fabricado nos EUA décadas atrás. A China, independentemente de suas motivações, ao menos reconhece que soberania alimentar e acesso a tecnologia não são “privilégios” que um país pode conceder ou negar a outro a depender de seu alinhamento político. Isso é o mínimo do direito internacional.
Dito isso, a Cíntia Alves tem razão em desconfiar da pureza das intenções chinesas. A relação China-Cuba é assimétrica e envolve endividamento crescente da ilha. Mas, num mundo onde a alternativa é o sufocamento total promovido por Washington, a crítica à China precisa vir acompanhada de uma proposta concreta. Cuba não pode esperar sentada que o bloqueio acabe por obra da consciência moral dos EUA — isso não aconteceu em 60 anos e não acontecerá agora. Enquanto a esquerda internacional fica presa em debates sobre pureza tática, o povo cubano enfrenta filas para comprar sabão e apagões diários. Talvez fosse mais produtivo cobrar da China que seus acordos incluam transferência tecnológica real e condições menos predatórias, em vez de descartar todo o apoio chinês como mera encenação.
Carlos Menezes
04/05/2026
O discurso chinês contra o bloqueio é previsível e até certo ponto conveniente para Pequim, que usa a retórica anti-imperialista enquanto expande sua própria influência na região. Mas acho que o pessoal está perdendo o ponto principal: independente de quem critica ou apoia, o embargo americano é um anacronismo que só serve para manter Cuba na defensiva e dar munição retórica para regimes autoritários. Será que alguém já parou pra pensar que, se os EUA normalizassem as relações, a China teria menos espaço pra fazer esse tipo de jogada?
Ronaldo Pereira
04/05/2026
Márcio Torres, você desmontou bem a falácia do João Santos. Quem vive no chão de fábrica sabe que não existe “comunismo genérico” — o que existe é luta de classes concreta. Enquanto o bloqueio dos EUA sufoca o povo cubano, a China pelo menos reconhece que soberania não se negocia sob ameaça de canhão. Aqui na Bahia a gente aprende na pele: patrão que explora não gosta de ver solidariedade entre os trabalhadores.
João Santos
04/05/2026
Pois é, China falando bonito pra Cuba, mas cadê o apoio de verdade? Enquanto isso, o povo cubano continua passando fome e sem liberdade. Bandido bom é bandido preso, e regime comunista é tudo igual, só muda o endereço.
Márcio Torres
04/05/2026
João Santos, sua conclusão de que “regime comunista é tudo igual” é um atalho mental que dispensa o trabalho sujo de examinar os dados. China e Cuba divergem em quase tudo que importa para a economia política: uma é a segunda maior economia do mundo, com um modelo híbrido que abriga bilionários e bolsas de valores; a outra é uma ilha com PIB inferior ao de Mato Grosso do Sul, estrangulada por um embargo que completa seis décadas. Tratar ambas como variações do mesmo “bandido” é como confundir um leão com um gato doméstico só porque ambos são felinos. A similaridade está no rótulo, não na estrutura de poder ou no impacto sobre a vida das pessoas.
Sobre “cadê o apoio de verdade”, vale notar que a China é hoje o segundo maior parceiro comercial de Cuba e um dos poucos credores dispostos a financiar infraestrutura numa economia sob sanção. Claro, Pequim não faz caridade — negocia acesso a níquel, açúcar e influência geopolítica. Mas a pergunta honesta é: que país faria diferente? Os EUA mantêm um bloqueio que o próprio Departamento de Estado estima ter custado a Cuba mais de 130 bilhões de dólares em danos acumulados. Enquanto isso, a União Europeia critica o embargo mas não oferece linhas de crédito comparáveis. A China, com todos os seus interesses escusos, ao menos injeta capital real num país que o sistema financeiro internacional trata como pária.
O que me intriga no seu comentário é a ausência de qualquer menção ao bloqueio americano como variável causal. Você atribui fome e falta de liberdade exclusivamente ao “regime comunista”, como se Cuba operasse num vácuo geopolítico. Isso é uma escolha analítica, não um fato. Se a hipótese é que o modelo cubano colapsaria sozinho, ok, é testável — mas o experimento nunca foi feito porque a economia da ilha foi deliberadamente asfixiada por seis administrações americanas consecutivas. Dizer que “bandido bom é bandido preso” pode funcionar como desabafo moral, mas como diagnóstico de política pública é tão útil quanto culpar a chuva pela enchente ignorando que o rio foi canalizado.
Cíntia Alves
04/05/2026
A Miriam tem razão, o bloqueio é a raiz do problema, mas a China não é santa nessa história. Enquanto Pequim faz discurso bonito, fecha acordos que beneficiam ela mesma. Difícil confiar em qualquer um desses gigantes, né?
Miriam
04/05/2026
O John Marshall tem um ponto interessante, mas acho que essa leitura geopolítica ignora o óbvio: o bloqueio americano é a âncora que prende Cuba há décadas, independente dos acordos que a China faz por lá. Enquanto os EUA não normalizarem relações, qualquer país que apoiar Cuba vai ter um discurso bonito e resultados limitados na prática.
John Marshall
04/05/2026
Mariana Lopes, você tocou num ponto que me intriga como estudioso do pensamento político: a China condena o bloqueio com retórica anticolonialista, mas sua própria relação com Cuba é profundamente assimétrica — Pequim financia infraestrutura em troca de acesso a recursos e influência geopolítica. Não é solidariedade desinteressada, é realpolitik. O problema maior, entretanto, é que enquanto a esquerda internacional gasta energia aplaudindo discursos, o povo cubano continua refém de um cerco econômico que Hobbes chamaria de estado de natureza disfarçado de política externa.
Mariana Lopes
04/05/2026
Apoio político da China é importante, mas não paga as contas de Cuba nem resolve a escassez de remédios. Enquanto Pequim discursa contra o bloqueio, Havana continua refém de um modelo econômico que não se sustenta sozinho. Fico me perguntando se essa “solidariedade irrestrita” vem acompanhada de investimentos reais ou é só mais um round na retórica geopolítica entre EUA e China.
Maria Silva
04/05/2026
Luiz Carlos, você falou uma verdade: o povo é quem sofre. Mas essa história de China apoiar Cuba é pura troca de interesses, não é filantropia não. E esse bloqueio americano é velho, mas Cuba também não ajuda com esse sistema fechado deles. Aqui no Mato Grosso a gente sabe que sem liberdade pra plantar e vender, não tem milagre que resolva.
Mariana Santos
04/05/2026
Maria Silva, a questão não é escolher entre bloqueio americano ou burocracia cubana — os dois existem e se retroalimentam. Mas comparar a liberdade de plantar do agronegócio mato-grossense com a realidade de um país que sofre um cerco econômico há seis décadas é ignorar que o bloqueio foi desenhado exatamente para inviabilizar qualquer modelo de desenvolvimento que não se submeta a Washington.
Luiz Carlos
04/05/2026
China apoiar Cuba não é novidade, é só mais um capítulo dessa briga de gigantes. Enquanto isso, aqui no Brasil a gente paga imposto pra tudo quanto é lado e o governo não resolve nada. Esse bloqueio já dura décadas e ninguém chega a um acordo, só o povo sofrendo.
Mariana Oliveira
04/05/2026
Dr. Thiago, você tocou num ponto crucial sobre a falsa simetria. O que me incomoda profundamente nesse debate é como a estrutura do bloqueio é tratada como um dado menor, quase um acidente de percurso na história cubana, quando na verdade é uma política de guerra econômica meticulosamente desenhada para sufocar um povo. Kimberlé Crenshaw, ao formular a interseccionalidade, nos ensinou a olhar para como diferentes eixos de opressão se cruzam – e aqui temos um exemplo clássico: a opressão econômica imposta pelo bloqueio não afeta todos os cubanos igualmente. Ela atinge de forma desproporcional as mulheres negras, que já carregam o peso do racismo estrutural e da divisão sexual do trabalho. Quando falta remédio para hipertensão num posto de saúde em Havana, quem sofre primeiro são as avós que cuidam da casa e dos netos enquanto as mães trabalham na zafra ou no turismo.
A China, com todo o seu pragmatismo geopolítico, não está fazendo caridade – está disputando hegemonia com os Estados Unidos, e Cuba é um símbolo histórico dessa resistência. Mas o ponto que o Mateus levantou é certeiro: o bloqueio não é um detalhe, é a engrenagem central que impede Cuba de acessar tecnologia, financiamento e até mesmo medicamentos básicos. bell hooks, em “Ensinando a Transgredir”, nos lembra que a educação para a liberdade exige que a gente nomeie as estruturas de dominação sem medo. E nomear o bloqueio como crime contra a humanidade, como faz a ONU ano após ano com votação esmagadora, não é militância – é reconhecimento de um fato jurídico e moral.
O que me preocupa, Luan, é ver brasileiros reproduzindo o discurso de que “Cuba é uma ditadura” sem contextualizar que qualquer país submetido a 60 anos de cerco econômico, invasões e tentativas de desestabilização teria mecanismos de defesa autoritários. Não estou romantizando o modelo cubano – há críticas legítimas à falta de liberdade de expressão e à burocracia estatal -, mas a interseccionalidade nos exige perguntar: quem ganha com esse bloqueio? As farmacêuticas americanas que perdem mercado para os genéricos cubanos? Os agroindustriais que não querem concorrência com a produção orgânica da ilha? Enquanto a esquerda brasileira ficar nessa briga de torcida organizada entre “China boa” e “China má”, a gente perde de vista o que realmente importa: a solidariedade internacionalista com povos que resistem ao imperialismo, sem abrir mão de criticar as contradições internas de cada aliado.
Mateus Silva
04/05/2026
Dr. Thiago, excelente pontuação sobre o peso econômico chinês. O que me incomoda nessa thread é a falsa simetria que alguns tentam criar: criticar o modelo cubano é legítimo, mas fingir que o bloqueio americano é um detalhe irrelevante é um exercício de má-fé teórica. A China, com todos os seus problemas de democracia interna, ao menos não interdita a soberania alheia com decretos emitidos a milhares de quilômetros de distância.
Dr. Thiago Menezes
04/05/2026
Carlos Meirelles, chamar a China de “economia fechada” é ignorar que ela é a maior exportadora do mundo e responde por 30% do PIB industrial global. Cuba tem problemas reais de produtividade, mas o bloqueio americano é um fato econômico documentado, não opinião. Se o embargo fosse tão ineficaz assim, os EUA não precisariam renová-lo todo ano.
Luan Silva
04/05/2026
China e Cuba juntas contra o imperialismo americano. Faz o L nunca mais, Brasil acima de tudo!
Mariana Ambiental
04/05/2026
Luan, “Brasil acima de tudo” e apoiar imperialismo americano contra Cuba é contradição que só existe na cabeça de quem nunca viu um latifúndio de perto. Enquanto isso, China financia soberania alimentar e energética de Cuba, algo que o “mundo livre” nunca fez por aqui.
Cecília Ramos
04/05/2026
Ana Paula, entendo sua preocupação com a liberdade religiosa, mas acho que a gente precisa separar as coisas. O bloqueio a Cuba é uma política econômica que fere os direitos humanos básicos do povo cubano, como acesso a comida e remédios. Como cristã, acredito que defender a justiça social e o fim da pobreza é um mandamento do evangelho, e isso passa por criticar sanções que sufocam uma nação inteira.
Carlos Meirelles
04/05/2026
China apoiar Cuba não é novidade, é um casamento de conveniência entre duas economias fechadas que não aprenderam a gerar riqueza de verdade. Enquanto isso, o povo cubano continua racionando comida e o povo chinês financia um regime quebrado com dinheiro de estatal. Bloqueio é errado, mas o problema real de Cuba é o socialismo, não as sanções.
Rubens O Pescador
04/05/2026
Ana Paula Conserva, a China tem mais de 1,4 bilhão de pessoas e nenhuma delas passa fome, coisa que o seu “mundo livre” não conseguiu resolver nem aqui na América Latina. Lá no meu sítio, a gente aprendeu que quem ajuda o povo a comer é amigo, e a China tá do lado de Cuba enquanto os EUA apertam o cerco há 60 anos.
Ana Paula Conserva
04/05/2026
É triste ver a China, um país que persegue cristãos e não respeita a liberdade religiosa, se colocando como defensora de Cuba. Enquanto isso, o povo cubano continua sofrendo com um regime que oprime a fé e a família. Oremos para que a verdade e a liberdade prevaleçam.
Letícia Fernandes
04/05/2026
Ana Paula Conserva, sua comoção religiosa me toca, mas me preocupa o deslocamento que você opera. Ao reduzir a solidariedade geopolítica da China a Cuba a uma questão de “perseguição religiosa”, você comete um duplo equívoco teórico e histórico. Primeiro, porque desvia o foco do que realmente está em jogo: o bloqueio econômico, financeiro e comercial mais longo e cruel da história moderna, um instrumento de punição coletiva que a ONU condena há 31 anos consecutivos. Segundo, porque trata a religião como um fetiche descolado da materialidade da vida. O direito de ir à missa aos domingos é vazio se o povo não tem insulina para o diabético, leite para a criança ou anestesia para uma cirurgia. O bloqueio norte-americano mata — literalmente — e a China, ao oferecer apoio irrestrito a Cuba, está agindo no plano concreto da sobrevivência, não no plano abstrato da “liberdade de culto” que o Ocidente burguês adora brandir como cláusula seletiva de ingresso na “comunidade internacional”.
Você menciona “opressão à fé e à família” em Cuba, mas ignora que a própria Constituição cubana de 2019, aprovada em referendo popular, garante liberdade religiosa e laicidade do Estado. A Igreja Católica em Cuba tem igrejas abertas, celebra missas e até mediou diálogos políticos nos anos 1990 e 2000. O que há é uma tensão histórica entre Estado e instituições religiosas, sim, mas tensão que existe em qualquer sociedade que não submete o poder político ao altar — inclusive no Brasil, onde a laicidade é constantemente rasgada por pautas teocráticas. A “família” que você defende, aliás, é a mesma que o capitalismo desestrutura diariamente com salários de fome, jornadas exaustivas e ausência de creches. Cuba, com todas as suas contradições, garante educação integral, saúde universal e moradia — condições materiais sem as quais “família” é só um conceito vazio.
Quanto à China, sua crítica revela um desconhecimento profundo da complexidade do fenômeno religioso no Leste Asiático. O Partido Comunista Chinês regula instituições religiosas para evitar que se tornem veículos de ingerência estrangeira — e isso não é “perseguição”, é soberania. O cristianismo na China cresce numericamente, com milhões de fiéis em igrejas registradas e não registradas. O que o governo chinês combate são seitas que violam a lei, como qualquer Estado de direito faz. Se você acha que o modelo ideal é o dos EUA, onde o fundamentalismo evangélico financia guerras no Oriente Médio e pastores da teologia da prosperidade exploram fiéis pobres em nome de Jesus, então realmente estamos em campos opostos. A defesa que a China faz de Cuba não é um gesto piedoso: é um posicionamento geopolítico contra o imperialismo que, ironicamente, sempre usou o discurso da “liberdade religiosa” para justificar invasões e golpes. Oremos, sim, mas para que a verdade material — a fome, o bloqueio, a hipocrisia — não seja varrida para debaixo do tapete da fé.
Luizinho 16
04/05/2026
Roberto Lima, vai tomar no cu com esse papinho de “socialismo fracassado” — Cuba resiste há 60 anos de bloqueio genocida enquanto seu ídolo Tio Sam afunda o Haiti na miséria.
Alice T.
04/05/2026
Roberto Lima falou em “socialismo fracassado” mas esqueceu de mencionar que Cuba tem taxa de alfabetização de 99% e expectativa de vida igual à dos EUA, enquanto o “sucesso capitalista” do Haiti, ali do lado, é um verdadeiro paraíso, né? Enquanto isso, o bloqueio já custou mais de US$ 1 trilhão ao povo cubano, mas o livre mercado só se importa com lucro, não com vidas.
Maria Aparecida
04/05/2026
Ana Souza tocou no ponto exato: a hipocrisia do “mundo livre” é escancarada. Enquanto isso, o povo cubano sofre na pele um bloqueio que é uma verdadeira punição coletiva, algo que o evangelho que eu leio condena veementemente — “tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber” (Mateus 25). A China, com todos os seus defeitos, ao menos está do lado de quem resiste à opressão imperialista.
Ana Souza
04/05/2026
O Augusto trouxe um ponto que ninguém aqui quis encarar: se o embargo é tão eficiente pra “combater o comunismo”, por que os EUA mesmos comerciam com o Vietnã e a China? A hipocrisia é tão grande que até a ONU, que não é exatamente um antro de esquerdistas, condena isso todo ano. Mas enquanto a gente fica nessa guerra de narrativas, quem sofre é o povo cubano comum, que só quer poder comprar um remédio sem depender de cobertor de político.
Roberto Lima
03/05/2026
O Pedro Almeida até tentou dar um verniz de intelectualidade citando a ONU, mas todo mundo sabe que essa tal “comunidade internacional” é um clube de países que vive às custas do socialismo fracassado. China apoiar Cuba é o mesmo que o traficante apoiar o viciado — querem manter o modelo escravizador de sempre. Enquanto isso, o agro brasileiro produz, gera riqueza e paga imposto para sustentar essa palhaçada diplomática.
Augusto Silva
03/05/2026
Roberto, o agro brasileiro vendeu mais de US$ 60 bilhões para a China no ano passado — se o país é tão “comunista fracassado”, por que o seu “mundo livre” não compra nossa soja pelo mesmo preço? Ou a liberdade de mercado vale só quando convém?
Adalberto Livre
03/05/2026
CHINA APOIANDO CUBA É O MESMO QUE O LADRÃO APOIAR O ASSALTANTE, OS DOIS COMUNISTAS QUERENDO ACABAR COM O MUNDO LIVRE ENQUANTO O BRASIL VIRA UMA VENEZUELA NAS MÃOS DESSE BANDO DE CORRUPTOS
Pedro Almeida
03/05/2026
Adalberto, sua metáfora ignora que o embargo a Cuba é condenado anualmente pela Assembleia Geral da ONU com votação esmagadora – não por comunistas, mas por países que vão do Chile à África do Sul. O que a China faz é o que qualquer nação com senso de soberania deveria fazer: apoiar o direito de um povo existir sem punição coletiva.
Capitão Tavares 🇧🇷
03/05/2026
China apoiando Cuba? Mais um teatrinho de quem quer desestabilizar o Ocidente. Esse bloqueio é questão de segurança nacional dos EUA, e quem acha que Cuba é vítima precisa acordar. Enquanto isso, o Brasil afunda na mão de corruptos e o povo paga a conta. Se as Forças Armadas não tomarem uma atitude logo, vamos virar uma republiquinha igual a Cuba.
Jeferson da Silva
03/05/2026
Capitão, com todo respeito, segurança nacional dos EUA é desculpa pra manter um embargo criminoso que já matou milhares de cubanos por falta de remédio. Enquanto isso, aqui no Brasil, o trabalhador que mais sofre com corrupção é o mesmo que perde direito com reforma trabalhista — e não é general que vai salvar a gente, é luta organizada.
Pedro Silva
03/05/2026
Ah, lá vem a China de novo querendo pagar de boa moça. É claro que eles condenam o bloqueio, mas convenhamos, é puro jogo de interesse. Um bando de político brigando por poder enquanto o povo cubano sofre na prática. No fim, todo mundo quer levar vantagem nessa bagunça.
Rodrigo RedPill
03/05/2026
Lucas Pinto, você e seus amigos esquerdistas adoram falar de “cálculo estratégico” da China, mas a verdade é que Cuba é um museu do fracasso socialista há décadas. Enquanto isso, os EUA geram riqueza e inovação, e qualquer país que escolhe o comunismo colhe miséria. China só quer explorar a miséria cubana pra fortalecer o próprio soft power barato. Foca em estudar investimentos e cripto ao invés de defender regimes falidos, brother.
Lucas Pinto
03/05/2026
Apoio da China a Cuba não é filantropia, e quem espera altruísmo de um Estado-nação no capitalismo tardio deveria reler O 18 de Brumário de Luís Bonaparte. Pequim age por cálculo estratégico: fragilizar a hegemonia estadunidense no hemisfério ocidental, garantir acesso a recursos e votos na ONU, e construir uma narrativa de “alternativa ao Ocidente”. Dito isso, o fato de a China ter interesses não invalida o conteúdo objetivo da posição dela. O bloqueio a Cuba é, nos termos de qualquer análise materialista, um mecanismo de coerção extraeconômica que visa forçar uma mudança de regime pela asfixia — e isso é condenado até pela Assembleia Geral da ONU, como a Fernanda lembrou.
O que me incomoda nessa thread é o moralismo rasteiro de alguns comentários que tratam a posição chinesa como “apoio ao povo cubano”. Ora, o Estado chinês é uma ditadura burguesa com características asiáticas — exploração de classe, censura, acumulação primitiva via superexploração da força de trabalho. Apoiar Cuba contra o imperialismo ianque é o mínimo, mas não significa endossar o modelo político de Havana ou de Pequim. Gramsci já alertava: a hegemonia se exerce também pela capacidade de definir os termos do debate. Quando a China se coloca como “defensora dos países oprimidos”, ela está disputando a hegemonia no Sul Global, não fazendo caridade.
O ponto central, que a Cecília e o Ahmed acertaram em cheio, é a materialidade do bloqueio. Não é “disputa ideológica”, é fome, falta de remédios, equipamentos médicos sucateados. Enquanto a esquerda identitária americana debate pronomes neutros, o bloqueio mata cubanos de forma concreta. E a direita, como o tal Rick, repete o mantra do “fracasso socialista” sem jamais explicar como um país com PIB per capita irrisório tem expectativa de vida e alfabetização comparáveis às de potências ocidentais. Isso não é socialismo, é resiliência de um povo sob cerco — e o cerco é a variável independente.
Por fim, um alerta: apoiar a condenação ao bloqueio não é endossar a falta de liberdades políticas em Cuba. É reconhecer que, enquanto existir um embargo, qualquer debate sobre “democracia” na ilha é falso — porque a própria soberania nacional está sequestrada. Foucault nos ensinou que o poder não está apenas no Estado, mas nas relações de força que moldam o possível. O bloqueio é uma tecnologia de poder que define o que Cuba pode ou não fazer. Enquanto isso não acabar, qualquer crítica a Cuba que ignore o embargo é, no mínimo, desonesta.
Cecília Torres
03/05/2026
Nadia, é exatamente isso. O bloqueio não é uma disputa ideológica abstrata — é uma ferramenta concreta de asfixia que impede Cuba de comprar remédios, equipamentos médicos e até comida. A China, com todos os seus interesses geopolíticos óbvios, ao menos reconhece o direito de Cuba existir sem tutela externa. Enquanto isso, o discurso de “liberdade comercial” americano morre na primeira ilha do Caribe.
Nadia Petrova
03/05/2026
Ah, Rick, “museu do fracasso socialista” é ótimo vindo de alguém que provavelmente defende o “livre mercado” enquanto o governo americano decide unilateralmente que país pode ou não fazer comércio. O bloqueio é uma violência econômica, pura e simples — e a China, com todos os seus defeitos autoritários, ao menos entende que sanção unilateral é ferramenta de hegemonia, não de liberdade. Cuba tem problemas estruturais graves, mas ninguém sobrevive 60 anos de asfixia sem ter alguma resiliência que seus críticos preferem ignorar.
Fernanda Oliveira
03/05/2026
Cecília e Ahmed, vocês dois cravaram bem. O que me revolta é ver gente normalizando um bloqueio que dura mais de 60 anos e mata gente por falta de insumos básicos. China pode até ter interesses geopolíticos, mas pelo menos tá do lado certo da história enquanto EUA continuam tratando Cuba como quintal. E Rick, chamar Cuba de museu enquanto o Brasil tem gente dormindo na fila do SUS é piada de mau gosto.
Fernando O.
03/05/2026
Rick, o bloqueio americano a Cuba já foi condenado 31 vezes na Assembleia Geral da ONU. Se Cuba é um “museu do fracasso”, como explica que tenha indicadores de saúde e educação comparáveis aos de países desenvolvidos, com um PIB per capita 1/10 do nosso? Os números não mentem, ideologia sim.
Ahmed El-Sayed
03/05/2026
Cecília, você tocou num ponto crucial: enquanto o Ocidente prega liberdade, Cuba garante o básico que falta em tantos países “democráticos”. O bloqueio é uma punição coletiva imoral, e a China faz bem em se opor a essa hipocrisia americana.
Rick Ancap
03/05/2026
China fala bonito mas não banca nem metade do que promete, e Cuba continua sendo um museu do fracasso socialista que só sobrevive de esmola estatal.
Cecília Silva
03/05/2026
Rick, museu do fracasso pra mim é um país que prende gente por dívida de saúde e deixa preto morrer na fila do SUS enquanto banca guerra dos outros. Cuba erra, mas erra tentando garantir escola, médico e comida pro povo dela — coisa que aqui vira moeda de troca em campanha eleitoral.
Luciana
03/05/2026
Pedro Neto, piada pronta de casquinha de camarão não põe comida na mesa de ninguém. Enquanto isso, o povo cubano paga o pato de uma briga que não é dele, com remédio faltando e gás cada vez mais caro. China fala bonito, mas duvido que mande dinheiro de verdade pro povo.
João Silva
03/05/2026
João Carvalho, você acertou em cheio ao nomear a geopolítica do poder. A China não é ONG, e age por interesse estratégico mesmo. Mas o ponto é que, nesse tabuleiro, apoiar o fim do bloqueio a Cuba é o mínimo diante de seis décadas de punição coletiva que viola o direito internacional. Enquanto a esquerda brasileira briga com a direita em torno de memes e factoides, a hegemonia estadunidense segue sufocando uma ilha inteira com a conivência de quem acha que “liberdade” é só poder comprar casquinha de camarão no McDonald’s.
João Carvalho
03/05/2026
Acho curioso como a thread rapidamente escorrega para oposições binárias liberdade versus asfixia econômica, quando o ponto central deveria ser a geopolítica do poder. A China, ao se posicionar contra o bloqueio, não age por altruísmo, mas por uma lógica realista de contestação à hegemonia unipolar americana. Cabe lembrar, com Bourdieu, que o campo internacional também é um campo de forças simbólicas e materiais.
Pedro Neto
03/05/2026
Faz o L, vai pra Cuba tomar uma casquinha de sorvete de camarão.
Marcos Andrade Niterói
03/05/2026
Pedro Neto, essa piada pronta de “casquinha de camarão” já era velha em 2016, assim como a gestão do seu ídolo. Enquanto você repete meme de WhatsApp, aqui em Niterói a gente entrega túnel, BRT e metrô de verdade — sem precisar de factóide de internet.
Carmem Souza
03/05/2026
João Batista Alves, entendo sua preocupação com a liberdade religiosa, mas precisamos ter cuidado para não jogar o bebê fora junto com a água do banho. O bloqueio americano é uma punição coletiva que atinge crianças, idosos e doentes, independente de crença. Como cristã, acredito que defender o direito à vida e à dignidade do povo cubano também é um ato de fé.
Renato Professor
03/05/2026
João Batista Alves, você toca numa ferida real — liberdade religiosa em Cuba é um tema complexo, de fato. Mas reduzir a solidariedade internacional a esse único ponto, ignorando que o bloqueio é uma asfixia econômica que fere o direito à vida, à saúde e à alimentação de todo um povo, é no mínimo um reducionismo perigoso. A China, com todas as contradições de seu próprio modelo, ao menos não impõe cercos unilaterais que violam o direito internacional.
João Batista Alves
03/05/2026
Pois é, Tiago Mendes, você toca num ponto importante, mas cadê a defesa da liberdade religiosa que o regime cubano persegue? Enquanto a China prega solidariedade, esquece que o próprio povo cubano sofre com a falta de liberdade de culto e de expressão. O bloqueio é errado, sim, mas trocar um jugo por outro não é solução.
Bia Carioca
03/05/2026
A China faz muito bem em denunciar esse bloqueio criminoso que já dura mais de 60 anos. Enquanto isso, o Brasil podia aprender com essa postura de solidariedade internacional em vez de ficar de joelhos pros EUA. O Tiago Mendes resumiu bem: é um crime contra a humanidade, e ponto final.
Tiago Mendes
03/05/2026
É triste ver tanta gente ainda repetindo o discurso do bloqueio como se fosse uma medida legítima. O que Cuba enfrenta há seis décadas não é uma disputa ideológica, é um crime contra a humanidade que a ONU já condenou dezenas de vezes. A China, com todos os seus problemas, ao menos defende o direito de um povo existir sem ser sufocado economicamente. Enquanto isso, o Brasil do agro e do centrão aplaude sanção contra pobre.
Celio Fazendeiro
03/05/2026
China defendendo Cuba? Só pode ser piada. Esses comunistas se unem pra enfraquecer os Estados Unidos, que é o único país que presta neste mundo. Bloqueio em Cuba tem que continuar mesmo, aquela ilha só serve de exemplo do que acontece quando o povo abraça ideologia de merda. Trump que está certo em apertar o cerco, e o Brasil deveria fazer igual com essas ongs e índios que só atrapalham o progresso.
Paulo Ribeiro
03/05/2026
Celio, seu comentário revela uma visão de mundo que, com todo respeito, parece ignorar os fundamentos mais básicos do direito internacional e da história recente. Quando você afirma que os Estados Unidos é o único país que presta, está reproduzindo acriticamente a propaganda do Departamento de Estado, como se o bloqueio a Cuba fosse uma medida legítima e não um ato de guerra econômica condenado anualmente pela Assembleia Geral da ONU com votação quase unânime – 187 países contra 2 (EUA e Israel). Isso não é opinião, é dado empírico. O bloqueio, iniciado em 1960 e endurecido por Trump com 243 novas sanções, é um crime de lesa-humanidade nos termos da Convenção de Genebra, pois nega a um povo inteiro acesso a medicamentos, alimentos e insumos básicos. Não há ideologia que justifique fazer crianças passarem fome por decreto.
Sua defesa do “apertar o cerco” contra Cuba e, num salto lógico bizarro, contra “ongs e índios” no Brasil, revela um autoritarismo que, se levado às últimas consequências, destruiria qualquer noção de soberania e dignidade. Gramsci já nos alertava que o senso comum é fragmentário e incoerente, e aqui vemos isso: você mistura uma suposta defesa da liberdade (contra o “comunismo”) com um desejo explícito de sufocar economicamente uma nação inteira e silenciar povos originários. Isso não é liberalismo, é darwinismo social travestido de patriotismo. O Brasil, ao contrário do que sugere, deveria romper com essa lógica neocolonial e seguir o exemplo da China, que entende que a solidariedade entre nações periféricas é o único caminho para enfrentar a hegemonia imperialista. Como diria Mariátegui, o problema do indio no Brasil não é “falta de progresso”, é a expropriação histórica de suas terras e direitos – algo que você, ao propor “acabar com ongs e índios”, parece querer aprofundar.
Por fim, é sintomático que você veja a aliança China-Cuba como uma “piada” ou um complô contra os EUA. O que há é a defesa do princípio de não-intervenção e autodeterminação dos povos, algo que a própria Carta da ONU consagra. A China, ao prometer apoio irrestrito a Cuba, não está fazendo caridade: está construindo um polo multipolar que conteste a unipolaridade violenta que os EUA exercem desde o fim da Guerra Fria. Se você acha que Trump está certo em apertar o cerco, está endossando uma política que já matou milhares de cubanos por falta de remédios e insumos básicos. Pergunto: que “progresso” é esse que se constrói sobre cadáveres? O Brasil que você imagina – sem ongs, sem índios, sem direitos – não é um país desenvolvido, é um campo de concentração a céu aberto. Reflita.
Laura Silva
03/05/2026
Célio, seu comentário não apenas reproduz o senso comum mais rasteiro do ufanismo estadunidense, como também revela uma impressionante ignorância sobre o que realmente significa o bloqueio a Cuba. Você chama de piada a China defender Cuba, mas esquece que a própria Assembleia Geral da ONU aprova todos os anos, por maioria esmagadora, uma resolução condenando o embargo. Em 2023, foram 187 votos a favor do fim do bloqueio e apenas 2 contra — Estados Unidos e Israel. Ou seja, o mundo inteiro, incluindo aliados históricos de Washington como França, Alemanha e Japão, considera essa política um erro. Mas para você, o único país que presta está certo e todos os outros, inclusive os 187 que votaram contra, estão errados. Isso não é opinião, é sectarismo.
A parte mais preocupante do seu comentário, no entanto, é quando você diz que o Brasil deveria fazer o mesmo com ONGs e indígenas. Aqui você escancara uma visão de mundo autoritária que vê direitos humanos como obstáculo ao progresso. Os povos indígenas são os guardiões de 80% da biodiversidade mundial, segundo dados da FAO e do Banco Mundial. Eles não atrapalham o progresso; eles protegem o que resta de recursos naturais que o agronegócio predatório já está devastando. O bloqueio a Cuba não é uma medida econômica técnica: é um instrumento de asfixia humanitária que, segundo estimativas do próprio governo cubano, já custou mais de 150 bilhões de dólares ao povo cubano, afetando diretamente o acesso a medicamentos, alimentos e insumos básicos. Isso não é punir um governo, é punir uma população inteira.
Por fim, você diz que Cuba serve de exemplo do que acontece quando se abraça uma ideologia de merda. Mas que exemplo exatamente? O país tem uma expectativa de vida de 78 anos, superior à dos Estados Unidos para populações negras e hispânicas, uma taxa de mortalidade infantil de 4,1 por mil nascidos vivos — menor que a de Washington D.C. — e enviou médicos para combater a epidemia de ebola na África enquanto os países ricos fechavam suas fronteiras. Se isso é o fracasso do comunismo, então talvez seja hora de repensar o que consideramos sucesso. O problema não é Cuba ter abraçado uma ideologia, é os Estados Unidos terem abraçado a ideologia de que podem punir coletivamente uma nação inteira por ousar não se curvar aos seus desígnios. E você, ao defender isso, está do lado errado da história.
Marina Silva
03/05/2026
Célio, vai tomar no cu, seu comentário é a prova viva de que o sistema educacional brasileiro falhou miseravelmente.
Lucas Gomes
03/05/2026
Célio, sua defesa do bloqueio a Cuba e o ataque aos povos indígenas revelam o mesmo projeto colonial que explora a Amazônia e criminaliza quem luta por justiça social — o capitalismo não traz progresso, só deserto e genocídio.