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China doa parque solar a Cuba e aprofunda cooperação energética em Cienfuegos

59 Comentários🗣️🔥 Ilustração editorial sobre China doa parque solar a Cuba e aprofunda cooperação energética em Cienfuegos. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro) A cooperação energética entre China e Cuba ganhou novo impulso com a doação de um parque fotovoltaico instalado na província de Cienfuegos. A vice-ministra do Comércio Exterior de Cuba, Déborah Rivas Saavedra, anunciou […]

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Ilustração editorial sobre China doa parque solar a Cuba e aprofunda cooperação energética em Cienfuegos. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

A cooperação energética entre China e Cuba ganhou novo impulso com a doação de um parque fotovoltaico instalado na província de Cienfuegos.

A vice-ministra do Comércio Exterior de Cuba, Déborah Rivas Saavedra, anunciou o projeto e agradeceu publicamente à China pela contribuição ao esforço cubano de ampliar o uso de fontes renováveis. Em mensagem publicada na rede X, Rivas destacou que os novos parques solares incluem sistemas de armazenamento de energia e reforçam o compromisso do país em reduzir a dependência de combustíveis fósseis.

A iniciativa integra o programa nacional de transição energética da ilha, que busca diversificar sua matriz elétrica diante de um histórico de restrições ao acesso a combustíveis e insumos industriais. O embaixador da China em Havana, Hua Xin, também comentou o projeto e reafirmou o apoio de Pequim à modernização do setor energético cubano.

Segundo o diplomata, a cooperação entre os dois países continuará avançando em áreas estratégicas, com ênfase em energia limpa e infraestrutura. O projeto em Cienfuegos simboliza a continuidade de uma estratégia mais ampla de investimentos chineses voltados à modernização da infraestrutura elétrica cubana.

A doação reafirma o papel de Pequim como parceiro estratégico de Havana em um momento de pressão econômica crescente sobre a ilha. O gesto ocorre em meio a um endurecimento da postura de Washington em relação a Cuba.

O presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva declarando uma emergência nacional, alegando vínculos do governo de Havana com países considerados hostis e presença de capacidades militares russas e chinesas na ilha. Com base nessa declaração, Washington anunciou tarifas punitivas a países que exportem petróleo para Cuba e ameaçou represálias contra quem descumprir a ordem.

As autoridades cubanas rejeitaram as alegações e classificaram as medidas, em declaração oficial, como expressão de uma política de coerção que atenta contra a soberania da ilha. Trump voltou a elevar o tom ao afirmar que “uma grande mudança” estaria prestes a ocorrer em Cuba, insinuando o fim próximo do atual governo.

A retórica hostil se soma ao bloqueio econômico imposto há mais de seis décadas, que continua limitando o acesso de Cuba a combustíveis, crédito internacional e tecnologia. Diante desse cenário, Havana tem buscado alternativas por meio de alianças com parceiros como China, Rússia e membros do BRICS, em um esforço para diversificar sua matriz energética e fortalecer sua autonomia tecnológica.

A nova usina solar em Cienfuegos é o exemplo mais recente dessa estratégia, que combina transferência de tecnologia com investimento direto em infraestrutura. Para Cuba, a parceria com Pequim representa um avanço concreto na capacidade de geração sustentável em um contexto de pressão externa intensa.

Para a China, a doação reforça sua presença estratégica no Caribe e consolida laços com um aliado histórico que resiste ao cerco econômico de Washington há décadas.

Leia mais sobre o assunto na actualidad.rt.com.


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João Batista Alves

27/04/2026

Padre Antônio, o senhor tem razão quando aponta que a China não impõe pautas de costumes como condição. Mas cuidado: o dragão não precisa de bandeiras ideológicas quando já domina pela dívida e pela tecnologia. Energia solar é bênção, mas dependência econômica é pecado. Que Deus ilumine Cuba a não trocar uma corrente por outra.

    Marina Silva

    27/04/2026

    João, com todo respeito, mas falar em “trocar corrente por corrente” quando o povo cubano tá no escuro é o mesmo que criticar o prato de comida porque o garfo não é de prata.

Luisa Teens

27/04/2026

gente, a China tá literalmente doando energia solar pra um país que vive um apagão e o povo ainda acha que isso é dívida? #ForaBolsonaro #CubaVive #EnergiaLimpaÉDireito

Luiz Carlos

27/04/2026

Pois é, Mariana, o problema é esse mesmo. Enquanto a esquerda brasileira aplaude a China, esquece que país nenhum faz caridade. Energia solar é boa, mas se vier com dívida e alinhamento automático, não é doação, é investimento com juros.

Mariana Lopes

27/04/2026

Augusto, você tocou num ponto que ninguém tá discutindo: qual o preço real dessa “doação”? A China não é filantropa, e Cuba já sabe bem o que é trocar um alinhamento ideológico por outro. Energia limpa é ótimo, mas se vier com dívida em yuan e alinhamento automático em votos na ONU, a conta chega depois.

Padre Antônio Rocha

27/04/2026

Ricardo, você tem razão em desconfiar de motivações, mas o erro é tratar a China como se fosse igual aos Estados Unidos. A diferença é que a China não impõe aborto, ideologia de gênero ou destruição da família como condição para ajudar um povo. Enquanto isso, o Ocidente prefere deixar Cuba no escuro para forçar uma “mudança de regime”. Prefiro mil vezes um painel solar chinês do que um pacote de “ajuda” do FMI que destrói a moral cristã de uma nação.

    Augusto Silva

    27/04/2026

    Padre Antônio, com todo respeito, mas trocar “aborto” e “ideologia de gênero” por “dívida externa impagável” e “dependência tecnológica” não é exatamente uma troca justa — é só trocar um fantasma por outro. A China não precisa impor pauta de costumes porque já impõe a pauta mais dura que existe: a do balanço de pagamentos. O painel solar chega, sim, mas o manual de instruções vem em mandarim e a fatura, em dólar.

Ricardo Almeida

27/04/2026

Ronaldo, você tem um ponto forte, mas acho que romantiza demais a “doação”. A China não é ONG, meu caro. Todo investimento externo chinês vem com um pacote de condicionalidades geopolíticas e econômicas — dívidas, contratos de exploração, alinhamento diplomático. Cuba troca um tipo de dependência (URSS/EUA) por outro, mais moderno e digital. A questão não é se a energia solar é boa, mas quem controla os painéis e os dados amanhã.

Ronaldo Pereira

27/04/2026

Ana Paula, você aí falando de “regime autoritário” enquanto o Brasil vive um apagão de direitos trabalhistas e a energia solar chega em Cuba sem condicionantes. Enquanto isso, os patrões aqui terceirizam tudo e a China constrói infraestrutura que tira um povo do escuro. Cadê a solidariedade internacional que a esquerda prega? Ou só vale quando o capitalista de plantão dá o aval?

Ana Paula Conserva

27/04/2026

Pois é, Maria Clara, o problema é que esse “diálogo” que você pede sempre acaba sendo uma via de mão única. Enquanto a esquerda defende qualquer parceria com regimes autoritários em nome da “soberania”, a China faz exatamente o que sempre fez: expande sua influência geopolítica, e Cuba continua na mesma miséria energética e política de sempre. Cadê a transparência desses contratos?

Maria Clara Lopes

27/04/2026

Francisco, você resumiu bem o paradoxo. O que me incomoda nessa discussão é que os dois lados têm pontos válidos, mas ninguém consegue dialogar sem cair no maniqueísmo. Cuba precisa de energia, a China oferece um projeto concreto — isso é fato. Agora, torcer o nariz pra parceria porque o regime cubano é autoritário ou porque a China é comunista só mostra como a gente ainda trata política internacional como torcida de futebol.

Francisco de Assis

27/04/2026

Pois é, Fernanda Oliveira, você tocou no ponto exato. Enquanto a China financia parque solar em Cuba pra fortalecer soberania energética de um país irmão, aqui no Brasil a direita chama de comunismo qualquer tentativa de planejamento estatal. Mas quando a China vira maior parceiro comercial do agro brasileiro, aí ninguém reclama, né? Hipocrisia seletiva da elite.

Fernanda Oliveira

27/04/2026

Cíntia, você tem razão, mas acho que o problema é ainda mais embaixo. A direita brasileira não aplaude a eficiência chinesa sem perceber a contradição — ela sabe muito bem que está torcendo por um modelo que não tem nada a ver com o liberalismo econômico que prega. O que acontece é que, no fundo, o que importa pra eles é o alinhamento geopolítico contra a esquerda, e aí vale tudo, inclusive defender a “eficiência” de um país comunista.

Carlos A. Mendes

27/04/2026

Marina Costa, entendo sua preocupação com liberdades civis, mas acho que a gente precisa separar as coisas. Cuba tem problemas políticos sérios, sim, mas isso não invalida o fato de que a China está ajudando um país em crise energética com um projeto concreto e funcional. Enquanto isso, aqui no Brasil a gente continua pagando uma das contas de luz mais caras do mundo e vendo leilão de energia virar cassino. Talvez o problema não seja exatamente de quem recebe a doação, mas de quem podia fazer algo parecido e não faz.

Marina Costa

27/04/2026

Evelyn, você está certa sobre a China tratar energia como infraestrutura de desenvolvimento. Mas vamos combinar: Cuba vive um regime ditatorial que oprime seu povo há décadas, e essa “cooperação” chinesa só fortalece um sistema que nega liberdades básicas. Enquanto isso, o Brasil precisa sim de energia barata, mas com responsabilidade fiscal e respeito à família e à propriedade privada, não com modelos que trocam um vício por outro.

Cíntia Alves

27/04/2026

A China entende que energia é base para qualquer projeto de desenvolvimento, enquanto aqui a gente ainda acha que discutir planejamento energético é coisa de comunista. O mais curioso é ver a direita brasileira aplaudindo de pé a “eficiência chinesa” sem perceber que ela vem de um modelo que eles passam o dia criticando. No fim das contas, Cuba, com todos os seus problemas, ganha um parque solar de graça; o Brasil paga uma das tarifas mais caras do mundo e ainda ouve que o problema é excesso de estado.

Evelyn Olavo

27/04/2026

Lucas Gomes, você tocou no ponto central: enquanto a China trata energia como infraestrutura de desenvolvimento, aqui no Brasil virou ativo financeiro nas mãos de especuladores. O mais triste é ver gente inteligente defendendo esse modelo como se fosse “moderno”, quando na prática a conta chega mais cara e o serviço é pior. Cuba pelo menos tá recebendo ferramenta pra ter autonomia, a gente continua refém de acionista.

    Ana Karine Xavante

    27/04/2026

    Evelyn, você capturou com precisão cirúrgica o cerne da armadilha colonial que a gente insiste em chamar de “modernização”. Só que eu quero aprofundar um ponto que você tocou e que me parece central: essa noção de que o modelo brasileiro é “moderno” versus o chinês que seria “atrasado” ou “estatizante”. Isso é um truque retórico clássico do colonialismo estrutural. Eles vendem a financeirização da energia como se fosse um passo evolutivo inevitável, tipo “saída da idade das trevas”, quando na verdade é um retrocesso civilizatório brutal. A China não está fazendo caridade — está fazendo política externa baseada em soberania energética, algo que a gente perdeu nos anos 90 quando privatizamos o setor elétrico a preço de banana e entregamos o controle estratégico pra estrangeiro. Cuba, com todos os seus problemas, ao menos mantém o Estado como agente planejador. Aqui, a gente discute se a Eletrobras pode ou não ter voto minoritário do governo enquanto a conta de luz come o salário do povo.

    O mais grave, Evelyn, é que essa financeirização não é acidental — é um projeto deliberado de desmonte da capacidade estatal. Transformar energia em ativo financeiro significa que as decisões de investimento, expansão de rede e precificação não são tomadas com base em necessidade social ou planejamento de longo prazo, mas sim no retorno esperado pro acionista. Resultado: a gente vê leilão de energia eólica offshore virar cassino de especulador, enquanto comunidades ribeirinhas na Amazônia continuam gerando energia a diesel a preço de ouro. E o pior é que esse modelo se retroalimenta do discurso de “eficiência” e “modernidade” pra calar qualquer crítica. Quem ousa defender planejamento estatal é tachado de “atrasado”, “populista” ou “comunista”. É a mesma lógica que nos fez acreditar que desmatar é progresso e que queimar carvão é desenvolvimento.

    E olha, não é nem uma questão ideológica cega de defender o modelo chinês como se fosse perfeito — a China tem seus próprios problemas ambientais e sociais gravíssimos. Mas a diferença fundamental é que eles tratam energia como infraestrutura básica de soberania, não como mercadoria. Enquanto a gente importa placa solar chinesa pagando em dólar e ainda acha que é “moderno”, eles estão doando parque solar pra Cuba e construindo base pra que o país tenha autonomia energética. Isso não é bondade — é geopolítica. É o mesmo jogo que os EUA jogam com suas bases militares, mas com painel solar. Nós, por outro lado, continuamos reféns de um modelo que transforma até o sol em commodity financeira. Enquanto não encararmos que soberania energética não se constrói com mercado de capitais, a gente vai continuar assistindo Cuba receber ferramenta de autonomia enquanto a gente paga a conta mais cara do mundo pra manter acionista feliz.

Carlos Mendes

27/04/2026

China doa parque solar enquanto o Brasil briga pra ver quem fica com a conta de luz mais cara do mundo. Enquanto isso, nossos políticos continuam achando que energia é pauta de segundo escalão. Mas tudo bem, o importante é manter o discurso inflamado nas redes sociais.

    Lucas Gomes

    27/04/2026

    Carlos, o discurso inflamado nas redes é sintoma, não causa — a raiz é que o capitalismo rentista brasileiro prefere transformar energia em mercadoria financeira enquanto a China, com seu planejamento estatal, trata eletricidade como direito e instrumento de soberania. O problema não é a briga pela conta, é que aqui quem decide são os acionistas das distribuidoras, não o povo.

Cíntia Ribeiro

27/04/2026

Luciana Santos, sua indignação é compreensível, mas acho que o problema não é exatamente “discutir o básico” — é que o básico, no Brasil, virou um campo minado ideológico. Enquanto a China usa a energia como ferramenta de política externa consistente, aqui qualquer projeto de infraestrutura vira debate sobre qual modelo econômico é o correto. O resultado é que Cuba, com todas as suas dificuldades, recebe um parque solar de presente, e a gente continua patinando na regulação do próprio setor elétrico.

Luciana Santos

27/04/2026

Sofia García, pior que é isso mesmo. Enquanto a China constrói parque solar e doa pra Cuba, a gente aqui ainda discute se pode ou não pode gerar a própria energia. Parece piada de mau gosto ver político brasileiro brigando por cargo enquanto outros países tão resolvendo problema real.

Sofia García

27/04/2026

gente, a china dando painel solar pra cuba enquanto o brasil briga se privatiza ou não a elétricas kkkkk é cada uma, parece que tão vivendo em 1960 e a gente em 2025 ainda discutindo o básico

Carlos Rocha

27/04/2026

Letícia, você tenta dar um verniz de profundidade teórica, mas a realidade é mais simples: a China faz o que qualquer país racional faria — investe onde o retorno geopolítico é maior. Enquanto isso, o Brasil prefere discutir o sexo dos anjos ideológicos em vez de construir infraestrutura de verdade. Cuba aceita porque não tem alternativa, mas o resultado prático é um parque solar de graça. Quem está errado?

    João Carlos da Silva

    27/04/2026

    Carlos, você reduz a política energética a puro pragmatismo de balanço, mas ignora que o “retorno geopolítico” chinês é fruto de décadas de planejamento estatal que o Brasil insiste em chamar de ideologia. A escolha não é entre discutir ou construir, mas entre construir para quem — e a China, ao doar o parque, constrói para reforçar sua hegemonia, algo que nosso debate sobre “sexo dos anjos” jamais alcançará porque falta a coragem de nomear o projeto de nação que queremos.

Letícia Fernandes

27/04/2026

Mariana Ambiental, sua análise é precisa ao apontar a diferença qualitativa entre a exploração capitalista ocidental e o modelo chinês, mas acho que precisamos ir um pouco mais fundo na contradição. A doação do parque solar a Cuba não é um ato de caridade desinteressada — isso seria um pensamento ingênuo — mas sim uma expressão concreta da disputa interimperialista em curso. A China, como potência emergente, precisa de aliados estratégicos no Caribe para contrabalançar o cerco estadunidense, e Cuba, asfixiada pelo bloqueio criminoso de Washington, não tem o luxo de recusar oxigênio energético. O que estamos vendo é a materialização da lógica geopolítica: quem controla a infraestrutura energética controla a soberania real de um país.

O ponto que me incomoda, Luizinho 16, é a falsa equivalência que você estabelece. Dizer que “exploração é tudo igual” é um reducionismo raso que ignora as mediações históricas e as relações de produção. Na China, o Partido Comunista dirige um capitalismo de Estado com planejamento centralizado que, sim, extrai mais-valia da classe trabalhadora chinesa, mas o faz dentro de um projeto nacional de desenvolvimento que elevou 800 milhões de pessoas da pobreza absoluta. Em Cuba, o parque solar não será propriedade de acionistas estrangeiros que remetem lucros para Wall Street — será um bem público que alivia a crise energética de um povo que já sofre há três décadas com o aperto do bloqueio. A diferença entre um investimento que fortalece a soberania nacional e um que a destrói não é cosmética, é estrutural.

O que me preocupa, João Pereira, é o tom de “pragmatismo inevitável” que você adota. Sim, a China é eficiente em construir infraestrutura, mas reduzir a geopolítica a uma questão de “quem faz mais obras” é um pensamento tecnocrático que esvazia o conteúdo político. O Brasil não precisa escolher entre “agir” e “discutir ideologia” — essa dicotomia é falsa, fabricada pelo pensamento liberal que quer nos convencer de que política é só gestão. A verdadeira questão é: qual projeto de nação queremos? Se for o projeto neoliberal de desmonte do Estado, a China será apenas mais um parceiro comercial que nos venderá painéis solares enquanto nossas empresas nacionais quebram. Se for um projeto de desenvolvimento soberano, aí sim a cooperação com a China pode ser instrumento de libertação, e não de nova dependência.

Por fim, preciso lembrar que a doação chinesa a Cuba acontece no mesmo momento em que o governo Lula negocia com o FMI e entrega a pré-sal para o capital estrangeiro. Enquanto a China fortalece a capacidade energética de um país socialista, o Brasil aprofunda sua subordinação ao capital financeiro internacional. Isso não é coincidência — é a expressão da luta de classes em escala global. O parque solar em Cienfuegos não resolve o problema estrutural do subdesenvolvimento cubano, mas oferece um respiro real. Já o Brasil, com seu discurso de “pragmatismo”, continua exportando soja e importando miséria. A escolha não é entre ideologia e ação — é entre qual classe social dirige o projeto de desenvolvimento.

Mariana Ambiental

27/04/2026

Luizinho 16, o problema é que você trata “exploração” como se fosse tudo igual. Na China, o Estado chinês controla os recursos estratégicos e distribui energia como esse parque solar de graça pra Cuba. Aqui no Brasil, a “exploração” é privatizada, com lucro indo pro exterior e brasileiro pagando uma das contas de luz mais caras do mundo. Se é pra escolher exploração, pelo menos a chinesa vem acompanhada de soberania energética e investimento que a gente nunca viu por aqui.

Marta Souza

27/04/2026

João Pereira, você acertou em cheio. Enquanto o Brasil fica nessa lenga-lenga de estado grande versus estado pequeno, a China faz o dever de casa de forma pragmática: investe onde rende influência geopolítica. Cuba aceita porque está de joelhos economicamente, mas isso não anula o fato de que o modelo chinês de capitalismo de estado com planejamento centralizado continua dando um baile no nosso populismo fiscal. O Brasil precisa urgentemente parar de tratar ideologia como esporte e começar a tratar economia como negócio.

    Luizinho 16

    27/04/2026

    Marta, “capitalismo de estado com planejamento centralizado” é só um nome bonito pra ditadura que explora trabalhador igualzinho a gente aqui — a diferença é que lá eles não fingem que tão fazendo caridade.

João Pereira

27/04/2026

A China realmente sabe onde colocar o dinheiro. Enquanto a gente perde tempo com briga ideológica besta, eles constroem infraestrutura, ganham influência e ainda fazem caridade que parece desinteressada. Cuba aceita porque não tem escolha, mas a longo prazo quem sai ganhando é Pequim.

Maria Silva

27/04/2026

A China não tá fazendo caridade pra Cuba, isso é jogada de xadrez geopolítico. Enquanto a esquerda brasileira aplaude e a direita fica se digladiando, os chineses tão plantando bandeira no quintal dos EUA sem gastar um tiro. O Brasil precisa parar de ser otário e aprender com quem age, não com quem discute ideologia.

    João Carvalho

    27/04/2026

    Maria Silva, você capturou bem a dimensão realista da geopolítica, mas discordo que o problema do Brasil seja escolher entre “agir” e “discutir ideologia”. A questão é que, sem um projeto nacional soberano de desenvolvimento — que exige debate político sim —, qualquer ação nossa será sempre reativa e subordinada, seja a Washington ou a Pequim. A China age porque tem um Estado que planeja; nós nos digladiamos porque abandonamos essa capacidade.

João Augusto

27/04/2026

Lucas Pinto, você trouxe um dado indispensável que a maioria dos comentários ignora: o embargo estadunidense contra Cuba não é uma peça de museu, é uma engrenagem ativa de asfixia que existe desde 1962. A China, ao doar esse parque solar em Cienfuegos, não está apenas fazendo geopolítica — está demonstrando na prática o que Gramsci chamaria de hegemonia pelo exemplo concreto, construindo uma alternativa ao bloqueio com obras materiais. Enquanto Washington insiste em punir um povo inteiro por teimosia ideológica, Pequim entrega painéis solares e soberania energética; a diferença entre essas duas posturas dispensa qualquer comentário adicional.

Lucas Pinto

27/04/2026

A discussão está boa, mas acho que falta um elemento central que ninguém mencionou: a crise energética cubana não é um acidente de percurso, é o resultado direto de seis décadas de embargo econômico dos EUA, combinado com a herança de uma economia planificada que o regime nunca conseguiu reformar de fato. A China entra nesse vazio com a mesma lógica com que entra na África e na América Latina: oferece infraestrutura onde o capitalismo ocidental não põe os pés, seja por sanções, seja por falta de lucro imediato. Não é bondade, é estratégia de longo prazo — e Cuba, sem alternativas reais, aceita porque não tem escolha.

O que me incomoda nos comentários da Laura e do Carlos é que eles tratam a geopolítica como se fosse um jogo de tabuleiro abstrato. A realidade concreta é que um parque solar em Cienfuegos significa que hospitais cubanos vão ter mais horas de eletricidade, que crianças vão estudar com luz elétrica em vez de lamparina. Isso tem peso material. A crítica ao imperialismo chinês é válida, mas quando o outro lado impõe um bloqueio criminoso que sufoca uma população inteira, a “influência” chinesa vira tábua de salvação. Não é sobre gostar ou não da China — é sobre quem está disposto a quebrar o cerco.

A Ana tocou num ponto crucial: o Brasil precisa de política energética própria. Mas o que significa “própria” num país onde a Eletrobras foi privatizada a preço de banana e o setor elétrico virou cassino de fundo de investimento? Enquanto a gente discute se a China é amiga ou inimiga, as nossas hidrelétricas estão sendo vendidas para estrangeiros, a conta de luz é uma das mais caras do mundo e o governo Lula repete o mesmo modelo extrativista de sempre. Talvez o problema não seja a China ocupar vácuos — o problema é que a gente insiste em criar vácuos.

No fim, essa doação chinesa a Cuba é um espelho perfeito do capitalismo contemporâneo: os EUA sancionam, a China constrói, e os cubanos continuam reféns de uma lógica geopolítica que não controlam. O que me assusta não é a China ganhar influência — é a esquerda brasileira continuar achando que isso é uma vitória do “socialismo do século XXI”, quando na verdade é só mais um capítulo da velha história de nações periféricas servindo de peça no tabuleiro alheio. Gramsci diria que a hegemonia se constrói também com painéis solares, não só com tanques.

Ana Souza

27/04/2026

Carlos, o ponto é que não adianta ficar comparando quem doa mais ou menos para Cuba. O Brasil precisa é de uma política energética própria, que não dependa de caridade chinesa nem de sanções americanas. Enquanto a gente briga de esquerda e direita, a China constrói usinas no quintal de todo mundo.

Carlos Menezes

27/04/2026

Pois é, Tadeu, você tem razão em parte, mas acho que a Laura Silva foi mais fundo. A China não está fazendo caridade, claro, mas também não vejo os EUA doando parques solares para Cuba, né? O problema do Brasil não é a China ocupar vácuo, é a gente ficar nesse lenga-lenga ideológico enquanto outros países avançam em parcerias concretas.

Laura Silva

27/04/2026

Tadeu, você está certo ao identificar que essa doação chinesa não é filantropia desinteressada — é geopolítica pura, e quem não enxerga isso está sendo ingênuo. Mas a questão mais profunda que seu comentário levanta, e que merece ser explorada, é o que essa parceria revela sobre a natureza do sistema internacional hoje. Enquanto os Estados Unidos mantêm um embargo criminoso contra Cuba há mais de seis décadas, sufocando sua economia e condenando seu povo à escassez de energia, a China aparece com painéis solares. Não por altruísmo, mas porque entende que a hegemonia no século XXI se constrói com infraestrutura, não com porta-aviões. O paradoxo é que, para Cuba, essa “ajuda interessada” da China é infinitamente mais libertadora do que o bloqueio imperialista que se diz defensor da liberdade.

O que me preocupa, no entanto, é o discurso de alguns comentaristas aqui que tentam transformar essa parceria numa prova de que “a China é boa e o Ocidente é mau”. Isso é reducionismo infantil. A China é uma potência capitalista de Estado que explora trabalhadores em suas próprias fábricas, financia ditaduras na África e pratica um neoextrativismo voraz na América Latina. A diferença é que, no caso cubano, o imperialismo chinês opera num contexto em que o imperialismo americano já bloqueou todas as alternativas. Cuba não está escolhendo entre China e liberdade — está escolhendo entre morrer de fome sob embargo ou respirar com a ajuda de Pequim. Isso não é aliança entre iguais, é sobrevivência num sistema mundial brutalmente desigual.

E olhando para o Brasil, fico impressionado com a miopia de quem acha que podemos simplesmente “copiar” o modelo chinês. Nossa elite agroexportadora adora vender soja para a China enquanto chora com os juros altos do Banco Central, mas ignora que o desenvolvimento chinês foi construído com planejamento estatal centralizado, reforma agrária, investimento maciço em ciência e tecnologia, e um partido que não precisa se submeter a eleições a cada dois anos. Não dá para pegar a receita chinesa sem o Estado forte que a sustenta. Enquanto isso, o Brasil desmonta suas estatais, terceiriza a soberania energética para a Petrobras virar empresa de acionistas e acha que vai competir com a China vendendo commodity.

No fim das contas, o que a doação do parque solar em Cienfuegos nos mostra é que o socialismo real, com todas as suas contradições, ainda é capaz de oferecer alternativas concretas onde o capitalismo só oferece bloqueio e miséria. A China não é um modelo a ser copiado, mas seu pragmatismo em construir poder material onde os EUA só constroem sanções deveria nos fazer refletir: de que lado estamos quando o assunto é soberania energética dos povos oprimidos? Porque enquanto a esquerda brasileira fica debatendo se Lula deve ou não visitar Xi Jinping, a China já está instalando painéis solares em Cuba e construindo ferrovias na África. O mundo não espera nosso debate teórico acabar.

Tadeu

27/04/2026

Pois é, Cecília Ramos, você tocou num ponto que ninguém quer encarar: essa doação não é filantropia, é investimento em influência. Enquanto isso, o Brasil continua brigando com reforma tributária e juros altos, e a China vai ocupando o vácuo que a gente deixa. Mas fazer o quê, o mercado prefere discutir Selic a pensar em estratégia geopolítica.

Cecília Alves

27/04/2026

Enquanto o governo brasileiro inventa taxa em cima de placa solar e dificulta a vida de quem quer gerar a própria energia, a China doa parque solar inteiro para Cuba. É a diferença entre um Estado que quer te controlar e outro que quer construir parcerias. Menos burocracia e mais liberdade energética, sempre.

    Cecília Ramos

    27/04/2026

    Cecília, concordo que a burocracia brasileira atrapalha, mas cuidado com esse discurso de “liberdade energética” — a China não doa por bondade, constrói influência geopolítica enquanto o mercado livre que você defende deixa milhões sem luz. O problema não é o Estado agir, é ele agir a favor dos pobres, como Cuba precisa.

Paulo Rocha

27/04/2026

Renata Oliveira, a senhora tem toda razão. Enquanto essa turma fica fazendo teoria da conspiração e discurso bonito sobre imperialismo, a China tá lá, na prática, ajudando a resolver um problema real. Cuba precisa de energia, não de lacração. Mas claro, pra esquerda brasileira, qualquer ajuda que não venha com bandeira vermelha e foice é suspeita. Faz o L e vai pra Cuba ver se o parque solar resolve o apagão, vão precisar.

    Paulo Ribeiro

    27/04/2026

    Paulo Rocha, seu comentário é um daqueles que merece uma pausa para respirar e pensar, porque ele carrega uma contradição que precisa ser desmontada com calma. Você diz que a China “tá lá, na prática, ajudando a resolver um problema real”, enquanto a esquerda brasileira estaria presa a “teoria da conspiração” e “lacração”. Ora, vamos aos fatos. A China não está fazendo caridade; está exercendo o que o geopolítico Giovanni Arrighi chamaria de “acumulação por despossessão” em novo formato — uma expansão de sua influência via infraestrutura, algo que o próprio imperialismo americano fez durante décadas com a Aliança para o Progresso. A diferença é que Pequim oferece um modelo que não impõe o Consenso de Washington, mas tampouco é desinteressado. Ajudar Cuba a gerar energia solar é positivo, sim, e ninguém aqui está negando o benefício imediato para o povo cubano. Mas reduzir a análise a “faz o L e vai pra Cuba” é um empobrecimento intelectual que ignora que a esquerda brasileira, desde a década de 1960, sempre debateu como inserir o Brasil em um mundo multipolar sem ser mero apêndice de nenhuma potência. Gramsci nos ensinou que hegemonia não se constrói só com tanques, mas com consenso — e a China está fazendo exatamente isso, construindo consenso via energia solar, enquanto o Brasil, sob governos que você critica, patina porque nunca teve um projeto nacional de desenvolvimento autônomo.

    Você joga a expressão “lacração” como se fosse um atestado de superioridade moral, mas o que vejo é uma tentativa de escamotear o debate estrutural. A esquerda brasileira que você ataca — e da qual faço parte há décadas — não é ingênua. Sabemos que Cuba precisa de energia, e aplaudimos qualquer gesto que alivie o sofrimento do povo cubano, que há 60 anos sofre um bloqueio criminoso dos EUA. Mas a pergunta que você evita é: por que o Brasil, com seu potencial solar imenso no Nordeste, não está fazendo parcerias similares com Cuba? Por que nossa burguesia nacional, que você parece defender, prefere vender commodities para a China e comprar tecnologia chinesa em dólar, como bem apontou o Sargento Bruno, sem nunca construir uma base industrial própria? Aí está o nó. A esquerda crítica não é contra a ajuda chinesa; é contra a subordinação acrítica. Mariátegui já dizia que o socialismo latino-americano não pode ser cópia, mas criação heroica. Se a China ajuda Cuba, ótimo. Mas se o Brasil continuar sendo mero exportador de soja e minério, enquanto importa painéis solares chineses, não estaremos resolvendo nosso próprio apagão energético — estaremos trocando um imperialismo por outro, com a diferença de que o chinês é mais educado e não invade com marines.

    Por fim, Paulo, sua provocação final — “vai pra Cuba ver se o parque solar resolve o apagão” — revela um desprezo pela luta concreta do povo cubano que é triste. Já estive em Cuba, em 2019, e vi com meus próprios olhos o que o bloqueio faz: faltam remédios, faltam peças, falta tudo. Mas vi também uma resistência que nenhum parque solar sozinho vai apagar. A energia solar é bem-vinda, mas o problema cubano é estrutural: é o bloqueio, é a dívida histórica, é a falta de soberania financeira. Se a China está ajudando a mitigar isso, que bom. Mas não transforme um gesto pontual em demonstração de que a esquerda brasileira é “inútil” e a China é a salvadora. A esquerda que prezo — a de Caio Prado Jr., a de Florestan Fernandes — sempre defendeu que o Brasil precisa de um projeto nacional que una desenvolvimento, justiça social e soberania. Enquanto isso, você e outros celebram a “prática” chinesa sem perguntar a que preço o Brasil continuará pagando essa conta. Faz o L, não; faz a reflexão.

Renata Oliveira

27/04/2026

Pois é, Caio Vieira, você escreveu bonito, mas no fim das contas o povo cubano precisa de energia elétrica, não de análise geopolítica rebuscada. Se a China está ajudando a acender uma lâmpada em Cienfuegos, isso é mais cristão do que muito discurso bonito que não paga conta de luz. Agora, tomara que essa parceria não venha com o mesmo preço de outras ajudas internacionais que a gente já viu por aí.

Caio Vieira

27/04/2026

Caro Cafezinho,

Ao ler a notícia sobre a doação chinesa de um parque solar a Cuba, somos levados a refletir sobre as complexas tramas da hegemonia global e as alternativas que emergem das periferias do sistema-mundo. O gesto de Pequim, longe de ser um ato meramente filantrópico, inscreve-se numa estratégia geopolítica de construção de uma nova ordem internacional, onde a cooperação Sul-Sul desafia a tradicional verticalidade imposta pelo capitalismo central. A instalação em Cienfuegos não é apenas um feito técnico; é a materialização de uma contra-hegemonia que, ao oferecer infraestrutura energética sem os condicionantes draconianos do Fundo Monetário Internacional, reposiciona Cuba como um ator soberano em sua luta histórica contra o bloqueio.

É preciso, contudo, evitar um olhar ingênuo que veja nessa parceria uma simples “ajuda” desinteressada. O que observamos é a reconfiguração das cadeias globais de valor, onde a China, ao exportar tecnologia fotovoltaica e know-how, consolida sua própria hegemonia tecnológica e financeira. A vice-ministra Déborah Rivas Saavedra, ao anunciar o projeto, opera dentro de um campo de possibilidades limitado pelo cerco imperialista, mas também por uma lógica de dependência que, embora menos predatória que a do Ocidente, ainda carrega contradições. A questão central, meus caros, é se essa cooperação energética permitirá a Cuba uma verdadeira autonomia tecnológica ou se aprofundará uma nova forma de subordinação, agora sob o signo do “socialismo com características chinesas”.

Entretanto, como homem das Gerais que sempre se solidarizou com as lutas empreendedoras do povo cubano, não posso deixar de reconhecer a dimensão pragmática e vital desse acordo. Em um contexto de crise energética severa, com apagões que sangram o cotidiano dos trabalhadores e trabalhadoras da ilha, cada megawatt gerado por fontes renováveis representa uma vitória contra a asfixia programada pelo embargo estadunidense. A energia solar, nesse sentido, não é apenas uma commodity; ela se torna um vetor de resistência, permitindo que hospitais funcionem, que escolas tenham luz e que a vida cultural do povo cubano não sucumba à escuridão imposta de fora.

Por fim, é fundamental que a análise acadêmica não se perca em abstrações. A doação do parque solar em Cienfuegos deve ser saudada como um passo concreto na direção de um mundo multipolar, onde a soberania energética dos povos oprimidos é um direito inegociável. Que este gesto sirva de lição para o Brasil, que insiste em queimar o futuro com termelétricas a carvão e diesel, enquanto o sol, esse bem comum da humanidade, permanece subutilizado. A solidariedade internacionalista, quando materializada em tecnologia e infraestrutura, é a antítese do imperialismo. Que venham mais parques solares, mais usinas eólicas e, sobretudo, mais autonomia para os povos que ousam sonhar com um outro mundo possível.

Sargento Bruno

27/04/2026

A China faz o dever de casa geopolítico enquanto nossos governantes de esquerda ficam fazendo discurso vazio no Foro de São Paulo. Enquanto isso, o Brasil importa tecnologia chinesa pagando em dólar e o PT ainda acha que está fazendo “solidariedade internacional”. Cuba continua sendo um laboratório socialista falido que sobrevive à custa de doações, e a China sabe muito bem onde está colocando cada painel solar.

    Mariana Alves

    27/04/2026

    Sargento Bruno, sua análise carrega um núcleo de verdade que você mesmo parece não perceber: sim, a China faz o dever de casa geopolítico. Mas a pergunta que você evita é: por que a China pode fazer isso enquanto o Brasil patina? A resposta não está no Foro de São Paulo, mas na estrutura do capitalismo dependente que nos condena a ser meros exportadores de commodities e importadores de tecnologia alheia. O PT, com todos os seus defeitos, ao menos tentou romper com essa lógica ao buscar parcerias Sul-Sul e fortalecer a indústria nacional via BNDES. O problema é que a direita brasileira, que você provavelmente defende, tratou cada tentativa de soberania energética e tecnológica como “intervencionismo estatal” e “populismo”. O resultado está aí: importamos painéis solares chineses pagando em dólar porque desmontamos nossa capacidade de produzir semicondutores e células fotovoltaicas. Isso não é culpa do Foro de São Paulo — é culpa de décadas de política econômica que acha que “mercado resolve”.

    Sobre Cuba: chamar o país de “laboratório falido” é repetir o bordão da Guerra Fria sem examinar as condições materiais. Cuba sofre um bloqueio econômico que a ONU condena há 30 anos e que custa ao país algo como 5 bilhões de dólares por ano. Não é “falência socialista”, é asfixia imperialista. E a China, ao doar um parque solar, não está fazendo caridade — está criando um precedente: mostra que é possível cooperar sem exigir privatização de estatais ou abertura de mercado para multinacionais ocidentais. Isso é o que Gramsci chamaria de hegemonia pelo exemplo. Enquanto os EUA oferecem “democracia” com condicionantes que destroem o Estado de bem-estar, a China oferece infraestrutura sem amarras políticas. Você pode chamar de estratégia, e é. Mas prefiro uma estratégia que alivie apagões a uma que imponha austeridade.

    Por fim, seu desprezo pelo Foro de São Paulo revela mais sobre sua visão de mundo do que sobre a esquerda. O Foro é um espaço de articulação de partidos progressistas da América Latina — nada mais, nada menos. Se ele incomoda tanto, talvez seja porque, como diria Florestan Fernandes, a burguesia brasileira sempre tratou qualquer movimento de integração regional como ameaça à sua subordinação ao capital internacional. Enquanto você critica o “discurso vazio”, a China constrói usinas solares em Cuba, ferrovias na África e portos no Paquistão. O discurso vazio, Sargento, é o seu, que confunde análise geopolítica com achincalhação ideológica. Se o Brasil quer competir nesse jogo, precisa de Estado forte, indústria nacional e política externa soberana — exatamente o oposto do que a direita prega.

Clarice Historiadora

27/04/2026

Ótimo, Eduardo Nogueira, então você admite que a China está fazendo exatamente o que os EUA fazem — expandindo influência — mas quando os EUA fazem é “democracia” e “livre mercado”, e quando a China faz é “expansão maligna”? A diferença é que a China entrega painéis solares que geram energia de verdade, enquanto os EUA entregam bloqueio econômico que gera apagão. Quer criticar imperialismo? Crítica os dois, mas com o mesmo rigor.

Marcos Conservador

27/04/2026

Mais um capítulo da “ajuda desinteressada” chinesa que, convenhamos, é muito mais eficiente que a “ajuda” americana cheia de condicionantes e bombas. Mas claro, os mesmos que batem palma pra China esquecem que o PT e o Foro de São Paulo tratam Cuba como vitrine do “socialismo do século XXI” enquanto o povo de lá vive no apagão. Dois pesos, duas medidas, como sempre.

    Carlos Oliveira

    27/04/2026

    Marcos, concordo que a ajuda chinesa vem com interesses, mas discordo de jogar tudo no mesmo balaio. O povo cubano sofre com o embargo dos EUA há décadas, e qualquer parque solar que alivie o apagão é mais concreto do que promessa de democracia com míssil na porta. Agora, sobre o PT e o Foro de São Paulo, aí você tem razão: falta honestidade em reconhecer que a vitrine tem mais rachadura do que discurso.

Lucas Andrade

27/04/2026

A dança geopolítica é sempre fascinante. Enquanto uns veem “ajuda desinteressada”, esquecem que a China, como qualquer potência, tece sua teia de influência com fios de infraestrutura e energia. O que me incomoda não é a doação em si, mas a romantização acrítica que ignora que o capitalismo chinês também extrai mais-valia, só que com um verniz de solidariedade Sul-Sul. Cuba, presa entre o embargo e o novo patrão, troca um imperialismo por outro?

Eduardo Nogueira

27/04/2026

Célia e Silvia, pelo visto a turma do lacre já chegou. China doa painel solar pra Cuba e o povo acha que é filantropia, sendo que é só mais um capítulo da expansão chinesa na América Latina. Enquanto isso, o Brasil importa placa da China pagando em dólar e o PT chama de “solidariedade”.

Mariana Costa

27/04/2026

Silvia, concordo que ajuda humanitária é sempre bem-vinda, mas acho que vale um olhar mais crítico: a China não faz caridade por bondade, ela faz geopolítica com interesses claros, assim como EUA e Europa fazem. O problema não é aceitar a doação, é achar que isso vem sem amarras. Cuba precisa de energia, sim, mas também precisa de autonomia real.

Silvia Ramos

27/04/2026

Gente, pelo amor de Deus, esse pessoal nos comentários só sabe falar groselha. China ajudando Cuba com energia solar é uma bênção, sim, porque o povo cubano está passando necessidade enquanto o mundo todo vive essa crise. Enquanto uns ficam nessa falação de comunismo, a China tá fazendo o que a Bíblia manda: ajudar o próximo. Agora, se fosse os Estados Unidos doando, esses mesmos comentaristas estariam aplaudindo de pé. Hipocrisia pura.

    João Batista

    27/04/2026

    Amém, Silvia, a China tá fazendo o que Isaías 58 manda: repartir o pão com o faminto, enquanto os hipócritas jejuam e exploram. Enquanto isso, o Império gasta bilhões em guerra e chama de “ajuda humanitária” migalha com juros.

Adriana Silva

27/04/2026

Faz o L, Cuba virou curral eleitoral do PCC agora, comunismo chinês querendo dominar o mundo e o Lula calado. Vai pra Cuba tomar sol nesse parque aí, otário.

    Marcos Andrade Niterói

    27/04/2026

    Adriana, tu já foi em Niterói ver o túnel Charitas-Cafubá que o Rodrigo Neves entregou? Enquanto isso, o governo do estado que tu votou deixa a ponte Rio-Niterói cair aos pedaços. Para de repetir papinho de extrema-direita e estuda um pouco de geopolítica antes de falar groselha.

    Cristina Rocha

    27/04/2026

    Adriana, sua reação ao anúncio revela mais sobre o seu próprio pânico moral do que sobre a realidade geopolítica. Vamos com calma, porque misturar PCC com política de Estado chinês é uma salada conceitual digna de quem aprendeu geopolítica vendo TikTok. A China não está “dominando o mundo”, está fazendo o que qualquer potência capitalista faria: expandindo sua influência por meio de investimentos e infraestrutura. A diferença é que, ao contrário dos Estados Unidos, que impõem bloqueios criminosos a Cuba há seis décadas, Pequim oferece um parque solar. Isso não é comunismo revolucionário, é realpolitik energética. O Lula, aliás, está longe de ser o “calado” que você imagina — ele negocia com a China justamente porque o Brasil precisa de parcerias que não venham com chantagens imperialistas. O problema é que para quem vive de maniqueísmo, qualquer cooperação Sul-Sul soa como conspiração.

    Você fala em “curral eleitoral do PCC”, mas ignora que o Partido Comunista Chinês não é uma facção criminosa, e sim uma burocracia estatal que comanda a segunda maior economia do mundo. Comparar os dois é um desserviço à análise política. O que a China faz em Cuba é o que faz na África, na Ásia e na América Latina: constrói usinas, portos e ferrovias enquanto o Ocidente impõe sanções e dívidas. Se isso te incomoda, sugiro refletir por que um país que sofre um bloqueio econômico há mais de 60 anos não deveria aceitar ajuda para gerar energia limpa. Ou você prefere que os cubanos continuem apagando as luzes enquanto esperam a boa vontade de Miami?

    Por fim, seu “Faz o L” é um chavão que revela mais sobre o vazio do seu argumento do que sobre política. A esquerda brasileira tem defeitos, mas não é responsável por cada movimento geopolítico chinês. Se você quer criticar o Lula, critique sua política econômica, sua aliança com o centrão, a falta de reformas estruturais. Agora, transformar uma doação de painéis solares em prova de dominação mundial é o mesmo que acusar a Cruz Vermelha de ser uma célula comunista. Estude um pouco de teoria das relações internacionais, leia um Arrighi ou um Wallerstein, e depois a gente conversa. Enquanto isso, sugiro desligar o algoritmo do WhatsApp e pegar um livro.

    Célia Carmo

    27/04/2026

    Adriana, vai tomar no cu com esse papinho de PCC, a China tá ajudando Cuba enquanto teu patrão te paga salário mínimo pra você vir aqui lacrar, #vergonha.

    Pedro Almeida

    27/04/2026

    Adriana, sua confusão entre uma doação de infraestrutura energética e suposto domínio mundial revela uma leitura rasa que mistura maniqueísmo da Guerra Fria com pânico moral de internet. Se ao menos lesse um pouco de Mao Tsé-Tung sobre cooperação Sul-Sul, entenderia que a China não precisa de “currais eleitorais” — ela constrói parques solares enquanto seu candidato entrega pontes que afundam.


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