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Racha no PL expõe palanque vazio de Flávio Bolsonaro na Bahia

0 Comentários🗣️🔥 Flávio Bolsonaro desembarcou na Bahia para um evento do agronegócio, mas saiu do estado com um problema político mais grave do que a falta de engajamento nas ruas. O principal nome da direita local, ACM Neto, nem sequer apareceu, deixando claro que a prioridade do ex-prefeito de Salvador não é a campanha presidencial […]

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Flávio Bolsonaro desembarcou na Bahia para um evento do agronegócio, mas saiu do estado com um problema político mais grave do que a falta de engajamento nas ruas. O principal nome da direita local, ACM Neto, nem sequer apareceu, deixando claro que a prioridade do ex-prefeito de Salvador não é a campanha presidencial do senador — e isso abriu uma ferida no PL baiano.

Reportagem de O Globo revelou que o pré-candidato ao governo da Bahia, Antonio Carlos Peixoto de Magalhães Neto, optou por apoiar o ex-governador de Goiás Ronaldo Ramos Caiado (PSD) no primeiro turno da eleição presidencial, rejeitando o palanque de Flávio Bolsonaro. O movimento gerou uma reação em cadeia: a ala mais bolsonarista do PL passou a questionar se vale a pena pedir votos para o ex-prefeito de Salvador.

A lógica da resistência é simples. Se Antonio Carlos Peixoto de Magalhães Neto recusa oferecer palanque para Flávio Bolsonaro, por que a militância bolsonarista deveria se empenhar na campanha estadual? A médica Raíssa Soares (PL), pré-candidata à Câmara e conhecida defensora do tratamento precoce na pandemia, resumiu o sentimento: ‘apoio não é automático’. Para ela, a base não entrará numa campanha sem diálogo, e a presença de Flávio Bolsonaro na feira agrícola serviu para mostrar que ‘existe uma direita viva, mobilizada e pronta para entrar nessa batalha’.

O deputado estadual Diego Castro (PL) seguiu na mesma toada. Disse que a agenda de Flávio Bolsonaro ‘deixou o recado’ de que há uma direita organizada no Nordeste capaz de enfrentar o Partido dos Trabalhadores (PT). Mas o recado também era para dentro do campo conservador: o bolsonarismo não aceita ser tratado como força auxiliar numa eleição que considera estratégica.

Do outro lado do racha está o presidente estadual do PL, João Inácio Ribeiro Roma Neto. O ex-ministro da Cidadania do governo Bolsonaro integra a chapa de Antonio Carlos Peixoto de Magalhães Neto como pré-candidato ao Senado. João Inácio Ribeiro Roma Neto desconversou quando questionado sobre a divisão e tentou colar sua imagem à de Flávio Bolsonaro, afirmando: ‘nós estamos juntos, conectados, e nós queremos sim um Brasil melhor’. Contudo, a conexão, na prática, é frágil. João Inácio Ribeiro Roma Neto obteve apenas 9,08% dos votos válidos na Bahia ao disputar o governo em 2022, um palanque modesto demais para um presidenciável que precisa furar a bolha nordestina.

A fragilidade do palanque de Flávio Bolsonaro na Bahia não é apenas um problema logístico. É o sintoma de um esvaziamento mais profundo. Antonio Carlos Peixoto de Magalhães Neto, que obteve 47,21% dos votos válidos na Bahia e foi derrotado pelo atual governador Jerônimo Rodrigues Souza (PT), que conquistou 52,79%, no segundo turno de 2022, sabe que sua chance de voltar ao governo depende de evitar a nacionalização da disputa. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva venceu na Bahia com ampla folga há quatro anos, e associar-se abertamente ao bolsonarismo no primeiro turno seria um risco eleitoral para o ex-prefeito.

A situação deixa o senador Flávio Bolsonaro numa armadilha. Sem Antonio Carlos Peixoto de Magalhães Neto, perde o palanque mais competitivo da direita baiana. Mas a pressão do PL bolsonarista por um apoio imediato pode empurrar Antonio Carlos Peixoto de Magalhães Neto para ainda mais longe, reforçando a estratégia de manter Flávio Bolsonaro a distância. O resultado é um tabuleiro fragmentado num dos maiores colégios eleitorais do país, exatamente quando o campo progressista se move unido — com o governador Jerônimo Rodrigues Souza articulando plenárias do PGP e o ex-governador Rui Costa circulando pelo estado.

A direita nacional encontrou no Nordeste um limite que não é apenas eleitoral, mas também organizativo. A Bahia expõe com nitidez o que acontece quando o bolsonarismo tenta se impor sem raízes regionais sólidas: disputas internas, palanques vazios e candidatos locais que preferem olhar para o próprio umbigo eleitoral. Para Flávio Bolsonaro, que depende do Nordeste para ter alguma chance num eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o tropeço baiano é mais do que um contratempo — é um aviso de que a estrada será longa, e o motor pode falhar antes da metade do caminho.

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