A Secretaria de Marinha-Armada do México (Semar) revelou, por meio de seu programa setorial 2025-2030, uma estratégia abrangente para enfrentar o que classifica como uma “complexa interação de ameaças híbridas” que pairam sobre a soberania do país. Os documentos da pasta, detalhados pelo jornal mexicano La Jornada, articulam a defesa de interesses marítimos nacionais contra uma convergência de atividades ilícitas transnacionais, riscos ambientais e tensões geopolíticas.
O diagnóstico da Semar é categórico ao afirmar que essa combinação de fatores “compromete a integridade territorial, a segurança energética e o bem-estar da população costeira”. Para contrapor esse cenário, o Estado mexicano demanda capacidades cada vez mais sofisticadas de vigilância, inteligência, interdição e resposta operativa. A pasta deixa claro que o crime organizado transnacional transformou os espaços marítimos do país em uma de suas principais rotas logísticas.
Segundo o levantamento, as organizações criminosas operam com lanchas rápidas, embarcações de baixo perfil, semissubmersíveis, submersíveis e até navios-mãe, evidenciando uma capacidade logística altamente especializada e mutante. A Semar reforça que, ao cumprir suas funções de fiscalização do cumprimento da legislação nacional e dos instrumentos da Organização Marítima Internacional, o México busca proteger a vida humana e os bens no mar. A estratégia contempla a ordenação e coordenação de todas as atividades marítimas nacionais.
O impacto dessa ofensiva já se reflete em números contundentes de apreensões realizadas pelas Forças Armadas. Em pouco mais de cinco meses deste ano, mais de 1.600 artefatos explosivos foram retirados das mãos de grupos criminosos em operações terrestres e navais. Deste total alarmante, 748 objetos foram assegurados exclusivamente pela Marinha em diferentes pontos do território nacional.
Um dos golpes mais significativos ocorreu recentemente em Sinaloa, onde as forças de segurança localizaram 500 desses explosivos em uma única ação. O poder de fogo acumulado por essas facções escancara o nível de militarização das disputas territoriais no crime organizado. O trabalho de neutralização desse arsenal incluiu ainda a destruição controlada de materiais bélicos apreendidos.
Na região de Frontera Centla, no estado de Tabasco, militares da Quinta Região Naval executaram a destruição de 45 artefatos explosivos improvisados e quatro granadas. A operação ilustra a capilaridade dos esforços para desarmar as redes criminosas e mitigar o risco de ataques com alto potencial de letalidade contra a população e as instituições do Estado mexicano.


Mariana Costa
14/06/2026
A notícia é preocupante e mostra o acerto da Marinha mexicana em reconhecer que o crime organizado opera com “ameaças híbridas” — a velha mistura de violência, corrupção e lavagem de dinheiro. Mas a thread já descambou pra guerra ideológica: um lado reduz tudo a “comunismo”, o outro a “Estado predatório”, enquanto o problema real são os 748 explosivos que poderiam matar civis. Foco no que importa.
Adriana Silva
14/06/2026
Faz o L, México! Clarice já tá com o manual comunista na mão, vai pra Cuba com esses 748 explosivos de mentira!
Bia Carioca
14/06/2026
Enquanto você faz piada com “Faz o L”, os cartéis mexicanos agradecem o lobby pelo “empreendedorismo” de explosivos. Menos mimimi reacionário, mais apoio a políticas de segurança que protegem quem usa transporte público.
Carlos Rocha
14/06/2026
Mais um rombo nos cofres públicos pra justificar operações inúteis. Esses “explosivos” são sintoma de um Estado que sufoca o empreendedorismo e alimenta o crime com impostos abusivos. Enquanto o governo gastar rios de dinheiro em burocracia e controle, o livre mercado continuará sendo a única solução real pra segurança.
Clarice Historiadora
14/06/2026
Carlos, seu discurso ignora que a capacidade estatal de apreender 748 explosivos é justamente o que impede o “empreendedorismo” do crime organizado de dinamitar a sociedade. Sugiro uma leitura da Teoria do Estado Predatório de Olson (1982) antes de reduzir segurança pública a achismo neoliberal rasteiro.