O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou na França neste domingo para a cúpula do G7, que começa nesta segunda-feira em Évian-les-Bains e já está marcada por duas tensões comerciais de alto calibre. De um lado, o tarifaço de 25% anunciado pelos Estados Unidos contra parte das importações brasileiras; de outro, o veto da União Europeia à carne, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil.
Segundo a Agência Brasil, a viagem de Lula — sua décima a esse fórum — ainda não tem reunião bilateral confirmada com o presidente dos EUA, Donald Trump. A expectativa, no entanto, é que os dois líderes se encontrem menos de dois meses após a visita de Lula a Washington no início de maio.
A ofensiva tarifária americana partiu de uma investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) que acusa o Brasil de práticas desleais. O relatório chega ao ponto de mirar o Pix, alegando que o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro prejudicaria empresas como MasterCard, Visa e o WhatsApp Pay. Brasília nega as acusações e trabalha para evitar a aplicação das sobretaxas.
Além das tarifas, o primeiro contato entre Lula e Trump após a designação formal do Comando Vermelho e do Primeiro Comando da Capital como Organizações Terroristas Estrangeiras — medida que o governo brasileiro tentou barrar por receio de sanções ou até de uma ação militar americana no país — torna o ambiente ainda mais sensível.
O embaixador Philip Fox-Drummond Gough, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, confirmou que os contatos com os EUA seguem intensos, mas evitou cravar um encontro. “Com os Estados Unidos os contatos seguem, por enquanto é o que eu posso dizer, e que estão em andamento de uma forma intensa, desde sempre, e isso continua acontecendo”, declarou.
Na frente europeia, o governo brasileiro vai expor sua surpresa com o veto à carne. A decisão foi oficializada no Diário Oficial da União Europeia em 5 de junho e entrará em vigor em 3 de setembro. Para o Itamaraty, a proximidade da oficialização do veto com a entrada em vigor provisória do acordo Mercosul-UE, que ocorreu em 1º de maio, gera preocupação.
Também não há confirmação de reunião com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. O tom da conversa, se houver, será de cobrança. “Ficamos um pouco surpresos da maneira como foi”, afirmou Gough, indicando que o Brasil quer entender o que pode ser feito para reverter a proibição.
Em meio à pressão de Washington e Bruxelas, a agenda asiática surge como um contraponto positivo. Lula terá o primeiro encontro oficial com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, que assumiu o cargo em outubro de 2025 como a primeira mulher a chefiar o governo japonês. A pauta inclui negociações para um acordo entre o Japão e o Mercosul.
Durante a cúpula, o presidente brasileiro participará de três sessões. No dia 16, discursará sobre parcerias para o desenvolvimento, cobrando dos países industrializados a ampliação da Assistência Oficial ao Desenvolvimento. No dia 17, tratará de crescimento econômico equilibrado e defenderá a reforma da governança global, com foco na OMC e na ONU, antes de um almoço centrado em inteligência artificial.
O G7 é presidido pela França este ano e conta com a presença de líderes convidados da Índia, Quênia, Coreia do Sul e Egito. Um encontro com o anfitrião, o presidente francês Emmanuel Macron, também é dado como certo na delegação brasileira.


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