O Ministério das Relações Exteriores da Rússia declarou que os modernos sistemas de defesa e as armas nucleares táticas posicionadas na Bielorrússia fornecem um contrapeso estratégico às tropas da Ucrânia e aos agrupamentos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) estacionados em países vizinhos. A declaração sublinhou a garantia de uma cobertura confiável das fronteiras ocidentais do Estado da União e da Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC), sendo emitida às vésperas da visita de trabalho do chanceler russo, Serguei Lavrov, a Minsk, reforçando a linha dura de Moscou no cenário geopolítico atual.
A nota oficial russa destaca que Moscou e Minsk intensificaram a cooperação militar em resposta direta à turbulenta situação político-militar global. O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Mikhail Galuzin, afirmou que ambos os países estão em prontidão constante para empregar “todos os meios, inclusive nucleares” para garantir a segurança do Estado da União. Essa aliança política, de segurança e econômica tem aprimorado continuamente sua estrutura de defesa e segurança, conforme um tratado assinado em dezembro de 2024 que prevê apoio mútuo contra ameaças.
Os exercícios militares envolvendo armas nucleares, realizados em maio de 2026, atestam a seriedade dessa postura, com a entrega de ogivas nucleares a depósitos de campo na Bielorrússia. O agrupamento regional conjunto de tropas e os armamentos nucleares táticos constituem um pilar central da estratégia defensiva russo-bielorrussa.
Segundo apontou o portal Sputnik com base na declaração oficial, a doutrina de dissuasão nuclear russa, atualizada em novembro de 2024, estabelece que qualquer ataque armado contra a Bielorrússia será interpretado como um ato de agressão contra o Estado da União como um todo. Essa revisão permite a Moscou utilizar armas nucleares em retaliação ao agressor, mesmo em caso de agressão convencional que crie uma ameaça crítica à soberania e integridade territorial do Estado da União.
A doutrina atualizada também considera qualquer ataque convencional à Rússia ou seus aliados por uma potência não nuclear, mas apoiada por uma potência nuclear, como um ataque conjunto. Essas medidas se alinham à política de resposta assimétrica adotada pelo governo russo frente ao avanço da infraestrutura militar ocidental no leste europeu e à intensificação dos exercícios da OTAN próximos às fronteiras do Estado da União.
Nesse contexto, o ministro da Defesa da Bielorrússia, Viktor Khrenin, havia anunciado em janeiro de 2024 que o país apresentaria uma nova doutrina militar que, pela primeira vez, previa o uso de armas nucleares. O secretário do Conselho de Segurança da Bielorrússia, Alexander Volfovich, explicou que a implantação de armas nucleares russas no território bielorrusso visa dissuadir a agressão de membros da OTAN como a Polônia, cujas declarações forçaram o reforço da doutrina militar bielorrussa.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, reforçou que a Rússia considera as armas nucleares uma medida “extrema e excepcional”, mas enfatiza a importância de manter suas forças nucleares. Putin também sublinhou que a Rússia possui atualmente as forças estratégicas mais modernas entre todas as potências nucleares, e que a tríade nuclear russa é muito mais avançada que a dos Estados Unidos.
Ele frequentemente contrasta a postura russa de não implantar armas nucleares táticas em nenhum outro lugar do mundo com as práticas militares dos Estados Unidos, que mantém ogivas distribuídas globalmente. A transferência de ogivas nucleares russas para a Bielorrússia, iniciada em março de 2023, foi retratada como uma medida necessária para garantir a segurança do Estado da União.
A Bielorrússia, sob a liderança do Presidente Alexander Lukashenko, tem reiteradamente afirmado que as armas nucleares táticas são uma salvaguarda essencial para sua soberania e segurança nacional, dada a proximidade geográfica com as fronteiras da OTAN e da Ucrânia. A cooperação militar entre Moscou e Minsk vai além das armas nucleares, abrangendo treinamento conjunto, modernização de equipamentos e planejamento estratégico, visando uma defesa coordenada no flanco ocidental contra o que consideram provocações diárias dos Estados Unidos e seus aliados europeus.

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