Uma equipe de arqueólogos subaquáticos concluiu o mapeamento tridimensional de estruturas identificadas como remanescentes do Farol de Alexandria, uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo, no fundo do mar Mediterrâneo, próximo à costa da cidade egípcia de Alexandria.
O trabalho, detalhado pelo Olhar Digital, envolveu scanners tridimensionais de alta precisão para registrar blocos de pedra de até 80 toneladas. Esses blocos jazem submersos na região da antiga ilha de Faros.
O farol original foi erguido por volta do século III a.C. durante o reinado de Ptolomeu II. Funcionou por mais de mil anos como referência náutica no Mediterrâneo oriental.
Sua destruição progressiva ocorreu ao longo de séculos, acelerada por uma série de terremotos entre os séculos IX e XIV d.C. Os abalos afundaram seus blocos nas águas rasas da baía de Abu Qir.
As condições do sítio arqueológico impõem obstáculos consideráveis à exploração direta. A erosão causada pela salinidade, combinada com correntes costeiras intensas e visibilidade quase nula, tornou inviável qualquer tentativa de remoção física sem risco de dano irreversível ao patrimônio.
Diante desse cenário, a equipe optou por uma estratégia de documentação digital exaustiva em vez de escavação convencional. Os scanners operam de forma independente da luz natural, permitindo o registro preciso da geometria dos blocos mesmo nas condições adversas do fundo marinho egípcio.
Os dados coletados foram processados para gerar um modelo digital tridimensional das estruturas identificadas. Essa reconstrução virtual permite que pesquisadores analisem a disposição dos blocos, as técnicas construtivas empregadas e as dimensões originais do monumento sem intervenção física no sítio.
A análise das técnicas de construção presentes nas estruturas submersas é considerada de alto valor científico pela comunidade arqueológica. O Farol de Alexandria é estudado há décadas como exemplo da engenharia helenística, e os dados tridimensionais agora disponíveis oferecem base empírica mais sólida para hipóteses sobre sua arquitetura original.
O modelo digital abre caminho para aplicações educativas e de divulgação científica em escala global. A possibilidade de explorar virtualmente as ruínas de uma das construções mais celebradas da Antiguidade representa um avanço concreto para a arqueologia digital e para a preservação do patrimônio histórico egípcio.
Leia também: Blocos do Farol de Alexandria emergem do Mediterrâneo e reescrevem a história da engenharia antiga
📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho
Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.


Eduardo Teixeira
05/05/2026
Zé, deixa de ser ignorante. Essa pesquisa não é dinheiro público brasileiro, é iniciativa privada e de universidades estrangeiras. O problema do Brasil não é gasto com arqueologia, é a carga tributária de 40% que engole seu salário e o meu enquanto o governo joga dinheiro em estatal ineficiente. Se você quer acabar com a fome, comece defendendo menos impostos e mais liberdade econômica.
João Carvalho
05/05/2026
Eduardo, você tem razão ao apontar que a pesquisa não é financiada com dinheiro público brasileiro, mas a armadilha do seu argumento é reduzir o debate a uma equação simplista de carga tributária versus liberdade econômica. O economista Amartya Sen, ao tratar de desenvolvimento como liberdade, mostra que a fome não se resolve apenas com menos impostos, mas com a capacidade do Estado de garantir direitos básicos — e isso exige tanto investimento público inteligente quanto regulação de mercados que historicamente concentram renda. Culpar a arqueologia ou o tamanho do Estado pelo nosso déficit social é um desvio conveniente que esconde quem de fato se beneficia da nossa estrutura tributária regressiva.
Maria Aparecida
05/05/2026
Eduardo, reduzir o problema da fome a carga tributária é trocar o Evangelho pela teologia da prosperidade. Jesus multiplicou pães, não pediu isenção fiscal. Liberdade econômica sem justiça social é farisaísmo puro.
Zé do Povo
05/05/2026
ISSO É GASTO PÚBLICO COM ARQUEOLOGIA ENQUANTO O BRASIL TEM FOME! 😡 QUEREM APAGAR NOSSA HISTÓRIA CRISTÃ COM ESSAS RUÍNAS PAGÃS! VOLTA BOLSONARO!
Mariana Oliveira
05/05/2026
Zé do Povo, seu comentário revela uma armadilha discursiva muito comum: a falsa dicotomia entre investimento em ciência e combate à fome. Como bell hooks nos ensina em “Ensinando a Transgredir”, o pensamento binário é uma das ferramentas mais eficazes do conservadorismo para impedir que enxerguemos a complexidade das estruturas sociais. O problema não é a arqueologia ou a pesquisa histórica — o problema é um modelo de Estado que, há séculos, prioriza o lucro de poucos em detrimento do bem-estar da maioria. A fome no Brasil não existe porque arqueólogos egípcios mapeiam ruínas; ela existe porque políticas públicas foram deliberadamente desmontadas, porque a reforma agrária nunca saiu do papel, porque o orçamento da educação e da saúde é sangrado ano após ano. Kimberlé Crenshaw, ao formular o conceito de interseccionalidade, nos lembra que as opressões não competem entre si: a fome é uma violência de classe, mas também racial e de gênero, e combatê-la exige uma análise estrutural, não um bode expiatório.
Quanto à sua afirmação de que essas ruínas “pagãs” ameaçam a história cristã, me parece uma leitura profundamente equivocada sobre como a história funciona. O Farol de Alexandria foi uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo, um símbolo do conhecimento humano que, ironicamente, influenciou a própria cultura que você defende. A Igreja Católica, por exemplo, preservou e traduziu textos gregos e romanos durante a Idade Média — ou seja, a chamada “história cristã” que você invoca é, em grande parte, herdeira dessas civilizações que você chama de pagãs. Apagar a história do Farol não fortalece o cristianismo; empobrece nossa compreensão da humanidade. A arqueologia não é uma competição de narrativas religiosas — é uma ferramenta para entender como diferentes povos, em diferentes épocas, construíram conhecimento, poder e cultura.
Por fim, a ideia de que “volta Bolsonaro” resolveria a fome ou a suposta “guerra cultural” contra o cristianismo é um sintoma do que a socióloga Ângela Alonso chama de “neoconservadorismo reativo”: um movimento que se alimenta do medo e da desinformação para propor soluções mágicas para problemas complexos. O governo que você evoca foi o mesmo que cortou verbas da ciência, da cultura e da educação, que aumentou a fome e a desigualdade, e que transformou a gestão pública em palco de guerras identitárias. Se você realmente se preocupa com a fome, deveria estar cobrando políticas de segurança alimentar, tributação progressiva e fortalecimento do SUS — e não atacando arqueólogos que estudam a história da humanidade. A fome não se resolve com ignorância; resolve-se com distribuição de renda, com ciência e com políticas públicas que, aliás, só existem quando valorizamos o conhecimento e a memória dos povos.
Ronaldo Pereira
05/05/2026
Zé, você caiu na conversa fiada dos patrões que cortam verba de tudo que não dá lucro imediato enquanto embolsam bilhões em isenção fiscal. O Farol de Alexandria é patrimônio da humanidade, não tem nada a ver com “pagão” ou “cristão” — é conhecimento que une os trabalhadores do mundo inteiro contra a ignorância que te vendem pra te manter calado. Enquanto você briga com arqueólogo, o dono da fábrica onde você trabalha tá rindo de nós dois.