A pesquisa Datafolha divulgada neste sábado confirma o cenário mais temido pelo campo conservador: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém dez pontos de vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e expõe, a cada rodada, os limites da direita para 2026.
Lula tem 41% das intenções de voto no primeiro turno, contra 31% do principal adversário. O levantamento, que ouviu 2.004 eleitores entre os dias 17 e 19 de junho, tem margem de erro de dois pontos percentuais e foi registrado no TSE sob o código BR-09956/2026.
Como reportou o Metrópoles, a rodada testou 13 nomes e incluiu pela primeira vez o ex-governador Aécio Neves (PSDB) e o ex-ministro Joaquim Barbosa (DC). Ambos ficaram em níveis residuais — 2% e 1%, respectivamente.
Mas o dado mais revelador está na estabilidade. Na pesquisa de maio, Lula tinha 40% e Flávio, 31%. Um mês depois, o quadro é praticamente idêntico. A oscilação positiva do presidente, de um ponto, está dentro da margem de erro e sinaliza que sua base resiste.
A fragmentação que serve ao líder. O novo Datafolha expõe uma direita espalhada em diversos nomes sem tração. Ronaldo Caiado (PSD) surge com 3%, e Romeu Zema (Novo) com 2%. Os demais postulantes à direita de Flávio Bolsonaro — Aécio Neves, Augusto Cury, Cabo Daciolo e Joaquim Barbosa — somam outros 5%. Juntos, todos os candidatos conservadores alcançam 12%, bem menos da metade do que o senador tem sozinho.
É o oposto do que ocorre no campo progressista. As candidaturas de esquerda que não são Lula, como Renan Santos (Missão) com 3% e Samara Martins (UP) com 2%, somam no total 7%. O petista concentra a grande maioria — e a fragmentação do outro lado reforça essa vantagem. Enquanto a direita patina dividida, Lula herda um eleitorado fiel que já orbitava em torno do projeto petista.
A operação que não abalou o governo. O trabalho de campo do Datafolha coincidiu com a deflagração de uma operação da Polícia Federal que teve como alvo o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, por suspeitas de irregularidades ligadas ao Banco Master, de Daniel Vorcaro. Apesar da repercussão na imprensa conservadora, o episódio não arranhou os números do presidente.
Pelo contrário. Lula oscilou de 40% para 41%, movimento tecnicamente nulo, mas politicamente expressivo: indica que a base petista não se deixou contaminar por um caso que a mídia tentou transformar em escândalo. No segundo turno, o mesmo Datafolha aponta o presidente com 47% contra 43% de Flávio Bolsonaro, diferença dentro da margem, mas com tendência favorável a Lula.
Uma eleição com dez pontos de folga a cinco meses do pleito não está decidida, mas seu desenho é claro. Flávio Bolsonaro herdou o espólio eleitoral do pai, mas não herdou sua capacidade de polarizar com Lula. O senador permanece estagnado na casa dos 30%, sem romper o teto. Enquanto isso, o presidente mantém um piso de 40% que nenhum adversário conseguiu arranhar.
O caminho de Flávio para crescer não é mais convencer quem já está com ele. É furar a bolha. E o Datafolha de junho indica que, até agora, ele não sabe como fazer isso.


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