Estudo europeu antecipa desintegração precoce de Fobos com formação de anéis em Marte

Ilustração artística mostra Marte e suas duas luas, Fobos e Deimos, em órbita. (Foto: olhardigital.com.br)

Um estudo publicado na revista Astronomy & Astrophysics indica que a lua marciana Fobos pode começar a se desintegrar antes do que se estimava anteriormente. Pesquisadores do Observatório da Côte d’Azur, na França, realizaram simulações que demonstram como a estrutura interna do satélite influencia diretamente seu futuro orbital.

A pesquisa revela que Fobos pode perder material a uma distância maior da superfície marciana do que o previsto em modelos anteriores. Esse processo de fragmentação antecipado reforça a possibilidade de Marte desenvolver anéis temporários ao longo de sua história geológica.

Fobos possui dimensões de cerca de 27 por 22 por 18 quilômetros e orbita a apenas 9.400 quilômetros do centro de Marte. Essa proximidade coloca o corpo celeste dentro do Limite de Roche, onde as forças de maré do planeta podem superar a coesão interna do satélite.

Caso Fobos seja uma pilha de escombros semelhante aos asteroides Bennu e Ryugu, sua resposta às forças gravitacionais muda significativamente. A lua começaria a se romper ao atingir cerca de 2,25 raios marcianos e seria completamente destruída a aproximadamente 2,03 raios marcianos, ou 6.682 quilômetros do centro do planeta.

A aproximação orbital de Fobos acontece no ritmo constante de 1,8 centímetro por ano. Esse movimento gradual sugere que o início da fragmentação pode ocorrer em dezenas de milhões de anos, escala curta para os padrões do Sistema Solar.

O trabalho científico também apoia a hipótese de que Marte já teve anéis em seu passado, formados pela destruição de outros satélites menores. Parte do material liberado se acumularia no planeta, enquanto outra parcela criaria estruturas anelares temporárias que poderiam originar novos corpos ao longo do tempo.

Apesar dos progressos, ainda persistem dúvidas sobre como conciliar uma estrutura interna frouxa com as características observadas em Fobos. O satélite exibe uma grande cratera e cadeias de sulcos que indicam eventos de impacto ou tensões internas não totalmente compreendidas.

A missão Martian Moons eXploration (MMX), da Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA), promete esclarecer essas questões. A sonda coletará dados detalhados sobre Fobos e trará amostras de sua superfície para análise na Terra.

Essas amostras permitirão determinar com precisão a composição interna do satélite e sua possível origem como corpo fragmentado. Conforme detalhou o portal Olhar Digital, os resultados da MMX podem confirmar se Fobos está destinada a se tornar um anel de detritos ao redor de Marte.

As simulações europeias avançam o conhecimento sobre os processos de erosão gravitacional em sistemas planetários. Cientistas acompanham de perto a trajetória de Fobos, que continua se aproximando gradualmente de Marte.


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