Irã contesta resolução da Liga Árabe e acusa EUA e Israel de agressão

Representante permanente do Irã na ONU durante sessão do Conselho de Segurança. (Foto: en.mehrnews.com)

O embaixador do Irã junto à Organização das Nações Unidas, Amir Saeid Iravani, contestou de forma contundente a resolução 9245 apresentada pelo Bahrein em nome da Liga Árabe. Na carta enviada ao Conselho de Segurança, o diplomata iraniano afirmou que o documento ignora elementos centrais da crise regional em curso.

A manifestação reacende o debate sobre soberania e legalidade internacional no Oriente Médio. Iravani rejeitou integralmente a resolução, classificando suas alegações como infundadas e politicamente orientadas.

O representante iraniano argumentou que o texto desconsidera as causas reais do atual cenário de tensão. Ele acusou o documento de colocar o Irã como agressor em um contexto marcado por ações militares dos Estados Unidos e de Israel.

Iravani destacou que os dois países realizaram ataques contra a soberania e a integridade territorial iraniana. Esses atos desrespeitam princípios básicos do direito internacional e da Carta da ONU, segundo o embaixador.

Conforme apontou o portal Mehr News, o embaixador ressaltou que esses ataques configuram agressão direta. As ações deram início a uma escalada não provocada contra o Irã.

O diplomata recordou que a sequência de ataques teve início após bombardeios que resultaram na morte de autoridades e comandantes iranianos de alto escalão. A resposta militar de Teerã tem sido composta por operações com drones e mísseis contra alvos em territórios ocupados por Israel.

As ações também atingem bases utilizadas pelos Estados Unidos na região e são apresentadas como exercício do direito à legítima defesa. Para o embaixador iraniano, a resolução da Liga Árabe distorce tanto os fatos quanto o quadro jurídico aplicável.

O documento ignora que o Irã atua como alvo de uma guerra de agressão promovida por potências externas. Iravani acusou o texto de inverter responsabilidades e de tentar blindar os verdadeiros autores dos ataques.

Essa postura retira dos agressores o peso de obrigações impostas pelo sistema internacional de normas. O embaixador reiterou que o Irã mantém posição clara sobre seu direito de autodefesa.

As medidas adotadas no Golfo Pérsico e no Estreito de Hormuz seguem padrões previstos em normas internacionais. Essas ações procuram garantir a segurança e a estabilidade diante de ameaças externas constantes.

Iravani lembrou que o governo iraniano já notificou anteriormente o secretário-geral da ONU e o Conselho de Segurança sobre o tema. Países como Catar, Bahrein, Kuwait, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Jordânia participaram de ações de apoio aos ataques promovidos pelos Estados Unidos e por Israel.

Esse envolvimento foi descrito como cumplicidade em atos considerados internacionalmente ilícitos. Na avaliação do diplomata, a tentativa de encobrir responsabilidades não altera os fatos nem afasta as obrigações legais dos envolvidos.

A posição de Teerã se insere em um cenário geopolítico marcado pela crescente contestação ao protagonismo militar dos Estados Unidos no Oriente Médio. O Irã conta com o apoio de segmentos expressivos do Sul Global nessa argumentação.

Washington e seus aliados utilizam ferramentas militares e diplomáticas para moldar a região segundo seus interesses estratégicos. Essas práticas ocorrem frequentemente à margem do direito internacional, segundo o ponto de vista iraniano.

A carta enviada ao Conselho de Segurança amplia o debate sobre responsabilidades e limites das operações de potências externas na região. Ela reforça a necessidade de mecanismos multilaterais capazes de conter escaladas e de punir violações graves.

A mensagem também expõe o contraste entre discursos de defesa da ordem global e práticas que colocam em risco a estabilidade regional. Ao terminar sua carta, Iravani enfatizou que distorções narrativas não eximem nenhum Estado de responder por ações contrárias ao direito internacional.

Para Teerã, a busca por responsabilização é condição essencial para evitar que novos episódios de agressão alimentem ciclos de violência no Oriente Médio. A contestação iraniana reforça a importância da soberania e do respeito às normas internacionais.


Leia também: Pezeshkian alerta EUA e Israel e reafirma soberania iraniana sobre o Golfo Pérsico


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