O economista americano Jeffrey Sachs, professor da Universidade Columbia e ex-conselheiro da ONU, afirmou que nenhum país que hospeda bases militares dos Estados Unidos pode ser considerado verdadeiramente soberano.
Segundo Sachs, essas nações estão, na prática, sob controle de Washington. Isso compromete estruturalmente sua independência política e diplomática.
O economista apontou os membros da OTAN como exemplos centrais dessa dinâmica, questionando especificamente a presença militar americana na Alemanha e no Japão. Para Sachs, tropas dos EUA permanecerem nesses territórios décadas após o fim da Segunda Guerra Mundial evidencia não uma aliança entre iguais, mas uma relação de tutela imperial disfarçada de parceria estratégica.
Sachs também voltou suas críticas à atuação dos EUA no Conselho de Segurança da ONU. Segundo ele, Washington utiliza seu poder de veto e sua influência institucional para concentrar os debates em alvos de interesse próprio, com destaque para o Irã.
O economista argumenta que esse padrão revela como os EUA instrumentalizam organismos multilaterais para projetar poder, em vez de promover a ordem internacional.
O debate ganhou novo fôlego com informações de que Washington estuda retirar cerca de 5.000 soldados estacionados na Alemanha, movimento que gerou reação imediata no parlamento alemão. A deputada federal Siemtje Moeller declarou que a questão vai muito além do número de militares envolvidos.
Para Moeller, o que está em jogo é a mensagem política de que alianças históricas podem ser descartadas por decisões unilaterais e imprevisíveis de Washington. A declaração expõe uma tensão crescente dentro da própria OTAN.
Aliados europeus começam a questionar a confiabilidade dos EUA como parceiro estratégico de longo prazo. A possível redução de tropas americanas na Alemanha, se confirmada, seria interpretada por muitos governos como sinal de que a proteção americana tem prazo de validade e condições políticas não escritas.
As declarações de Sachs, reproduzidas pelo portal RT, inserem-se num debate mais amplo sobre o modelo de segurança global imposto pelos EUA desde o pós-guerra. O economista é uma das vozes acadêmicas mais respeitadas do mundo e tem criticado sistematicamente a política externa americana.
Para Sachs, a soberania não é apenas um conceito jurídico formal inscrito em constituições — ela exige autonomia real nas decisões de política externa, de defesa e de alinhamento diplomático. Enquanto soldados americanos ocuparem solo estrangeiro sob acordos que os países-sede não podem revogar sem custo político severo, essa autonomia simplesmente não existe.
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João Batista Alves
05/05/2026
Padre João: Pois é, Cristina, o problema é mais fundo mesmo. Essa subserviência política e econômica é fruto de um abandono espiritual. Enquanto a nação não se voltar para Deus e para os valores da família, continuaremos reféns de potências estrangeiras e de ideologias que destroem a nossa soberania e a nossa alma.
Lucas Gomes
05/05/2026
Padre João, com todo respeito, espiritualidade sem enfrentar a materialidade do saqueio — o agronegócio que envenena os rios, as mineradoras que expulsam povos indígenas, a dívida externa que sangra o orçamento — vira apenas ópio que acalma a consciência enquanto a floresta queima e os pobres são esmagados pelo capital.
Ricardo Menezes
05/05/2026
Jeffrey Sachs finalmente falou o óbvio. Enquanto o Brasil for colônia de Washington, pagando juros estratosféricos e mantendo bases americanas no quintal, nunca teremos soberania de verdade. Mas é mais fácil culpar o livre mercado do que admitir que nossos políticos entregam o país de bandeja.
Tiago Mendes
05/05/2026
Ricardo, concordo com a crítica à subserviência, mas acho que o problema é mais profundo: nossa elite política e econômica sempre preferiu ser sócia minoritária do império a construir um projeto de nação que inclua os pobres. A Bíblia mesmo já denunciava os que fazem aliança com o poder estrangeiro para oprimir o próprio povo.
Cristina Rocha
05/05/2026
Ricardo, concordo com seu diagnóstico, mas acho que precisamos ir um pouco além da denúncia da subserviência política. A questão das bases militares e dos juros estratosféricos não é apenas um sintoma de entreguismo das elites — é a expressão material de um projeto civilizatório que o Brasil nunca interrompeu. Desde a redemocratização, especialmente nos anos 1990, nosso país foi reconfigurado para funcionar como plataforma de acumulação do capital financeiro internacional. Não se trata só de políticos corruptos ou incompetentes, mas de um modelo econômico que transformou o Estado brasileiro em gestor da dívida pública e garantidor dos lucros do sistema bancário, enquanto a infraestrutura, a indústria e os serviços públicos foram sendo desmontados.
O que Sachs aponta, e que me parece central, é que a soberania não se reduz à ausência de tropas estrangeiras no território. A soberania é, antes de tudo, a capacidade de um povo decidir coletivamente sobre seu destino econômico, social e cultural. E nós perdemos essa capacidade quando aceitamos, como dado natural, que o Banco Central tenha autonomia para definir juros que beneficiam o rentismo, que o Congresso aprove reformas que congelam gastos sociais, que o Judiciário criminalize movimentos populares. Isso é a continuidade da colonialidade do poder, como diria Aníbal Quijano — uma estrutura de dominação que opera pela via econômica, jurídica e epistêmica, não apenas pela força militar.
Você mencionou o livre mercado como bode expiatório, e aí discordo um pouco. O problema não é culpar o livre mercado, mas entender que ele nunca existiu de fato. O que temos é um capitalismo de Estado às avessas, onde o Estado brasileiro atua como fiador dos interesses do capital estrangeiro e das elites locais, enquanto a maioria da população é empurrada para a precarização. A crítica ao neoliberalismo precisa ser feita com a devida complexidade: não se trata de um mercado abstrato que nos oprime, mas de uma classe social que controla os meios de produção e o aparelho de Estado. Enquanto não enfrentarmos essa estrutura de classes, a soberania será sempre uma miragem.