Uma análise publicada recentemente argumenta que o mercado global de petróleo caminha para uma reconfiguração estrutural, impulsionada por tensões geopolíticas no Estreito de Ormuz e pelo reposicionamento estratégico de produtores do Golfo. O texto sustenta que o sistema previsível de controle de oferta via OPEP e segurança de rotas marítimas, vigente por décadas, perde força diante de novas dinâmicas multipolares.
Os Emirados Árabes Unidos vêm investindo na expansão de sua capacidade produtiva, com meta de alcançar cerca de 5 milhões de barris diários até 2027. Esse movimento é interpretado como busca por maior flexibilidade comercial e acesso direto a grandes importadores asiáticos, especialmente a Índia, em arranjos bilaterais fora das amarras tradicionais do cartel.
O Estreito de Ormuz, passagem marítima por onde transita parcela decisiva do comércio mundial de petróleo, é apontado como o ponto de maior vulnerabilidade do sistema. A militarização crescente da região e o regime de sanções têm transformado o fluxo energético em um campo de disputa geopolítica permanente.
A Arábia Saudita, por sua vez, mantém o papel de âncora da OPEP, recorrendo com frequência a cortes mais profundos para sustentar os patamares de preço. A análise ressalta que a divergência entre a disciplina coletiva do cartel e as estratégias nacionais de cada produtor tende a ficar cada vez mais visível.
O redirecionamento do petróleo russo para mercados asiáticos, após as sanções ocidentais ligadas ao conflito na Ucrânia, alterou rotas de petroleiros e mecanismos de pagamento internacionais. Os Estados Unidos buscam exercer um papel duplo, oferecendo segurança em rotas marítimas críticas enquanto consolidam posição como grandes exportadores de petróleo de xisto e gás natural liquefeito.
Para os importadores asiáticos, a fragmentação é descrita como movimento ambíguo, capaz de ampliar a diversificação de fornecedores ao mesmo tempo em que vincula a segurança energética a fatores logísticos e geopolíticos cada vez mais voláteis. A Índia, citada como caso emblemático, enfrentaria pressões inflacionárias e impactos na conta corrente sempre que escalam tensões em Ormuz.
Políticas de reservas estratégicas, expansão da capacidade de refino e investimentos em energia renovável e nuclear são apresentados como peças de um quadro mais amplo de resiliência energética. A segurança marítima desponta como foco estratégico, levando Nova Délhi a aprofundar laços com Washington em GNL e tecnologia, sem abrir mão das relações com o Golfo nem das compras de petróleo russo.
Conforme defende o texto publicado pela RT, o sistema global de petróleo tende a se fragmentar em circuitos múltiplos e interconectados, moldados tanto por alinhamentos políticos quanto por critérios de eficiência de mercado. O cenário descrito é o de um mundo energético menos centralizado, em que o velho consenso entre cartéis, rotas seguras e potências hegemônicas dá lugar a arranjos regionais sobrepostos e mais sensíveis ao atrito geopolítico.
Com informações de RT.
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Marcos Conservador
06/05/2026
Luciana, você tocou no ponto que ninguém quer encarar: enquanto esses doutores debatem geopolítica de butique, a dona de casa já está pagando o pato. E olha que isso tudo é consequência de décadas de globalização irresponsável, que trocou a segurança energética nacional por “eficiência de mercado”. No fim, quem segura a ponta é o povo brasileiro, como sempre.
Márcio Torres
06/05/2026
Marcos, você acertou em cheio ao trazer a dona de casa para o centro da equação. O problema é que tanto os “doutores da geopolítica de butique” quanto os ufanistas da “eficiência de mercado” compartilham o mesmo vício de origem: tratam a economia como um sistema fechado que opera por leis próprias, quando na verdade ela é um subsistema aberto dentro de um sistema finito — o planeta. A dona de casa não paga o pato porque a globalização foi “irresponsável” no sentido moral que você sugere; ela paga porque o modelo energético global é intrinsecamente insustentável, e a fragmentação de Hormuz é apenas um sintoma agudo de uma doença crônica: a dependência de um recurso que se torna cada vez mais caro e difícil de extrair, independentemente de quem está no governo.
Você menciona a “segurança energética nacional” como se ela fosse um estado natural que perdemos para a “eficiência de mercado”. Mas o que era essa segurança? Era a Petrobras operando como braço do Estado, perfurando em águas profundas com subsídios públicos e vendendo gasolina a preço político. O resultado foi o mesmo: endividamento, corrupção e, no fim, a conta chegou para o consumidor via inflação e impostos. A “eficiência de mercado” que você critica nunca foi implementada de fato — o que tivemos foi um híbrido mal resolvido em que o Estado segurava o preço da gasolina enquanto a Petrobras seguia a lógica de mercado internacional. O resultado é o que vemos: volatilidade pura. A dona de casa não está pagando por excesso de mercado, mas por sua ausência — ou por sua aplicação seletiva e hipócrita.
O ponto que ninguém quer encarar, e que vai além do seu argumento, é que a “segurança energética” é uma miragem. Não existe segurança real quando 60% do petróleo mundial passa por um gargalo de 30 quilômetros de largura no Estreito de Hormuz. Isso não é globalização irresponsável, é geologia. O Oriente Médio tem as maiores reservas de petróleo de baixo custo de extração do planeta. Enquanto esse for o caso, qualquer nação que dependa de petróleo — e o Brasil, com sua frota de caminhões e carros a combustão, depende — estará refém. A solução não é voltar a uma era de ouro imaginária do nacionalismo energético, mas sim reconhecer que a única segurança real é a diversificação para fontes que não precisem ser transportadas por um funil geopolítico. Enquanto isso, a dona de casa continuará pagando, não por culpa dos “doutores” ou dos “mercados”, mas porque a física do carbono não se importa com nossas ideologias.
Pedro Almeida
06/05/2026
A fragmentação do mercado de petróleo em Hormuz não é mera coincidência, mas sim o corolário lógico de um sistema que sempre tratou a energia como instrumento de poder. Lembremos que desde a crise de 1973, com o embargo da OPEP, o petróleo revela sua natureza política antes de ser commodity. O reposicionamento dos Emirados, nesse contexto, ecoa a clássica análise de Maquiavel sobre a necessidade de alianças pragmáticas quando a correlação de forças se altera. A pergunta que fica é: quem pagará a conta dessa reconfiguração senão os povos do Sul Global, mais uma vez reféns da geopolítica dos combustíveis fósseis?
Luciana
06/05/2026
Pedro, você solta esses nomes todos e esquece o básico: quem vai pagar a conta já está pagando, e é a dona de casa que vê o botijão de gás subir sem aviso. Pode chamar de Maquiavel à vontade, mas no fim do dia o que me interessa é saber se vou ter que parcelar o mercado em 12x no cartão de crédito.
Beto Engenheiro
06/05/2026
Mais um sinal de que o mundo está virando um canteiro de obras desorganizado. Enquanto ficam nesse jogo geopolítico, a infraestrutura global de energia patina. Se não tiver projeto de duto e terminal novo saindo do papel, é só conversa fiada de escritório.
Fernando O.
06/05/2026
Beto, concordo que sem obra saindo do papel é só ruído, mas o problema é que ninguém quer aportar bilhões num duto novo com o risco de Hormuz explodir a qualquer hora. O mercado está reagindo a incerteza real, não a falta de projetos.
Lucas Gomes
06/05/2026
Beto, seu discurso é o retrato perfeito do tecnicismo que ignora a crise climática: enquanto você sonha com dutos e terminais, o planeta arde e populações inteiras são expulsas de suas terras pela ganância do capital fóssil.
Mariana Ambiental
06/05/2026
Beto, engenheiro, essa sua visão de que infraestrutura se resolve no papel é justamente o que nos trouxe ao colapso climático. Enquanto você defende duto e terminal, a gente sabe que o verdadeiro canteiro de obras desorganizado é o planeta sendo queimado por petróleo.
Sgt Bruno 🇧🇷
06/05/2026
Beto, parece que você nunca saiu do escritório. Enquanto fica nessa lenga-lenga de duto e terminal, o mundo real tá em guerra por petróleo e você aí achando que é só obra. Selva!
Carlos Mendes
06/05/2026
Mais um capítulo da novela geopolítica que encarece a gasolina aqui e enche o bolso de sheik. Enquanto o governo brasileiro insiste em interferir na Petrobras com preços tabelados, o mundo real mostra que petróleo é commodity e que segurança energética exige mercado livre e exploração sem amarras ideológicas.
Cristina Rocha
06/05/2026
Carlos, seu comentário é um prato cheio para quem estuda a ideologia por trás do discurso do “mercado livre”. Você começa com uma constatação óbvia — a geopolítica do petróleo encarece a gasolina —, mas a conclusão que tira disso é o velho mantra liberal que já deveria ter sido superado na prática, e não apenas na teoria. Você diz que “petróleo é commodity”, como se isso fosse uma lei da natureza, e não uma construção histórica e política. O petróleo só é tratado como commodity quando convém ao capital financeiro e às potências que controlam as rotas de extração e distribuição. O próprio artigo que você comenta mostra que a fragmentação do mercado não é um acidente; é o resultado de tensões geopolíticas, sanções, guerras e acordos de bastidores. O estreito de Hormuz não é uma abstração de manual de economia, é um ponto de estrangulamento militarizado onde a soberania de nações periféricas é violada diariamente para garantir o fluxo de lucro para as petroleiras ocidentais e as monarquias do Golfo. Chamar isso de “mercado livre” é um eufemismo cínico.
Você reclama da interferência do governo brasileiro na Petrobras com “preços tabelados”, mas esquece de mencionar que a tal “liberdade de mercado” que você defende é exatamente o que transformou a Petrobras em uma empresa que importa derivados a preço internacional enquanto produz petróleo a custo local, gerando lucros astronômicos para acionistas privados e estrangeiros. Isso não é liberdade, é transferência de renda do povo brasileiro para o capital financeiro internacional. A política de paridade de importação (PPI), que você implicitamente defende, não é uma lei natural; foi uma escolha política do governo Temer e depois mantida por Bolsonaro. Ela faz com que o preço do combustível no Brasil acompanhe o preço do barril em dólar no mercado externo, mesmo que a gente produza a maior parte do que consome. Isso não é “segurança energética”, é vulnerabilidade programada. Segurança energética de verdade seria usar o petróleo como instrumento de desenvolvimento nacional, com investimento em refino, em fontes renováveis, em soberania tecnológica. Mas isso exige planejamento estatal, o que seu discurso chama de “amarras ideológicas”.
E é aí que sua ideologia fica mais clara: você chama de “amarras ideológicas” qualquer tentativa de submeter o lucro ao interesse coletivo. Mas a defesa do “mercado livre” é a mais ideológica de todas as posições, porque naturaliza relações de poder que são históricas e contingentes. O mercado de petróleo nunca foi livre; ele é oligopolizado, controlado por cartéis, por monopólios estatais de países ricos e por corporações que têm orçamentos maiores que muitos Estados nacionais. A OPEP não é um “mercado livre”, é um cartel. As sanções dos EUA contra Irã e Venezuela não são “livre mercado”, são guerra econômica. Os subsídios bilionários que os países do G7 dão às suas indústrias de energia não são “livre mercado”, são protecionismo. Então, quando você pede “mercado livre e exploração sem amarras”, está pedindo na verdade que o Brasil se curve às regras do jogo impostas por quem já está no topo da cadeia de poder global. É a mesma lógica que levou a desindustrialização do país nos anos 1990.
Por fim, acho curioso que você se preocupe com o bolso do “sheik” — e com razão, porque a concentração de riqueza no Oriente Médio é um escândalo —, mas não se preocupe com o bolso do acionista da Petrobras que mora em Nova York ou Londres. A diferença é que o sheik pelo menos tem um Estado por trás que usa o petróleo para comprar lealdade interna e se manter no poder; já o acionista estrangeiro não tem nenhum compromisso com o bem-estar do povo brasileiro. Enquanto a esquerda defende que a Petrobras seja um instrumento de desenvolvimento e justiça social, com preços justos e investimento em refino e transição energética, a direita defende que ela seja uma mera caixa registradora a serviço do mercado financeiro. O resultado prático do seu “mercado livre” é gasolina a preço de dólar, desemprego na cadeia produtiva nacional e mais desigualdade. Se isso é “segurança energética”, eu sou uma defensora do feudalismo.
Marcus Almeida
06/05/2026
Carlos, você repete o mantra liberal como se fosse o Salmo 23 do mercado, mas esquece que o lucro dos sheiks e das petroleiras nunca desce para o povo brasileiro. Interferência na Petrobras é pecado, mas tabelar preço da gasolina para não quebrar o bolso do trabalhador é mandamento de justiça social. Enquanto a esquerda brinca de geopolítica com o petróleo do povo, a gasolina sobe e a família brasileira paga a conta.
Carmem Souza
06/05/2026
Carlos, entendo sua preocupação com o preço da gasolina, mas acho que a solução não é tão simples quanto um mercado totalmente livre — a ética cristã nos lembra que o lucro não pode ser o único norte, e a soberania energética também envolve proteger o povo brasileiro da volatilidade que você mesmo critica.
Ricardo Almeida
06/05/2026
Mais um capítulo dessa novela geopolítica que a mídia adora vender como “crise existencial”. O mercado de petróleo sempre foi fragmentado e volátil; a diferença é que agora os atores tradicionais estão perdendo o monopólio da narrativa. Enquanto isso, o brasileiro médio continua pagando o pato na bomba, sem que ninguém questione de fato a lógica por trás da precificação dos combustíveis.
Marta
06/05/2026
Ricardo, meu filho, você tocou num ponto que me fez lembrar das aulas de História Econômica que dava no estadual. Quando a gente estuda a formação do mercado de petróleo, desde o acordo de Achnacarry em 1928 até a criação da Opep, vê que essa tal “fragmentação” sempre foi uma constante. O que mudou não foi a geopolítica do petróleo, foi a disposição dos países produtores em desafiar a hegemonia do dólar e das Sete Irmãs. Você tem razão em dizer que os atores tradicionais estão perdendo o monopólio da narrativa, mas discordo que isso seja apenas “novela”. É luta de classes em escala global, meu caro. Enquanto os Emirados e a Arábia Saudita jogam nos dois tabuleiros, o Brasil precisa entender que nossa política de preços de paridade internacional é uma herança maldita do governo Temer, que entregou a Petrobras ao mercado financeiro.
Agora, sobre o brasileiro pagar o pato na bomba: você está coberto de razão, mas falta um passo no seu raciocínio. Quem lucra com essa precificação não é a Petrobras, são os acionistas da bolsa, os fundos de investimento, aquela turma que chama o Lula de “populista fiscal” enquanto embolsam dividendos bilionários. A lógica por trás do preço dos combustíveis não é técnica, é ideológica. Enquanto defendem o “preço de mercado”, esquecem que Noruega e México têm estatais que subsidiam seus cidadãos. O problema não é a fragmentação do mercado global, é a elite brasileira que prefere ver o povo sofrendo na fila do posto a abrir mão de um centavo de lucro. E a mídia, claro, adora vender essa narrativa de “crise inevitável” para naturalizar o absurdo.
Sabe o que me preocupa, Ricardo? É ver um comentário lúcido como o seu e saber que, na prática, a solução passa por retomar o controle da Petrobras, fortalecer a Opep+ e criar uma política de preços que priorize o desenvolvimento nacional. Mas para isso, precisamos de um debate que vá além do “mercado livre” versus “intervenção estatal”. Precisamos entender que petróleo é recurso estratégico, não mercadoria qualquer. Enquanto isso, o menino liberal vai continuar repetindo que “preço tem que ser livre”, sem nunca explicar por que o pão francês tem tabelamento e a gasolina não. No fim, a história sempre ensina: quem controla a energia, controla a nação. E o Brasil, com o pré-sal, tem nas mãos a chance de virar o jogo. Mas para isso, precisamos parar de tratar petróleo como se fosse batata.
Laura Silva
06/05/2026
Marta, que prazer ler um comentário que não apenas entende o que está em jogo, mas o faz com a profundidade de quem viveu a sala de aula e a luta concreta. Você acerta em cheio ao resgatar o acordo de Achnacarry, pois ali, em 1928, as Sete Irmãs não estavam apenas dividindo mercado; estavam consolidando um regime de acumulação que duraria décadas, baseado na subordinação dos países produtores e na indexação do petróleo ao dólar. Quando você diz que a fragmentação atual não é novidade, mas sim a disposição dos produtores em desafiar essa hegemonia, está fazendo uma leitura materialista da história que muitos analistas de mercado, presos à superfície dos preços, jamais alcançam. A Opep nunca foi um cartel no sentido clássico; foi, e continua sendo, um instrumento de resistência dos países periféricos contra a apropriação da renda petrolífera pelo capital financeiro central. O que vemos hoje em Hormuz e nos movimentos dos Emirados é a continuação dessa luta, agora com novos atores, como a China e a Rússia, que oferecem rotas de escoamento e moedas alternativas ao dólar. Mas você tem razão: isso não é novela, é a luta de classes em escala planetária, onde cada barril de petróleo carrega a disputa entre a soberania nacional e a financeirização predatória.
O ponto que você levanta sobre a política de preços da Petrobras é, para mim, o coração do debate. A paridade de importação, instituída no governo Temer, não é uma decisão técnica; é uma transferência direta de renda dos trabalhadores brasileiros para os acionistas da bolsa, os mesmos fundos de investimento que chamam qualquer política de desenvolvimento de populismo fiscal. É a financeirização do Estado brasileiro, onde a Petrobras, uma empresa que deveria ser instrumento de soberania energética, é transformada em veículo de extração de valor para o capital portador de juros. Você menciona a Noruega e o México, e eu acrescento: a norueguesa Equinor opera com lógica de Estado, subsidiando o mercado interno e acumulando um fundo soberano que é a maior poupança coletiva do mundo. Já a Petrobras, sob a lógica do mercado, distribuiu mais de R$ 180 bilhões em dividendos nos últimos anos, enquanto a gasolina brasileira é uma das mais caras do mundo. Isso não é acaso, é projeto: desmontar a capacidade do Estado de intervir na economia, privatizar o lucro e socializar o prejuízo, como vimos no desastre de Mariana e Brumadinho. A mídia, como você bem aponta, naturaliza esse absurdo ao tratar o preço dos combustíveis como fenômeno meteorológico, algo que cai do céu, quando na verdade é resultado de uma escolha política deliberada.
Sua provocação final sobre o pão francês ter tabelamento e a gasolina não é apenas uma ironia; é uma denúncia da seletividade do discurso liberal. O mercado nunca é livre; ele é sempre regulado a favor de quem detém o poder. Enquanto o pão, produzido por pequenos panificadores e consumido pela classe trabalhadora, é tabelado para conter a inflação, a gasolina, controlada por um monopólio estatal capturado pelo mercado financeiro, é deixada “livre” para extrair o máximo de cada trabalhador que precisa do carro para ir à luta. É a velha história: para o rico, liberdade de acumular; para o pobre, disciplina de mercado. Você está coberta de razão quando diz que a solução passa por retomar o controle da Petrobras, fortalecer a Opep+ e construir uma política de preços que priorize o desenvolvimento nacional. Mas isso exige um debate que vá além do falso dilema entre mercado e Estado, e enfrente a natureza de classe do Estado brasileiro. Enquanto a elite brasileira preferir ver o povo sofrendo na fila do posto a abrir mão de um centavo de lucro, a fragmentação do mercado global será apenas mais um capítulo dessa tragédia anunciada. O pré-sal é nossa chance de virar o jogo, mas, como você disse, petróleo não é batata; é poder. E poder, em uma sociedade de classes, só se conquista com organização, luta e a coragem de chamar as coisas pelo nome.
João da Silva
06/05/2026
Laura, você foi fundo e eu gostei da análise, mas cá entre nós: essa discussão toda é bonita no papel, na prática o que vejo é o povo pagando o pato na bomba enquanto os acionistas comemoram. Se a Petrobras virar instrumento de soberania de verdade, ótimo, mas enquanto o preço do litro subir mais que meu salário, vou continuar achando que falta pé no chão nessa briga de gigantes.
Karina Libertária
06/05/2026
Mais um sinal de que o mundo está se mexendo enquanto o Brasil fica parado, tomando golpe e gastando dinheiro com bolsa família. Quem tem grana e visão já diversificou em dólar e petróleo lá fora faz tempo. Hormuz é só mais um lembrete de que estabilidade não existe, e quem depende do governo pra tudo vai sofrer.
Fernanda Oliveira
06/05/2026
Karina, você tem razão em parte: a fragmentação do mercado de petróleo e a tensão em Hormuz expõem riscos reais para economias dependentes de importação, como o Brasil. Mas reduzir o debate a “Bolsa Família versus diversificação em dólar” ignora que a renda básica também sustenta o consumo interno e que a instabilidade global afeta até quem investe lá fora — ninguém está imune a um choque de oferta.
Capitão Tavares 🇧🇷
06/05/2026
Fernanda, com todo respeito, seu raciocínio é o típico de quem acha que dar esmola resolve problema estrutural. Bolsa Família não segura preço de combustível nem substitui reserva cambial. Enquanto vocês discutem renda básica, o mundo real está em chamas e o Brasil segue sem rumo.
Carlos A. Mendes
06/05/2026
Capitão, acho que você está certo em parte: Bolsa Família não segura bomba de gasolina, mas também não vejo a direita propondo nada além de barulho e ideologia. O Brasil tá sem rumo justamente porque ninguém quer conversar de verdade.
Caio Vieira
06/05/2026
Caro Capitão Tavares, sua análise, embora pragmática, padece de um vício de origem ao reduzir a complexa trama da hegemonia energética a uma falsa dicotomia entre assistência social e política cambial. O Bolsa Família, longe de ser uma esmola, constitui-se como um mecanismo de reprodução da vida material das classes subalternas, sem o qual o “mundo real em chamas” que o senhor menciona teria um custo social ainda mais brutal para o povo brasileiro.
Maria Antonia
06/05/2026
Mais um capítulo da eterna confusão geopolítica que só encarece a bomba na bomba do posto. Enquanto governos ficam fazendo teatro em Hormuz, o mercado livre já está se ajustando e buscando novas rotas. O problema mesmo é ver estado querendo meter a mão no preço dos combustíveis aqui dentro.
Sargento Bruno
06/05/2026
Maria Antonia, essa sua fé cega no “mercado livre” é o mesmo discurso que nos trouxe dependência externa e vulnerabilidade. Enquanto você acha que rotas alternativas resolvem tudo, esquece que sem um Estado forte garantindo nossa soberania energética, quem dita o preço são os mesmos que nos tratam como colônia.
Clotilde Pátria
06/05/2026
Sargento Bruno, você fala em soberania energética mas esquece que Estado forte pra você é o mesmo que nos deu a Petrobras apodrecendo com corrupção e gasolina nas alturas. Enquanto isso, o mercado livre pelo menos deixa a gente escolher sem pedir autorização de ministro.
Rodrigo RedPill
06/05/2026
Sargento Bruno, esse papo de Estado forte é o mesmo chororô de quem não consegue gerar valor próprio e fica dependendo de mamata estatal. Mercado livre resolveu a vida de quem estudou e investiu em cripto, não de estatistas que acham que soberania é sinônimo de ineficiência. Enquanto você defende controle, eu tô lucrando com a volatilidade do petróleo.
Eduardo Teixeira
06/05/2026
Rodrigo, lucrar com volatilidade é esperto, mas não confunda especulação com geração de valor real. Enquanto você aposta em cripto e petróleo, a infraestrutura que permite seu trading depende de estradas, portos e regulação que o mercado livre sozinho não entrega.
Luciana Santos
06/05/2026
Mais uma crise no Oriente Médio e quem vai pagar o pato é o povo brasileiro no posto de gasolina. Enquanto esses sheiks e políticos brincam de guerra, a gente aqui ralando pra pagar conta que não para de subir. Cadê o governo que prometeu segurar o preço dos combustíveis? Promessa vazia, como sempre.
Cecília Ramos
06/05/2026
Luciana, você tocou no ponto exato: a fé cristã que professamos não pode fechar os olhos pra essa injustiça. O governo precisa sim intervir pra proteger o povo que rala, e a omissão diante da ganância dos mercados é pecado social. É por isso que defendo uma política de preços justa e que olhe pra quem mais sofre.
Lucas Moreira
06/05/2026
Luciana, o problema não é o sheik, é o governo brasileiro que insiste em intervir no preço dos combustíveis em vez de privatizar a Petrobras e deixar o mercado livre. Enquanto a estatal for usada como instrumento político, o povo vai continuar pagando a conta.
Helton Barros
06/05/2026
Luciana, você tem toda razão em se indignar. Esse governo só sabe fazer promessas e aumentar imposto, enquanto o brasileiro paga o pato. O problema não é só o Oriente Médio, é a falta de patriotismo e competência aqui mesmo.
Pedro Silva
06/05/2026
Helton, concordo que a bagunça aqui dentro atrapalha mais que qualquer crise lá fora. Mas sinceramente, acho que falta competência e patriotismo em todo lado, não só num governo específico.