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Coreia do Norte condena EUA na ONU e reafirma status nuclear inegociável

11 Comentários🗣️🔥 Mísseis são lançados durante exercício militar na Coreia do Norte. (Foto: actualidad.rt.com) A Coreia do Norte declarou que seu status como potência nuclear é inalterável e não será modificado por pressões externas ou imposições unilaterais. A afirmação foi feita pelo representante permanente da República Popular Democrática da Coreia (RPDC) na ONU, Kim Song, […]

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Mísseis são lançados durante exercício militar na Coreia do Norte. (Foto: actualidad.rt.com)

A Coreia do Norte declarou que seu status como potência nuclear é inalterável e não será modificado por pressões externas ou imposições unilaterais.

A afirmação foi feita pelo representante permanente da República Popular Democrática da Coreia (RPDC) na ONU, Kim Song, em declaração divulgada pela Agência Central de Notícias da Coreia (KCNA). O diplomata destacou que a RPDC não está mais vinculada ao Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), do qual o país se retirou oficialmente em janeiro de 2003.

Kim Song criticou a Conferência de Exame do TNP, acusando o evento de ter sido transformado em uma plataforma para ataques políticos contra nações soberanas. Segundo ele, essa instrumentalização é liderada principalmente pelos Estados Unidos.

O diplomata apontou que os EUA violam suas próprias obrigações como signatários do TNP ao transferirem tecnologia de submarinos nucleares e oferecerem o que chamou de “dissuasão estendida” a aliados. Para Kim, essas práticas minam a credibilidade do tratado e deveriam ser o foco central das discussões no fórum internacional.

Ele condenou ainda o que descreveu como uma postura intimidatória de Washington ao questionar o direito da Coreia do Norte de possuir armas nucleares. O representante reiterou que a decisão de sair do TNP foi legítima e reflete a busca do país por segurança e estabilidade estratégica.

Kim Song defendeu que a condição de potência nuclear da RPDC é um fato consolidado e que o país continuará a exercer seus direitos soberanos nesse campo. Ele acusou os Estados Unidos de aplicarem padrões duplos, promovendo a proliferação nuclear entre aliados enquanto pressionam outras nações com sanções e ameaças.

Desde a retirada do tratado em 2003, a Coreia do Norte enfrenta sanções internacionais e intensa pressão diplomática, especialmente por parte dos EUA e seus parceiros. O governo norte-coreano mantém que seu programa nuclear é uma resposta necessária a ameaças externas e uma garantia de sua independência.

Kim Song acusou explicitamente os EUA de enfraquecerem o sistema de não proliferação ao priorizarem interesses geopolíticos em detrimento de compromissos assumidos. As declarações foram relatadas pelo portal da KCNA.

As críticas ecoam um posicionamento histórico da Coreia do Norte, que vê nas armas nucleares não apenas um instrumento de defesa, mas também um símbolo de resistência contra uma ordem mundial dominada por interesses ocidentais. O país segue desafiando tentativas de isolamento diplomático e mantendo sua postura de confronto com Washington.

Com informações de ACTUALIDAD.


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Carlos Meirelles

07/05/2026

John Marshall, você citou Hobbes, mas o que estamos vendo aqui é a prova de que isolamento econômico e sanções só empurram regimes autoritários para o beco sem saída das armas. Enquanto a esquerda brasileira defende estatismo e controle estatal, a Coreia do Norte é o exemplo máximo de onde isso dá: um povo passando fome e um governo gastando rios de dinheiro em mísseis. Menos estado, mais liberdade econômica — esse é o caminho para evitar que um país vire uma fortaleza nuclear disfarçada de nação.

    Paulo Ribeiro

    07/05/2026

    Carlos, você faz uma associação que, com todo respeito, é um clássico truque retórico do liberalismo: pegar um caso extremo e distorcê-lo para desqualificar qualquer forma de intervenção estatal. A Coreia do Norte não é o “exemplo máximo do estatismo” — ela é o exemplo máximo do stalinismo tardio, uma distorção burocrática e militarizada que nada tem a ver com as experiências democráticas e populares que a esquerda brasileira defende. Você está comparando laranjas com ogivas nucleares. O que Kim Jong-un faz é uma apropriação cínica do discurso antiamericano para sustentar uma elite parasitária, enquanto o que propomos aqui é um Estado que garanta direitos, regule o capital e promova distribuição de renda — coisas que, aliás, a social-democracia escandinava faz com sucesso e ninguém chama de “fortaleza nuclear”.

    Quanto à sua receita de “menos Estado, mais liberdade econômica”, ela ignora que o próprio isolamento da Coreia do Norte é fruto de uma guerra fria que os EUA ajudaram a perpetuar com sanções e embargos. Não é o “estatismo” que levou Pyongyang às armas; é a insegurança geopolítica real, alimentada por décadas de hostilidade americana e pela memória da Guerra da Coreia, que matou milhões. O que você chama de “liberdade econômica” é, na prática, a receita neoliberal que já produziu desastres no Brasil — lembre-se do que Collor e FHC fizeram com a indústria nacional, ou o que o Chile de Pinochet fez com a previdência. Menos Estado não é sinônimo de paz; muitas vezes é sinônimo de desproteção e vulnerabilidade.

    O problema central da Coreia do Norte não é o tamanho do Estado, mas o caráter autocrático e familiar do regime, que sequestra qualquer possibilidade de participação popular. Gramsci nos ensinou que a hegemonia se conquista pelo consenso, não só pela coerção. Lá, não há hegemonia, há dominação pura e simples. Mas isso não invalida o papel do Estado como instrumento de transformação social — pelo contrário, mostra que sem democracia de base e controle social, qualquer Estado, seja ele grande ou pequeno, vira instrumento de opressão. Então, em vez de jogar a Coreia do Norte no colo da esquerda como um espantalho, que tal olharmos para os exemplos concretos de países que combinaram planejamento estatal com participação popular, como Cuba, que resiste há 60 anos com sanções brutais e ainda assim mantém indicadores sociais melhores que muitos países “livres” da América Latina? O debate é mais complexo do que o mantra “menos Estado, mais mercado” sugere.

John Marshall

07/05/2026

Carmem, você tocou num ponto humano importante, mas acho que a discussão sobre opressão e armamento precisa de um enquadramento histórico mais amplo. Hobbes já nos alertava que o medo da morte violenta é o motor que leva comunidades inteiras a entregar liberdades em troca de segurança. O regime norte-coreano leva esse cálculo ao extremo: prefere um Leviatã que aprisiona seu próprio povo a arriscar o colapso que viu na Líbia ou no Iraque. Não justifico a fome, apenas constato que a lógica deles é tristemente racional dentro do próprio quadro de referência.

Carmem Souza

07/05/2026

Márcio, você tem razão que não é blefe, mas pra mim o que falta nessa discussão é um olhar mais humano. Como evangélica, acredito que nenhum regime que oprime seu próprio povo pode se sustentar só na força das armas. A Coreia do Norte gasta fortunas em mísseis enquanto seu povo passa necessidade – isso não é estratégia de sobrevivência, é falta de amor ao próximo. Paz verdadeira não se constrói com armas nucleares.

Márcio Torres

07/05/2026

Cíntia, você tocou no ponto central: a lógica de sobrevivência do regime. Mas acho que podemos ir um pouco além do cálculo pragmático. A Coreia do Norte não está blefando nem jogando um jogo de pôquer diplomático convencional. O que Kim Song fez na ONU foi repetir um mantra que já virou doutrina de Estado: o status nuclear é inalterável. E isso não é retórica para barganhar alívio de sanções. É a constatação de que, para Pyongyang, a dissuasão nuclear funciona exatamente como funcionou para Israel, Paquistão ou Índia – a diferença é que estes últimos têm o selo de aprovação ocidental.

O que me intriga é a seletividade moral do discurso de não-proliferação. Os EUA pressionam a Coreia do Norte enquanto mantêm um arsenal nuclear modernizado e fazem acordos nucleares civis com a Arábia Saudita, que nem sequer assinou o TNP como Estado não nuclear. O Tratado de Não-Proliferação sempre foi um mecanismo de congelamento do poder, não de desarmamento genuíno. As potências nucleares reconhecidas pelo tratado nunca cumpriram o artigo VI, que prevê o desarmamento total. Por que um país que viu o Iraque ser invadido sem armas de destruição em massa e a Líbia ser desmantelada exatamente por ter abandonado seu programa nuclear confiaria em promessas de segurança?

A ironia é que a Coreia do Norte, com seu PIB irrisório e isolamento econômico, conseguiu o que poucos países fizeram: desenvolver um arsenal nuclear balístico intercontinental que torna qualquer intervenção militar convencional proibitiva. O regime é repugnante em termos de direitos humanos e liberdades civis, não tenho ilusões quanto a isso. Mas reduzir a análise a “comunistas demoníacos” ou “vítimas do imperialismo” perde o essencial: a geopolítica não é um conto de fadas moral, é um jogo de poder onde quem tem a bomba dita as regras. A Lurdinha e o Rubens podem discutir se o PT fecha igreja ou não, mas no tabuleiro global o que importa é quem pode destruir quem. E a Coreia do Norte, com todos os seus defeitos, garantiu que ninguém vai repetir a aventura líbia em seu território.

Cíntia Alves

07/05/2026

O Caio e a Mariana trouxeram pontos interessantes, mas acho que a discussão perdeu um pouco o foco. A Coreia do Norte age assim porque vê o desarmamento como risco de sobrevivência do regime, não por ideologia pura. Enquanto os EUA mantiverem sanções e a Coreia do Sul tiver tropas americanas no território, é ingenuidade esperar que Pyongyang abra mão do arsenal nuclear voluntariamente. O problema é que essa lógica de “ou senta e negocia ou continua isolado” nunca funcionou com eles.

Lurdinha Deus Acima de Todos

07/05/2026

Ah gente, esses comunistas tão tudo endemoniado mesmo! 🙏🇧🇷 Vão fechar as igrejas lá também, igual tão querendo fazer aqui no Brasil!

    Rubens O Pescador

    07/05/2026

    Lurdinha, com todo respeito, mas na roça aqui onde eu moro a gente aprendeu que misturar política com religião é jeito de enganar os outros. O povo passava fome antes do Lula e depois teve o que comer, isso é fato. Fecha igreja? O PT nunca fechou nada, quem fechou foi a pandemia.

    Caio Vieira

    07/05/2026

    Lurdinha, sua observação revela um curioso sincretismo entre teologia da prosperidade e anticomunismo de manual, mas a história nos ensina que a hegemonia cultural não se combate com demonização, e sim com a construção de uma contra-hegemonia que articule fé, trabalho e dignidade popular.

Marta Souza

07/05/2026

Mais um exemplo clássico de como a intervenção estatal e o isolamento econômico só geram tirania e atraso. Enquanto a Coreia do Norte gasta fortunas em mísseis, o povo passa fome. Se eles abrissem o mercado e reduzissem o controle estatal, talvez tivessem menos tempo para ameaçar o mundo e mais para desenvolver o país.

    Mariana Alves

    07/05/2026

    Marta, sua análise reproduz um dos pilares do pensamento neoliberal que precisamos desconstruir com urgência: a ideia de que o subdesenvolvimento da Coreia do Norte é fruto exclusivo do “isolamento econômico” e do “controle estatal”, como se a história do país pudesse ser lida fora da geopolítica imperialista. Você ignora que a península coreana foi devastada pela Guerra da Coreia (1950-1953), um conflito que matou cerca de 3 milhões de civis coreanos, em grande parte devido aos bombardeios sistemáticos dos EUA. A reconstrução do país se deu sob constante embargo econômico imposto por Washington desde os anos 1950, e não por uma escolha autônoma de “isolamento”. O programa nuclear norte-coreano, longe de ser um capricho de tirania, é uma resposta racional de sobrevivência a um Estado que tem na lista de alvos nucleares dos EUA desde a Guerra Fria. O Iraque de Saddam Hussein, que abriu mão de seu programa de armas de destruição em massa, foi invadido e destruído. A Líbia de Kadafi, que desmantelou seu programa nuclear em 2003 sob acordos com o Ocidente, teve seu país despedaçado e seu líder assassinado em 2011. A Coreia do Norte aprendeu a lição: desnuclearização, no contexto da hegemonia americana, equivale a vulnerabilidade estratégica e risco de aniquilação.

    Quanto à relação entre gastos militares e fome, é preciso lembrar que a crise alimentar norte-coreana dos anos 1990 foi agravada por desastres naturais e, sobretudo, pelo colapso da União Soviética, que era seu principal parceiro comercial e fornecedor de insumos agrícolas. O Ocidente, em vez de oferecer ajuda humanitária desvinculada de condicionantes políticos, usou a fome como instrumento de pressão. Hoje, o país tem conseguido avanços na produção de alimentos graças a reformas agrícolas internas e à retomada do comércio com a China, mas o embargo continua impedindo a importação de maquinário e fertilizantes. A equação que você propõe — “abrir mercado e reduzir controle estatal gera desenvolvimento” — é a mesma receita que o FMI aplicou na América Latina nos anos 1990, gerando desindustrialização, aumento da desigualdade e dependência externa. O Chile de Pinochet, que seguiu à risca essa cartilha, teve crescimento, sim, mas à custa de uma das maiores concentrações de renda do mundo. A Coreia do Sul, que você provavelmente citaria como exemplo de sucesso, só se industrializou sob forte intervenção estatal e protecionismo nas décadas de 1960 e 1970 — exatamente o oposto do que você defende.

    Por fim, a noção de que a Coreia do Norte “ameaça o mundo” com seus mísseis precisa ser contextualizada. Os EUA mantêm cerca de 28 mil soldados na Coreia do Sul, realizam exercícios militares conjuntos anuais na fronteira norte-coreana e possuem armas nucleares táticas na região. A Coreia do Norte, com seu programa de mísseis, busca dissuasão, não agressão. Ela não invadiu nenhum país desde 1953, enquanto os EUA invadiram e bombardearam pelo menos 14 países nesse período. O discurso de que “o povo passa fome enquanto o governo gasta com mísseis” é o mesmo usado para justificar sanções e intervenções humanitárias que, na prática, só aprofundam o sofrimento das populações. Se você realmente se preocupa com a fome na Coreia do Norte, deveria defender o fim do embargo econômico e a normalização das relações diplomáticas, e não a adoção de um modelo neoliberal que, onde foi aplicado, produziu miséria e dependência.


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