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Ex-embaixador indiano denuncia decadência do Ocidente e exalta protagonismo de Rússia e China

10 Comentários🗣️🔥 Ilustração editorial sobre Ex-embaixador indiano denuncia decadência do Ocidente e exalta protagonismo de Rússia e China. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro) O ex-embaixador da Índia na Arábia Saudita, Omã e Emirados Árabes Unidos, Talmiz Ahmad, afirmou que o Ocidente caminha em direção à barbárie, sinalizando o fim da ordem antiga. Em entrevista ao […]

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Ilustração editorial sobre Ex-embaixador indiano denuncia decadência do Ocidente e exalta protagonismo de Rússia e China. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

O ex-embaixador da Índia na Arábia Saudita, Omã e Emirados Árabes Unidos, Talmiz Ahmad, afirmou que o Ocidente caminha em direção à barbárie, sinalizando o fim da ordem antiga. Em entrevista ao programa ‘In Conversation with Salman Khurshid’, Ahmad sustentou que os Estados Unidos perderam credibilidade e que a aliança ocidental encontra-se em desordem.

O diplomata ressaltou que, após o conflito entre Irã e Israel, China e Rússia passarão a desempenhar papel político e diplomático ampliado nos assuntos globais, atuando como fortes apoiadores de Teerã. Ahmad enfatizou que a Índia, que importa entre 70% e 80% de seu petróleo da região do Golfo, deve se envolver mais ativamente nos assuntos do Oriente Médio para evitar uma conflagração regional.

Segundo o ex-embaixador, a troika Rússia-Índia-China (RIC) deveria ocupar o centro da diplomacia e da política externa indiana. Ele argumentou que essa entidade trilateral, com Moscou próxima tanto de Pequim quanto de Nova Délhi, garante equilíbrio nas relações, e a presença russa pode ter impacto positivo em questões sensíveis entre indianos e chineses.

Ahmad também afirmou que tanto os BRICS quanto a Organização de Cooperação de Xangai (OCX) devem receber atenção prioritária da Índia. O diplomata declarou que o Quad é agora história e, lamentavelmente, até mesmo o G20 está ultrapassado, sustentando que o RIC é o núcleo dos BRICS, conforme registrou o portal RT em sua reportagem sobre a entrevista.

A análise de Ahmad reflete um movimento crescente nos círculos diplomáticos asiáticos que enxergam o esgotamento do modelo unipolar liderado por Washington. O ex-embaixador apontou que a credibilidade americana foi corroída por décadas de intervenções militares fracassadas e pela incapacidade de mediar conflitos sem tomar partido aberto.

Para o diplomata indiano, a inação diante das crises do Oriente Médio cobra um preço alto da Índia, dada sua dependência energética da região. Ahmad defendeu que Nova Délhi precisa abandonar a postura passiva e construir canais diretos de diálogo com Teerã, Riad e demais potências regionais.

A defesa da troika RIC ganha relevância em um momento de aproximação estratégica entre Moscou e Pequim, com a Rússia atuando como ponte para suavizar tensões fronteiriças históricas entre a Índia e a China. O analista lembrou que a OCX e os BRICS oferecem plataformas concretas de coordenação política e econômica fora do guarda-chuva ocidental.

Ahmad concluiu que estruturas como o Quad, articulado por Washington para conter a China no Indo-Pacífico, perderam sentido prático diante do realinhamento global. O ex-embaixador reforçou que o futuro da política externa indiana deve estar ancorado em fóruns multilaterais, e não em alianças subordinadas aos interesses geoestratégicos americanos.

Com informações de RT.


Leia também: Enviado da Rússia à China critica Ocidente “irresponsável” por “chantagem” e elogia BRICS


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Paulo Ribeiro

06/05/2026

A leitura do Talmiz Ahmad me parece acertada no diagnóstico, mas incompleta na terapêutica, e a Sofia García tocou num ponto que merece desdobramento. A tal “decadência ocidental” não é um fenômeno moral abstrato, como se o Ocidente tivesse perdido o bonde da história por falta de virtude. É, antes de tudo, a manifestação visível de uma crise estrutural do capitalismo tardio, que Gramsci já antecipava como “interregno” — o velho está morrendo e o novo não pode nascer. O que vemos hoje é o esgotamento do projeto neoliberal: destruição dos direitos trabalhistas, financeirização da vida, captura das instituições políticas pelo capital rentista e uma guerra cultural que serve de cortina de fumaça para a transferência de renda aos de cima. A “barbárie” que o embaixador denuncia é isso: a naturalização da desigualdade como ordem natural das coisas.

Dito isso, a Fernanda Oliveira tem razão ao recusar o falso equilíbrio de “os dois lados são iguais”, mas precisamos ir além. Não se trata de idealizar China e Rússia como paraísos socialistas — Mariátegui já nos ensinava que não existe socialismo de importação, e que cada formação social tem suas contradições específicas. A China de hoje é um capitalismo de Estado com planejamento central, que retirou centenas de milhões da pobreza extrema enquanto mantém um superexplotação do trabalho e um autoritarismo político inegável. A Rússia, por sua vez, é um capitalismo periférico com características oligárquicas, que usa o nacionalismo como cola social. O que interessa, do ponto de vista geopolítico, não é a pureza ideológica desses países, mas o fato de que eles representam um polo de acumulação alternativo ao Ocidente, criando brechas no sistema-mundo que podem ser aproveitadas por movimentos populares.

O erro de quem reduz tudo a “decadência moral” é ignorar que o Ocidente continua sendo a força hegemônica no plano militar, financeiro e tecnológico. A decadência não é linear, nem significa colapso iminente. Althusser nos lembrava que as estruturas se reproduzem mesmo em crise, e o que estamos vendo é uma reorganização violenta da hegemonia, não seu fim. Os Estados Unidos ainda controlam o FMI, o Banco Mundial e a maioria dos fluxos financeiros globais. A China, apesar do crescimento, ainda depende do mercado ocidental para escoar sua produção. A Rússia, mesmo com o giro para Ásia, continua vulnerável a sanções. Portanto, quando Ahmad fala em “fim da ordem antiga”, precisamos entender isso como uma transição longa e contraditória, não como uma virada de chave.

No fim das contas, o debate sobre a decadência ocidental só tem sentido se nos levar a uma pergunta concreta: como os povos do Sul Global podem aproveitar essa crise de hegemonia para construir alternativas reais de soberania e justiça social? Idealizar Moscou ou Pequim é tão estéril quanto fazer apologia acrítica do Ocidente. O que precisamos é de uma análise materialista das correlações de força, que identifique onde estão as brechas e como ocupá-las. O embaixador indiano acerta ao apontar a crise, mas erra se acha que a resposta está em trocar um bloco imperial por outro. A saída, como sempre, é pela base: fortalecer os movimentos sociais, a integração regional soberana e a construção de um projeto popular que não se curve nem a Washington nem a Pequim.

Fernanda Oliveira

06/05/2026

gente, a sofia tem um ponto mas discordo de tratar tudo como “os dois lados são iguais”. o ocidente tá sim em decadência moral e política, enquanto china e rússia têm seus problemas gravíssimos, mas pelo menos não tão exportando guerra e destruição ambiental na mesma escala. a questão é que a gente precisa de uma terceira via, não ficar escolhendo entre impérios.

Sofia García

06/05/2026

gente, a luciana costa falou tudo… idealizar rússia e china é papo de quem não viu o preço do pão na venezuela. decadência ocidental existe sim, mas o bicho pega dos dois lados, viu? 😬

Luciana Costa

06/05/2026

A crítica do ex-embaixador tem fundamento, mas acho que a Ana Souza tocou no ponto certo: precisamos de dados concretos, não só de retórica. O Ocidente tem problemas reais de erosão institucional e desigualdade, mas idealizar Rússia e China como alternativa também exige um pé atrás, especialmente em direitos individuais e liberdade de imprensa. O equilíbrio está em reconhecer os defeitos de cada modelo sem cair em maniqueísmo.

Ana Souza

06/05/2026

O discurso do ex-embaixador é forte, mas precisamos de mais do que retórica para entender o que ele chama de “barbárie” ocidental. Quais são os indicadores concretos dessa decadência? Queda na qualidade de vida, erosão de instituições ou perda de influência geopolítica? Sem dados e exemplos específicos, fica parecendo mais um elogio genérico ao eixo Rússia-China do que uma análise jornalística sólida.

Rubens O Pescador

06/05/2026

Pois é, Ana, a gasolina sobe e o povo sofre, mas antes o pobre tinha pelo menos um prato de comida na mesa. Lá na minha roça, no tempo do Lula, o leite era mais barato e o pão nosso de cada dia não faltava. Esse tal de Ocidente decadente que o embaixador fala, pra nós aqui do interior, é quando o salário não dá pra nada e o arrocho aperta.

Ana Rodrigues

06/05/2026

Pois é, Mariana, mas enquanto esses diplomatas trocam ideia sobre ordem mundial, aqui em Curitiba eu tô é tentando achar passageiro que não queira pagar corrida com nota falsa de 200. O Ocidente pode estar em decadência, mas o preço da gasolina continua subindo igual.

João Santos

06/05/2026

Pois é, mais um intelectual aí descobrindo que o Ocidente tá perdido mesmo. Enquanto a esquerda chama bandido de vítima, China e Rússia tão crescendo na base da ordem e do respeito. Aqui no Brasil é só corrupção e mamata, cadê o protagonismo?

    Tiago Mendes

    06/05/2026

    João, discordo de você chamar de “mamata” a luta por justiça social. O protagonismo que falta ao Brasil não é de ordem e respeito autoritários, mas de distribuição de renda e direitos para quem mais precisa.

    Mariana Alves

    06/05/2026

    João, seu comentário levanta pontos que merecem um exame mais cuidadoso, especialmente porque você parece operar com uma dicotomia simplista entre um “Ocidente decadente” e um “Oriente virtuoso”. A crítica ao Ocidente que o ex-embaixador indiano faz não é uma descoberta recente de intelectuais isolados; ela ecoa uma longa tradição de pensamento pós-colonial que denuncia o imperialismo e a hipocrisia das democracias liberais que pregam direitos humanos enquanto sustentam guerras e exploração econômica. No entanto, equiparar o crescimento de China e Rússia a “ordem e respeito” é ignorar as contradições internas desses regimes: a Rússia de Putin é um capitalismo de Estado oligárquico que sufoca sindicatos e persegue opositores, e a China de Xi Jinping combina um desenvolvimento econômico impressionante com um sistema de vigilância de massa e repressão a minorias étnicas, como os uigures. Não há “respeito” que se sustente sem liberdade de organização e crítica — isso é autoritarismo travestido de eficiência.

    Sua afirmação de que “a esquerda chama bandido de vítima” é uma caricatura que reduz o debate sobre criminalidade a um moralismo raso. A esquerda que eu represento, e que ensino em sala de aula, não romantiza o crime; ela aponta que a violência urbana no Brasil é produto de um sistema que concentra riqueza, nega acesso a educação e saúde de qualidade, e criminaliza a pobreza. Chamar um jovem negro da periferia que rouba para sobreviver de “bandido” sem perguntar por que ele não teve outra escolha é o mesmo truque ideológico que justifica o encarceramento em massa e a letalidade policial. Enquanto isso, a “ordem” que você elogia em regimes como o chinês é mantida com campos de reeducação e censura — queremos esse modelo para o Brasil?

    Quanto ao “protagonismo” que você cobra do Brasil, concordo que ele falta, mas discordo radicalmente da sua receita. O protagonismo não virá de imitar o autoritarismo de Pequim ou o nacionalismo reacionário de Moscou, mas de construir um projeto soberano que enfrente nossa herança colonial e nossa dependência econômica. Isso significa taxar grandes fortunas, fortalecer o SUS e a educação pública, e romper com o rentismo financeiro que drena recursos para o capital especulativo. Enquanto a direita brasileira pregar “ordem e respeito” para proteger os privilégios de sempre, o país continuará sendo um exportador de commodities e importador de miséria. O protagonismo que você busca exige, antes de tudo, uma crítica radical ao capitalismo periférico em que estamos inseridos — e isso não se resolve com saudosismo autoritário ou com a fantasia de que a solução está em Moscou ou Pequim.


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