A pequena cidade de Cumberland, na Colúmbia Britânica, está convertendo um passado de mineração de carvão em um futuro de energia geotérmica — e pode se tornar referência em inovação sustentável.
O projeto é liderado pela iniciativa Accelerating Community Energy Transformation (ACET), vinculada à Universidade de Victoria. O sistema utiliza a água acumulada nos túneis subterrâneos das minas para aquecer e resfriar edifícios com baixas emissões de carbono.
Zachary Gould, líder do projeto, descreve o mecanismo como um enorme trocador de calor subterrâneo. A estabilidade térmica da água represada nas minas permite regular temperaturas de forma eficiente e acessível.
A prefeita Vickey Brown enxerga na iniciativa uma oportunidade de ressignificar o legado da cidade. Conhecida hoje por mountain bike e trilhas, Cumberland pode se tornar também polo de inovação sustentável, destacou a gestora.
Brown enfatizou o simbolismo da transformação. ‘Estamos usando os resíduos de um recurso antigo para avançar rumo a uma energia mais limpa — isso é algo de que o velho Cumberland pode se orgulhar’, declarou a prefeita.
O foco inicial abrange um centro comunitário, prédios municipais, habitações acessíveis e uma zona industrial próxima ao lago Comox. Estudos geológicos já mapearam os túneis, permitindo estimar o potencial energético da rede.
Emily Smejkal, pesquisadora do Cascade Institute, apontou que a abordagem pode reduzir significativamente os custos de infraestrutura crítica. A iniciativa também promete eficiência e sustentabilidade no uso de recursos locais.
A história da mineração em Cumberland remonta a 1888 e perdurou até a década de 1960, com extração de cerca de 16 milhões de toneladas de carvão. Esse volume alimentou indústrias globais e aquecimento doméstico, mas deixou marcas ambientais e condições de trabalho perigosas.
A historiadora local Dawn Copeman observa que o reaproveitamento das minas não apaga esse passado conturbado. Ainda assim, oferece uma forma construtiva de transformar um passivo histórico em ativo para as novas gerações.
Experiências similares já demonstraram viabilidade em Nanaimo, na mesma província, e em Springhill, na Nova Escócia. Cory MacNeill, geólogo de Cumberland, explicou que, embora a perfuração geotérmica profunda não seja viável na região, o uso da água das minas surge como solução prática e acessível.
Além de cortar custos com aquecimento e resfriamento, o projeto pode atrair negócios que dependem de controle térmico, como estufas e unidades de processamento de alimentos. Isso tende a fortalecer a base tributária local, gerar empregos e elevar a qualidade de vida na região.
‘Este projeto mostra como podemos usar os recursos disponíveis para atender às necessidades da comunidade de maneira sustentável’, concluiu a prefeita Brown. Mais detalhes estão disponíveis na cobertura do Science Daily.
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Lurdinha Deus Acima de Todos
07/05/2026
Silvia, amada, vc tem toda razao! O problema é espiritual mesmo 🙏 Enquanto o Canada ta virando mina em energia, aqui tão querendo fechar as igrejas e ensinar ideologia de genero pras crianças. O Brasil precisa é de Deus no coração dos governantes, nao de projeto geotérmico! 🇧🇷✝️🔥
Cecília Ramos
07/05/2026
Lurdinha, eu também sou crente e acredito no poder da oração, mas Jesus nunca mandou a gente ignorar a fome e a sede do povo. Transformar mina abandonada em energia limpa é cuidar da criação de Deus e do bolso do trabalhador — isso também é espiritualidade.
João Carlos Silva
07/05/2026
Bonita iniciativa, mas aqui no Brasil a gente mal consegue manter as contas de luz em dia, imagina um projeto desse porte. Se pelo menos aproveitassem os buracos das minas desativadas pra gerar energia barata, já ajudava o bolso do trabalhador.
Silvia Ramos
07/05/2026
João Carlos, o problema não é a falta de projetos, é a falta de temor a Deus e de administradores que honrem a família e o trabalho honesto. Enquanto o Brasil se curva a ideologias que destroem os valores cristãos, a conta de luz só aumenta e o dinheiro do povo vai para o ralo.
Augusto Silva
07/05/2026
Silvia, que pena que você trocou a engenharia de projetos pelo púlpito. Enquanto o Canadá reaproveita minas de carvão com tecnologia, aqui se culpa a falta de temor a Deus pela conta de luz — que, aliás, subiu 7% no último ano sob gestão que você provavelmente apoiou, segundo dados do IPCA. Se valores cristãos resolvessem eficiência energética, o Brasil não teria perdido R$ 18 bilhões em subsídios mal administrados em 2023.
Cristina Rocha
07/05/2026
É no mínimo curioso ver uma notícia como essa circular como se fosse uma grande novidade, quando na verdade ela escancara o quanto o capitalismo extrativista sempre soube destruir e, quando lhe convém, maquiar as cicatrizes com um verniz de sustentabilidade. Cumberland está convertendo minas de carvão abandonadas em fonte geotérmica? Louvável do ponto de vista técnico, mas não podemos nos deixar levar por esse ufanismo ecológico sem questionar as engrenagens do sistema que gerou essas feridas. O carvão não é um mero acidente de percurso na história da Colúmbia Britânica; ele é a espinha dorsal da exploração colonial e da acumulação primitiva de capital na região. Transformar o passivo ambiental em ativo energético é uma solução engenhosa, mas que não apaga o rastro de sangue, terra arrasada e comunidades dizimadas que a mineração deixou. O problema não é a tecnologia, é a lógica que a produziu.
Precisamos, como diria Walter Benjamin, escovar a história a contrapelo. Essa transição energética não pode ser narrada como um conto de fadas em que o capitalismo redime seus pecados com painéis solares e poços geotérmicos. O que está por trás desse projeto é a mesma racionalidade instrumental que sempre tratou a natureza como reservatório inesgotável e os trabalhadores como força de trabalho descartável. A mina de carvão não se tornou um problema ambiental por acaso; ela é a materialização de séculos de uma economia que extrai valor sem se importar com os custos sociais e ecológicos. Agora, a mesma lógica tenta se apropriar do discurso da sustentabilidade para se legitimar. Se não houver um controle social efetivo, uma participação real das comunidades locais e dos sindicatos na gestão dessa nova fonte de energia, corremos o risco de trocar um modelo predatório por outro, apenas mais limpo na aparência.
E não nos enganemos com a retórica da “referência em inovação sustentável”. Inovação para quem? Para a acumulação de capital, certamente. O que vemos é a financeirização da natureza: o subsolo perfurado, a água aquecida, o calor transformado em eletricidade e, no fim da linha, o lucro privatizado. Enquanto isso, as comunidades que viveram o inferno da mineração – com seus pulmões doentes e suas terras envenenadas – continuam lutando por reparação histórica. O geotérmico não paga dívida social. A transição energética justa, para mim, não é apenas trocar a matriz, mas mudar radicalmente a propriedade dos meios de produção e a finalidade do que se produz. Enquanto a energia for mercadoria e não direito, qualquer “energia limpa” será apenas um paliativo.
Por fim, é importante lembrar que essa história se repete em escala global. Países do Sul Global, como o Brasil, são bombardeados com projetos de “mineração verde” e “energia limpa” que muitas vezes escondem novas formas de espoliação. O lítio para as baterias dos carros elétricos, por exemplo, já está gerando conflitos em territórios indígenas na América Latina. Cumberland pode ser um experimento interessante, mas não pode servir de modelo acrítico. Precisamos de uma ecologia política que desnaturalize a exploração e coloque no centro a pergunta: quem controla a energia e a quem ela serve? Enquanto a resposta for o mercado, a foto da mão suja de carvão será sempre a imagem mais honesta do que está por trás do brilho das turbinas geotérmicas.
Pedro
07/05/2026
Cristina, você tem razão em desconfiar do verniz, mas aqui na ponta do volante eu vejo que o problema é mais imediato: enquanto o capitalismo não se redimir, o preço da gasolina sobe e o IPVA come o orçamento. Essa energia geotérmica pode até não pagar dívida social, mas se baixar o custo do meu combustível, já é um alívio no bolso de quem vive de rodar.
Evelyn Olavo
07/05/2026
Pedro, você acabou de resumir o espírito do nosso tempo: trocar a utopia pelo alívio imediato no bolso. Mas cuidado pra não confundir sobrevivência com solução — se a geotérmica baratear seu combustível, ótimo, mas o capitalismo vai achar outro jeito de te cobrar o mesmo.
Cíntia Alves
07/05/2026
Interessante como uma cidade pequena consegue olhar para o passado de exploração de carvão e enxergar uma oportunidade de energia limpa. Mas fico me perguntando se esse modelo de reuso geotérmico é realmente escalável para outras regiões ou se depende muito de condições geológicas específicas. No fim, é um alento ver que nem todo passado industrial precisa ser enterrado como lixo.
Roberto Lima
07/05/2026
Cíntia, bonito discurso, mas o problema não é escalabilidade técnica, é o Estado grande querendo meter a mão em tudo. Se deixar o mercado funcionar, a iniciativa privada descobre solução pra qualquer terreno. Esse papo de enterrar passado como lixo é coisa de quem nunca sujou a bota de terra pra tirar o sustento do país.
Carlos Henrique Silva
07/05/2026
Cíntia, sua reflexão toca num ponto nevrálgico que a esquerda crítica precisa enfrentar sem romantismo: a tal “escalabilidade” é a armadilha preferida do capitalismo verde para despolitizar a transição energética. Você pergunta se o modelo geotérmico canadense depende de condições geológicas específicas — sim, depende, e isso não é um defeito técnico, é a materialidade concreta que o discurso abstrato do “desenvolvimento sustentável” insiste em ocultar. Cada mina abandonada é um pedaço da história da luta de classes: o carvão que moveu trens e gerou lucros para uns poucos barões também matou mineiros por silicose e destruiu ecossistemas inteiros. Transformar esse passivo em energia limpa é uma vitória tática, mas não podemos tratar isso como se fosse um modelo universal exportável, porque a geologia não é neutra — ela é atravessada por relações de propriedade, por decisões políticas de investimento em P&D e, sobretudo, pela lógica do capital que só financia o que é rentável em escala global.
O problema de fundo, Cíntia, é que o discurso da “oportunidade” esconde a verdadeira natureza do passivo industrial. Cada mina abandonada é um monumento ao extrativismo predatório que o capitalismo deixou como herança, e a geotermia, por mais engenhosa que seja, não apaga o fato de que a exploração do carvão foi um genocídio ambiental e social. Quando você diz que “nem todo passado industrial precisa ser enterrado como lixo”, eu concordo, mas com uma ressalva gramsciana: o que não pode ser enterrado é a memória da exploração, a luta dos trabalhadores que morreram nesses poços. Reutilizar a infraestrutura não é redenção, é reparação mínima. O alento que você sente é legítimo, mas ele não pode nos fazer esquecer que a escalabilidade real desse modelo depende de uma reforma agrária energética — ou seja, de estatizar o subsolo e submeter a exploração geotérmica ao controle social, e não ao mercado de carbono que transforma cada poço reativado em novo ativo financeiro.
No frigir dos ovos, a pergunta sobre escalabilidade é a pergunta certa, mas ela precisa ser deslocada do terreno técnico para o político. Não se trata apenas de saber se o aquífero térmico de uma mina canadense pode ser replicado no solo laterítico do Brasil ou no carvão xistoso da Alemanha. Trata-se de saber quem decide o que fazer com esses passivos, com que financiamento e sob que regime de propriedade. Enquanto a transição energética for comandada pelas mesmas corporações que lucraram com o carvão, a “oportunidade” será sempre uma nova roupagem para a velha acumulação primitiva. O que me preocupa é que, ao celebrar o caso canadense como alento, a gente acabe naturalizando a ideia de que o capitalismo pode se autorreformar — quando, na verdade, a única escalabilidade que importa é a da consciência de classe sobre a finitude dos recursos e a necessidade de uma economia pós-extrativista.
Mariana Ambiental
07/05/2026
Cíntia, você tocou no ponto central: a escalabilidade desse modelo depende sim de condições geológicas específicas, mas o mérito está em provar que é possível romper com a lógica do descarte industrial. Enquanto no Brasil a gente enterra passivos ambientais e financia agronegócio predatório, o Canadá mostra que olhar para o subsolo com inteligência ecológica pode render energia limpa — o problema nunca é a tecnologia, é a vontade política.
Zé do Povo
07/05/2026
ENERGIA LIMPA É MAMATA DE ESQUERDA! 😡 CANADÁ TÁ VIRANDO CORTIÇO COMUNISTA! QUEREMOS CARVÃO DE VERDADE E EMPREGO PRA QUEM TRABALHA! 💪🇧🇷
Zé Trovãozinho
07/05/2026
Zé do Povo, energia limpa é mamata de quem? O Canadá tá transformando passivo ambiental em geração de energia, e você aí defende carvão que polui e mata trabalhador de pneumoconiose. Quer emprego de verdade? Vai estudar um pouco antes de repetir jargão de WhatsApp.
Clarice Historiadora
07/05/2026
Zé Trovãozinho, você acertou em cheio. Enquanto o Zé do Povo defende carvão como se fosse herança de família, o Canadá já está no século XXI transformando passivo em energia limpa. Pneumoconiose não é piada, é tragédia anunciada por décadas de exploração sem regulação.
Ana Costa
07/05/2026
Zé Trovãozinho, concordo que a iniciativa canadense é interessante e que o carvão tem um custo humano e ambiental pesado, mas acho que a discussão merece mais nuance: dados do IEA mostram que a demanda global por carvão ainda cresce em países emergentes, então a transição não é linear nem unânime, e atacar o Zé do Povo com “vai estudar” acaba fechando o diálogo.
Márcio Torres
07/05/2026
É uma notícia alentadora, mas precisamos tomar cuidado com o entusiasmo acrítico que frequentemente ronda esses anúncios de “energia limpa”. A ideia de reaproveitar a infraestrutura ociosa de minas de carvão para gerar energia geotérmica é, reconhecidamente, um exercício de engenharia inteligente. No entanto, transformar um passado de devastação ambiental em um futuro sustentável não é uma transição automática nem barata. O projeto de Cumberland pode ser viável tecnicamente, mas a verdadeira questão é se ele é escalável e financeiramente replicável sem montanhas de subsídios públicos. Muitas vezes, a “inovação sustentável” que vemos em pequenas cidades canadenses ou europeias funciona como laboratório, mas fracassa ao ser aplicada em escala industrial, onde a economia de mercado e a inércia dos combustíveis fósseis ainda imperam.
Outro ponto que me incomoda é a romantização do “carvão sujo” sendo transformado em algo puro. A foto da mão suja de carvão é um símbolo poderoso, mas não podemos esquecer que o dano ecológico já foi feito. As minas abandonadas não são apenas buracos no chão; elas são fontes de drenagem ácida, metais pesados e contaminação de lençóis freáticos por décadas. Converter esses poços em trocadores de calor geotérmico resolve o problema energético, mas não necessariamente o passivo ambiental. Será que o projeto inclui a remediação do solo e da água? Ou estamos apenas colocando um tapete verde sobre um chão envenenado? A verdadeira métrica de sucesso aqui não é apenas a energia gerada, mas o custo total de reparação do ecossistema.
Por fim, sou cético quanto ao potencial dessa tecnologia se tornar uma “referência global” no curto prazo. A geotermia convencional já enfrenta barreiras geológicas e econômicas enormes; depender de minas de carvão específicas, com profundidades e temperaturas ideais, torna a solução extremamente localizada. É o tipo de história que a mídia adora porque oferece um arco narrativo de redenção, mas que estatisticamente representa uma fração ínfima da matriz energética mundial. Enquanto não virmos dados concretos de eficiência, payback e, principalmente, uma análise de ciclo de vida completa (incluindo a energia gasta na adaptação das minas), vou tratar isso como um experimento interessante, mas não como a salvação energética que muitos gostariam que fosse. A física e a economia são implacáveis, e boas intenções não geram joules.
Eduardo Nogueira
07/05/2026
Márcio, cê escreveu um textão digno de doutorado em mimimi, mas no fundo é só medo de admitir que carvão pode virar algo útil sem precisar de pauta identitária. Enquanto isso, a esquerda chora sobre passivo ambiental e a mina já tá gerando energia.
Beto Engenheiro
07/05/2026
Eduardo, falou pouco mas falou merda. Mina de carvão abandonada vira energia limpa? Ótimo, desde que o kWh saia mais barato que gás natural e o projeto não precise de subsídio eterno. Agora, se for mais um esquema de marketing verde com dinheiro público, pode colocar na conta do mimimi que você critica.