Estudo alerta: desmatamento e mudanças climáticas ameaçam chuvas na Amazônia

Nuvens escuras de tempestade se formam no céu. (Foto: phys.org)

Um novo estudo revela que o desmatamento na Amazônia, combinado aos efeitos das mudanças climáticas, está reduzindo significativamente os níveis de chuva na região.

A pesquisa, publicada na revista Geophysical Research Letters, destaca que o aquecimento global torna as chuvas amazônicas cada vez mais sensíveis à perda de cobertura florestal. O cientista de sistemas terrestres da Universidade de Helsinque, Eduardo Maeda, autor principal do estudo, afirmou que o impacto do desmatamento sobre as chuvas é agravado pelo clima mais quente e seco.

Maeda alertou que os limites de desmatamento anteriormente considerados seguros para manter a estabilidade hídrica podem não ser mais suficientes. O pesquisador comparou a situação a uma “cobra comendo o próprio rabo”: as atividades agrícolas no sul da Amazônia dependem de chuvas consistentes, mas acabam comprometendo sua própria sustentabilidade ao desmatar grandes áreas.

As leis na região amazônica proíbem atualmente a remoção de mais de 20% da vegetação em propriedades privadas. O estudo sugere, porém, que em cenários de aquecimento extremo a manutenção de chuvas adequadas exigiria limitar o desmatamento a apenas 10% em áreas maiores que 210 quilômetros quadrados.

Essa medida ajudaria a preservar a biodiversidade e a capacidade de sequestro de carbono da floresta. Protegeria também a agricultura local, que já sofre com a redução das precipitações.

Os pesquisadores explicaram que o tamanho das áreas desmatadas influencia diretamente os padrões de chuva. Em pequenas áreas, a remoção de árvores pode aumentar temporariamente as chuvas locais, pois o calor gerado pela terra exposta eleva a umidade das florestas vizinhas.

Quando grandes extensões são desmatadas, a floresta remanescente não consegue fornecer umidade suficiente para a região. Isso resulta em uma queda acentuada nos níveis de chuva em toda a área afetada.

A equipe utilizou modelos de simulação climática para analisar diferentes cenários de desmatamento e emissões de carbono. Em um cenário de baixas emissões, a perda de 45% da cobertura florestal reduziria as chuvas anuais em até 14% até 2050.

No pior cenário, com altas emissões, apenas 10% de desmatamento seria suficiente para causar redução significativa nas precipitações. Maeda ressaltou que o aquecimento global torna o ar mais quente e seco, diminuindo a quantidade de umidade disponível para ser reciclada em forma de chuva.

O estudo mostrou ainda que os pequenos aumentos de chuva observados em áreas desmatadas diminuem com o avanço das mudanças climáticas. Essa dinâmica agrava ainda mais a situação hídrica e ambiental da floresta.

Como solução, o estudo propõe a adoção de práticas agrícolas mais sustentáveis, como os sistemas agroflorestais que integram árvores nativas às plantações. Maeda enfatizou que já existem áreas desmatadas suficientes para atender às demandas agrícolas, bastando torná-las mais produtivas e integradas ao ecossistema.

Os resultados reforçam a necessidade urgente de ampliar a proteção das florestas amazônicas, tanto para preservar sua biodiversidade quanto para garantir a estabilidade climática. Conforme aponta o portal Phys.org, a Amazônia enfrenta um ponto de inflexão, com o desmatamento contínuo podendo desencadear consequências irreversíveis para o clima global.


Leia também: Estudo mostra que a seca na Amazônia foi resultado das mudanças climáticas


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