O Paquistão avança nas negociações para ampliar o Acordo Quadrilateral de Trânsito e Comércio com a entrada do Tajiquistão e do Uzbequistão.
O representante especial do Paquistão para o Afeganistão, Mohammad Sadiq, confirmou que as negociações foram realizadas para integrar os dois novos membros ao acordo. O QTTA já reúne China, Cazaquistão, Quirguistão e Paquistão entre seus participantes.
A expansão oferece aos países da Ásia Central sem acesso ao mar uma conexão estratégica com os portos paquistaneses. A adesão do Tajiquistão vem sendo discutida desde 2017, com apoio paquistanês consistente ao longo dos anos.
A inclusão dos novos membros permite ao Paquistão reduzir sua dependência em relação ao Afeganistão e fortalece sua posição geopolítica na região. O diretor de desenvolvimento do Instituto de Pesquisa de Economia de Mercado, Syed Ali Ehsan, destacou que a iniciativa aumenta o peso político do Paquistão na Ásia Central, conforme reportagem do Dawn.
Especialistas reconhecem que o QTTA não é a rota mais curta nem a mais econômica disponível para o comércio regional. Ainda assim, o economista Aneel Salman, do Instituto de Pesquisa em Segurança Econômica de Islamabad, observa que o acordo ajuda a evitar perdas financeiras que podem chegar a US$ 177 milhões por mês quando ocorre o fechamento da fronteira afegã.
Desafios logísticos e burocráticos ainda precisam ser superados para que o corredor funcione plenamente. A passagem de Khunjerab enfrenta limitações severas por sua localização em alta altitude, sujeita a deslizamentos e neve no inverno.
A modernização do porto seco de Sost-Khunjerab representa uma prioridade para as autoridades paquistanesas. A padronização dos procedimentos alfandegários entre todos os membros do acordo também se mostra essencial para o avanço das operações.
Salman ainda aponta o desequilíbrio entre transporte ferroviário e rodoviário como um gargalo estrutural da região. A maior parte do tráfego de carga é feita por estradas, o que exige investimentos pesados em ferrovias.
Questões ligadas a seguros de mercadorias, opções de financiamento e tarifas alfandegárias precisam ser resolvidas para o pleno funcionamento do corredor. Projeções indicam que o QTTA pode estar totalmente operacional em um prazo de cinco a oito anos, se os recursos forem alocados corretamente.
O Paquistão segue utilizando o acordo como ferramenta para consolidar sua influência política e econômica na Ásia Central. Essa abordagem reforça o papel do país como elo estratégico entre a região e o Oceano Índico.
Com informações de Sputnik.
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