Pesquisadores do Instituto Politécnico de Worcester, nos Estados Unidos, desenvolveram uma tecnologia inovadora que utiliza vírus inofensivos para detectar a Salmonella enterica.
O método promete tornar a identificação de contaminação alimentar mais rápida e acessível em diferentes ambientes. O professor Yuxiang Liu liderou a criação de um polímero sólido revestido com bacteriófagos capazes de identificar e capturar bactérias específicas.
Esse material, do tamanho de uma pequena unha, integra um dispositivo microfluídico portátil onde gotas de fluido passam por um canal selado. Os bacteriófagos prendem as bactérias presentes nas amostras e permitem a detecção por microscopia e técnicas de fluorescência.
A nova abordagem elimina a incubação de amostras exigida pelos métodos tradicionais, que podem demorar até 48 horas. Os procedimentos convencionais ainda demandam infraestrutura de laboratório e profissionais especializados para funcionar adequadamente.
Em contraste, a tecnologia do WPI pode ser aplicada diretamente no campo, ao longo de toda a cadeia de suprimentos alimentares, desde fazendas até refrigeradores domésticos. A Salmonella enterica representa uma das principais causas de doenças transmitidas por alimentos no mundo, respondendo por milhões de infecções intestinais e aproximadamente 420 mil mortes anuais.
Os sintomas da infecção incluem diarreia, febre e cólicas abdominais, que frequentemente surgem após o consumo de alimentos crus ou mal cozidos. A detecção precoce com o novo sensor torna-se essencial para prevenir surtos e proteger a saúde pública.
O professor Liu indicou que o dispositivo ainda se encontra em fase de desenvolvimento, mas demonstra grande potencial para expansão. A tecnologia pode ser adaptada para identificar múltiplos patógenos ao mesmo tempo, inclusive contaminantes presentes em água subterrânea.
Os pesquisadores planejam integrar o sensor em embalagens alimentícias para que consumidores e varejistas consigam identificar contaminações diretamente nos produtos. Essa funcionalidade representaria um avanço significativo na monitoração da segurança dos alimentos.
Outro objetivo da equipe envolve a substituição de microscópios por leitores portáteis, como smartphones, para ampliar o acesso à tecnologia. Liu pretende criar um sistema simples que inspetores, comerciantes e consumidores possam utilizar com apoio de um aplicativo dedicado.
O trabalho reflete o compromisso do Instituto Politécnico de Worcester em traduzir avanços científicos em soluções práticas para a sociedade. Liu já havia liderado pesquisas com tecnologia óptica para diagnosticar coágulos sanguíneos e tratar tumores em áreas sensíveis do corpo humano.
Com o crescimento das preocupações globais sobre segurança alimentar, a inovação do WPI pode se tornar um marco importante no combate às doenças transmitidas por alimentos. Mais informações sobre o estudo estão disponíveis em reportagem do Phys.org.
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