Pesquisadores identificaram compostos naturais extraídos de uma árvore nativa da Mata Atlântica que podem combater de forma abrangente o vírus causador da covid-19.
Os ácidos galoilquínicos isolados das folhas da Copaifera lucens Dwyer possuem abordagem multifacetada contra o SARS-CoV-2. Eles bloqueiam a entrada do vírus, interferem em sua replicação e reduzem inflamações prejudiciais.
O professor Jairo Kenupp Bastos, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, liderou a equipe. A escolha da espécie se baseou na tradição de estudos sobre o gênero Copaifera e em resultados anteriores que demonstraram atividade antifúngica, anticancerígena e capacidade de inibir o HIV-1.
Com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, os cientistas isolaram e caracterizaram os extratos das folhas ricos nesses compostos. Testes de segurança celular e ensaios de redução de placas virais comprovaram a capacidade de neutralizar o SARS-CoV-2.
Os ácidos galoilquínicos interagem diretamente com a proteína spike, a protease PLpro e a RNA polimerase do vírus. Essas interações inibem processos essenciais para a replicação viral e oferecem uma estratégia robusta contra o patógeno.
O estudo, publicado na revista Scientific Reports, revelou também propriedades imunomoduladoras e anti-inflamatórias dos compostos. Bastos destacou que a atuação em múltiplas frentes reduz a probabilidade de o vírus desenvolver resistência.
A pesquisa contou com colaboração internacional, incluindo o professor Mohamed Abdelsalam, da Delta University of Science and Technology no Egito, além de cientistas da Universidade de Alexandria e de instituições da Espanha. A abordagem integrada foi destacada como diferencial do trabalho.
Os resultados reforçam o potencial da biodiversidade como fonte para novos medicamentos antivirais. A preservação da Mata Atlântica surge como estratégica para avanços na inovação científica.
Os achados demandam estudos adicionais em organismos vivos e ensaios clínicos em humanos para validação como tratamento. Mais detalhes estão disponíveis no Science Daily.
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