Pesquisadores da Universidade de Kyoto identificaram um fenômeno inédito nos dados de movimento sísmico de grandes terremotos: o chamado ‘efeito chicote geológico’. Essa descoberta ocorre quando o movimento das falhas tectônicas, após uma ruptura abrupta, gera um movimento reverso inesperado no solo.
O estudo analisou dados de forte movimento próximos a linhas de falha, revelando ondas sísmicas em fase negativa no momento em que os deslocamentos tectônicos cessam. Essas ondas, que surgem ao final dos eventos sísmicos, indicam que o solo não apenas se desloca em uma direção, mas também recua abruptamente, como o efeito de um carro freando bruscamente e balançando para trás.
Os cientistas destacaram que essas movimentações são particularmente evidentes em terremotos de falha transcorrente, como aqueles ao longo das linhas de falha de San Andreas e Queen Charlotte. Segundo a pesquisa publicada, o fenômeno aumenta os desafios para engenheiros que buscam projetar edificações resistentes a movimentos imprevisíveis do solo.
O principal autor do estudo, Jesse Kearse, explicou que o objetivo inicial era compreender melhor os registros sísmicos próximos às falhas e conectá-los ao processo de geração de terremotos. A análise revelou que o ‘efeito chicote’ está associado ao momento em que o movimento tectônico atinge seus limites e para abruptamente, gerando deslocamentos reversos intensos.
Esse comportamento foi confirmado por meio de simulações que combinaram dados de aceleração sísmica com informações de satélites. Ao modelar grandes eventos de falha transcorrente, os pesquisadores observaram que as ondas em fase negativa surgem como uma assinatura robusta do término abrupto da propagação da ruptura.
O estudo também apontou diferenças entre terremotos que param de forma súbita e aqueles que desaceleram gradualmente. Nos casos de interrupção abrupta, os movimentos do solo geram um ‘efeito chicote’ mais intenso, aumentando os riscos e as dificuldades de adaptação em regiões vulneráveis.
Regiões como Taiwan, Chile e Japão, que frequentemente enfrentam terremotos de alta magnitude, podem se beneficiar dessa nova compreensão para reforçar códigos de construção. Em 2024, por exemplo, um terremoto de magnitude 7,4 na costa leste de Taiwan destacou a necessidade de maior atenção a esses movimentos específicos.
A pesquisa, publicada na revista Science, abre caminho para novos estudos sobre a incidência global de terremotos de grande porte. O objetivo é compreender melhor o comportamento das fases de parada e, assim, aprimorar estratégias de mitigação de impactos em áreas de risco sísmico elevado.
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