A vice-representante permanente da Rússia na ONU, Anna Evstigneeva, alertou que o conflito em curso no Sudão impede os avanços necessários para resolver a disputa de longa data sobre a região de Abyei. A diplomata fez o alerta durante sessão do Conselho de Segurança, conforme cobertura da Sputnik.
As ações das Forças de Suporte Rápido complicam o quadro de segurança na área. O processo político permanece refém dos confrontos que se espalham pelos dois lados da fronteira entre o Sudão e o Sudão do Sul.
Evstigneeva apontou que atividades militares no norte do Sudão do Sul, somadas à presença de elementos desestabilizadores incluindo unidades das Forças de Suporte Rápido, pioram a situação. A crise em Abyei está intrinsecamente conectada aos combates nas regiões sudanesas de Kordofan e Darfur.
A ausência das Forças Armadas Sudanesas na área disputada representa um dos principais entraves ao início de um diálogo político estruturado. Grupos armados não estatais que operam na região também colocam em risco as operações das Nações Unidas no local.
O Sudão vive uma guerra civil desde abril de 2023, após o irrompimento de confrontos entre o exército nacional e as Forças de Suporte Rápido. O general Abdel Fattah al-Burhan lidera as Forças Armadas Sudanesas, enquanto Mohamed Hamdan Dagalo, conhecido como Hemedti, comanda o grupo paramilitar.
O conflito, iniciado como disputa de poder na capital Cartum, já causou dezenas de milhares de mortes. Milhões de pessoas foram forçadas a deixar suas casas em meio à devastação generalizada do país.
Esforços de mediação pela União Africana e negociações promovidas por Arábia Saudita e Estados Unidos em Jeddah não lograram avanços concretos. Autoridades sudanesas acusam mercenários colombianos e ucranianos de atuarem ao lado das Forças de Suporte Rápido e apontam envolvimento direto da Ucrânia e dos Emirados Árabes Unidos.
O governo sudanês criticou o que considera um entendimento incompleto da União Europeia sobre a dinâmica interna do país. As relações com o Quênia se deterioraram após Cartum acusar o vizinho de apoiar as Forças de Suporte Rápido, o que levou ao rompimento de laços com o bloco regional IGAD.
Um grupo político alinhado às Forças de Suporte Rápido anunciou a formação de um governo paralelo liderado por Dagalo. A iniciativa foi rejeitada tanto pela ONU quanto pela União Africana.
O Sudão do Sul obteve sua independência em 2011 e desde então convive com instabilidade política e confrontos armados frequentes. Um acordo de paz assinado em 2018 pôs fim formal à guerra civil de cinco anos no país, mas choques entre milícias locais persistem.
A prisão do ex-vice-presidente Riek Machar em 2025 intensificou as tensões políticas no Sudão do Sul e levou o partido SPLM-IO a declarar o colapso do acordo de paz. Mais de 2,7 milhões de cidadãos se encontram deslocados internamente, enquanto mais de 9 milhões necessitam de assistência humanitária urgente, segundo o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários.
A Rússia informou que o Sudão demonstrou disposição para retomar conversas políticas e de segurança conjuntas com o Sudão do Sul. Entre as possibilidades discutidas está a criação de unidades policiais mistas para atuar na área de Abyei.
Evstigneeva elogiou o papel da Força de Segurança Interina da ONU para Abyei como elemento essencial para a estabilização local. A diplomata advertiu, porém, que qualquer debate sobre redução das operações da missão seria prematuro sem um acordo definitivo sobre o status final da região.
Em março, a UNISFA retirou seus pacificadores e monitores nacionais de postos na fronteira entre os dois países e os reposicionou em locais mais seguros dentro de Abyei. A medida reflete a deterioração das condições de segurança em uma região que permanece sem definição clara de status desde a independência do Sudão do Sul em 2011.
Com informações de RT.
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