Pesquisadores da Universidade de Lund, na Suécia, mapearam o genoma da Drosophila enhydrobia, uma mosca-das-frutas africana que adotou um estilo de vida predatório e aquático radicalmente diferente de suas parentes frugívoras.
As larvas da espécie habitam riachos borbulhantes na África e caçam ativamente outros insetos. O último registro da espécie na natureza remonta a 1981.
Para realizar a análise, os cientistas recorreram a um espécime preservado no Museu de História Natural de Estocolmo. Técnicas avançadas de extração de DNA permitiram sequenciar quase todo o genoma sem danificar o exemplar histórico.
O pesquisador Hamid Ghanavi detalhou as modificações genéticas identificadas no estudo. Diversas famílias de genes ligadas ao olfato, ao paladar e ao metabolismo foram eliminadas, enquanto os genes restantes se especializaram para o ambiente aquático.
Ghanavi afirmou que o genoma da mosca apresenta adaptações claras ao seu estilo de vida incomum. A espécie parece ter menos ferramentas, mas as que restaram são perfeitamente ajustadas para essa nova realidade ecológica.
O estudo, publicado na revista Current Biology, ressalta a importância das coleções de museus de história natural. Espécimes preservados por longos períodos revelam informações valiosas sobre a evolução com os avanços da análise genética.
O biólogo Marcus Stensmyr, que liderou a pesquisa, concluiu que espécies raras ou aparentemente desaparecidas ainda contribuem para o avanço científico. Os pesquisadores afirmam estar apenas começando a explorar o potencial oculto dessas coleções ao redor do mundo.
O caso da Drosophila enhydrobia ilustra como organismos podem mudar drasticamente seu regime alimentar ao longo da evolução. A transição de um estilo de vida baseado em fermentação para um nicho predatório em águas correntes é um dos exemplos mais notáveis já documentados no grupo.
A equipe sueca demonstrou que o material biológico antigo guarda lições importantes para a biologia moderna. Estudos genômicos como este ampliam a compreensão sobre a resiliência da vida diante de mudanças ambientais.
Com informações de PHYS.
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