A Polícia Civil do Acre lançou na última segunda-feira, 4 de maio de 2026, a Operação Caminhos Seguros 2026. O objetivo é combater todas as formas de violência contra crianças e adolescentes no estado, em mobilização que vai até o dia 18 de maio e integra esforço nacional coordenado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. Essa ação atualizará mandados de prisão, buscas e operações educativas, em especial nos municípios mais vulneráveis como Rio Branco, Cruzeiro do Sul, Tarauacá, Porto Walter e Marechal Thaumaturgo. Violência sexual infantojuvenil é apontada em relatório recente como uma epidemia silenciosa no Acre.
Alta nos casos reflete urgência operacional
Levantamento da Polícia Civil mostra que entre 2024 e 2026 já foram registradas 227 vítimas de estupro, estupro de vulnerável e importunação sexual contra crianças e adolescentes no Acre — sendo 125 casos de estupro em 2024, 75 em 2025 e 27 nos três primeiros meses de 2026. Os casos de estupro de vulnerável somaram 759 vítimas em 2024, 652 em 2025 e já têm 123 registros parciais neste ano. Importunação sexual manteve-se alta em 2025, embora 2026 apresente redução até março.
Estratégia integrada entre repressão, prevenção e acolhimento
Durante os 15 dias da operação Caminhos Seguros, a PCAC vai executar um plano estratégico entre unidades especializadas e delegacias regionais. As ações incluem identificação de suspeitos, cumprimento de mandados de prisão e busca e apreensão, instauração de inquéritos e conclusões rápidas para envio ao Poder Judiciário. As regiões mais críticas terão reforço de efetivo.
Além disso, há investimento em prevenção com palestras em escolas, distribuição de material informativo e orientação sobre canais de denúncia, como o Disque 100. A articulação com serviços de saúde, assistência social e conselhos tutelares é outro pilar do plano.
Dados revelam perfil e magnitude dos crimes
A maioria das vítimas são adolescentes, especialmente entre 12 e 17 anos, com número menor de casos na faixa de 0 a 11 anos. Há disparidades étnico-raciais: vítimas classificadas como pardas representam os maiores casos, enquanto indígenas, pretos e brancos aparecem em menor número — muitos registros, porém, não trazem essa classificação.
Os municípios de Rio Branco e Cruzeiro do Sul concentram o maior número de ocorrências. O relatório aponta também uma tendência de alta dos crimes em 2026 se mantido o ritmo observado nos primeiros três meses.
A importância do engajamento coletivo
Para a delegada Juliana De Angelis, coordenadora de Proteção aos Grupos Vulnerabilizados, esse tipo de operação evidencia que nenhuma denúncia é ignorada e que os autores de crimes devem responder, mesmo quando os delitos remontam a anos atrás.
O impacto da operação depende também do envolvimento da sociedade — denúncia por Disque 100, delegacias ou canais virtuais — e do fortalecimento das redes de proteção locais. Educar crianças, pais e servidores públicos pode quebrar ciclos de silêncio e violência.
Consequências reais e próximas etapas
Com os dados oficiais mostrando cenários alarmantes, operações como Caminhos Seguros reforçam o papel do Estado na proteção de sua parcela mais vulnerável. O Acre, já sofrido historicamente por graves falhas em garantir segurança infantil, agora enfrenta um momento decisivo de ação concreta.
Até dia 18 de maio, serão fundamentais os resultados práticos: prisões cumpridas, responsabilização judicial, acolhimento psicológico e médico às vítimas e uma prevenção que de fato chegue ao interior, evitando que o abuso continue impune. O desafio é gigante, mas não há alternativa além da ação enérgica.