Pesquisadores da Universidade da Califórnia em São Francisco identificaram uma proteína viral que sabota o sistema CRISPR em bactérias ao interferir diretamente no ribossomo.
A proteína AcrVA2 detecta os primeiros aminoácidos da Cas12 que emergem do ribossomo e ativa um mecanismo de controle de qualidade. Esse mecanismo provoca a degradação tanto da proteína nascente quanto do mRNA que a codifica.
O sistema CRISPR atua como defesa natural das bactérias ao cortar o DNA de vírus invasores. A pesquisa, liderada pela cientista Nicole Marino da UCSF, detalhou como a AcrVA2 impede a produção da proteína Cas12 em vez de simplesmente bloquear sua atividade já formada.
O professor de Microbiologia e Imunologia Joseph Bondy-Denomy explicou a singularidade dessa estratégia. Ele afirmou que, ao colocar a AcrVA2 em células bacterianas com Cas12, a proteína simplesmente desaparecia.
Os experimentos confirmaram que a AcrVA2 não interfere na transcrição do DNA para mRNA. A proteína viral age exclusivamente no estágio de tradução no ribossomo para desencadear a degradação dependente de tradução do mRNA da cas12.
Essa observação representa a primeira vez que uma proteína viral interrompe a produção de uma proteína de defesa diretamente no ribossomo bacteriano. O estudo mapeou todo o processo desde a transcrição até a tradução e validou o mecanismo único empregado pela AcrVA2.
A descoberta aprofunda o conhecimento sobre a dinâmica evolutiva entre bactérias e vírus. Ela abre caminho para novas ferramentas biotecnológicas que permitam controle mais preciso da atividade do CRISPR em aplicações médicas e de pesquisa.
O artigo, intitulado Translation-dependent degradation of cas12 mRNA triggered by an anti-CRISPR, foi publicado na revista Nature. Os detalhes completos da pesquisa estão disponíveis no portal Phys.org.
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