Um estudo publicado na revista Science Advances revela o colapso sem precedentes do gelo marinho antártico, liderado pelo oceanógrafo Aditya Narayanan, da Universidade de Southampton. Desde 2015, a região sofreu perdas massivas equivalentes à área da Groenlândia e atingiu recordes negativos em 2023.
Narayanan identificou um processo em três etapas que explica o fenômeno. Ventos fortes começaram a trazer águas profundas quentes para a superfície em 2013 e, em 2015, provocaram uma mistura violenta que acelerou o derretimento principalmente na Antártica Oriental.
A partir de 2018, o sistema entrou em um ciclo vicioso de retroalimentação positiva. A falta de gelo deixa o oceano mais exposto ao calor e mais salgado, o que dificulta a recuperação da cobertura de gelo marinho na região.
O coautor Alessandro Silvano explicou as variações regionais observadas no derretimento. Na Antártica Oriental, o calor das águas profundas é o principal impulsionador; na Antártica Ocidental, nuvens densas retêm o calor próximo à superfície, como ocorreu em 2016 e 2019.
O professor Alberto Naveira Garabato, também da Universidade de Southampton, alertou para as graves consequências globais do colapso. O gelo marinho atua como um espelho que reflete radiação solar de volta ao espaço, e sua perda pode desestabilizar correntes oceânicas importantes.
Essas correntes regulam o armazenamento de calor e carbono nos oceanos do planeta. O derretimento também ameaça as plataformas de gelo que impedem grandes geleiras de deslizarem para o mar e elevarem o nível dos oceanos.
Naveira Garabato atribuiu o fortalecimento dos ventos às mudanças climáticas provocadas por atividades humanas. Ele advertiu que, caso a baixa cobertura de gelo persista até 2030, o Oceano Antártico pode se transformar em amplificador do aquecimento global em vez de estabilizador climático.
A pesquisa enfatiza a urgência de medidas globais para conter as mudanças climáticas. Mais informações estão disponíveis no portal Phys.org.
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