Estudo expõe custos elevados da metamorfose em tritões, com impacto maior nas fêmeas

Um tritão em processo de metamorfose, com brânquias externas visíveis, em ambiente aquático. (Foto: phys.org)

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Liège, na Bélgica, revelou os custos significativos da metamorfose em tritões palmados, mostrando que o processo impõe perdas imediatas e relevantes de peso aos animais.

A pesquisa foi liderada por Mathieu Denoël, diretor do Laboratório de Ecologia e Conservação de Anfíbios da Universidade de Liège. Os resultados foram publicados na revista BMC Biology.

A investigação focou no tritão palmado por sua capacidade de paedomorfose, que mantém alguns adultos com brânquias e vida aquática. Essa plasticidade torna a espécie um modelo ideal para comparar diretamente os custos da metamorfose.

Os cientistas analisaram indivíduos que realizam a transição terrestre contra aqueles que permanecem paedomórficos, sem a transformação. Ao todo, 80 tritões adultos foram submetidos a condições experimentais simulando variações no nível e na temperatura da água.

Ao longo de 85 dias, os pesquisadores monitoraram rigorosamente o peso corporal de todos os animais. Todos os tritões que completaram a metamorfose sofreram perda significativa de peso durante o processo.

Os indivíduos paedomórficos, por sua vez, mantiveram sua massa corporal estável durante todo o período. A perda de peso não resultou apenas das mudanças fisiológicas internas: os tritões em metamorfose reduziram drasticamente a ingestão alimentar mesmo com abundância de comida disponível.

As fêmeas iniciaram a perda de peso mais cedo e perderam maior quantidade de massa corporal. Elas também completaram a metamorfose de forma mais lenta quando comparadas aos machos.

Esses achados reforçam a hipótese da fuga masculina, que indica menor custo relativo do processo para os machos. Denoël enfatizou que compreender essas diferenças sexuais é essencial para explicar as trajetórias de desenvolvimento e a ecologia populacional da espécie.

As mudanças climáticas elevam a frequência de secas e o esgotamento de áreas úmidas rasas. Essa pressão força um número crescente de tritões a realizar a metamorfose para sobreviver em ambientes terrestres.

A depleção das reservas energéticas durante a transição pode comprometer o sucesso reprodutivo na temporada seguinte. Tal mecanismo representa desafio significativo para a sobrevivência de populações de anfíbios já vulneráveis.

Os cientistas defendem a inclusão dos custos diretos da metamorfose nos modelos evolutivos sobre trade-offs entre vida aquática e terrestre. Os resultados destacam ainda a urgência de análises mais profundas sobre os impactos das alterações climáticas nos anfíbios.

O tritão palmado, conhecido cientificamente como Lissotriton helveticus, serviu como caso exemplar nessa análise detalhada. O estudo completo, intitulado “The direct cost of amphibian metamorphosis: insights from body weight loss in facultative paedomorphs”, está disponível na BMC Biology. Mais detalhes sobre a pesquisa foram publicados no portal Phys.org.


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