As Filipinas deram um passo concreto para diversificar sua matriz energética ao anunciarem as primeiras zonas dedicadas à instalação de parques eólicos offshore no país.
As localidades escolhidas são a Baía de San Miguel, na região de Bicol, e o Estreito de Guimaras, em Visayas Ocidental. Juntos, os empreendimentos somam capacidade instalada planejada de 3,5 gigawatts.
O potencial de geração é de aproximadamente 11 terawatts-hora de eletricidade por ano. A projeção foi apresentada pelo Conselho Global de Energia Eólica e detalhada em reportagem do CleanTechnica.
O cronograma para a Baía de San Miguel prevê início das operações com 1 gigawatt em 2029, com expansão para 2 gigawatts até 2031. O projeto no Estreito de Guimaras tem previsão de começar com 500 megawatts em 2030 e chegar a 1,5 gigawatts em 2032.
Mesmo com objetivos ambiciosos, as autoridades filipinas reconhecem barreiras estruturais e logísticas que podem impactar os prazos. Nenhuma turbina foi instalada até o momento, mantendo todas as iniciativas na fase inicial de pré-desenvolvimento.
A infraestrutura portuária atual se mostra insuficiente para o transporte e a montagem dos grandes componentes das turbinas. Urge também a criação de uma cadeia de suprimentos local especializada e a capacitação técnica da mão de obra disponível no país.
Como grande importador de carvão e gás natural, as Filipinas buscam na eólica offshore uma forma de reduzir sua vulnerabilidade às variações de preço no mercado global de combustíveis fósseis. A medida contribui diretamente para a segurança energética nacional e para o processo de descarbonização da economia.
Especialistas alertam que a implantação dos parques pode causar interferências temporárias nas rotas de pesca das comunidades tradicionais do litoral. O sucesso depende de planejamento rigoroso do uso do espaço marítimo e de programas efetivos de compensação para as populações afetadas.
A maturidade alcançada pela tecnologia eólica offshore em escala global abre uma janela estratégica para o arquipélago asiático. Caso os cronogramas sejam cumpridos, o país dará um salto importante em direção à soberania energética e ao desenvolvimento sustentável.
Eventuais atrasos na execução poderiam elevar custos e reduzir o interesse de investidores internacionais no setor. Com isso, a transição energética filipina correria o risco de ser postergada, mantendo elevada a dependência de fontes poluentes por mais tempo.
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