Quase dois anos após a privatização da Sabesp por Tarcísio de Freitas, os dados revelam um contraste brutal: lucros disparam enquanto as reclamações de usuários explodem.
As queixas registradas na Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo aumentaram 70% entre janeiro e março de 2026 ante o mesmo período de 2025. A média mensal de reclamações saltou de 1.041 para 1.770, conforme apurou Adriana Ferraz em reportagem para o UOL.
Os problemas se concentram especialmente nas periferias da capital paulista. Áreas como o Campo Limpo registram cortes frequentes no abastecimento e queixas sobre a turbidez da água que chega às residências.
O jornalista Leonardo Sakamoto, que nasceu e cresceu no Campo Limpo, criticou duramente a situação vivida por seus antigos vizinhos. Seus pais ainda residem na região e relatam os mesmos transtornos no cotidiano.
A Sabesp divulgou lucro líquido ajustado de R$ 1,5 bilhão no primeiro trimestre de 2026, alta de 32,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. O Ebitda ajustado alcançou R$ 3,8 bilhões, com elevação de 26% na mesma base comparativa.
A companhia atribui os números ao corte de funcionários e à maior eficiência operacional. Para os moradores das periferias, porém, essa “eficiência” se traduz em torneiras secas e água turva.
Sakamoto deixa claro que não rejeita privatizações de forma genérica. O colunista questiona especificamente a transferência da gestão de serviços essenciais sem contrapartidas claras para a população.
Ele havia proposto, na época da venda da Sabesp, a inclusão de uma cláusula de responsabilização política. A medida puniria os defensores da privatização caso a qualidade do saneamento se deteriorasse.
O jornalista mencionou ainda os casos de Berlim e Paris, que optaram por reestatizar seus sistemas de água e esgoto. As duas cidades enfrentaram tarifas mais altas e investimentos insuficientes sob controle privado.
A experiência da Sabesp reforça o debate sobre os limites da iniciativa privada na prestação de serviços básicos. A maximização de lucros para acionistas nem sempre coincide com a garantia de acesso universal e qualidade contínua.
Com informações de DIARIODOCENTRODOMUNDO.
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